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sexta-feira, 25 de março de 2022

Exciter

O Exciter apresentou-se em Cochabamba, na Bolívia, em um dia e se apresentaria em São Paulo no dia seguinte. Um voo a partir do aeroporto de Cochabamba não parecia ser opção pois, embora o voo direto seja estimado em apenas 3 horas e 12 minutos, não havia nenhum disponível para a data. Havia somente um voo com conexão, com parada de 13 horas no aeroporto de Bogotá, e outros voos com duas conexões, que demorariam ainda mais.

Eu e Carlos estudamos os voos a partir de La Paz - 380 quilômetros distante de Cochabamba - e de Santa Cruz de La Sierra - 480 quilômetros distante. Nenhum voo fazia sentido. De madrugada, entretanto, Carlos viu que "apareceu" um voo no site do aeroporto, direto de La Paz, com pouso em Guarulhos às 12:10. Esse voo não estava nas opções que pesquisamos antes. Agora fazia sentido, certeza que era nesse que a banda viria.

Tomei o trem expresso das 11:00hs na Luz e fui. Carlos perdeu esse trem por cinco minutos e teve que parar no Brás e em Engenheiro Goulart para só enfim seguir ao aeroporto. Mas deu tempo. Esperamos por algum tempo no desembarque internacional do terminal 2 leste, quando chegou dois cabeludos e uma mulher. Vieram falar conosco, revelando ser os responsáveis pela produção em São Paulo. Contaram também que o show de Recife foi cancelado, que Dan Beehler e Alan Johnson ficariam em São Paulo durante todo o final de semana, mas que o guitarrista novo voaria para casa já no dia seguinte. Não se importaram nem um pouco de estarmos lá para conseguir fotos e autógrafos. Pessoal gente finíssima - ah se todas as produções fossem assim... 

O produtor, que toca na banda Flagelator, disse também que o Exciter demoraria um pouco para sair, pois os músicos não tiveram tempo de fazer o teste PCR para detecção de COVID-19 na Bolívia, então estavam fazendo no próprio aeroporto antes da liberação para entrada no Brasil. Quando a banda passou pelo portão de desembarque, mantivemos distância, deixando que a produção os abordasse primeiro. Se fossem os hunters do bem, com certeza teriam "voado" neles.

Falamos primeiro com o guitarrista Daniel Dekay, o novato da banda, que veio ao Brasil pela primeira vez. Acho que ficou surpreso que falamos com ele, não com Dan e Allan, mas o fato é que já tínhamos fotos com eles, mas com ele não. Foi gente finíssima, interagiu bastante conosco. Allan foi quietão, tirou foto e deu autógrafo e foi isso. Dan estava irritado por ter que usar máscara. Ficou todo feliz quando Carlos lhe disse que no Brasil não era necessário, tanto que fingiu chutar a máscara para longe. Como sempre, o corre do Exciter é fácil e divertido! Despedimo-nos da banda e da produção e fomos embora.

Gente finíssima, Daniel Dekay estava empolgado com sua primeira passagem por terras brasileiras
Allan Johnson estava quietão mas nos atendeu numa boa
Um pouco envelhecido, mas nada pandêmico, Dan Beehler comemorou não ter que usar máscara em São Paulo

Quando eu e Carlos já estávamos no trem, Anebelle enviou uma mensagem para ele, pedindo para me avisar que deixou a pasta com os autógrafos - que esqueci no carro dela depois do corre do The Strokes - em minha garagem. Tem uma fresta, ela jogou lá. Fiquei extremamente irritado com isso, pois praticamente me impediu de continuar no corre. Se ela estivesse com a pasta, chegando na Luz eu baldearia para a linha amarela, e logo estaria em frente ao Fasano ou Emiliano. Tendo que ir para casa para pegar a pasta, esquece, o pique acaba. Corre tem que fazer no "quente", emendar um na sequência do outro. Se chegasse em casa, não iria sair novamente, ainda mais para tirar foto com o pandêmico Julian Casablanca de máscara. 

Xinguei a doida de tudo quanto é jeito através de mensagem de voz, e ela ainda se achou no direito de retrucar, achando que era a certa da história. Eu sabia que não daria certo! Só faz loucura! Quem mandou ela jogar a pasta na garagem? E se chovesse? Minha rua inunda, eu perderia todas as fotos que fiz para o Lollapaloza. 

Deixei claro: se vier atrás de mim novamente, seja para berrar em frente de casa, seja aparecendo no CT do Palmeiras, ou tentando falar comigo de qualquer outra maneira, imediatamente vou abrir um Boletim de Ocorrência contra ela por perseguição. Com isso, posso conseguir uma medida protetiva que a impediria de chegar perto de mim. Ou seja, acabou os corres para ela. Ela que tente! Anebelle nunca mais!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Exciter e Sacred Reich

Em 2017, fui ao hotel onde estavam hospedadas as bandas Exciter e Sacred Reich. Assim que entrei no hall, vi Carlos e Dan Beehler conversando, sentados em um sofá. Dan contou muitas estórias, incluindo sobre uma turnê nos Estados Unidos com o Motörhead, onde as bandas se apresentaram em muitas casas de show ruins, com iluminação inadequada, entre outros problemas. Muitas vezes os integrantes do Exciter se reuniam e decidiam não tocar. Quando comunicavam a decisão ao Lemmy, ele “falava um monte” e os fazia mudar de ideia: “Vocês foram pagos, tem um público esperando por vocês. Vão tocar sim”.

