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sábado, 7 de março de 2015

Ministry

Quando, ainda em 2014, foi anunciado o show do Ministry em São Paulo, os textos liberados pela produtora à imprensa, para promoção do evento, diziam que Monte Pittman, que tocou com Madonna, seria um dos guitarristas. De acodo com a Wikipedia, Pittman saiu da banda ainda em 2014, retornando em 2021. Para a turnê sul americana, foi substituído pelo músico de turnê Cesar Soto. Ministry é mais ou menos como o Whitesnake: o único integrante que realmente interessa é Al Jourgensen. O resto são músicos que não ficam muito tempo na banda nem tem grande identificação com ela. Afinal, é a banda de Al, assim como o Whitesnake é a banda de David Coverdale.

Não sou fã, não curto metal industrial, fui ver a banda pela questão da "figurinha nova". O Ministry estava hospedado no Novotel Center Norte. Quem passou essa informação foi Estéfano, que viu a banda no dia anterior. Agora era o dia em que a banda sairia do hotel rumo à próxima cidade da turnê. Assim que eu e Sheila chegamos, nos acomodamos em um dos sofás do lobby. O segurança que acompanhava a banda, Sombra, nos viu e se aproximou, dizendo "Se Al Jourgensen perguntar se vocês foram ao show, respondam sim". Isso é uma coisa que sempre fizemos, mas desta vez recebemos este reforço, por enquanto sem entender bem o porquê.

Do corre em si, não tenho muito o que dizer. Todos atenderam numa boa. Al Jourgensen não perguntou se fomos ao show e foi simpático até demais. Na hora da foto, deu uns agarrões na Sheila que, como marido, não gostei muito. Inclusive estava beijando o rosto na foto dela. Enfim, foi só uma foto... segue o corre. Os quatro primeiros que vimos foi ainda dentro do hotel: John Bechdel, Cesar Soto, Al Jourgensen e Tony Campos. Minha foto com Tony não ficou boa, então a repeti já fora do hotel.

John Bechdel, tecladista do Ministry. O único que ainda está na banda além de, claro, Al Jourgensen
Cesar Soto veio em lugar de Monte Pittman, guitarrista conhecido por tocar com Madonna
Conosco Al Jourgensen estava bonzinho até demais, mas na véspera, soltou os cachorros para cima de um "fã"
Tony Campos tocou em diversas bandas de metal, incluindo Fear Factory, Possessed e Soulfly. Saiu do Ministry em 2019

Aaron Rossi apareceu em seguida, nos atendeu e entrou na van, onde os outros integrantes citados já estavam. A van ainda aguardou por uns 10 minutos pelo último integrante, Sin Quirin. Quando ele apareceu, os músicos já estavam meio putos com a demora, então quase não nos atendeu, mas rolou uma foto rapidinho. Assim que a van fechou a porta e partiu, eu e Sheila nos viramos para sair do hotel e demos de cara com Estéfano e Eliana, que estavam chegando para o corre. Perderam por segundos, inacreditável!

Aaron Rossi, ex baterista do Ministry. Saiu da banda em 2016
Sin Quirin, ex guitarrista do Ministry. Saiu da banda em 2021
Como não existia nenhuma foto na internet com a formação que veio ao Brasil, Givaldo montou esta emergencialmente

Foi então que soubemos o que aconteceu na véspera. Após o show, havia cinco pessoas aguardando pela banda no hotel. Os músicos, incluindo Al Jourgensen, estavam amigáveis como estiveram conosco. Al disse que primeiro autografaria tudo, depois tiraria fotos. Começou atendendo Estéfano, em seguida Carlos. Perguntou ao Carlos se ele foi ao show, Carlos respondeu que sim e mostrou o ingresso. Quando chegou ao terceiro "fã", também perguntou se foi ao show, mas recebeu "não" como resposta. Foi o que bastou! O homem enloqueceu, xingou de tudo quanto é nome! Tirou apenas uma foto com Carlos, dizendo "com você eu tiro foto, já que foi ao show". Subiu esbravejando, sem nem mesmo perguntar a Estéfano se ele também foi ao show, então Estéfano ficou sem foto.

