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sábado, 13 de julho de 2019

Angra + Shaman + Viper

Pouco mais de um mês após a morte de Andre Matos, três de suas principais bandas se reuniram para um show na Praça da República. Sendo sincero: eu não estava muito interessado em assistir, mas Arianne queria ver e, mais, queria tentar conseguir foto com os músicos do Angra com quem ela não tinha foto. Sendo assim, fomos.

Quando o show acabou, fomos para trás do palco, por onde provavelmente os músicos sairiam. Rafael Bittencourt foi o primeiro a sair, completamente apressado, evitando os fãs. Ainda assim, Arianne conseguiu convence-lo a parar e tirar uma foto. Eu nem tentei, já tinha foto com ele e estava óbvio que não estava muito a fim de atender. Mas tirei com o empresário, Paulo Baron, dono da Top Link. De vez em quando eu o encontro nos hotéis das bandas que trás ao Brasil, ele sempre foi legal conosco.

Paulo Baron, dono da Top Link e empresário do Angra

Enquanto esperávamos, Jonas passou por onde estávamos. Quando me viu, tentou me dar um abraço - que não foi retribuído - e começou com o bla bla bla: "estou tão chateado com a morte do Andre e de Paulo Pagni (baterista do RPM). A vida é um sopro, a gente nunca sabe quando vai acabar. Por isso acho que devemos esquecer o passado e voltar a ser amigos". Respondi algo como "Eu não me importo se você morrer, seria até um favor se você fizesse isso". Eu não menti, por mim, é ele lá e eu aqui. Já estou cheio de gente falsa nesta vida, não preciso de mais um, ainda mais um com o tão grotesco histórico de traição de amizade.

Marcelo Moreira, o único com quem eu ainda não tinha foto no Angra, saiu. Quando fui aborda-lo, Arianne me chamou, pois Hugo Mariutti também saiu, por outro lugar. Fiquei sem a minha foto, mas consegui a dela. Como no caso anterior, nem tirei foto com Hugo, pois já tenho.

Pra finalizar, Ricardo Confessori saiu apressado pelo mesmo lugar que Hugo, quase correndo. Eu disse para Arianne segui-lo, e a acompanhei. O carro dele estava estacionado há alguns metros e, quando ele parou para colocar alguns objetos no veículo, o abordamos. Como foi bem receptivo, tirei a foto de Arianne, e também acabei tirando uma com ele. 


Como frequento muitos workshops de bateria com bateristas consagrados, é comum encontra-lo nesses eventos. Mas não vou pedir para tirar foto com ele todas as vezes que o encontrar, né? A última foto que tiramos foi em 2012, fazia 7 anos, então pareceu ok. Mais tarde, eu e Arianne esperávamos pelo show do Golpe de Estado, quando ele, que participaria como convidado no show de Edu Falaschi, passou por nós, mas nem nos movemos. Não tem porque incomodar, se já havíamos conseguido mais cedo.


sexta-feira, 7 de junho de 2019

Raven + Leather Leone

Rodrigo Scelza foi o produtor que trouxe Raven e Leather Leone ao Brasil. Somos amigos há anos, então quando ele traz alguma banda, nunca se incomoda de me passar informações de hotel e de horários. Deste modo, sabíamos que as bandas sairiam para o The House (que hoje voltou a se chamar Hangar 110) às 15:30hs. Leo ficou de passar em minha casa às 14:30hs, em tese teríamos tempo de sobra.

Esse, no entanto, foi um dia de trânsito especialmente anormal em São Paulo. Ficamos por muito tempo parados em um congestionamento no Minhocão (viaduto Gal. Costa e Silva, pouco me importa se mudaram o nome). Quando conseguimos sair, foi ainda pior: as ruas do centro estavam absolutamente congestionadas. Quando, enfim, chegamos ao hotel, já era 15:45hs.

A van ainda estava parada em frente ao local, mas para nosso desespero observamos que os integrantes das bandas já estavam saindo do hotel e entrando na van. Eu e a Arianne descemos e fizemos a abordagem, enquanto Leo terminava de estacionar.

Na correria, não conseguimos fotos com todos. Eu, por exemplo, perdi John Gallagher, mas não me importei, pois já tinha foto com ele desde 2010. Sempre é bom renovar, afinal 9 anos se passaram, mas meu objetivo era conseguir foto com o baterista Mark Heller, pois ele era a "figurinha nova".

Leather é sempre boazinha, que mulher legal
Leather Leone, vocalista do Chastain
Mark Heller, baterista do Raven
Mark Gallagher, guitarrista do Raven

No retorno para casa, Leo comentou sobre a morte de Serguei. Essa notícia não me pegou de surpresa: quando o encontrei pela última vez, dois anos antes, ele já estava bastante zuado, parecia que nem sabia o que estava fazendo ali (no show do Made in Brazil, no Sesc Pompéia). O que eu não sabia é que outra notícia ainda pior estava a caminho, já no dia seguinte.

A internet de casa estava com problemas, e eu já tinha solicitado para a operadora enviar um técnico, o que ocorreria somente na segunda feira, dia 10. Nesse sábado, dia 8, passei quase todo o dia offline. Quando anoiteceu, decidi ir para perto de um mini mercado Extra, próximo de casa, apenas para acessar o wi-fi, ver o que estava rolando no Facebook e dar uma lida nas notícias em geral. Para minha surpresa, havia mais de 40 mensagens não lidas, o que é muito incomum. Quando fui ler, todas abordavam o mesmo assunto: o falecimento de André Matos.