Corres do Exciter são sempre legais, todos os integrantes de todas as formações que abordamos são muito amigáveis. Nem demorou para que conseguíssemos completar as fotos, não apenas com eles, mas também com a galera do Sacred Reich.

Dan Beehler, vocalista e baterista do Exciter
Allan Johnson, baixista do Exciter
John Ricci, então guitarrista do Exciter. Ele deixou a banda em 2018
Phil Rind, vocalista e baixista do Sacred Reich
Wiley Arnett, guitarrista do Sacred Reich
Jason Rainey, então guitarrista do Sacred Reich. Ele saiu em 2019 e faleceu em 18/03/2020
Gred Hall, baterista do Sacred Reich

No mesmo dia, haveria uma sessão de autógrafos com as bandas no Central Panelaço, o restaurante vegano de João Gordo, vocalista do Ratos de Porão. Já havíamos conseguido as fotos mas, como as bandas são muito amigáveis, não vi porque não prestigiar. Fui apenas para acompanhar mesmo, nem pretendia tirar fotos, mas aproveitei para conhecer o lugar e também para tirar uma foto com o Gordo. Embora já tivesse foto com ele de outra oportunidade, ele tem fama de ser mala, então uma a mais nunca é demais. Teria que ser muito mala para dar naba no próprio restaurante. No fim, convidado pela banda, acabei tirando outra foto com o Exciter. Fazer o que?!

João Gordo, vocalista do Ratos de Porão
A formação original do Exciter

domingo, 8 de setembro de 2013

Exciter

Em 2013, eu, Sheila e Leo chegamos ao hotel onde estava o Exciter exatamente no momento em que a banda saía para almoçar. Conseguimos fácil fotos com os músicos, mas não havia sinal do vocalista, Kenny Winter. Como queríamos “fechar a banda”, decidimos esperar, para ver se ele aparecia.

John Ricci, então guitarrista do Exciter. Saiu em 2018
Robert "Clammy" Cohen, então baixista do Exciter. Saiu em 2014
Richard "Rik" Charron, então baterista do Exciter. Saiu em 2014

Todos retornaram do almoço, exceto Kenny. Perguntamos a John Ricci onde ele estava e a resposta foi que houve algum problema com a calça que Kenny usaria no show, então ele teve que sair à procura de outra – em pleno domingo.

Os músicos subiram para seus quartos mas, após algum tempo, Clammy desceu e foi à recepção, onde parecia confuso, pois não conseguia se fazer entender pelo recepcionista. Fomos até ele para tentar entender o que se passava e ajudar no que pudéssemos. Ele explicou que queria passar chapinha no cabelo, mas a tomada utilizada no Brasil não era compatível com o aparelho, e o hotel - apenas um 3 estrelas na Avenida Ipiranga - não possuía adaptador para fornecer aos hóspedes. Leo o acompanhou a um mercado próximo para tentar encontrar um. Eu preferi permanecer no hotel pois, se Kenny aparecesse, eu estaria por ali. Resolvido o problema, Ricci e Rik desceram, pois já era hora para a entrevista que Leo agendou diretamente com a banda pelo Facebook, para a rádio Exmera. Ele nos convidou para assistir.


Conforme o tempo passava, mais gente chegava ao hotel para tentar conseguir fotos com a banda: Karina, Sara, Fabi... Quase anoitecendo, ainda não havia sinais do Kenny, então decidimos ir até o Hangar, local do show, pois não sabíamos se ele havia seguido direto para lá. Porém, quando chegamos, encontramos Rik Charron fumando um cigarro na frente do local. Ele nos disse que Kenny não estava lá, que provavelmente ainda estaria no hotel. Voltamos.

Após muito tempo de espera, a porta do elevador se abriu e enfim, era Kenny. Ele estava com cara de quem havia acabado de acordar e foi surpreendido: todo mundo batendo palmas e gritando “aeeeeeeeeeeee!”. Definitivamente, ele não esperava por aquela recepção, mas adorou. Claro que havia eu e Leo mas, fora isso, estava cercado por um monte de mulher querendo tirar fotos.

Kenny "Metal Mouth" Winter, então vocalista do Exciter. Saiu em 2014 

Apesar da espera, foi um dos corres mais legais de todos os tempos. Até hoje somos amigos de Clammy e Kenny no Facebook, e eles interagem conosco, curtindo ou comentando algo de vez em quando – não são como a maioria dos músicos, que até adicionam fãs, mas nunca proporcionam interação.

Infelizmente, essa formação nunca retornou ao Brasil pois, dois anos depois, a banda resolveu reunir o line-up original. É claro que reconheço que a formação clássica é superior, mas foi difícil saber que o Exciter viria ao Brasil sem os amigos que fiz naquele dia. Em 2018, John Ricci decidiu deixar a banda, o que significa que nenhum dos integrantes desta formação está na formação atual. Isso é, no mínimo, bizarro.