Em outra ocasião, Sombra contou que Al estava muito macho no elevador: "esse filho da puta vem ao hotel tirar foto mas não vai ao meu show. Esse merda! Cuzão do caralho!". 

sábado, 22 de novembro de 2014

Metal All Stars

Tudo parecia estranho desde que foi feito o anúncio da vinda desse projeto ao Brasil. Os integrantes foram anunciados aos poucos, resumindo-se a um catadão de músicos de bandas série B, como Megadeth e Dream Theater, com músicos de bandas menos expressivas, unindo-se no palco para tocar sucessos do metal, alguns de suas próprias carreiras e alguns que não são lá tanto sucesso assim. Foi literalmente uma zona: 
  • James LaBrie, do Dream Theater, cancelou sua participação e depois reconfirmou.
  • Cronos, do Venom, postou uma mensagem no Facebook, informando que não viria. Ele referiu-se à suposta participação como "boato", agindo como se seu nome tivesse sido anunciado sem que ele fosse contratado.
  • Chuck Billy, do Testament, outro confirmado, nem ao menos viajou à Bolívia, onde o grupo iniciou a turnê pela América do Sul. Na véspera do show no Brasil, ele estava nos Estados Unidos, curtindo de boa um jogo de beisebol, e postando sobre isso em seu perfil no Facebook.
  • Gus G, guitarrista do Ozzy Osbourne, tinha uma tarde de autógrafos agendada na Reference Music Center, no dia do show, que acabou cancelada.


    Pouco tempo depois, GW e Top, ambas produtoras do Show Metal All Stars - Brasil, emitiram um comunicado afirmando ter ciência dos boatos que os 3, mais Joey Beladonna, do Anthrax, não viriam, mas que a única ausência realmente confirmada era a do "Kronos" (sim, foi escrito errado). Mais tarde, outro comunicado foi emitido, confirmando que nenhum dos quatro viria ao Brasil.

    Isso pegou muita gente de surpresa. Dos 14 músicos confirmados, apenas 10 viriam. No dia seguinte, uma surpresa adicional: Carmine Appice também não veio. Eu conversei com Vinny Appice, irmão de Carmine, que me disse que Carmine estava com problemas de saúde, o que o torna uma baixa justificável. Mas... e quanto aos outros quatro? Bom... Não é a primeira vez que isso acontece envolvendo o Metal All Stars.

    A empresa internacional que gerenciava os shows do Metal All Stars era a Gabe Reed Production, do texano Gabe Reed. Gabe também foi responsável pelas turnês do Rock'n'Roll All Stars, lembra-se? Aquela banda com Gene Simmons, do KISS, e mais um monte de músicos importantes, que deveria ter se apresentado no Metal Open Air (M.O.A.) em 2012, mas que cancelou a participação em cima da hora.

    De lá pra cá, Reed coleciona uma série de "bolas foras", que incluem processos por não cumprir suas obrigações contratuais, e anúncios de músicos que nunca foram contratados como, por exemplo, o vocalista do Mötley Crue, Vince Neil. Clique nos links abaixo para visualizar notícias veiculadas na época.


    As outras empresas envolvidas, GW e Top, podem até ser vítimas, como alegam em seus comunicados em conjunto. Mas se arriscaram ao comprar o show de alguém com um histórico não muito confiável. E houve ainda um outro problema: houve comercialização de meet & greet onde, obviamente, os fãs esperavam conhecer os 14 músicos anunciados. Ainda que só tivessem vindo 9, 3 deles - Max Cavalera, Zakk Wylde e Blasko simplesmente não apareceram, o que gerou revolta entre quem ousou sonhar conhecer tantos músicos importantes.

    Por outro lado... Quem foi ao aeroporto se deu bem demais. Quando eu e Sheila chegamos, pensei sinceramente que não iria rolar, pois havia pelo menos 40 fãs/hunters, e é de conhecimento público que havia músicos chatos no cast, por exemplo Max Cavalera e Zakk Wylde. Nenhum dos dois chega a ser mala propriamente dito. Porém, se houver chance, escapam.