No começo achei que poderia se tratar de alguma brincadeira, algum boato. Como assim?! Andre era apenas 11 meses mais velho que eu, nem tinha completado 48 anos ainda. Como todos infelizmente soubemos bem nesse dia, era real. Tirei alguns prints das notícias, pois quando retornasse para casa e contasse à Arianne, ela certamente não acreditaria. Apenas 5 dias antes, eu e ela quase o encontramos na saída do show do Avantasia.

Quando cheguei, ela estava deitada na cama. Essa foi a conversa que tivemos:

- Um dia que ficamos sem internet e parece que o mundo como conhecemos nunca mais será o mesmo.

- O que aconteceu?

- O Andre Matos morreu!

- Não morreu!

Ela não acreditou nem mesmo quando mostrei os prints, teve que ir ao mercado para confirmar e somente então acreditar. Para ela foi um grande baque, provavelmente foi a primeira grande perda com que teve que lidar. Por minha vez, eu estava vivendo em uma década que levou minha mãe, meus avós, vários amigos e ídolos na música (Dio, Lemmy, Jeff Hannemann, Clive Burr, entre outros), então Andre foi apenas mais uma perda para mim.

domingo, 2 de junho de 2019

Avantasia e a saga de Alisa com Andre Matos

A última vez em que encontrei Andre Matos foi no corre do Metal Singers, uma turnê organizada pela produtora Open The Road, reunindo vocalistas de metal para apresentar sucessos de suas carreiras, finalizando com uma jam onde todos participam. Na ocasião, Blaze Bayley, Udo Dirkschneider, e Doogie White vieram em um voo de Santiago. O quarto vocalista, Andre, não desembarcou. Avistei Silvio, o dono da produtora, e perguntei onde estava Andre. Ele respondeu que não havia passagens para todos, então viria no próximo voo.

Como já tenho diversas fotos com ele, normalmente eu finalizaria o corre e iria para casa. Entretanto, seria a primeira vez que Arianne conseguiria encontra-lo, após duas tentativas frustradas, então eu e Carlos aguardamos com ela pela chegada do voo seguinte. Após passar pelos procedimentos alfandegários, Andre saiu pelo portão de desembarque. Logo nos avistou e percebeu que o abordaríamos, então já veio falar conosco.

Arianne tem uma amiga russa, Alisa, que sempre perguntava quando Andre faria um show em seu país. Toda sem graça, pediu permissão para gravar um vídeo com ela perguntando e ele respondendo. Depois de legendar em inglês, enviou o vídeo para a amiga. Obs: a versão abaixo não contém legenda.

Seis meses se passaram e Arianne perguntou se eu me importaria se Alisa ficasse alguns dias em casa conosco. O único problema é a total falta de estrutura para receber hóspedes. Quando eu morava com a Sheila, tínhamos um quarto apenas para essa finalidade, mas onde moro com Arianne é uma casa pequena, com apenas quarto, cozinha, banheiro e um corredor, onde fica o computador.

Não temos cama extra e nem ao menos um colchonete para colocar no chão se vier alguém. Logo, respondi que se Alisa não se importassse em dormir conosco na cama - que é King, enorme - e com os gatos (tínhamos 15, e quase todos também eram acostumados a dormir na cama), por mim estaria ok.

No dia em que Alisa desembarcou em Guarulhos, Arianne foi recepciona-la no aeroporto. Eu não fui, pois Arianne preferiu que eu as encontrasse na estação Barra Funda, apenas para levar uma mala "pesada". As duas tomariam um ônibus para o Rio de Janeiro, onde Alisa faria turismo por alguns dias. Sim, ela veio ao Brasil com o único objetivo de ver Andre Matos, mas turistar um pouco para aproveitar a longa viagem também não seria má ideia. Elas foram e retornaram dois dias depois.

Na madrugada seguinte, às 02:00hs, chegaria o voo trazendo o Avantasia ao Brasil. Eu não estava muito preocupado com o corre, pois havia apenas uma nova integrante com quem eu ainda não tinha foto, a vocalista Adrienne Cowan, que veio em substituição à Amanda Somerville, que meses antes decidiu não excursionar nesta turnê. Conseguindo foto com ela, por mim já estaria bom. Claro que é sempre bom conseguir com todos, mas não fazia questão absoluta. A grande missão nesse final de semana seria mesmo colocar Alisa em frente ao Andre.

Devido ao horário de chegada do voo, ir a Guarulhos automaticamente nos condenava a passar o resto da noite no aeroporto, até que o trem voltasse a circular. Alisa e Arianne me acompanharam, embora não estivessem muito interessadas em conseguir fotos com nenhum dos integrantes. Na correria, esqueci de verificar se a câmera estava com cartão - e não estava - então o jeito foi tirar as fotos com o celular de Arianne.

Tobias Sammet foi o primeiro a passar pelo portão de desembarque. Em 2016 havia muitos fãs no aeroporto, e todos os músicos atenderam numa boa, exceto Tobias. Três anos se passaram, e agora estava mais bonzinho, pois já saiu atendendo. Na sequencia, abordei os sempre simpáticos e gente boa Geoff Tate e Eric Martin, além de Oliver Hartmann. Por fim, consegui quem eu queria: Adrienne ficou muito surpresa com a abordagem. Acho que pensou não ser importante em meio a tantos grandes nomes. Foi muito simpática, então fiz questão de dizer que estava ali apenas para ve-la, sendo retribuído com um sorriso lindíssimo.

