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sábado, 19 de junho de 2021

Kisser Clan

Um dos primeiros shows a acontecer no Brasil pandêmico pós COVID-19 foi do Kisser Clan, a banda de covers que o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, tem com o filho Yohan. Eu tirei um monte de fotos com Andreas Kisser na última década mas Anebelle, pra variar, não tinha nenhuma. 

Marcio e ela torraram a paciência para que eu os acompanhasse neste corre. Fui mais porque vendi uma foto autografada por Bruce Kullick para Marcio e aproveitaria para entrega-la e receber a grana, mas achava uma bobagem fazer o corre, porque Andreas obviamente estaria de máscara e certamente Anebelle encheria novamente quando a pandemia acabasse, para conseguir uma foto sem máscara.

Anebelle passou em casa e seguimos até a rua Teodoro Sampaio, onde encontramos com Marcio. De lá seguimos para a frente do Manifesto, onde aguardamos por cerca de uma hora. Marcio foi o primeiro a notar que os Kisser, pai e filho, caminhavam em nossa direção. Ele os abordou com Anebelle, enquanto eu ajustava a câmera para tirar as fotos. Já cheguei batendo fotos e depois bateram a minha.

Foto totalmente pandêmica com Andreas e Yohan Kisser

Enquanto retornávamos para o carro, os dois ficaram reclamando, alegando que Andreas foi chato. Não achei, mas também não acompanhei toda a ação, pois me aproximei somente depois da abordagem inicial. Mas ele parecia um pouco incomodado pelo fato de ser abordado em plena pandemia. Já Yohan não estava nem aí.

sábado, 22 de novembro de 2014

Metal All Stars

Tudo parecia estranho desde que foi feito o anúncio da vinda desse projeto ao Brasil. Os integrantes foram anunciados aos poucos, resumindo-se a um catadão de músicos de bandas série B, como Megadeth e Dream Theater, com músicos de bandas menos expressivas, unindo-se no palco para tocar sucessos do metal, alguns de suas próprias carreiras e alguns que não são lá tanto sucesso assim. Foi literalmente uma zona: 
  • James LaBrie, do Dream Theater, cancelou sua participação e depois reconfirmou.
  • Cronos, do Venom, postou uma mensagem no Facebook, informando que não viria. Ele referiu-se à suposta participação como "boato", agindo como se seu nome tivesse sido anunciado sem que ele fosse contratado.
  • Chuck Billy, do Testament, outro confirmado, nem ao menos viajou à Bolívia, onde o grupo iniciou a turnê pela América do Sul. Na véspera do show no Brasil, ele estava nos Estados Unidos, curtindo de boa um jogo de beisebol, e postando sobre isso em seu perfil no Facebook.
  • Gus G, guitarrista do Ozzy Osbourne, tinha uma tarde de autógrafos agendada na Reference Music Center, no dia do show, que acabou cancelada.


    Pouco tempo depois, GW e Top, ambas produtoras do Show Metal All Stars - Brasil, emitiram um comunicado afirmando ter ciência dos boatos que os 3, mais Joey Beladonna, do Anthrax, não viriam, mas que a única ausência realmente confirmada era a do "Kronos" (sim, foi escrito errado). Mais tarde, outro comunicado foi emitido, confirmando que nenhum dos quatro viria ao Brasil.

    Isso pegou muita gente de surpresa. Dos 14 músicos confirmados, apenas 10 viriam. No dia seguinte, uma surpresa adicional: Carmine Appice também não veio. Eu conversei com Vinny Appice, irmão de Carmine, que me disse que Carmine estava com problemas de saúde, o que o torna uma baixa justificável. Mas... e quanto aos outros quatro? Bom... Não é a primeira vez que isso acontece envolvendo o Metal All Stars.

    A empresa internacional que gerenciava os shows do Metal All Stars era a Gabe Reed Production, do texano Gabe Reed. Gabe também foi responsável pelas turnês do Rock'n'Roll All Stars, lembra-se? Aquela banda com Gene Simmons, do KISS, e mais um monte de músicos importantes, que deveria ter se apresentado no Metal Open Air (M.O.A.) em 2012, mas que cancelou a participação em cima da hora.

