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segunda-feira, 4 de março de 2019

Londres: Apple Corps

Próximo à estação Picadilly Circus, há um prédio que definitivamente não chama atenção de ninguém, qualquer desavisado passaria em frente sem desconfiar de nada. Para quem conhece a história dos Beatles, entrentanto, sabe que trata-se do edifício comprado pela banda em 1968 para servir como sede da Apple Corps, a companhia multimídia criada por ela. Foi instalado um estúdio no porão, onde foram gravadas as sessões "Get Back" (que mais tarde se tornariam o álbum Let It Be). Já em crise, a última apresentação pública da banda, até então, aconteceu em 1966, no Candlestick Park, São Francisco.

O quarteto de Liverpool concebeu a ideia de retornar às apresentações públicas no início de janeiro de 1969, decidindo que a primeira apresentação deveria acontecer em algum lugar inusitado, como um barco em movimento, um anfiteatro grego ou ainda no centro de artes cênicas Roundhouse, dentre outros. Sem avisos públicos, ao meio dia de 30 de janeiro de 1969, no terraço do edifício, se iniciou a tentativa de retomar os shows ao vivo.

Foram apenas 9 músicas, ou 42 minutos, até o concerto ser finalizado pela Polícia Metropolitana, que exigiu seu encerramento devido à problemas de tráfego e ruído. Ainda que ninguém soubesse naquele momento, esse era o capítulo final dos Beatles como uma banda ao vivo. Foi chamado de Rooftop Concert ("concerto do terraço", em tradução literal).

Em 30 de janeiro de 1969 aconteceu o último show dos Beatles


Eu e Arianne decidimos dar uma passada em frente ao local para tirar algumas fotos, mas nem cogitamos se seria ou não possível subir ao terraço. Para dizer a verdade, ficamos pouco tempo, pois nosso roteiro nesse dia incluía passar por diversos outros locais musicamente relevantes. Me aproximei rapidamente da porta do lugar e observei que, dentro, há uma loja de souvenirs dos Beatles, mas não cheguei a entrar para saber exatamente o que era comercializado.

Pouco mais de 50 anos depois, lá estava eu, em frente ao local onde tudo aconteceu

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ringo Starr & His All Starr Band

Florinda Meza, que interpretou a inesquecível Dona Florinda no seriado mexicano Chaves, desembarcou em São Paulo para dar uma entrevista ao Programa do Ratinho - a primeira desde o falecimento de seu marido Roberto Bolaños, que interpretava Chaves. Não fui ao aeroporto mas fiquei sabendo que Anebelle foi, e que foi a única a conseguir uma foto posada com Florinda.

Ao perceber que Anebelle não estava sozinha, Florinda foi antipática demais. Cercada por seguranças, caminhou apressadamente ao carro que a esperava, sem atender mais nenhum fã. Enzo ficou inconformado por não ter conseguido. Em fotos postadas em sites de fofocas, é possível ver seu desespero tentando aborda-la e sendo ignorado, ao mesmo tempo em que tentava inutilmente tirar uma selfie. Como essa galera se humilha por uma foto. Fico sem, mas não faço isso.

Saber que Florinda é mala deixou-me broxado e com pouca vontade de fazer o corre, até porque não tinha a menor ideia de em qual hotel ela estava hospedada. Havia, além do mais, outros corres para fazer, alguns bem mais importantes que o dela. Por exemplo, Ringo Starr. Quando Marcelo Zava passou de carro em minha casa para irmos ao aeroporto tentar conseguir uma foto com o Ringo, era um pouco cedo ainda, então sugeri que déssemos uma passada no hotel Hollyday Inn, pois no ano anterior Maria Antonieta de Las Nieves, a Chiquinha, ficou hospedada lá, bem como Édgar Vivar, o Senhor Barriga, ficou em 2012. Era apenas um chute, mas não custava verificar.

Tão logo chegamos, caiu uma daquelas intensas tempestades de verão. Nem descemos do carro para verificar, porque faze-lo significaria o mesmo que se enfiar de roupa em um chuveiro de água fria. Os minutos se passaram e começou a ficar apertado para seguir ao aeroporto e tentar ver Ringo. Sugeri a Zava que fôssemos com ou sem chuva mas ele recusou-se, alegando que seu carro não aguentaria tanta água. O corre começava a dar errado aí...