    Todos os músicos, repito, todos, atenderam os 40 fãs no aeroporto. Fiquei sabendo que foi ordem da produção, como forma de se desculpar pelas 5 baixas no line-up. Até aí tudo bem, louvável mas... e quem gastou dinheiro para pagar pelo meet?! Ficou sem Max, Zakk e Blasko. Eu nem ao menos fui ao show, pois não sou louco de comprar ingresso para um evento onde tantos problemas eram anunciados desde o princípio.

    Dos 5 músicos que não vieram, até hoje não conheci 3: 
    • Cronos - fiz o corre de 2017 tremendamente errado e não consegui.
    • Chuck Billy - tenho azar absurdo com o Testament, sempre que a banda vem, algo absurdamente errado acontece e acabo não conseguindo nada. Já houveram 4 oportunidades perdidas.
    • Gus G - retornou ao Brasil em 2018, enquanto eu estava em Londres.
    Sobre o corre
    • Kobra Paige é uma simpatia. Uma pena que sua banda não é muito conhecida no Brasil, eu adoraria revê-la.
    • Lembrei que sempre que tiro foto com o gente-finíssima  David Ellefson, ele está com sorrisão e eu com cara de enterro. Tentei esboçar um sorriso, mas não adianta, não é meu estilo, ficou esquisito
    • Sabendo que Max não gosta de autografar álbuns do Sepultura, levei o Beneath the Remains, e expliquei que era meu álbum predileto. Para minha surpresa, ele autografou, sem chiar.
    • A maior surpresa foi Zakk Wylde atender e, não apenas, atendeu todos que estavam lá, isso era impensável. Hoje em dia Zakk está um pouco mais bonzinho, mas estamos falando de 2014.
    • Na hora não percebi que a foto com Blasko não ficou legal. Se ele retornar ao Brasil, tentarei novamente.
    • Aproveitei e abordei também Gloria Cavalera. Por que?! Oras, ela foi a pivô da separação do Sepultura e faz parte da história da banda. Eu também tiraria fotos com Yoko Ono (viúva de John Lennon, apontada como pivô da separação dos Beatles) ou Marcelo Cabuli (marido de Tarja, apontado como o responsável por sua demissão do Nightwish), assim como tirei com Joe Jackson (pai de Michael Jackson, apontado pela imprensa americana como um pai que abusava dos filhos, principalmente de Michael). Eles podem não ter a melhor participação do mundo, mas estavam lá. Bem ou mal, alteraram o destino das bandas e artistas citados.
    • O mais incrível foi o que aconteceu após a banda deixar o aeroporto. Todos os músicos seguiram para o hotel Renaissance, onde ficaram hospedados, exceto Max e Zakk, que ficaram no Hollyday Inn. Totalmente antipáticos, nem ao menos apareceram no meet & greet pago, assim como Blasko. Acredito que, depois de nós, ninguém mais conseguiu fotos com eles enquanto estiveram no Brasil.

    Kobra Paige, vocalista do Kobra and The Lotus. Gente finíssima!
    David Ellefson, baixista do Megadeth. Sempre gente boa!
    Vinny Appice, sempre gente fina
    James LaBrie não é o cara mais simpático do mundo, mas sempre atende, e é isso que interessa
    Max, que todos dizem que é chato, foi legal nas duas vezes que o encontrei. Sorte?!
    A grande foto deste corre, eu ainda não tinha com ele. Sorte mais uma vez?!
    Blasko, baixista do Ozzy Osbourne, ex Rob Zombie. Pena que a foto não ficou boa
    Geoff Tate, sempre que o encontrei foi gente boa e educado
    Ross The Boss também é um cara legal. Autografou meus álbuns do Manowar
    Até mesmo Gloria Cavalera estava legal

    sábado, 24 de agosto de 2013

    Igor Cavalera

    Corre é feito de oportunidades. Se não for de uma maneira, será necessário encontrar outra para fazer dar certo. Em 2011 o Cavalera Conspiracy abriu o show do Iron Maiden em São Paulo. Na ocasião, consegui conhecer Max Cavalera, mas nem sinal do Igor. No ano seguinte, fiz o corre do Soulfly, mas mais uma vez não vi Igor. Mais um ano se passou e Igor anunciou que estava organizando um bazar onde venderia literalmente tudo o que tinha para poder mudar-se do Brasil para Londres. Entre os ítens à venda, havia camisetas de bandas de metal, utensílios domésticos, livros, quadros, vinis, instrumentos musicais, toy art e até mesmo o disco de ouro que celebra um recorde de vendas do álbum Root do Sepultura. E é claro, ele estaria presente, isso significa corre!