Desta vez Tobias não se escondeu e atendeu todo mundo
Geoff Tate é sempre absurdamente legal e atencioso com os fãs
Eric Martin é outro que parece nunca ter um dia ruim. Oliver Hartmann também não se incomodou em tirar foto
Por fim, conheci meu grande alvo deste corre: a vocalista Adrienne Cowan. Pena que foi foto de celular
Mais uma vez, o Photoshop falando alto em uma foto promocional

O segurança brasileiro que recepcionou os músicos estava, como sempre, um pouco babaca. Eram pouquíssimos fãs - principalmente se comparado a 2016 - mas ainda assim ele enchia o saco. Como já tinha conseguido com quem eu queria, preferi finalizar as abordagens para não estressar desnecessariamente. Toda vez é a mesma palhaçada quando esse cara trabalha. Ele nos conhece, sabe o que queremos (foto e autógrafo), sabe que nossa abordagem é sempre a mais rápida possível e mesmo assim faz questão de atrapalhar... É difícil...

Quando a banda se foi, Alisa deitou-se em um banco no terminal 2 e cochilou um pouco. Arianne a acompanhou, ficando acordada para garantir que ninguém a incomodasse ou tentasse roubar. O aeroporto pode ter tipos bem estranhos de madrugada. Por minha vez, fiquei na área externa do terminal, fumando e conversando com outros fãs/hunters que, como nós, ficaram presos no aeroporto: Kleber e Ju Marmitt.

Ao amanhecer, quando o trem voltou a funcionar, pensei que retornaríamos para casa para dormir um pouco, mas Alisa tinha outros planos, que incluiam seguir direto para o Espaço das Américas, para garantir um dos primeiros lugares na fila. Mas que russa xarope! Eu fico péssimo quando não durmo, nem consigo curtir o show direito...

No caminho, expliquei como Andre chegaria ao local, e qual era o portão por onde ele entraria na casa de shows, mas ela alegou que não sairia da fila, pois não queria perder o lugar privilegiado, bem em frente ao palco. Mais uma vez: que russa xarope! Ela tinha ingresso de pista Premium, qual seria o problema se assistisse ao show um pouco mais para trás?! Mesmo que não fosse na primeira fileira, ainda assim seria próximo ao palco. Mas é fã, né? E fã é sempre imbecil, diria Regis Tadeu. Sem muita alternativa, Arianne a acompanhou.

Segui para casa, onde deitei e peguei no sono. Fui acordado no começo da tarde, quando Arianne apareceu para tomar banho e descansar um pouco, já que Alisa havia se enturmado com o pessoal da fila. Ela me disse que houve a comercialização de meet & greet do Shaman, e que Alisa sabia disso, mas não comprou porque achava que ficar por apenas um momento ao lado de Andre seria insuficiente, além do fato de não querer perder o lugar na fila. Contou também que, no Rio, Alisa pagou 600,00 para fazer um voo de asa delta - então falta de dinheiro para pagar o meet estava completamente descartada, não comprar o meet foi uma escolha deliberada.

A única chance dela encontrar Andre, então, seria na saída, mas com certeza ela se recusaria a deixar o local antes do final do show para tentar encontra-lo. Andre participou em dois momentos, o primeiro como vocalista da banda de abertura, Shaman, e o segundo cantando "Reach Out For the Light" como convidado do Avantasia. Esta, entretanto, não era a última música do setlist. Pelo contrário: era a oitava, de 23. E se cantasse e fosse embora?! Eu precisava impedir que isso acontecesse!

Portanto, eu e Arianne fomos para o Espaço das Americas assim que deu o horário do início do show do Avantasia. Quando chegamos, entretanto, aparentemente a participação de Andre ja havia acontecido. Ficamos no estacionamento do lugar e, pouco antes do fim do show, vimos quando Ricardo Confessori saiu da casa e colocou pratos em seu carro. Me aproximei e perguntei se ele sabia se o Andre ainda estava no local, mas ele respondeu que já tinha ido. Inacreditável! A menina veio diretamente de Moscou apenas para conhecer Andre e retornaria sem conhece-lo - embora, em muito, por sua própria imbecilidade de fã.

Quando o show terminou, nos encontramos com Alisa e retornamos para casa. No dia seguinte, segunda-feira, ambas tentaram encontrar uma maneira de contatar Andre para verificar se seria possível encontra-lo rapidamente em algum lugar apenas para uma foto e autógrafo. Enviaram e-mail para a assessoria que, é claro, jamais foi respondido. Como o retorno de Alisa a Moscou seria no dia seguinte, começaram a planejar a volta dela ao Brasil, em alguns meses, apenas para encontra-lo. Eu simplesmente não acreditava no que via: houve tantas chances para ve-lo, mas ela desperdiçou cada uma delas!