Quando a chuva amenizou era tarde demais para tentar ir ao aeroporto, então Zava sugeriu que fôssemos ao Hyatt para tentar ver Ringo quando ele chegasse ao hotel. Detestei a ideia mas concordei. Não havia muito o que fazer mesmo. Em minha opinião, perdemos a grande chance quando não fomos ao aeroporto. Isso de fato se confirmou quando, já no lobby do hotel, fuçando no Instagram, achei uma foto de Ringo com um fã que o abordou tão logo o ex Beatles passou pelo portão de desembarque.

No hotel, aconteceu o que eu já esperava: realmente ele passou em frente a nós, o chamamos, mas fez apenas o sinal de "paz e amor" e seguiu apressado para os elevadores. Nesta noite vimos apenas Gregg Bissonette, a quem já tínhamos visto dois anos antes.

É sempre um prazer rever alguém tão gente boa como Gregg Bissonette
No dia seguinte, não retornei. Ringo não atenderia mesmo e minha única esperança era tentar a sorte que Denis e Guilherme tiveram em 2013. Se eu teria que retornar no dia em que Ringo saísse do hotel, não fazia sentido tentar no dia seguinte. Marcelo Zava não pensou desta maneira, retornou e passou o dia inteiro com sua esposa no hotel, mas não conseguiram nada. Alvaro também estava no lobby e fez o que era possível fazer quando Ringo saiu para o show: forçar uma selfie. Quando Ringo percebeu que seria inevitável, ainda ajudou, fazendo o sinal de "paz e amor".


Mais um dia se passou e era quase hora da banda deixar o hotel rumo à próxima cidade de turnê. Eu e Marcelo Zava estávamos no hotel desde manhã. Ganhamos a companhia de Sheila, que aproveitou seu horário de almoço no serviço para também tenhar conhecer Ringo. Para sorte dela, a ação nem demorou a acontecer. Às 13:06hs de 27 de fevereiro, uma sexta-feira, encontramos Warren Ham, saxofonista que substituiu Mark Rivera. Ele nos atendeu sem problema nenhum. Gregg Rolie e Todd Rundgren desceram juntos e nos atenderam a seguir, tão simpáticos e educados como há dois anos.


Então apareceu quem Zava mais queria rever, o gente finíssima Steve Lukather. Antes, Zava nos disse que queria fazer um vídeo abraçando Lukhater. Sheila explicou para Lukather o que Zava queria e obteve confirmação de que poderia ser feito. Zava, no entanto, pareceu um pouco travado no momento, meio sem saber o que fazer ou como fazer, então Sheila teve que incentiva-lo.


Às 13:16hs, apenas onze minutos após conseguirmos a primeira foto do dia, vimos o baixista que não conseguimos ver em 2013, Richard Page. Com ele, estava completa a foto que levei para a banda assinar, pois tinha certeza que Ringo não assinaria nem mesmo se atendesse.


Quando Ringo apareceu, às 13:34hs, apenas 28 minutos depois que conseguimos a primeira foto... NABA! Éramos apenas cinco pessoas: eu, Sheila, Zava e dois fãs aleatórios. Aguardamos do lado de fora do hotel. Sabendo da dificuldade deste corre, quando Ringo passou, pedimos uma foto apenas, ele com nós cinco. Recebemos como resposta "estou atrasado para ir ao aeroporto". O filho da puta não pode perder cinco segundos da vida dele, inacreditável! Sheila ainda tentou tirar uma foto onde ele aparecesse ao fundo, mas isso não me animo de fazer, é derrota demais... 

Sugeri que corrêssemos ao aeroporto e só desistíssimos depois de levar naba lá, mas Sheila teria que retornar ao trabalho e Zava já estava broxado o bastante. Se eu tivesse carro ou grana para táxi teria ido sozinho, mas não tinha. Infelizmente, Ringo nunca retornou ao Brasil para que pudesse tentar pela quarta vez!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ringo Starr & His All Starr Band

Era a segunda vez que Ringo Starr veio ao Brasil e era minha segunda tentativa para conseguir uma foto com ele. Começarei com um spoiler: não vi nem sinal de Ringo desta vez. Com ele, ficou para uma próxima tentativa.