    Eu e Sheila fomos ao evento nada interessados em qualquer peça que estivesse à venda. O importante eram fotos e autógrafos. Mal chegamos e já o encontramos perambulando por entre os possíveis compradores. Fizemos a abordagem, foi fácil como roubar doce de criança.

    Igor queria vender suas coisas, mas transformei a oportunidade em um corre
    Consegui também o autógrafo de Max em 2014

    sexta-feira, 25 de março de 2011

    Iron Maiden - São Paulo

    Enfim, o Iron Maiden retornou ao Brasil, desta vez com shows em seis cidades. Meses antes, Ricardo Pacheco enviou-me um e-mail revelando quais seriam os hotéis de todas as cidades e também os vôos que ele reservou, o que me possibilitou reserva-los também. Por dois anos usei apenas o salário para sobreviver, pagar as contas e me divertir. Todo dinheiro extra, como o décimo terceiro ou os 30% adicionais das férias, foi depositado em uma conta poupança, criada para custear os shows, hotéis e passagens, que eu sabia que não seriam baratos. Também acumulei horas extras para reforçar o banco de horas, de forma que eu pudesse me afastar do serviço pelo tempo que fosse necessário. Nesse período, Sheila decidiu ir para os Estados Unidos nas férias, mas não a acompanhei porque era isso ou o Maiden. 

    A ideia era ir em todas as cidades no Brasil + Buenos Aires + Santiago. No entanto, eu não tinha tanto dinheiro, então tive que optar entre São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Buenos Aires e Santiago, abrindo mão de Brasília, Belém e Recife, ou ir em todas as cidades nacionais, e esquecer as gringas. Já que os shows eram os mesmos, o critério foi o número de cidades, já que assistiria um show a mais se ficasse restrito ao Brasil.

    O planejamento foi longo e detalhado, já que incluía diversas cidades, ingressos, hotéis e vôos – mas ainda assim houve erros, que serão comentados no decorrer deste relato. O custo inicial “da brincadeira” foi cerca de R$6.328,78, assim dividido: R$1052,18 (ingressos), R$4.276,60 (hotéis), e cerca de R$1.000,00 (passagens). Houve vôos que considerei caros, como o de Brasília para Belém, que custou R$335,64, enquanto outros foram extremamente baratos. O voo de Recife para Curitiba custou apenas R$19,62, pois usei milhas e paguei apenas a taxa de embarque. Infelizmente não mantive registros com o custo exato de cada voo mas lembro que o último, de Curitiba para São Paulo, pela Webjet, custou R$32,00. Quanto aos ingressos, optei sempre por comprar os mais baratos, o que significa que assisti a todos os shows de lugares ruins – para ver a banda de perto, eu veria nos hotéis. Há, é claro, outros custos, como transporte local e alimentação, mas esses não faziam parte dos custos pré-turnê.

    Eu e Ricardo não éramos os únicos a seguir a banda regularmente. Vários amigos faziam isso, e muitos continuam a fazer até hoje. Em um e-mail, Ricardo mandou a “lista atualizada”. Um dos que receberam a mensagem respondeu: “Pacheco, você vai levar essa lista em todos os shows e fazer a chamada?”. De qualquer forma, a lista está incompleta, faltam nomes como Julio, Arthur e Eric.


    Ingressos


    Hotéis


    Vôos


    Retornando ao que interessa, assim que chegamos ao Hilton, eu e Sheila percebemos a aproximação da van do Cavalera Conspiracy, e aproveitamos para tirar uma foto com o Max, que era o único ocupante do veículo. Sempre ouvi falar que ele se recusa a assinar álbuns do Sepultura, mas Kevin insistiu um pouco e ele acabou assinando. Na ocasião eu não estava com nada pra ele que ele assinasse.