Na terça-feira ela embarcou para Paris, onde fez conexão para Moscou. Chegou na quarta-feira. Três dias depois, a notícia da morte de Andre chocou o mundo. Sem querer, ela assistiu muito de perto à última performance de Andre em um palco. E perdeu, para sempre, a oportunidade de conhece-lo. É o que sempre digo: show é legal, mas acaba em duas horas. A foto é para sempre!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Metal Singers

A segunda edição do projeto Metal Singers trouxe ao Brasil Blaze Bayley, Udo Dirkschneider, e Doogie White, contando também com a participação de um grande nome nacional: André Matos. Após passar por Chile (somente Udo e Doogie White), Peru (dois shows, o primeiro apenas com Udo e Blaze), Paraguai e novamente Chile, era a hora de vir ao Brasil para duas apresentações, sendo a primeira delas em Limeira.

Como envolvia um nome nacional que residia em São Paulo e certamente não ficaria em hotel, não foi difícil optar pelo corre no aeroporto. Quando chegamos, entretanto, o desembarque estava meio esquisito: uma girafa estava à espera de algum passageiro. De vez em quando, era solicitada a tirar fotos com alguns curiosos...


Algum tempo após o voo pousar, o primeiro a sair foi Udo. Mal deu dois ou três passos depois de passar pelo portão de desembarque e o enxame dos "hunters do bem" o cercou. Um dos grandes problemas deles é exatamente isso: não dão nem tempo para o cara respirar, não cumprimentam, não perguntam se fez boa viagem, é apenas um bando de zumbis pedindo "foto, foto, foto", chega a ser ridículo. Tanto que o sempre gente-fina Udo correu para fora do saguão, visivelmente irritado. Como já tenho com ele (na verdade, já tinha com todos, mas o grande alvo era Andre Matos, que a Arianne ainda não conhecia pessoalmente), o deixei em paz.

O próximo a sair foi o sempre gente-fina Blaze Bayley, que na maior calma e paciência atendeu a todos. Tirou algumas selfies com a galera e publicou em seu Instagram na hora.


Doug White foi o terceiro a sair. Mais uma vez, o enxame dos "hunters do bem" o cercou, mas ele não se irritou como Udo, então quando terminou de atender, me aproximei e consegui minha foto também.


Andre Matos não desembarcou, mas havia algo errado, porque ele cantou no show na noite anterior no Chile. Será que decidiu passar mais um dia no Chile, já que havia mais um day-off até o próximo show? Felizmente encontrei meu amigo Silvio, dono da Open The Road, produtora responsável pela turnê. Perguntei sobre Andre, ele respondeu que viria no próximo voo. Graças a Deus os hunters do bem foram embora, então ao menos sabíamos que o Andre não seria incomodado pelo enxame. 

Depois de cerca de uma hora e meia, o voo seguinte vindo de Santiago pousou. Após algum tempo, Andre saiu, acompanhado de sua companheira. Logo que nos viu, percebeu que o abordaríamos, então já veio falar conosco. Para Arianne, foi uma grande emoção, pois era a primeira vez que ela ficava frente a frente com um de seus vocalistas prediletos. Eu estou acostumado a fazer corres mas, para ela, ainda era "coisa do outro mundo" conhecer e interagir com os ídolos, ainda que fosse um vocalista brasileiro. 

Arianne tem uma amiga russa que sempre perguntava quando Andre faria um show em seu país. Toda sem graça, pediu permissão para gravar um vídeo com ela perguntando e ele respondendo. Depois de legendar em inglês, enviou o vídeo para a amiga. Obs: a versão abaixo não contém legenda.



Andre queria esticar a conversa, pelo visto gostou de encontrar conosco, mas percebemos que sua companheira estava ansiosa para sair de lá, o que é compreensível depois de uma viagem relativamente longa, então não esticamos o papo. Ele ficou bons cinco minutos com a gente, e provavelmente eu tivesse esticado mais um pouco se soubesse que aquela era a última vez que o veria 😔

Ou penúltima, já que fomos ao show e pudemos vê-lo em cima do palco. Quando finalizou, perguntei a Arianne se ela gostaria de esperar para tentar falar novamente com Matos, mas ela preferiu ir para casa. Ok, critério dela. Mais uma vez: eu teria ficado se soubesse que era a última vez que o veria...

Uma curiosidade: Carlos foi o único a esperar por Andre conosco. Ele encontrou o vocalista muitas e muitas vezes no decorrer dos anos, mas nunca tirou uma foto. Aquela foi a primeira... e última 😭


sábado, 21 de abril de 2018

Viper Day 2018

Arianne estava muito interessada em prestigiar o Viper Day, pois seria seu primeiro show do Viper. Por minha vez, embora adore a banda, não tinha a mesma empolgação e não planejava comparecer, assim como não fui em 2017. Leandro Caçoilo que me desculpe, é um grande vocalista, mas não é André Matos. 

Se Arianne queria assistir o show, não havia porque não acompanha-la. Muito mais fã de Angra do que de Viper, sonhava em conseguir uma foto com Luis Mariutti, que participaria do evento como convidado. Meu alvo era Caçoilo, pois ainda não tinha foto com ele. Conseguimos as fotos dentro do Manifesto, logo após o show, fácil. Como já tinha foto com todos os outros integrantes e convidados, por mim estava bom assim. Finalizamos e retornamos para casa.

