sábado, 19 de outubro de 2013
Monsters of Rock 2013 - Dia 1
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Viper
As bandas que se apresentaram no Monsters of Rock já estavam em São Paulo, mas eu ainda não havia começado este corre. Era dia de ver uma das bandas nacionais mais importantes para mim, o Viper, pois temos uma longa história em comum. Para que você entenda, terei de retornar a 1984, pouco antes do meu aniversário de 12 anos, quando fiz minha primeira viagem internacional, com a família, aos Estados Unidos. Uma das coisas que comprei por lá foi uma caderneta de autógrafos. Não sei porque comprei, talvez inconscientemente vislumbrasse o que eu viria a ser quase 25 anos mais tarde.
No ano seguinte eu estudava no colégio Nossa Senhora do Sion, em Higienópolis, São Paulo. Um de meus colegas de classe chamava-se Cristiano, que um dia contou que seu irmão Cássio tocava em uma banda. Ele convidou-me para assistir a um ensaio no próprio colégio, eu fui e adorei. Alguns dias depois, fomos a um show do Viper na antiga danceteria Raio Laser, em Moema. Terminou de madrugada, mas sem problemas, a mãe dele me trouxe para casa. Não sem antes eu estrear a caderneta que trouxe da América, pois nela consegui autógrafos de alguns integrantes do Viper.
Na semana seguinte, no intervalo, eu caminhava pelo pátio do colégio, quando o guitarrista Felipe Machado, que também estudava lá, me reconheceu e veio falar comigo, querendo saber o que achei do show. Dois dias depois fui ao correio postar uma carta, e encontrei sem querer Andre Matos fazendo o mesmo. Conversamos um pouco também. Tem noção que conheci o Andre com 14 anos? Felipe tinha 15, Yves 16 e Pit 17. Não me lembro a idade do Cassio Audi, mas deveria ser 13 ou 14 também. Eram os "Menudos do metal".
Com o tempo, aproximei-me muito de todos os integrantes. Passei a ser presença constante nos ensaios, acompanhei outros shows, inclusive aquele do incêndio no teatro do colégio Rio Branco. Realmente tornei-me fã, inclusive criando o primeiro fã clube brasileiro e fazendo anúncios para divulgar a banda em revistas especializadas. Curiosos enviavam cartas querendo saber mais sobre o trabalho, e eu respondia enviando uma fita cassete com a demo tape "The Killera Sword". Se comparado a hoje, eram tempos difíceis, mas bons...
Cássio Audi morava na rua Dr. Brasílio Machado. A duas quadras de distância, na rua Dr. Veiga Filho, em um mesmo edifício moravam os irmãos Yves e Pit Passarel em um apartamento, e Felipe Machado em outro. No prédio imediatamente vizinho, morava Andre Matos. Passei a andar com Felipe e Yves, os via quase todos os dias. Era comum panfletarem próximo à estação Santa Cecília do metrô, entregando aos transeuntes um papel com informações do próximo show. Também íamos frequentemente à Galeria do Rock, onde conversavam com donos de gravadoras independentes, pois sempre sonharam em gravar álbum.
Passei a frequentar o apartamento onde Cássio morava e aprendi as noções básicas de bateria. Isso me levou a procurar aulas, a princípio no Grupo AMA da rua Dr. Gabriel dos Santos, e depois no Conservatório Musical Carlos Iafelice da rua Turiassú. Sim, toquei bateria e tive algumas bandas na adolescência, mas depois me afastei, deixei para lá. Sabe como é, trabalho, namoro...
Essa aproximação com o Cássio meio que me tornou um roadie. Não era nada oficial, a banda nem tinha dinheiro para pagar um, mas diversas vezes ajudei a montar, desmontar e carregar a bateria do Cássio para algum ensaio ou show em São Paulo. Éramos muito jovens, tudo era novidade, tudo era divertido...
Afastei-me dos integrantes do Viper quando decidiram demitir o Cássio - e até hoje não entendo o porquê, ele era ótimo. Me lembro dele quase chorando quando contou sobre a demissão. Entreguei o controle do fã clube para Pit, que foi ao apartamento onde eu morava para pegar as cartas pendentes de resposta. Continuei fã, é claro, mas perdemos o contato completamente. Logo depois a banda lançou o fenomenal Theatre of Fate, até hoje um dos álbuns mais significativos do metal nacional.