    Max Cavalera
    Quando entrei no hotel, já pressenti a desgraça, pois havia muito mais fãs hospedados do que fora do hotel. Pior ainda, a maioria que se hospedou o fez com dois hóspedes e um convidado – na prática, dividem a conta em três, para ficar barato para todos. Se fosse um quarto fazendo isso, não haveria problemas, mas eram dezenas.

    Fomos ao andar exclusivo (aquele em que a banda toma café da manhã e faz cofee-break, lembra?), que estava tomado por fãs. Quando Bruce apareceu, até tentou atender, mas eram muitos e definitivamente não sabiam se comportar, então assinou alguns itens aleatórios, mas logo desistiu e foi embora.

    De noite foi ainda pior. O Canvas (bar do primeiro andar) estava tomado pelas mesmas dezenas de fãs. A porta do elevador se abriu e então surgiu Steve Harris. Um fã exibiu a caneta de autógrafo, deixando bem clara sua intenção. Steve teve a infeliz idéia de sinalizar que o atenderia. Foi o que bastou para que fosse imediatamente cercado, em todas as direções, por cerca de 80 fãs. Ele atendeu a todos. Mas de boa? Fiquei com pena dele! Os infelizes nem ao menos se organizaram ou formaram uma fila para que tudo acontecesse de maneira calma e civilizada. Steve é um cara bacana, já o vi atender todo mundo diversas vezes - mas ali estava ele cercado por um monte de gente, cada um querendo ser o próximo a ser atendido a qualquer custo. Quando atendia o da direita, o da esquerda o cutucava - e vice-versa. Fiquei com vergonha alheia total e nem cheguei perto. Lógico que queria mais uma foto com ele, mas não assim.

    No dia seguinte, fui tomar café e, estranhamente, não havia outros fãs no andar exclusivo. Por outro lado, Janick Gers estava lá. Peguei o celular e liguei para Sheila, com uma mensagem curta e grossa: "sobe aqui agora". Também mandei uma mensagem para uma amiga que estava hospedada, Mariana, que anos antes havia me pedido para ajuda-la a conhecer o Gers, pois ele é "o amor de sua vida". Disse apenas "Janick está no bar. Não avisa ninguém e vem".

    Hospedada com duas amigas, eu sabia que viriam as três, mas cinco pessoas não são suficientes para assusta-lo. Ela chegou tremendo muito - assim como eu tremi quando vi Steve pela primeira vez. Desabou no choro também. Eu disse "enxuga as lágrimas e vamos trabalhar". Janick havia finalizado a refeição e agora estava sentado no parapeito da janela, tirando fotos da vista com seu iPhone.

    Mariana estava louca para aborda-lo, mas eu a segurei: "o cara sabe que estamos aqui, sabe o que queremos. Se ele quiser, nos atenderá". Eu havia revelado a foto que tirei com ele em 2008, então a peguei e simplesmente deixei em cima da mesa. Janick se levantou, desta vez falando ao celular e passou por nós. Olhou para a foto e deu uma risadinha.

    Mais uma vez, Mariana quis aborda-lo, e mais uma vez eu impedi: "Porra, se liga, o cara está no celular, deixe-o conversar em paz". E ela toda tensa: "Mas e se ele for embora?". "Significa que ele não quer nos atender, oras. É direito dele! Não é porque estamos aqui que ele tem obrigação de tirar uma foto com a gente".

    Mais de meia hora se passou e ele ali, conversando. Mariana não tirava os olhos, mas eu nem prestava mais atenção. De repente, uma mão pegou minha caneta e começou a autografar tudo. Aconteceu tudo exatamente da forma que eu disse. Ele percebeu que respeitamos o seu momento ao celular e enquanto tirava fotos na janela, e simplesmente veio nos atender. Simples. Todos conseguimos fotos e autógrafos sem nem ao menos aborda-lo. Sensacional! Depois eu soube que Janick saiu do hotel, atendeu os fãs, e caminhou até um bar nas proximidades. Me chamaram para ir lá, mas eu não iria incomoda-lo novamente.


    Quando estava anoitecendo, Sheila e eu estávamos no andar exclusivo, quando Bruce apareceu e sentou-se em uma mesa mais escondida, para comer alguma coisa. Decidimos esperar que finalizasse a refeição para aborda-lo. Foi então que tudo deu errado: Jonas e o Mestre, que também estavam hospedados, apareceram, e perceberam o que estava acontecendo.