Sua banda, no entanto, é formada por músicos maravilhosos, não apenas no domínio de seus respectivos instrumentos, mas principalmente como pessoas. É evidente que para estar na banda de Ringo é necessário ter uma carreira acima da média e todos, sem exceção, gravaram e/ou excursionaram com artistas de primeira grandeza, mas ainda assim foram inacreditavelmente educados, receptivos e atenciosos.

É claro, fizemos como sempre fazemos, na maior educação e civilidade. No hotel, estávamos somente eu, Marcelo Zava, Sheila e Deca, todos muito experientes em corres. Além de nós, é claro, Claudia Tapety, uma das maiores fãs de Beatles do Brasil, que conheci no corre do Paul McCartney em 2010. Apenas com hunters e fãs de verdade, não houve nenhum tipo de problema ou contratempo.

Alguns dias antes, Sheila comentou com uma colega de serviço que tentaria ver Ringo Starr. Ela disse algo como "Sério?! Que legal! Sou muito fã do baterista que excursiona com ele, o Gregg Bisonette". Como o aniversário dessa colega acontecia na mesma semana, Sheila resolveu surpreende-la, presenteando-a com uma foto autografada por ele, com dedicatória. Para isso, pediu que eu fizesse uma foto apenas dele e me incumbiu de conseguir o rabisquinho. Estava fácil, pois também sou fã dele e já intencionava levar uma foto para ele autografar, bastava então mandar fazer mais uma.

O super simpático Gregg foi o primeiro que encontramos. Ele, que tocou em ábuns de dezenas de artistas, incluindo os três primeiros lançamentos solos de David Lee Roth, não se importou em autografar duas fotos, e em uma delas escreveu "Happy Birthday". Na minha escreveu "Oi" com uma carinha feliz.

Gregg Bisonette foi muito gente boa, é um cara totalmente do bem
O segundo músico que vimos foi o tecladista Gregg Rolie. Ele também tem uma carreira consolidada como vocalista nas bandas de Santana e Journey – ambas as quais foi co-fundador. O próximo foi o sorridente saxofonista Mark Rivera, mais conhecido por seu trabalho com Billy Joel. Como Bisonette, Rolie e Rivera foram bastante simpáticos concosco.

Todos os músicos nos atenderam inacreditavelmente bem, incluindo Gregg Rolie
Nem parecia que estávamos em frente a alguns dos melhores e mais experientes músicos do planeta
O guitarrista Steve Lukather foi o próximo a falar conosco. Que cara absurdamente bacana! Antes de integrar o Toto, trabalhou durante a década de 1970 como músico de estúdio, gravando mais de 1.500 álbuns de uma extensa gama de artistas e gêneros, o que lhe concedeu o status de ser um músico prolífico. Também contribuiu para álbuns e singles de sucesso como compositor, arranjador e produtor, mais notavelmente como um importante colaborador de vários álbuns de estúdio de Michael Jackson, incluindo Thriller. 

Para completar a banda, vimos Todd Rundgren, que foi introduzido no Rock & Roll Hall of Fame em 2021. Considerado um pioneiro nas áreas de música eletrônica, rock progressivo, videoclipes, software de computador e entrega de música pela Internet. Organizou o primeiro concerto de televisão interativa em 1978, projetou o primeiro tablet gráfico colorido em 1980 e criou o primeiro álbum interativo, No World Order, em 1994.

Só conheci gente fraca neste dia, não?! Mesmo ainda faltando conhecer o baixista Richard Page, meu corre finalizou aí. Eu não voltaria para tentar ver Ringo, ainda mais depois da forma patética que ele saiu do hotel em 2011, fazendo sinal de paz e amor com a mão, enquanto ignorava solemente os menos de dez fãs que ali estavam para tentar ao menos tirar uma foto com ele. Ou o que será que ele achou? Que estávamos no hotel para ganhar tchauzinho à distância?!

Provavelmente você não consiga ter noção de quanto Steve Lukather é gente boa!
Todd Rundgren foi o último a aparecer. Como todos, foi incrível no atendimento aos fãs 

Nesta tarde conheci dois fãs de Beatles, Denis e Guilherme, que faziam alguns corres ocasionalmente. Eles vieram falar comigo pois sabiam, através de amigos em comum, que eu era um dos caras que conseguiu ver Paul McCartney. Sinceramente, não liguei muito. Eu conheço gente o tempo todo, e a maior parte fica pelo caminho. Vida de corre é difícil, parece divertido mas não é. Não é todo mundo que realmente se transformará em alguém como eu, Carlos ou Leo, para citar alguns exemplos. 