Leandro Caçoilo, vocalista do Viper 
Luis Mariutti, baixista do Shaman

sábado, 9 de abril de 2016

Cássio Audi - Viper Day 2016

O Viper Day de 2015 foi muito divertido. Desta vez, o evento aconteceu em um local bem mais próximo de casa. Porém, tal como no ano anterior, eu estava sem dinheiro para prestigia-lo. No ano anterior um ex vizinho, Rudney, me viu em frente ao Manifesto tirado fotos com os músicos, mas sem a intenção de entrar. Onde se lê intenção, entenda-se grana mesmo. Ele decidiu pagar minha entrada. Desta vez eu provavelmente não teria tanta sorte, então fiquei em casa.

Corria um boato muito forte que Cássio Audi, o baterista da formação original, poderia aparecer para tocar nesse dia. Como eu tinha algumas amigas que compareceram ao Ozzy Stage Bar, pedi que avisassem se isso se confirmasse. Eu sairia de casa imediatamente. Quando uma delas, Elaine - a mesma que conheci no ano anterior na virada cultural, sentada em torno de uma mesa com o Pit - disse que ele chegou, não perdi tempo.

Tão logo cheguei, encontrei Jéssica fazendo corre em frente ao local. Ela queria uma foto com Andre Matos, com quem não tinha ainda. Nem demorou muito e Andre chegou. Tirei a foto dela, mas não aproveitei para tirar mais uma com ele. Feliz que conseguiu a foto que faltava, Jéssica queria ir embora. A convenci a ficar para pelo menos tirar minha foto com o Cássio.

Se eu soubesse que Andre estaria morto em apenas três anos, com certeza tiraria mais uma foto com ele

Enviei uma mensagem para Elaine, e ela respondeu que pediria a ele para dar uma saída rápida para me ver. De fato, em alguns minutos estávamos frente a frente. Como quando encontrei Andre e Felipe em 2013, e Pit e Yves em 2015, contei estórias de meu passado com a banda, mas nenhum deles foi capaz de lembrar de mim, nem mesmo Cássio, de quem eu praticamente era roadie.

Eu já o tinha encontrado virtualmente na época em que o Orkut surgiu. Ele aceitou minha solicitação de amizade, mas foi apenas isso. Simplesmente não interagia, não respondia às mensagens que eu enviava. Agora, mais de 30 anos depois que o conheci, parecia um pouco diferente mesmo, quietão, quase tímido. Apesar de o ver quase todos os dias na segunda metade da década de 80, eu e ele nunca tiramos uma foto juntos, até porque não havia essa facilidade de hoje para tirar fotos. Foi nossa primeira e provavelmente a última.

Desisto! Nem mesmo Cássio Audi foi capaz de lembrar-se de mim!

Havia, porém, uma enorme treta se desenrolando nos bastidores. O que vou contar agora foi o que disseram, eu não vi, não estava lá, não sei se é verdade ou não. Após conseguir a foto com Cássio, retornei feliz para casa, pois achava que era uma foto que jamais teria. Quando cheguei, uma outra amiga enviou uma mensagem, dizendo que Pit estava se recusando a subir no palco e que por isso o show não aconteceria.

Conforme ela, a presença de Cássio foi uma surpresa de Felipe Machado - ou Nando Machado, não me recordo bem - aos demais integrantes da banda. Andre aceitou numa boa, mas Pit deu piti. Diz que essas foram as suas palavras: "eu não subo no palco com esse filho da puta, por causa dele nós não conseguimos lançar nosso DVD", referindo-se ao To Live Again  - Live In São Paulo, que demorou anos para ser lançado após sua gravação. Depois de muita confusão, não sei como se resolveu, o show aconteceu. Cássio tocou apenas Soldiers of Sunrise. Como eu queria ter visto isso ao vivo, como via nos anos 80...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Viper Day 2015 - Parte 2

Esta é segunda parte do relato sobre o Viper Day 2015. Se ainda não leu a primeira, clique aqui para ler.

Pit Passarell apareceu bem louco, parecia não falar coisa com coisa, então perdi a segunda oportunidade para contar casos de 1985 a 1987, quando fui "roadie" do Viper, para saber se ele lembrava. Rolou apenas foto, até porque já tinha o autógrafo dele no Soldiers of Sunrise que levei para autografar.

Na sequência tirei uma foto com Silvano, proprietário do Manifesto. Ele fez alguns corres comigo e com Kevin em 2009. Houve outros, mas o que lembro perfeitamente que ele estava foi o do AC/DC. Tanto que a guitarra que ele levou para Angus Young autografar está exposta no Manifesto até hoje.

A seguir, o cara que eu mais queria conhecer nesta noite, o baterista do Vodu e do Volkana, Sergio Facci, que gravou todas as faixas de bateria do ábum Theatre of Fate, já que a banda estava sem baterista quando entrou em estúdio. Depois desse dia o adicionei no Facebook e às vezes interagimos lá.

André "Pomba" Cagni chegou logo a seguir. Ele era conhecido nos anos 80 como Steve Harris brasileiro, tocava pra caralho! Em uma das eleições dos anos 90 - a primeira em que votei foi para presidente em 1989 - votei nele para vereador, apesar de sua tendência à esquerda, porque via nele a esperança de ter alguém para representar a nós que gostamos de metal. Coisas de jovem, pois hoje sei que há assuntos bem mais importantes para serem representados do que a preferência musical.