    Um outro fã aleatório, ainda pior que eles, também apareceu e, quando viu que Bruce estava ali, ficou de pé próximo à mesa do vocalista, sinalizando todo o tempo, indicando querer um autógrafo. Mau humorado, e com razão, Bruce também sinalizava e chegou a adverti-lo verbalmente, deixando bem claro que não o atenderia.

    Ele, entretanto, insistia em ficar cercando o cara. "Falamos um monte", pedindo para que se comportasse, explicando que essa atitude iria atrapalhar a todos, mas ele estava irredutível em sua missão de ser o chato do dia – nem Kevin conseguiria ser pior. Disse que teria que conseguir rápido, já que combinou buscar sua tia para leva-la ao show (porra, ou você quer levar sua tia, ou você quer autógrafo do Bruce. Ou um ou outro, cacete!).

    Até que chegou um momento em que ele foi até a mesa do Bruce, que reagiu de forma muito irritada, mas "autografou" o "Seventh Son of a Seventh Son". Na verdade, foi um rabisco, e muito do mal feito. O pentelho saiu comemorando. Bruce, por sua vez, levantou-se para sair de lá. Já estava perdido, mas o que é ruim sempre pode piorar: Jonas correu até ele e o Mestre o seguiu, mas levando chocolate nas mãos, para oferecer ao vocalista. A essa altura, um segurança havia chegado e ficou indignado:

    - O que é isso?! Você acha que está em um zoológico oferecendo comida aos bichos?

    Ele, então, retirou Bruce do local que, é claro, saiu sem atender ninguém. 

    Fomos ao show, voltamos e fomos ao Canvas. Kevin, é claro, tinha uma ideia chata em mente. Disse que se hospedou em 2009 e que, em todas as noites, Bruce escolheu uma poltrona em um canto específico do bar para se sentar. Continuou dizendo que se sentaria ali e que, se Bruce quisesse o lugar, teria que atendê-lo. Quando Bruce apareceu, ele olhou para Kevin, sentado em “sua poltrona” e fez um comentário com algum integrante da equipe. Por um longo tempo, ele olhava, cada vez mais irritado, e comentava mais alguma coisa. Por fim desistiu, e subiu sem atender ninguém. Consegui fotos com Marc Rizzo e Johny Chow, do Cavalera Conspiracy, mas nem sinal do Igor Cavalera.

    Marc Rizzo, guitarrista do Cavalera Conspiracy
    Johny Chow, baixista do Cavalera Conspiracy
    De manhã, Sheila tomou o elevador que subia, rumo ao café da manhã. Eu chamei o que descia, pois queria fumar um cigarro antes de comer. Quando o elevador chegou, surpresa: dentro, apenas Bruce Dickinson, mais ninguém. Quando me viu entrar, cabeludo e com camisa do Iron Maiden, ele provavelmente se assustou. Mas assim como fui ignorado na noite anterior, eu também não dei a mínima para a presença dele. Dei-lhe as costas, apertei o térreo, e descemos alguns andares juntos. Fumei, subi e tomei café. 

    Pouco antes de fazer o check-out, Kevin me disse que Jonas aprontou novamente. No mesmo andar de Nicko McBrain, ele descobriu qual era o quarto do baterista. Próximo ao elevador, havia um puff. Jonas o levou até a porta do quarto de Nicko, sentou e ficou esperando  pela saída dele. Seu plano imbecil, entretanto, foi frustrado por Peter Lokrantz (o segurança com cara de vicking, lembra?), que chegou para buscar Nicko. Ele expulsou Jonas aos berros.

    Tomei um táxi para Congonhas – sozinho, já que a Sheila não estava de férias e não poderia me acompanhar na maioria das cidades.

    Aquela foi a última vez do Iron Maiden no Hilton em São Paulo, e compreendo bem o porquê. O que vi durante esses dias não foi coisa de fãs, mas de mimadinhos sem a menor compreensão do que seja civilidade. Antes de qualquer foto ou autógrafo, vem o respeito por esses senhores que há décadas espalham o melhor do metal por todo o planeta.