A façanha que os dois estavam prestes a conseguir é quase inacreditável até mesmo para mim. Eles foram os únicos que acreditaram que seria possível ver Ringo, então foram os únicos a retornar ao hotel no dia em que a banda seguiu para a próxima cidade da turnê. Tal como aconteceu comigo com Paul McCartney em 2010, um segurança de Ringo os viu fora do hotel e foi até eles para avisar que Ringo os atenderia.

Quando menos se deram conta, Ringo já estava em frente a eles. Rolou não apenas fotos, como também autógrafos, no caso, nas camisetas que usavam. Todo mundo sabe que Ringo não assina mais nada já há alguns anos. Só acreditei quando vi as fotos. Simplesmente impressionante! Provavelmente foi a última vez que me impressionei com uma foto, pois realmente não acreditava que Ringo atenderia, tanto que não retornei ao hotel para tentar.

Tempos depois, Denis contou que essa foi sua segunda foto: "Antes do Ringo, conheci apenas o Duff McKagan". Sorte de principiante?!

Ringo e Denis

domingo, 21 de novembro de 2010

Paul McCartney

Mal sabia eu que estava prestes a conseguir o maior feito de minha “carreira”, e sozinho, sem ajuda de ninguém. Paul McCartney se apresentaria em São Paulo. Todos os hunters com quem falei disseram que seria impossível, e nenhum deles apareceu no hotel naquele final de semana. 

Antes de continuar, é necessário compreender porque era tão importante para mim conseguir conhece-lo. Apesar de a banda da minha vida ser o Iron Maiden, sei, desde que nasci, que sou um filho dos Beatles. Meus pais se conheceram em 1970 e o primeiro papo entre eles foi sobre a banda de Liverpool. Nasci dois anos depois, e cresci cercado das músicas deles e das carreiras solo de seus integrantes. Lembro bem da cara de bunda que meu pai chegou em casa no dia em que John Lennon foi assassinado. Lembro das discussões intermináveis que apontavam Yoko Ono como a causadora da separação do quarteto. Lembro da viagem para o Rio de Janeiro que eles fizeram em 91 para ver Paul McCartney pela primeira vez no Brasil, e de quanto eles comentaram sobre o show de 93 em São Paulo.

Quando foram anunciados os shows no Brasil, uma ideia me veio à mente: se consegui abordar a banda da minha vida, por que não proporcionar aos meus pais a mesma oportunidade?! Não é mais possível conhecer John e George, e Ringo até então nunca tinha vindo ao Brasil, mas poderíamos tentar abordar McCartney para, quem sabe, conseguir uma foto e um autógrafo. Após falar com meus velhos, e perceber que se animaram com a ideia, bolei cuidadosamente um plano para fazer dar certo.

No dia do show, lá estávamos eu, Sheila e meus pais, hospedados no Grand Hyatt. Você, fã de Paul, sacrificaria o espetáculo pela possível oportunidade de ver Sir Paul McCartney de perto? Foi o que meus pais fizeram. Chegamos de manhã ao hotel, e não havia sinal dele, certamente recluso em sua suíte presidencial.

De tarde, o único sinal de vida foi na hora da saída de Paul para o estádio do Morumbi. Uns vinte fãs estavam na parte de dentro do hotel, hospedados, e não poderiam ser retirados pelos seguranças. Mais quarenta o esperavam do lado de fora. Os seguranças bem que tentaram isolar a área, mas os fãs que estavam fora deram um show de má educação ao cercar o carro e bater nos vidros. Sinceramente: o que eles achavam que iriam conseguir se comportando assim, berrando e pulando?! Depois não sabem porque falam mal do Brasil lá fora...


Ao perceber o número de fãs que também tiveram a idéia de se hospedar, e constatar a atitude chiliquenta de alguns deles, comecei a desconfiar que seria muito difícil ter acesso a ele. No entanto, nossa grande vantagem estava justamente no fato de não irmos no show. Aos poucos, os fãs foram se encaminhando ao estádio, mas ficamos ali, no hall, esperando pela volta de Paul. Somente quatro pessoas talvez não o assustassem, e quem sabe conseguíssemos alguma coisa. 