O abordei dizendo "Fala Pomba, tudo bom? Eu já votei em você!", e ele respondeu "E vai votar de novo!". Hoje em dia Pomba é grande defensor da bandeira LGBT, até porque é LGBT. No entanto, dificilmente teria meu voto novamente porque somos ideologicamente muito diferentes. Assim como ele pode e deve defender os direitos LGBT, também posso buscar um candidato que esteja mais alinhado aos meus interesses, com projetos que valorizem questões como segurança pública ou mobilidade urbana, por exemplo. 

Como Sergio Facci, Pomba é um cara legal, e também passou a fazer parte dos meus amigos de Facebook. Ele e Sergio, inclusive, foram dois dos primeiros a me enviar condolências no dia em que minha mãe faleceu, em 2016. Em sua história com o Viper, foi o responsável pela produção do álbum Soldiers of Sunrise, então pedi para que também o autografasse.

Yves Passarell foi o próximo a chegar. Como em 2013 com Andre e Felipe e nesta noite com Valdério, contei algumas estórias da época em que fui "roadie" do Viper. Ele também não lembrou. Mas que porra! O que esses caras tomaram nos últimos 30 anos?! Parecem estar todos com alzheimer!

Pit Passarell chegou bem louco e não foi possível contar para ele as histórias de quando fui "roadie" do Viper

Silvano, que fez alguns corres comigo e com Kevin no passado, é o proprietário do Manifesto
Puta cara legal! Sergio Facci era o baterista brasileiro que eu mais curtia nos anos 80
Pomba também é muito gente boa, mas dificilmente eu votaria nele novamente
Autografado por Sergio Facci e Pomba. André Góis não assinou pois não era o vocalista que cantou neste ábum
Yves Passarell é outro desmemoriado. Não é possível, esses caras devem ter alzheimer!

O show já estava para começar, os primeiros da fila começaram a entrar. Acreditando que todos os músicos já chegaram, fui me despedir de Rudney. Mesmo explicando que estava sem grana, ele ficou indignado que eu não ficaria para o show, até porque fui eu quem apresentou o som do Viper para ele 30 anos antes. "Como assim, você não vai entrar?! Vai sim! Vou pagar seu ingresso!". Eu estava com Sheila, então recusei. "Eu pago o dela também!". Wow, não é todo dia que temos essa sorte, então claro que aceitamos.

Havia um cidadão com ele na fila, então Rudney disse "Lembra do meu irmão, o Rodrigo? Olha como ele cresceu!". Fiquei surpreso. Na última vez que o vi, ele tinha cinco anos. Jamais o reconheceria sem ajuda. Tiramos uma foto para recordar o momento e todos entramos no Manifesto.

Meu outro ex vizinho Rodrigo cresceu um pouquinho, né?!

Ja dentro do Manifesto, encontramos Renato Graccia, ex baterista do Viper, que a princípio não participaria do show mas veio para prestigiar o evento. Depois, na jam, é claro que subiu ao palco também.

Renato integrou o Viper após eu me afastar da banda, mas o conheci pessoalmente em 2014
Ah Maestro! Que falta que você faz!

Viper Day 2015 - Parte 1

Em 2015, o Viper criou o Viper Day, que a princípio seria apenas uma festa para comemorar os 30 anos do primeiro show da banda. Com o sucesso desta empreitada, tornou-se um evento anual. Esta primeira edição prometia a presença de diversos ex integrantes e convidados especiais, então era uma excelente oportunidade para conseguir fotos que eu ainda não tinha. Acompanhado de Sheila, fui para a frente do Manifesto, onde intencionava fazer apenas o corre, já que estava sem dinheiro para entrar e assistir ao show. Kevin também compareceu para fazer ambos, corre e show.

Tão logo chegamos e encontrei um ex vizinho, Rudney, que morou no prédio em que morei dos 2 aos 14 anos, entre 1974 e 1986. Conversamos um pouco e tiramos uma foto. Eu o encontrei quatro anos antes no show do Symfonia. Conseguimos nos reconhecer na ocasião porque somos amigos no Facebook também.

Rudney e eu éramos vizinhos. Apesar de ser mais novo de idade é mais velho no metal. Me apresentou o som do Motörhead 

Nossa conversa foi interrompida, e o corre começou quando vi chegar o ex baterista e ex guitarrista do Viper, Valdério Santos. Como os integrantes mais antigos, também o conheci pessoalmente em 1985, mas também perdemos contato por quase 30 anos. Lembro de um show de talentos realizado no Colégio Nossa Senhora de Sion na época, onde ele tocou Detroit Rock City com uma banda chamada Unmasked. Após o show, fui falar com ele, que me presenteou com o par de baquetas que utilizava essa noite, estilizadas com fita isolante. Agora que estávamos frente a frente novamente, contei essa e outras estórias, mas ele não lembrou, assim como Felipe e Andre não lembraram das estórias que contei quando os encontrei em 2013.

Guilherme Martin foi o segundo a chegar. Como não o conhecia há 30 anos, como a maioria dos músicos que apareceriam nesta noite, apenas tiramos uma foto. Felipe Machado chegou acompanhado por seu irmão Nando Machado, hoje no Wikimetal, aproveitei para tirar fotos com os dois.