    De lá pra cá, Reed coleciona uma série de "bolas foras", que incluem processos por não cumprir suas obrigações contratuais, e anúncios de músicos que nunca foram contratados como, por exemplo, o vocalista do Mötley Crue, Vince Neil. Clique nos links abaixo para visualizar notícias veiculadas na época.


    As outras empresas envolvidas, GW e Top, podem até ser vítimas, como alegam em seus comunicados em conjunto. Mas se arriscaram ao comprar o show de alguém com um histórico não muito confiável. E houve ainda um outro problema: houve comercialização de meet & greet onde, obviamente, os fãs esperavam conhecer os 14 músicos anunciados. Ainda que só tivessem vindo 9, 3 deles - Max Cavalera, Zakk Wylde e Blasko simplesmente não apareceram, o que gerou revolta entre quem ousou sonhar conhecer tantos músicos importantes.

    Por outro lado... Quem foi ao aeroporto se deu bem demais. Quando eu e Sheila chegamos, pensei sinceramente que não iria rolar, pois havia pelo menos 40 fãs/hunters, e é de conhecimento público que havia músicos chatos no cast, por exemplo Max Cavalera e Zakk Wylde. Nenhum dos dois chega a ser mala propriamente dito. Porém, se houver chance, escapam.

    Todos os músicos, repito, todos, atenderam os 40 fãs no aeroporto. Fiquei sabendo que foi ordem da produção, como forma de se desculpar pelas 5 baixas no line-up. Até aí tudo bem, louvável mas... e quem gastou dinheiro para pagar pelo meet?! Ficou sem Max, Zakk e Blasko. Eu nem ao menos fui ao show, pois não sou louco de comprar ingresso para um evento onde tantos problemas eram anunciados desde o princípio.

    Dos 5 músicos que não vieram, até hoje não conheci 3: 
    • Cronos - fiz o corre de 2017 tremendamente errado e não consegui.
    • Chuck Billy - tenho azar absurdo com o Testament, sempre que a banda vem, algo absurdamente errado acontece e acabo não conseguindo nada. Já houveram 4 oportunidades perdidas.
    • Gus G - retornou ao Brasil em 2018, enquanto eu estava em Londres.
    Sobre o corre
    • Kobra Paige é uma simpatia. Uma pena que sua banda não é muito conhecida no Brasil, eu adoraria revê-la.
    • Lembrei que sempre que tiro foto com o gente-finíssima  David Ellefson, ele está com sorrisão e eu com cara de enterro. Tentei esboçar um sorriso, mas não adianta, não é meu estilo, ficou esquisito
    • Sabendo que Max não gosta de autografar álbuns do Sepultura, levei o Beneath the Remains, e expliquei que era meu álbum predileto. Para minha surpresa, ele autografou, sem chiar.
    • A maior surpresa foi Zakk Wylde atender e, não apenas, atendeu todos que estavam lá, isso era impensável. Hoje em dia Zakk está um pouco mais bonzinho, mas estamos falando de 2014.
    • Na hora não percebi que a foto com Blasko não ficou legal. Se ele retornar ao Brasil, tentarei novamente.
    • Aproveitei e abordei também Gloria Cavalera. Por que?! Oras, ela foi a pivô da separação do Sepultura e faz parte da história da banda. Eu também tiraria fotos com Yoko Ono (viúva de John Lennon, apontada como pivô da separação dos Beatles) ou Marcelo Cabuli (marido de Tarja, apontado como o responsável por sua demissão do Nightwish), assim como tirei com Joe Jackson (pai de Michael Jackson, apontado pela imprensa americana como um pai que abusava dos filhos, principalmente de Michael). Eles podem não ter a melhor participação do mundo, mas estavam lá. Bem ou mal, alteraram o destino das bandas e artistas citados.
    • O mais incrível foi o que aconteceu após a banda deixar o aeroporto. Todos os músicos seguiram para o hotel Renaissance, onde ficaram hospedados, exceto Max e Zakk, que ficaram no Hollyday Inn. Totalmente antipáticos, nem ao menos apareceram no meet & greet pago, assim como Blasko. Acredito que, depois de nós, ninguém mais conseguiu fotos com eles enquanto estiveram no Brasil.

