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sábado, 4 de setembro de 2021

Rayssa Leal, a Fadinha do Skate

Duas semanas antes do início do Street League Skateboarding 2021, que foi realizado em Salt Lake City, eu já sabia que Rayssa teria obrigatoriamente que passar por São Paulo para poder voar aos Estados Unidos. Entretanto, como desde 2016 as conexões de voos nacionais para voos internacionais são internas, acreditei que não fosse possível tentar o corre já na saída do Brasil.

Infelizmente, esqueci de verificar os horários dos voos. Eu já sabia que os voos para os EUA são mais a noite, mas não me atentei ao horário dos voos vindos de São Luiz para Guarulhos. Como eram horários muito diferentes, Rayssa desembarcou normalmente, aproveitou para almoçar, e passou boa parte da tarde no terminal 3. Ela postou alguns stories no Instagram atendendo fãs aleatórios. Fiquei um pouco chateado comigo por não estudar o corre como deveria. Entretanto, haveria a volta, onde certamente eu poderia tentar. O problema seria se ela retornasse campeã - como realmente aconteceu. Será que eu teria que enfrentar novamente aquele monte de repórter do satanás???

Ao término da competição, Rayssa postou uma foto no aeroporto americano, que indicava seu retorno ao país. Um rápido cálculo me possibilitou saber com precisão qual voo ela viria, o das 05:40hs. Fiquei feliz, pois não seria necessário passar a noite no aeroporto. Bastaria sair de casa por volta de 04:00hs para pegar o trem na Luz às 05:00hs, que me possibilitaria estar no terminal 3 por volta de 05:40hs. Até ela pegar a bagagem e passar pelos processos alfandegários, haveria tempo de sobra. No entanto, foi uma noite que passei muito mal. Desde que tive problemas cardíacos - nesta época ainda não diagnosticados - às vezes me dava falta de ar muito forte, e eu estava em um estado que sabia não ser capaz de caminhar à estação de trem. Com uma puta dor no coração, abortei o corre cerca de duas horas antes de sair de casa. Mas fiquei monitorando.

Era previsto que ela retornasse ao Maranhão, mas isso não aconteceu. Para minha surpresa, ficou em São Paulo e postou uma foto com a vista de onde estava. Com a ajuda do Carlos, concluímos que ela provavelmente não ficou em hotel, pois nenhum dos hotéis que conhecemos tem essa vista. Após alguns dias, recebi a confirmação de nossa tese, com a notícia de que, com o sucesso olímpico, Rayssa mudou-se para São Paulo, tornando-se a nova moradora de um condomínio que é alugado por temporada.

Continuei monitorando. Durante a semana, ela encontrou-se com Ronaldo Fenômeno, gravou uma participação para o programa da Ana Maria Braga, abriu uma conta no Banco do Brasil, foi ao Jockey Skatepark para praticar um pouco suas ténicas de campeã do mundo... Apesar do excesso de pistas, até aqui nada que me levasse até ela. Mas minha sorte estava começando a mudar.

Após alguns dias, ela postou uma foto no story do Instagram em um veículo sobre o minhocão. Reconheci imediatamente, pois é um acesso que utilizo desde que me conheço por gente. Até os dois anos, morei na rua Tupi, localizada logo abaixo do elevado, que para mim sempre será Costa e Silva, não importa que os esquerdistas mudaram o nome. Dos dois aos 14 anos, morei em Higienópolis; dos 14 aos 23 em Perdizes, daí em diante quase toda a minha vida morei na Pompéia... Então é uma vista que conheço muito bem, mas que ainda assim não me levou a ela.

No sábado, dia 4 de setembro, a coisa enfim esquentou. De manhã ela estava jogando futebol no Nossa Arena, um espaço para a prática de futebol de areia voltado às mulheres. É bem perto de casa, mas vi os stories com algum atraso, e temia que ela não estivesse mais lá. Continuei monitorando. De tarde, entretanto, ela me deu exatamente a pista que eu precisava. Vassoura Quebrada é uma hamburgueria com decoração e menu inspirados em Harry Potter. Apesar de ficar extremamente próximo de casa, eu nunca estive no local. Além de não ser grande fã do bruxinho, o excesso de fila na entrada nunca me animou a conhecer.