Guilherme Martin é um dos poucos que eu não conheci 30 anos antes

Eu e Felipe Machado fomos amigos 30 anos antes desta foto, mas hoje ele não lembra de mim
Em 1985 existiam duas salas para a quinta série no colégio Sion, A e B. Eu estudava em uma e Nando na outra
Um dos convidados da noite, o vocalista André Góis, do Vodu, foi o próximo a aparecer. Ele gravou backing vocals em algumas músicas dos dois primeiros álbuns do Viper. O guitarrista Hugo Mariutti também chegou para o evento. Sheila disse que iria a uma padaria próxima para comprar água. Eu a aconselhei a ficar, pois Andre Matos poderia aparecer a qualquer momento. Ela respondeu algo como "não vou ficar com sede só por causa disso" e foi. Bastou sair que Andre apareceu. Embora não fosse fã, perdeu ali sua única oportunidade de conhece-lo e tirar foto com ele. Às vezes sinto que se arrependeu um pouco, principalmente depois que ele morreu, quatro anos depois.

Os caras do Vodu eram um bônus muito bom para mim, pois sempre fui fã da banda e não conhecia pessoalmente nenhum integrante
Hugo Mariutti substituiu Yves Passarell quando ele foi para o Capital Inicial
Sheila perdeu sua única chance para conhecer Andre Matos, falecido em 2019

O vocalista João Gordo apareceu para prestigiar o evento. Kevin, com sua habitual falta de noção, já "voou" nele, o que o deixou bastante irritado: "caralho, mal cheguei e já tem nego querendo foto. Não vou tirar foto porra nenhuma!". Claro que depois dessa deixei pra lá, pois seria pedir pra tomar naba. Além disso, eu já o tinha conhecido no ano anterior, quando se apresentou no Sesc Pompéia com o Ratos de Porão. Menos mal...

Este relato teve que ser dividido em partes devido a limitações do Blogger. Clique aqui para ler a parte 2.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Viper

As bandas que se apresentaram no Monsters of Rock já estavam em São Paulo, mas eu ainda não havia começado este corre. Era dia de ver uma das bandas nacionais mais importantes para mim, o Viper, pois temos uma longa história em comum. Para que você entenda, terei de retornar a 1984, pouco antes do meu aniversário de 12 anos, quando fiz minha primeira viagem internacional, com a família, aos Estados Unidos. Uma das coisas que comprei por lá foi uma caderneta de autógrafos. Não sei porque comprei, talvez inconscientemente vislumbrasse o que eu viria a ser quase 25 anos mais tarde.

No ano seguinte eu estudava no colégio Nossa Senhora do Sion, em Higienópolis, São Paulo. Um de meus colegas de classe chamava-se Cristiano, que um dia contou que seu irmão Cássio tocava em uma banda. Ele convidou-me para assistir a um ensaio no próprio colégio, eu fui e adorei. Alguns dias depois, fomos a um show do Viper na antiga danceteria Raio Laser, em Moema. Terminou de madrugada, mas sem problemas, a mãe dele me trouxe para casa. Não sem antes eu estrear a caderneta que trouxe da América, pois nela consegui autógrafos de alguns integrantes do Viper.

Na semana seguinte, no intervalo, eu caminhava pelo pátio do colégio, quando o guitarrista Felipe Machado, que também estudava lá, me reconheceu e veio falar comigo, querendo saber o que achei do show. Dois dias depois fui ao correio postar uma carta, e encontrei sem querer Andre Matos fazendo o mesmo. Conversamos um pouco também. Tem noção que conheci o Andre com 14 anos? Felipe tinha 15, Yves 16 e Pit 17. Não me lembro a idade do Cassio Audi, mas deveria ser 13 ou 14 também. Eram os "Menudos do metal".

Com o tempo, aproximei-me muito de todos os integrantes. Passei a ser presença constante nos ensaios, acompanhei outros shows, inclusive aquele do incêndio no teatro do colégio Rio Branco. Realmente tornei-me fã, inclusive criando o primeiro fã clube brasileiro e fazendo anúncios para divulgar a banda em revistas especializadas. Curiosos enviavam cartas querendo saber mais sobre o trabalho, e eu respondia enviando uma fita cassete com a demo tape "The Killera Sword". Se comparado a hoje, eram tempos difíceis, mas bons...

Cássio Audi morava na rua Dr. Brasílio Machado. A duas quadras de distância, na rua Dr. Veiga Filho, em um mesmo edifício moravam os irmãos Yves e Pit Passarel em um apartamento, e Felipe Machado em outro. No prédio imediatamente vizinho, morava Andre Matos. Passei a andar com Felipe e Yves, os via quase todos os dias. Era comum panfletarem próximo à estação Santa Cecília do metrô, entregando aos transeuntes um papel com informações do próximo show. Também íamos frequentemente à Galeria do Rock, onde conversavam com donos de gravadoras independentes, pois sempre sonharam em gravar álbum.

Passei a frequentar o apartamento onde Cássio morava e aprendi as noções básicas de bateria. Isso me levou a procurar aulas, a princípio no Grupo AMA da rua Dr. Gabriel dos Santos, e depois no Conservatório Musical Carlos Iafelice da rua Turiassú. Sim, toquei bateria e tive algumas bandas na adolescência, mas depois me afastei, deixei para lá. Sabe como é, trabalho, namoro...

Essa aproximação com o Cássio meio que me tornou um roadie. Não era nada oficial, a banda nem tinha dinheiro para pagar um, mas diversas vezes ajudei a montar, desmontar e carregar a bateria do Cássio para algum ensaio ou show em São Paulo. Éramos muito jovens, tudo era novidade, tudo era divertido...