    Kobra Paige, vocalista do Kobra and The Lotus. Gente finíssima!
    David Ellefson, baixista do Megadeth. Sempre gente boa!
    Vinny Appice, sempre gente fina
    James LaBrie não é o cara mais simpático do mundo, mas sempre atende, e é isso que interessa
    Max, que todos dizem que é chato, foi legal nas duas vezes que o encontrei. Sorte?!
    A grande foto deste corre, eu ainda não tinha com ele. Sorte mais uma vez?!
    Blasko, baixista do Ozzy Osbourne, ex Rob Zombie. Pena que a foto não ficou boa
    Geoff Tate, sempre que o encontrei foi gente boa e educado
    Ross The Boss também é um cara legal. Autografou meus álbuns do Manowar
    Até mesmo Gloria Cavalera estava legal

    sábado, 24 de agosto de 2013

    Igor Cavalera

    Corre é feito de oportunidades. Se não for de uma maneira, será necessário encontrar outra para fazer dar certo. Em 2011 o Cavalera Conspiracy abriu o show do Iron Maiden em São Paulo. Na ocasião, consegui conhecer Max Cavalera, mas nem sinal do Igor. No ano seguinte, fiz o corre do Soulfly, mas mais uma vez não vi Igor. Mais um ano se passou e Igor anunciou que estava organizando um bazar onde venderia literalmente tudo o que tinha para poder mudar-se do Brasil para Londres. Entre os ítens à venda, havia camisetas de bandas de metal, utensílios domésticos, livros, quadros, vinis, instrumentos musicais, toy art e até mesmo o disco de ouro que celebra um recorde de vendas do álbum Root do Sepultura. E é claro, ele estaria presente, isso significa corre!

    Eu e Sheila fomos ao evento nada interessados em qualquer peça que estivesse à venda. O importante eram fotos e autógrafos. Mal chegamos e já o encontramos perambulando por entre os possíveis compradores. Fizemos a abordagem, foi fácil como roubar doce de criança.

    Igor queria vender suas coisas, mas transformei a oportunidade em um corre
    Consegui também o autógrafo de Max em 2014

    quinta-feira, 15 de novembro de 2012

    Crucified Barbara

    Sobre o corre em si, não há muito o que dizer: as meninas do Crucified Barbara, uma banda que não existe mais, estavam em um hotel que também não existe mais, o Linson, na rua Augusta. Eu, Sheila e Leo passamos a tarde esperando. Conforme desciam, conseguíamos, fácil.

    Mia Coldheart, vocalista e guitarrista do Crucified Barbara
    Klara Force, guitarrista do Crucified Barbara
    Ida Evileye, baixista do Crucified Barbara
    Nicki Wicked, baterista do Crucified Barbara


    Mas há duas estórias extras

    A primeira aconteceu enquanto eu conversava com o produtor do show.  Ele queria saber como sabíamos o hotel, e eu explicava que sempre fazíamos isso, e que existiam padrões que identificávamos com facilidade, quando o vocalista do Sepultura, Derrick Green, apareceu no hotel para encontrar suas amigas do Crucified. Por acaso, eu tinha uma foto já autografada por Andreas Kisser, então pedi para que ele autografasse também.

    O produtor pirou, simplesmente não acreditava que eu tinha uma foto do Sepultura pré-autografada ali comigo. Na verdade eu não a carregava 100% do tempo, mas fazia sentido leva-la quando estivesse fazendo corre. Aquela não era a primeira vez que encontrei Derrick ao acaso, isso já aconteceu no SWU, em 2011. Se acontecesse novamente, eu estaria preparado, e aconteceu... Não tiramos uma foto desta vez, pois ele parecia apressado e eu já tinha foto com ele, mas Sheila não tinha, então tirei a dela.