Essa imagem foi postada apenas 50 segundos antes de eu visualiza-la. Daria tempo de sobra para ir ve-la. Houve, porém, um imprevisto: as fotos que eu fiz para ela autografar simplesmente desapareceram. Cheguei a me desesperar: a menina do lado de casa e eu sem poder ve-la, mesmo tendo tudo antecipadamente preparado para tal. É desanimador. Porém, as encontrei em uma última busca, e corri para a frente do local, rezando para que ela ainda estivesse.

Após uma espera de 20 minutos, ela saiu do local e foi logo cercada por uma pequena multidão de fãs. A maioria deles queria apenas uma foto. Eu me posicionei de forma bem visível, em frente a ela, exibindo as fotos para autografar. Ela veio direto em minha direção e assinou. Expliquei que eram 3 fotos, e ela não se importou em autografar todas.

Como eu estava sozinho, tive que esperar algum tempo para que a tinta secasse adequadamente e não borrasse as assinaturas, para apenas assim tentar conseguir uma foto com ela. A essa altura, ela atravessou a rua e entrou em uma loja de aquários. Esperei pacientemente do lado de fora. Quando ela saiu, pedi a foto, e fui gentilmente atendido.

Os repórteres e cinegrafistas atrapalharam demais minha primeira tentativa, mas consegui na segunda

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Rayssa Leal, a Fadinha do Skate (fail)

Com apenas 13 anos, Rayssa Leal participou das Olimpíadas de Tóquio, conquistando a medalha de prata no street feminino de skate. Como foi uma das primeiras modalidades finalizadas da Olimpíada, Rayssa foi uma das primeiras a retornar ao Brasil. Monitorei cuidadosamente sua saída de Tóquio até sua conexão em Frankfurt.

Isso significa que teria que passar a noite no aeroporto, pois o voo chegaria ainda de madrugada, às 04:55hs. Também significava que ninguém me acompanharia esta noite. Se fosse alguma banda, talvez até tivesse a companhia de Carlos e/ou Jéssica, mas por skatista não. Recebi três encomendas de fotos autografadas por Rayssa, era pelo menos 300,00 reais em jogo, então claro que faria a tentativa.

O que eu não contava era com a presença maciça de cinegrafistas e repórteres, que foram contra a  orientação veículada pela imprensa de "fique em casa" e "evite aglomeração". É o famoso "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Para dar o furo, eles fazem qualquer coisa. Apenas lembrando que a maioria dos que lá estavam, pelo critério preferencial que levava em conta a idade, a grande maioria dos profissionais ainda não estava vacinada.

04:27hs: a aglomeção de profissionais da imprensa começou

Para tentar organizar, um dos seguranças do aeroporto comunicou que Rayssa passaria por uma área especialmente montada para a ocasião, o que provocou correria para ver quem chegava primeiro à tal àrea.

Mais aglomeração da turma que mandava ficar em casa e não aglomerar

Ao menos o segurança falou a verdade para a imprensa, pois Rayssa realmente apareceu na área reservada. Lembre-se, estamos falando de uma menina de 13 anos que encarava pela primeira vez o sucesso profissinal, ela parecia completamente intimidada em ser o foco da atenções. Só andou um pouquinho de skate após muitos pedidos da imprensa. Ela ficou pouco tempo, e retornou para o mesmo portão que apareceu. Os jornalistas se deram por satisfeitos e graças a Deus foram embora.

Meu instinto dizia que, após falar com a imprensa, Rayssa usaria o elevador da área reservada para subir ao andar seguinte e ser encaminhada ao portâo de embarque nacional. Sozinho e com sono, não tomei a decisão correta e simplesmente admiti a derrota: seria impossível falar com Rayssa desta vez. Mas foi exatamente o que aconteceu: após a debandada dos repórteres e cinegrafistas, a Fadinha realmente usou o elevador, como previ, e foi escoltada por seguranças do aeroporto em um longo percurso ao portão de embarque nacional. Se eu tivesse seguido minha intuição, mesmo escoltada, ela provavelmente pararia quando visse que eu queria apenas autógrafos.