Distante do mundo Viper, eu ouvia notícias de que Andre queria sair da banda para fazer faculdade de música. Achei uma idiotisse. Lembro que, quando eu estava com eles, Felipe se afastou por um ano para fazer intercâmbio nos Estados Unidos. Por que sair? Por que não deixar a banda com um substituto temporário, retornando quando concluir os estudos? Hoje sabemos que Andre logo quis voltar, mas a banda, numa atitude mais idiota ainda, recusou aceita-lo de volta, o que o fez montar o Angra com o Rafael Bittencourt.
O primeiro álbum do Viper sem Andre, Evolution, foi muito bom. Pelo visto muitas músicas ainda eram feitas para a voz de Andre, por exemplo The Spreading Soul Forever, que foi regravada com sua voz décadas depois, quando o vocalista retornou à banda por algum tempo. A partir de então, em minha opinião, o Viper perdeu-se completamente. Primeiro com a mudança de estilo do Coma Rage. Foi um bom álbum, mas não era mais genial como os anteriores. Então veio o desastroso "Tem Pra Todo Mundo". O que foi aquilo?! Por muito tempo simplesmente larguei mão, não queria nem saber mais...
Em minha opinião, se os músicos se levassem a sério, poderiam estar hoje no nível do Helloween, conhecidos mundialmente, fazendo turnês... Felipe sempre preferiu ser jornalista, a guitarra e a banda são apenas hobbies. Yves pulou fora quando recebeu o convite do Capital Inicial, onde poderia ganhar muito mais dinheiro. Pit entregou-se às bebidas e sabe-se la mais o que - na verdade todos sabemos, mas é melhor nem dizer... O único que fez como deveria foi justamente Andre, que morreu reconhecido como o maior vocalista brasileiro de todos os tempos.
Sinceramente gostei do álbum All My Life, a banda acertou muito ao entregar os vocais para Ricardo Bocci e as composições são excelentes, quase como nos velhos tempos, além de demonstrar o amadurecimento musical. Porém, mas uma vez, os integrantes não se levaram a sério e não deram continuidade ao trabalho. Foi apenas um álbum quase que perdido no meio de uma discografia confusa...
Agora era 2012 e Andre estava de volta. Seria ele capaz de salvar o Viper? Eu não sei o que é lenda e o que não é, mas a história diz que, na época em que Andre saiu, a banda estourava na Europa e no Japão. Tudo o que eu queria era ve-los no lugar de onde nunca deveriam ter saído.
Kevin me chamou para fazer com ele o corre, quando a banda apresentou-se com Andre no Via Marquês. Eu até fui, mas não sei porque não fiquei, talvez não estivesse passando bem mas realmente não me recordo. Um ano se passou e a banda agora tinha uma sessão de autógrafos marcada na Animal Records. Era a oportunidade que eu teria para rever meus ex amigos - ex porque nos afastamos, não porque brigamos. Será que se lembrariam de mim?
Escaneei os antigos autógrafos que sobreviveram, dois do Felipe e dois do Yves, coloquei todos no iPad e fui à Galeria para participar do evento. Levei também o Soldiers of Sunrise autografado por todos, exceto Andre, na época do lançamento.
Antes do evento, encontrei minha amiga Bruna, mais conhecida como Kitty, dando um rolê na própria Galeria com o guitarrista Stevie D. do Buckcherry. Aproveitei para tirar uma foto com ele.
| O guitarrista Stevie D. do Buckcherry utilizou meus amigos Alvaro e Bruna como guias enquanto esteve na cidade |
| Felipe observa no iPad o papel que autografou 28 anos antes |
| Viper: foi a primeira vez que encontrei-me com Hugo Mariutti e Guilherme Martin |
| Achou que não iria levar uma foto para eles assinarem?! Pena que usaram as canetas do evento e não a minha |
| Pit completou a assinatura que faltava na foto |
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Sharon Corr
Conheci Alex, se não me engano, no corre do Mayan em 2011 e fiquei puto com ele porque a banda ficou algum tempo na cidade, e a cada dia ele levava mais e mais pessoas ao hotel, que por sua vez também levavam mais e mais pessoas. Ok, geralmente eram mulheres, mas mesmo assim. Não sei qual era a dele, se pensava que iria comê-las em troca de conhecer a banda, mas é claro que hotel lotado me irritava profundamente.