    A segunda é bem mais sinistra e precisa ser contada do começo. Quando o Kiss anunciou shows no Brasil em 2012, muitos hunters decidiram pagar pelo meet & greet. Valia muito a pena, pois garantia uma foto com a banda mascarada e um show acústico exclusivo, onde os pagantes escolhiam na hora o setlist. É claro que se uma música muito obscura fosse pedida, provavelmente a banda não seria capaz de toca-la. Quando alguém sugeria alguma, os músicos verificavam com os outros integrantes se era possível tocar, se todos concordassem, mandavam ver. Para se ter uma ideia, este foi o setlist do show acústico do meet & greet no Rio de Janeiro:

    1. Hide Your Heart
    2. Do You Love Me
    3. Wall Of Sound
    4. Shandi Plaster Caster
    5. I
    6. Spit
    7. Tears Are Falling
    8. Sure Know Something

    Sensacional, não!? Nem estava tão caro: 900 dólares. Isso, para quem é fã, simplesmente não tem preço, conhecer seus ídolos, tirar fotos, conseguir autógrafos e ainda assistir a um show acústico do Kiss como se fosse no Manifesto Bar, de tão próximo que estaria de Paul Stanley & cia.

    Mas havia um problema: eu estava desempregado e não tinha sequer como sonhar em pagar esse valor. Vagabundo e sustentado pela mãe, Jonas também não. Por isso, desde que o show foi anunciado, ele dizia insistentemente que esse corre deveríamos fazer juntos, pois éramos os únicos que não teriam dinheiro para pagar pelo meet. Era algo que enchia o saco, pois todas as vezes que ele me via, falava nisso.

    Pois bem, o show do Crucified Barbara foi um dia após o show do Kiss em Porto Alegre, o próximo show seria em São Paulo. Eu queria tentar conhecer o Kiss, e abandonaria o corre das meninas, se necessário. Jonas disse que estava em contato com um amigo do sul, que lhe avisaria quando a banda saísse da cidade. Jonas, como Kevin, é bem chato. Eu no hotel do Crucified Barbara, e ele ligando o tempo todo.

    Houve um momento em que recebi uma nova informação, que dizia que a banda saíra do hotel rumo ao aeroporto. Liguei para Jonas e contei-lhe o que fiquei sabendo. Ele respondeu que seu amigo lhe disse que a banda nem saiu do hotel ainda. Tranquilizado, concentrei-me no corre do Crucified Barbara. Eu estava no Linson, a 5 minutos de carro do Emiliano. Leo estava conosco, logo tínhamos carro à disposição se fosse necessário correr para lá.

    Após o corre do Crucified Barbara ser completado com sucesso, como não havia novas informações, retornamos para casa. De noite, Jonas ligou, dizendo que estava muito nervoso com a proximidade do corre. Contou que, de tarde, resolveu sair de casa para esfriar a cabeça e que, por acaso, estava em frente ao Emiliano quando o Kiss chegou. Fiquei simplesmente sem reação. Como assim, alguém sai para esfriar a cabeça passeando em frente ao Emiliano?! Esse filho da puta do Jonas nos enganou, caímos como patos.

    Não bastasse todo seu histórico de imbecilidade, como no dia em que "atropelou" Sheila, que estava usando um robofoot, apenas para chegar primeiro em A.J. Pero, no corre do Twisted Sister; ou no dia em que saiu carregado por dois seguranças, berrando como uma menininha, balançando as perninhas no ar, ao tentar chegar em Steven Tyler, no corre do Aerosmith; ou no dia em que chegou com Anebelle no corre do Saxon... Agora mais essa!

    Jonas testou a minha amizade e a da Sheila a todos os limites, estava na hora de colocar um basta definitivo. Portanto, desse dia em diante, o excluí e bloqueei de tudo. Até falo com ele quando o encontro em corres, ele sempre fala em reatar a amizade, mas jamais conseguirá.