Após retornar à mesma porta que usou para encarar os repórteres, simplesmente desisti. Enquanto havia debandada geral de profissionais da imprensa, caminhei calmamente para o terminal 2. Parei um tempo no portão de embarque para ver se conseguia reconhecer mais alguém. Talvez a desta vez não tão badalada Letícia Bufoni - eu não sabia que ela não morava no Brasil. Enquanto monitorava, vi Rayssa se aproximar cercada por alguns seguranças. Broxado, não a chamei, mas tive que encarar esse erro logo depois. Assim que passou a passagem para o próximo voo na catraca, Rayssa foi assediada por passageiros comuns e atendeu a todos. 😲 Essa foi para mim uma lição aprendida de uma forma dura.

Broxado, admiti a derrota, mas em segundos teria a lição de que não deveria ter desistido tão fácil
Aqui é possível ter uma ideia melhor de quantos seguranças escoltaram Rayssa, se vê ao menos quatro na imagem

Felizmente, consegui ver Rayssa, conseguindo foto e autógrafos, pouco mais de um mês depois, e literalmente ao lado de casa. Essa foi uma noite que eu deveria ter ficado em casa, mas ao menos serviu para me ensinar uma lição, um erro que não cometerei novamente.

sábado, 17 de agosto de 2019

Tony Hawk - o pior corre de todos os tempos

Tony Hawk, o maior skatista do mundo de todos os tempos, esteve em São Paulo para o evento Tony Hawk Brasil Tour 2019, acompanhado por outros grandes nomes do esporte: Jimmy Wilkins (então bicampeão dos X-Games Los Angeles), Riley Hawk (filho de Tony Hawk),  Vincent Alvarez, Griffin Gass e Simon Bannerot. No Instagram, Hawk postou uma foto e um vídeo que nos fez reconhecer o hotel imediatamente. Sabíamos que seria de boa, teríamos apenas que encontra-lo para conseguir uma foto com ele.

Foto: reprodução do Instagram

O evento começava às 10:00 hs, e a apresentação de Hawk estava marcada para às 14:00 hs, portanto cheguei ao hotel por volta de 09:30. Logo em seguida, Carlos também chegou. Parecia fácil: provavelmente ele sairia um pouco mais tarde para o evento, conseguiríamos a foto, e todos estariam felizes em suas casas quando ele começasse a apresentação. Mas não foi bem assim que aconteceu. Hawk certamente foi mais cedo para lá, e ficou o dia inteiro fora. 

De tarde, Estéfano juntou-se a nós, mas não poderia ficar muito tempo, pois tinha ingresso para o Xuxa Xou, no Credicard Hall. Ele foi, voltou, e continuávamos lá, fora do hotel, à espera. É claro que estávamos acompanhando os passos de Hawk desde que ele deixara o evento. Ele passou pelo parque do Ibirapuera, e foi jantar em um restaurante em São Caetano do Sul, cidade onde, aparentemente, os outros skatistas estavam hospedados.

Já se passava da meia noite, e nada. Uma da manhã, e nada. Quando deu duas horas, "entregamos a toalha". Finalizamos um corre de quase 17 horas sem conseguir nada. O pior: isso me esgotou o suficiente, estava completamente sem energias para tentar novamente no dia seguinte, quando Hawk deixou o país. Era só ir ao aeroporto e conseguir, mas faltou gás. Um corre tão fácil, tão ganho, se transformou no pior de todos os tempos.

O curioso é que durante toda a semana houveram eventos gratuitos em lojas especializadas no ABC onde se poderia conseguir fotos e autógrafos com Hawk, mas não fomos por achar que era longe demais para ir por um cara tão acessível. Além disso, fotos no hotel sempre saem muito melhores do que as fotos que se consegue nesse tipo de evento. Na real: ele "cansou" de tirar fotos com fãs em São Paulo e grande ABC. Nós é que mandamos terrivelmente mal desta vez.