Se levasse uma ou duas, ok, eu mesmo faço isso de vez em quando, mas estamos falando de um batalhão, até porque quem ele levou sempre acabava falando para mais alguém, que falava para mais alguém... Por outro lado, ele provavelmente também não ia muito com a minha cara. Por mais de uma vez amigos avisaram que falou mal de mim, mas não liguei muito, é o tipo de coisa que acontece o tempo todo no mundo dos corres. Porém, o tempo passou e aconteceu com ele o mesmo que acontece com qualquer um que leva muitas pessoas aos corres: por causa delas, perde-se uma foto importante. É uma dura maneira de aprender a lição, mas extremamente eficiente.
Alex é conhecido por ser grande fã do Nightwish. Chegou a ir à Finlândia apenas para conhecer a terra de uma de suas bandas prediletas e assistir a um show lá. Ele, porém tinha ao menos outras duas paixões musicais: Iron Maiden e The Corrs. Quando foi anunciado o show de Sharon Corr no Brasil, alguns meses antes, pediu minha ajuda. "Eu já era fã de The Corrs antes mesmo de conhecer o Nightwish". Ok, leva-lo não atrapalharia em nada, então aceitei.
Mas nem foi necessário pois Sharon, aproveitando a passagem por São Paulo, promoveu o lançamento do CD "The Same Sun" através de uma sessão de autógrafos na livraria Cultura do shopping Iguatemi. Eu o avisei sobre este evento assim que soube. Ele foi e conseguiu conhece-la, mas ainda assim me dispús a ajudar caso ainda quisesse fazer o corre, no entanto deu-se por satisfeito com a foto conseguida no evento. Esse foi o final de nossas diferenças e o início de uma parceria de sucesso.
Por outro lado, eu e Sheila não passávamos pelos melhores dias no casamento. Ela viajou por uma semana para ver sua família, que mora no Mato Grosso do Sul, e me fez prometer que ficaria quieto em casa, sem fazer corres. Como este era um evento com hora marcada, só chegar e conseguir, e não um corre propriamente dito, fui e ainda pedi para que Sharon autografasse o CD com dedicatória à Sheila, que com certeza é mais fã dela que eu. Ela, no entento, quando ficou sabendo não concordou com a minha tese e me deu uma senhora comida de rabo. 😆
| Sharon Corr é simpática, nos atendeu sem problemas ao sair do HSBC |
Eddie Trunk
Eddie Trunk, apresentador do programa "That Metal Show" e lenda do jornalismo de rock, foi escolhido como mestre de cerimônias do festival Monsters of Rock, que aconteceu na Arena Anhembi nos dias 19 e 20 de outubro de 2013. Meus cálculos previam que ele chegaria na véspera do primeiro dia de shows, ou seja, no dia 18. Mesmo assim, eu estava monitorando. Se ele postasse qualquer coisa que indicasse que estava vindo, eu correria para o aeroporto. Como sabia que o Alvaro também queria conhece-lo, faríamos esse corre juntos.
Na noite do dia 15 Eddie tuitou estar a caminho do Brasil. Como eu sabia que viria de Los Angeles, em um voo com aproximadamente 12 horas de duração, calculei, pelo horário da postagem, que o voo correto pousaria em Guarulhos às 09:15hs da manhã do dia seguinte.
A vinda dois dias antes do previsto me pegou de surpresa, admito. Talvez tivesse outras coisas para fazer em São Paulo, talvez quisesse mais tempo para conhecer a cidade, realmente não sei. Mas já que estava a caminho, era hora de "trabalhar". No dia seguinte, acordei cedo. Devo ter saído de casa por volta de 07:00hs, ou até mesmo um pouco antes. Encontrei-me com Alvaro já no aeroporto, e rapidamente nos posicionamos para monitorar quem passasse pelo portão de desembarque. De fãs, apenas nós dois, ninguém mais.