    Esse corre do Crucified Barbara foi em 2012. Depois disso, saímos na porrada em 2013, ele conseguiu estragar um hotel que era tão bom com fãs, o Meliá Jardim Europa, que adotou políticas anti-fãs depois que ele chegou bêbado e causou com hóspedes, no corre do Testament, em 2016. No mesmo 2016, puxou o cabelo de Steven Tyler, no ano seguinte estragou completamente o corre do Ace Frehley. Graças a Deus ele vai a poucos corres mas, quando vai, geralmente estraga, é um imbecil completo.


    domingo, 4 de março de 2012

    Hail!

    Era pra ser apenas o corre de uma superbanda, mas logo que chegamos ao Blackmore, encontramos Jonas, com quem eu e Sheila não tínhamos ideia desde o corre do Twisted Sister, quando, na esperança de ser o primeiro a ser atendido pelo facílimo e amigável A.J. Pero, “voou em cima dele”, quase derrubando Sheila, que estava com o tornozelo imobilizado.

    Infelizmente demos ouvidos ao que tinha a dizer. É claro, desculpou-se pelo ocorrido, não apenas na ocasião citada, como também quanto ao que aconteceu em outros corres, como, por exemplo, quando foi posto para fora do Skye, carregado por seguranças, berrando e balançando os pezinhos no ar, no dia do Aerosmith. Usou o mesmo lenga-lenga de sempre, “a banda vai, os amigos ficam”, e prometeu tentar não agir mais assim. Infelizmente demos um voto de confiança, tão pleno, que fiz com ele quase todos os corres de 2012. Depois, o rompimento foi definitivo.

    O lado bom é que antes achávamos que ele era idiota, agora temos certeza. Entre outras mancadas, em 2016, foi bêbado ao hotel do Testament e incomodou hóspedes, fazendo com que um hotel que sempre fosse fácil adotasse políticas anti-fãs. No mesmo 2016, puxou o cabelo de Steven Tyler, como uma menininha, foi ridículo! Em 2017, seu auge, conseguiu foder com o corre do Ace Frehley, apenas para conseguir uma FOTASSA. Eu tenho pouquíssimos arrependimentos, mas com certeza, se pudesse repensar uma decisão, não teria falado com ele nesse dia.

    Sobre o corre: todos atenderam quando a banda chegou ao Blackmore, mas não atenderam a todos. Além de mim, Sheila e Jonas, também estavam Felipe Godoy, Rita, Arthur e o Mestre. Sete pessoas, não era muito. Enquanto abordamos Tim "Ripper", o mestre abordou Paul Bostaph. Depois, abordamos Andreas Kisser e James Lomenzo, mas Bostaph não esperou e entrou. Como sempre, queríamos a banda completa, seria terrível perder alguém que, por ser apenas ex Slayer, poderia não retornar - não tínhamos como saber que ele retornaria à banda no ano seguinte.

    Tim "Ripper" Owens, ex vocalista do Judas Priest, do Iced Earth e de Yngwie Malmsteen
    James Lomenzo, ex baixista do Megadeth
    Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, era o único que eu já conhecia pessoalmente

    Dessa forma, como todos estávamos sem dinheiro para ir ao show, o jeito foi caminhar até o shopping Ibirapuera, próximo ao local, e enrolar até a hora em que estivesse acabando. Nesse dia, eu e Sheila também nos tornamos um pouco mais próximos do casal Felipe Godoy e Rita.

    Godoy revelou um grande segredo: ele retirou seu inseparável boné exibindo uma assustadora calvície, em contraste total ao seu longo rabo de cavalo. Era cabeludo e careca ao mesmo tempo. Felipe faleceu 2 anos e meio depois, aos 34 anos, vítima de infecção hospitalar. Essa foi uma grande tarde com ele, que jamais será esquecida.

    Quando retornamos, esperamos ainda um bom tempo depois que o show terminou para que Bostaph saísse do local. Ao menos, quando saiu, nos atendeu sem problemas. Também conseguimos um bônus, o guitarrista Sílvio Golfetti, ex Korzus.