Afastei-me dos integrantes do Viper quando decidiram demitir o Cássio - e até hoje não entendo o porquê, ele era ótimo. Me lembro dele quase chorando quando contou sobre a demissão. Entreguei o controle do fã clube para Pit, que foi ao apartamento onde eu morava para pegar as cartas pendentes de resposta. Continuei fã, é claro, mas perdemos o contato completamente. Logo depois a banda lançou o fenomenal Theatre of Fate, até hoje um dos álbuns mais significativos do metal nacional.

Distante do mundo Viper, eu ouvia notícias de que Andre queria sair da banda para fazer faculdade de música. Achei uma idiotisse. Lembro que, quando eu estava com eles, Felipe se afastou por um ano para fazer intercâmbio nos Estados Unidos. Por que sair? Por que não deixar a banda com um substituto temporário, retornando quando concluir os estudos? Hoje sabemos que Andre logo quis voltar, mas a banda, numa atitude mais idiota ainda, recusou aceita-lo de volta, o que o fez montar o Angra com o Rafael Bittencourt.

O primeiro álbum do Viper sem Andre, Evolution, foi muito bom. Pelo visto muitas músicas ainda eram feitas para a voz de Andre, por exemplo The Spreading Soul Forever, que foi regravada com sua voz décadas depois, quando o vocalista retornou à banda por algum tempo. A partir de então, em minha opinião, o Viper perdeu-se completamente. Primeiro com a mudança de estilo do Coma Rage. Foi um bom álbum, mas não era mais genial como os anteriores. Então veio o desastroso "Tem Pra Todo Mundo". O que foi aquilo?! Por muito tempo simplesmente larguei mão, não queria nem saber mais...

Em minha opinião, se os músicos se levassem a sério, poderiam estar hoje no nível do Helloween, conhecidos mundialmente, fazendo turnês... Felipe sempre preferiu ser jornalista, a guitarra e a banda são apenas hobbies. Yves pulou fora quando recebeu o convite do Capital Inicial, onde poderia ganhar muito mais dinheiro. Pit entregou-se às bebidas e sabe-se la mais o que - na verdade todos sabemos, mas é melhor nem dizer... O único que fez como deveria foi justamente Andre, que morreu reconhecido como o maior vocalista brasileiro de todos os tempos.

Sinceramente gostei do álbum All My Life, a banda acertou muito ao entregar os vocais para Ricardo Bocci e as composições são excelentes, quase como nos velhos tempos, além de demonstrar o amadurecimento musical. Porém, mas uma vez, os integrantes não se levaram a sério e não deram continuidade ao trabalho. Foi apenas um álbum quase que perdido no meio de uma discografia confusa...

Agora era 2012 e Andre estava de volta. Seria ele capaz de salvar o Viper? Eu não sei o que é lenda e o que não é, mas a história diz que, na época em que Andre saiu, a banda estourava na Europa e no Japão. Tudo o que eu queria era ve-los no lugar de onde nunca deveriam ter saído. 

Kevin me chamou para fazer com ele o corre, quando a banda apresentou-se com Andre no Via Marquês. Eu até fui, mas não sei porque não fiquei, talvez não estivesse passando bem mas realmente não me recordo. Um ano se passou e a banda agora tinha uma sessão de autógrafos marcada na Animal Records. Era a oportunidade que eu teria para rever meus ex amigos - ex porque nos afastamos, não porque brigamos. Será que se lembrariam de mim?

Escaneei os antigos autógrafos que sobreviveram, dois do Felipe e dois do Yves, coloquei todos no iPad e fui à Galeria para participar do evento. Levei também o Soldiers of Sunrise autografado por todos, exceto Andre, na época do lançamento.

Antes do evento, encontrei minha amiga Bruna, mais conhecida como Kitty, dando um rolê na própria Galeria com o guitarrista Stevie D. do Buckcherry. Aproveitei para tirar uma foto com ele.

O guitarrista Stevie D. do Buckcherry utilizou meus amigos Alvaro e Bruna como guias enquanto esteve na cidade

Fui então para a fila do evento. Quando chegou minha vez, contei algumas estórias, mostrei os autógrafos, mas não adiantou: absolutamente nenhum deles lembrou-se de mim. Ok, eu era magrelo, usava óculos e cabelo curto, meu apelido era "Loucão". Nem mesmo lembrar fatos da época ajudou... Parecia um bando de idosos com alzheimer, enquanto eu lembrava de cada detalhe...

Felipe observa no iPad o papel que autografou 28 anos antes
Viper: foi a primeira vez que encontrei-me com Hugo Mariutti e Guilherme Martin

Achou que não iria levar uma foto para eles assinarem?! Pena que usaram as canetas do evento e não a minha
Meu Soldiers of Sunrise agora estava completo com a assinatura do Andre

Pit doidão abandonou a sessão de autógrafos antes mesmo de chegar a minha vez. Quando saí decidi procura-lo, mas nem foi difícil pois estava há poucos metros da loja, cercado e assediado por fãs. Me meti na muvuca e consegui foto e autógrafo também. Desta vez, porém, nem disse nada nem mostrei nada. Ficaria para uma outra oportunidade. Missão completa! Agora sim eu poderia pensar em Monsters of Rock.

Pit completou a assinatura que faltava na foto
Pit saiu da loja sem mais nem menos, mas não escapou de atender seus fãs