Percebemos que havia um integrante da produção esperando por ele, mas não nos importamos, é normal. Não nos atrapalhou em nada quando Eddie Trunk enfim desembarcou. Fizemos uma abordagem muito educada, foi fácil como roubar doce de criança. Eddie foi muito educado e atendeu numa boa. Eu ainda não tinha feito as fotos para pegar os autógrafos das bandas que viriam ao festival, o que incluía Eddie Trunk. Deste modo, não levei nada para que ele autografasse. No mesmo dia, fez dois tweets onde nos agradeceu por te-lo recepcionado no aeroporto.
| Não há problemas em vir mais cedo, Mr. Trunk. Nós recalculamos e te conhecemos do mesmo jeito! |
| Saudações de São Paulo, Brasil. Acabei de chegar aqui, após um voo de 11 horas. Já conheci alguns fãs no aeroporto |
| Gostaria de agradecer aos fãs que estiveram no aeroporto brasileiro para me conhecer. Fantástico! Dia chuvoso aqui, então vou dormir um pouco e sair mais tarde |
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Skillet
| John Cooper (vocal, baixo e teclado), Korey Cooper (guitarra base, teclado) e Seth Morrison (guitarra solo) |
| Jen Ledger, baterista do Skilett |
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Iron Maiden
Desta vez sem o Ed Force One, o Iron Maiden veio "fatiado" para São Paulo. Bruce, Steve e Nicko chegaram primeiro, os guitarristas viriam depois. Leo estava determinado a fechar a banda pois, apesar de fazer corres há muito mais tempo que eu, ainda não tinha conseguido encontrar Adrian Smith. E a missão parecia um pouco mais difícil, pois os músicos foram hospedados no Renaissance, um dos piores hotéis de São Paulo no trato com fãs. Leo chegou ao cúmulo de passar sabão no olho para simular conjuntivite, e desta maneira conseguir atestado para fazer o corre sem se preocupar com suas obrigações trabalhistas. Ficou com o olho zuado e ardendo, mas valeu a pena... acho.
Assim que soubemos que metade dos integrantes já estavam em São Paulo, eu o encontrei e seguimos ao hotel. Entramos sem ser incomodados pelos seguranças, nos instalamos em uma mesa próxima ao bar e apenas observamos o movimento. Bruce estava por perto, permanecendo quase o tempo todo sentado em sofás próximos ao bar. Sabendo o quanto o baixinho é chato em relação a abordagens, o deixamos em paz. Nossos alvos prioritários eram Nicko e Steve.
Não vimos sinal de Steve, mas Nicko não demorou a aparecer. Leo o abordou e ele pareceu um pouco incomodado, mas assinou e tirou uma foto. Eu tinha um catálogo do Rock'n'Roll Ribs, o bar que ele tem em Fort Lauderdale, Florida, e queria um autógrafo, mas nem tive chance de pedir. Mal bati a foto do Leo e Nicko ja caminhou apressado para longe, parecia mau humorado. Esta foi a única vez em diversas que o vi que levei naba dele. Nessa noite, nada mais aconteceu.
Eu e Leo cancelamos os planos de ir ao aeroporto. Como conheço Sombra, chefe dos seguranças brasileiros do Iron Maiden, falei com ele e mostrei a imagem. Só imagina o que aconteceria se por algum motivo o pouso adiantasse ou os seguranças atrasassem para chegar ao aeroporto - já vi acontecer com outras bandas - o voo chegaria e o desembarque aconteceria normalmente, com centenas de fãs cantando e berrando. Quem teria que aguentar o mau humor dos músicos no hotel era eu.
| Charlie Charlesworth é técnico de bateria no Iron Maiden |
| Ian "Squid" Walsh trabalha como técnico de som com o Iron Maiden |
| Tony Newton, baixista do Voodoo Six e do KK's Priest sempre trabalha com o Iron Maiden como engenheiro de gravação |
| Ficou bem incompleto perto do que pensei que conseguiria |
domingo, 8 de setembro de 2013
Exciter
| John Ricci, então guitarrista do Exciter. Saiu em 2018 |
| Robert "Clammy" Cohen, então baixista do Exciter. Saiu em 2014 |
| Richard "Rik" Charron, então baterista do Exciter. Saiu em 2014 |
| Kenny "Metal Mouth" Winter, então vocalista do Exciter. Saiu em 2014 |
Apesar da espera, foi um dos corres mais legais de todos os tempos. Até hoje somos amigos de Clammy e Kenny no Facebook, e eles interagem conosco, curtindo ou comentando algo de vez em quando – não são como a maioria dos músicos, que até adicionam fãs, mas nunca proporcionam interação.