    Paul Bostaph, baterista do Slayer no passado e no futuro dessa foto
    Sílvio Golfetti, guitarrista fundador do Korzus

    sexta-feira, 25 de março de 2011

    Iron Maiden - São Paulo

    Enfim, o Iron Maiden retornou ao Brasil, desta vez com shows em seis cidades. Meses antes, Ricardo Pacheco enviou-me um e-mail revelando quais seriam os hotéis de todas as cidades e também os vôos que ele reservou, o que me possibilitou reserva-los também. Por dois anos usei apenas o salário para sobreviver, pagar as contas e me divertir. Todo dinheiro extra, como o décimo terceiro ou os 30% adicionais das férias, foi depositado em uma conta poupança, criada para custear os shows, hotéis e passagens, que eu sabia que não seriam baratos. Também acumulei horas extras para reforçar o banco de horas, de forma que eu pudesse me afastar do serviço pelo tempo que fosse necessário. Nesse período, Sheila decidiu ir para os Estados Unidos nas férias, mas não a acompanhei porque era isso ou o Maiden. 

    A ideia era ir em todas as cidades no Brasil + Buenos Aires + Santiago. No entanto, eu não tinha tanto dinheiro, então tive que optar entre São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Buenos Aires e Santiago, abrindo mão de Brasília, Belém e Recife, ou ir em todas as cidades nacionais, e esquecer as gringas. Já que os shows eram os mesmos, o critério foi o número de cidades, já que assistiria um show a mais se ficasse restrito ao Brasil.

    O planejamento foi longo e detalhado, já que incluía diversas cidades, ingressos, hotéis e vôos – mas ainda assim houve erros, que serão comentados no decorrer deste relato. O custo inicial “da brincadeira” foi cerca de R$6.328,78, assim dividido: R$1052,18 (ingressos), R$4.276,60 (hotéis), e cerca de R$1.000,00 (passagens). Houve vôos que considerei caros, como o de Brasília para Belém, que custou R$335,64, enquanto outros foram extremamente baratos. O voo de Recife para Curitiba custou apenas R$19,62, pois usei milhas e paguei apenas a taxa de embarque. Infelizmente não mantive registros com o custo exato de cada voo mas lembro que o último, de Curitiba para São Paulo, pela Webjet, custou R$32,00. Quanto aos ingressos, optei sempre por comprar os mais baratos, o que significa que assisti a todos os shows de lugares ruins – para ver a banda de perto, eu veria nos hotéis. Há, é claro, outros custos, como transporte local e alimentação, mas esses não faziam parte dos custos pré-turnê.

    Eu e Ricardo não éramos os únicos a seguir a banda regularmente. Vários amigos faziam isso, e muitos continuam a fazer até hoje. Em um e-mail, Ricardo mandou a “lista atualizada”. Um dos que receberam a mensagem respondeu: “Pacheco, você vai levar essa lista em todos os shows e fazer a chamada?”. De qualquer forma, a lista está incompleta, faltam nomes como Julio, Arthur e Eric.


    Ingressos


    Hotéis


    Vôos


    Retornando ao que interessa, assim que chegamos ao Hilton, eu e Sheila percebemos a aproximação da van do Cavalera Conspiracy, e aproveitamos para tirar uma foto com o Max, que era o único ocupante do veículo. Sempre ouvi falar que ele se recusa a assinar álbuns do Sepultura, mas Kevin insistiu um pouco e ele acabou assinando. Na ocasião eu não estava com nada pra ele que ele assinasse.

    Max Cavalera
    Quando entrei no hotel, já pressenti a desgraça, pois havia muito mais fãs hospedados do que fora do hotel. Pior ainda, a maioria que se hospedou o fez com dois hóspedes e um convidado – na prática, dividem a conta em três, para ficar barato para todos. Se fosse um quarto fazendo isso, não haveria problemas, mas eram dezenas.

    Fomos ao andar exclusivo (aquele em que a banda toma café da manhã e faz cofee-break, lembra?), que estava tomado por fãs. Quando Bruce apareceu, até tentou atender, mas eram muitos e definitivamente não sabiam se comportar, então assinou alguns itens aleatórios, mas logo desistiu e foi embora.

    De noite foi ainda pior. O Canvas (bar do primeiro andar) estava tomado pelas mesmas dezenas de fãs. A porta do elevador se abriu e então surgiu Steve Harris. Um fã exibiu a caneta de autógrafo, deixando bem clara sua intenção. Steve teve a infeliz idéia de sinalizar que o atenderia. Foi o que bastou para que fosse imediatamente cercado, em todas as direções, por cerca de 80 fãs. Ele atendeu a todos. Mas de boa? Fiquei com pena dele! Os infelizes nem ao menos se organizaram ou formaram uma fila para que tudo acontecesse de maneira calma e civilizada. Steve é um cara bacana, já o vi atender todo mundo diversas vezes - mas ali estava ele cercado por um monte de gente, cada um querendo ser o próximo a ser atendido a qualquer custo. Quando atendia o da direita, o da esquerda o cutucava - e vice-versa. Fiquei com vergonha alheia total e nem cheguei perto. Lógico que queria mais uma foto com ele, mas não assim.

    No dia seguinte, fui tomar café e, estranhamente, não havia outros fãs no andar exclusivo. Por outro lado, Janick Gers estava lá. Peguei o celular e liguei para Sheila, com uma mensagem curta e grossa: "sobe aqui agora". Também mandei uma mensagem para uma amiga que estava hospedada, Mariana, que anos antes havia me pedido para ajuda-la a conhecer o Gers, pois ele é "o amor de sua vida". Disse apenas "Janick está no bar. Não avisa ninguém e vem".

    Hospedada com duas amigas, eu sabia que viriam as três, mas cinco pessoas não são suficientes para assusta-lo. Ela chegou tremendo muito - assim como eu tremi quando vi Steve pela primeira vez. Desabou no choro também. Eu disse "enxuga as lágrimas e vamos trabalhar". Janick havia finalizado a refeição e agora estava sentado no parapeito da janela, tirando fotos da vista com seu iPhone.

    Mariana estava louca para aborda-lo, mas eu a segurei: "o cara sabe que estamos aqui, sabe o que queremos. Se ele quiser, nos atenderá". Eu havia revelado a foto que tirei com ele em 2008, então a peguei e simplesmente deixei em cima da mesa. Janick se levantou, desta vez falando ao celular e passou por nós. Olhou para a foto e deu uma risadinha.

    Mais uma vez, Mariana quis aborda-lo, e mais uma vez eu impedi: "Porra, se liga, o cara está no celular, deixe-o conversar em paz". E ela toda tensa: "Mas e se ele for embora?". "Significa que ele não quer nos atender, oras. É direito dele! Não é porque estamos aqui que ele tem obrigação de tirar uma foto com a gente".

    Mais de meia hora se passou e ele ali, conversando. Mariana não tirava os olhos, mas eu nem prestava mais atenção. De repente, uma mão pegou minha caneta e começou a autografar tudo. Aconteceu tudo exatamente da forma que eu disse. Ele percebeu que respeitamos o seu momento ao celular e enquanto tirava fotos na janela, e simplesmente veio nos atender. Simples. Todos conseguimos fotos e autógrafos sem nem ao menos aborda-lo. Sensacional! Depois eu soube que Janick saiu do hotel, atendeu os fãs, e caminhou até um bar nas proximidades. Me chamaram para ir lá, mas eu não iria incomoda-lo novamente.


    Quando estava anoitecendo, Sheila e eu estávamos no andar exclusivo, quando Bruce apareceu e sentou-se em uma mesa mais escondida, para comer alguma coisa. Decidimos esperar que finalizasse a refeição para aborda-lo. Foi então que tudo deu errado: Jonas e o Mestre, que também estavam hospedados, apareceram, e perceberam o que estava acontecendo.

    Um outro fã aleatório, ainda pior que eles, também apareceu e, quando viu que Bruce estava ali, ficou de pé próximo à mesa do vocalista, sinalizando todo o tempo, indicando querer um autógrafo. Mau humorado, e com razão, Bruce também sinalizava e chegou a adverti-lo verbalmente, deixando bem claro que não o atenderia.

    Ele, entretanto, insistia em ficar cercando o cara. "Falamos um monte", pedindo para que se comportasse, explicando que essa atitude iria atrapalhar a todos, mas ele estava irredutível em sua missão de ser o chato do dia – nem Kevin conseguiria ser pior. Disse que teria que conseguir rápido, já que combinou buscar sua tia para leva-la ao show (porra, ou você quer levar sua tia, ou você quer autógrafo do Bruce. Ou um ou outro, cacete!).

    Até que chegou um momento em que ele foi até a mesa do Bruce, que reagiu de forma muito irritada, mas "autografou" o "Seventh Son of a Seventh Son". Na verdade, foi um rabisco, e muito do mal feito. O pentelho saiu comemorando. Bruce, por sua vez, levantou-se para sair de lá. Já estava perdido, mas o que é ruim sempre pode piorar: Jonas correu até ele e o Mestre o seguiu, mas levando chocolate nas mãos, para oferecer ao vocalista. A essa altura, um segurança havia chegado e ficou indignado:

    - O que é isso?! Você acha que está em um zoológico oferecendo comida aos bichos?

    Ele, então, retirou Bruce do local que, é claro, saiu sem atender ninguém. 

    Fomos ao show, voltamos e fomos ao Canvas. Kevin, é claro, tinha uma ideia chata em mente. Disse que se hospedou em 2009 e que, em todas as noites, Bruce escolheu uma poltrona em um canto específico do bar para se sentar. Continuou dizendo que se sentaria ali e que, se Bruce quisesse o lugar, teria que atendê-lo. Quando Bruce apareceu, ele olhou para Kevin, sentado em “sua poltrona” e fez um comentário com algum integrante da equipe. Por um longo tempo, ele olhava, cada vez mais irritado, e comentava mais alguma coisa. Por fim desistiu, e subiu sem atender ninguém. Consegui fotos com Marc Rizzo e Johny Chow, do Cavalera Conspiracy, mas nem sinal do Igor Cavalera.

    Marc Rizzo, guitarrista do Cavalera Conspiracy
    Johny Chow, baixista do Cavalera Conspiracy
    De manhã, Sheila tomou o elevador que subia, rumo ao café da manhã. Eu chamei o que descia, pois queria fumar um cigarro antes de comer. Quando o elevador chegou, surpresa: dentro, apenas Bruce Dickinson, mais ninguém. Quando me viu entrar, cabeludo e com camisa do Iron Maiden, ele provavelmente se assustou. Mas assim como fui ignorado na noite anterior, eu também não dei a mínima para a presença dele. Dei-lhe as costas, apertei o térreo, e descemos alguns andares juntos. Fumei, subi e tomei café. 

    Pouco antes de fazer o check-out, Kevin me disse que Jonas aprontou novamente. No mesmo andar de Nicko McBrain, ele descobriu qual era o quarto do baterista. Próximo ao elevador, havia um puff. Jonas o levou até a porta do quarto de Nicko, sentou e ficou esperando  pela saída dele. Seu plano imbecil, entretanto, foi frustrado por Peter Lokrantz (o segurança com cara de vicking, lembra?), que chegou para buscar Nicko. Ele expulsou Jonas aos berros.

    Tomei um táxi para Congonhas – sozinho, já que a Sheila não estava de férias e não poderia me acompanhar na maioria das cidades.

    Aquela foi a última vez do Iron Maiden no Hilton em São Paulo, e compreendo bem o porquê. O que vi durante esses dias não foi coisa de fãs, mas de mimadinhos sem a menor compreensão do que seja civilidade. Antes de qualquer foto ou autógrafo, vem o respeito por esses senhores que há décadas espalham o melhor do metal por todo o planeta.