De repente apareceu um homem, que sabemos tratar-se do segurança pessoal de McCartney. Ele observou o álbum que minha mãe carregava, Ram, e disse, em inglês, para ela relaxar, pois ainda faltava pelo menos uma hora para Paul retornar. Em seguida, se dirigiu a mim e à Sheila, dizendo que Paul havia pedido para que ele selecionasse vinte fãs, que seriam atendidos assim que retornasse ao hotel. Todos nós estávamos entre os escolhidos, primeiro porque não havia muita gente a escolher, segundo porque fomos observados de tarde pela segurança, que percebeu que não éramos ameaça alguma ao Paul. Uau! Por essa eu não esperava mesmo!

Após uma hora, ele nos chamou e pediu para que aguardássemos do lado de fora do hotel. A essa altura, estava no hall também um casal, que também foi convidado para participar. Ela estava com um vestido extremamente curto e um decote provocante, enquanto ele não largava a filmadora. E foi ali que percebemos que havia algo errado. Ao invés de comemorar a grande chance oferecida, o casal iniciou uma discussão, dizendo que estavam hospedados e não iriam sair, mas acabaram cedendo. Lá fora, nos unimos a cerca de dez fãs que não estavam hospedados, mas também foram selecionados para a inusitada sessão de autógrafos. 

O segurança explicou que seria apenas um autógrafo por pessoa, e que fotos e filmagem estavam proibidos. Também pediu para que organizássemos uma fila. O casal mais uma vez começou a destoar, primeiro por não o deixar falar, interrompendo a cada instante, e depois, tentando retornar para dentro do hotel, com câmeras na mão - especialmente quando enfim chegou o ônibus com Paul. Eu perdi a foto com o Dio por causa de fãs assim, e agora ele estava morto. Se isso acontecesse novamente, por causa dos dois, certamente o pau ia comer. Todos na fila estavam irritados com o casal, que parecia estar ali apenas para tumultuar.

Após a chegada do ônibus, outra coisa passou a nos preocupar: se começassem a chegar os fãs que foram ao show, ninguém conseguiria nada, nem nós, nem eles. Seria muita gente, muita bagunça. Percebendo isso, os seguranças fizeram quem estava na fila entrar para a área em frente ao hotel, onde os carros manobram. Foi tudo extramamente organizado. 

Quando nos demos conta, lá estava ele, bem na nossa frente. Eu era um dos primeiros da fila e logo estava cara a cara com ele, tão próximo que se esticasse o braço poderia toca-lo. Ele me disse "good night", eu respondi o mesmo, retribuindo o cumprimento. Entreguei uma foto da banda e ele, sem querer, começou a autografar sobre outro músico. Percebendo o erro, olhou para mim e disse "eu assinei em cima dele, mas você sabe que o autógrafo é meu". Extremamente simpático e amigável. Foi tudo muito rápido, mas simplesmente mágico.

Meus pais foram atendidos na sequência. Ao sair, meu pai tremia como se não tivesse acreditado que conseguiu conhecer Paul McCartney após quase 50 anos como fã. Minha mãe olhava o autógrafo, como boba, petrificada. Eu disse: “mãe, aproveite enquanto ele ainda está atendendo, e olhe para ele. Você terá todo o tempo do mundo para olhar o autógrafo, quando ele entrar”.


Acho que Paul não demorou nem dois minutos para atender a todos. Ele acenou, despedindo-se, e entrou no hotel sem ser incomodado. Olhei em volta: tinha gente chorando, mas todos estavam em êxtase, com a exata noção de quanto foram privilegiados. A única coisa a lamentar foi não ter conseguido uma foto com ele, mesmo que coletiva. Ainda assim, não havia o que reclamar. Tínhamos quatro itens autografados, fantástico!

A dispersão dos fãs também foi rápida. Quem não estava hospedado se despediu e voltou para casa. Quem estava, entrou no hall. Então, os seguranças abordaram o casal que ficou tumultuando, confiscando os autógrafos que conseguidos. Mais tarde, encontramos um outro fã, arrasado, que havia levado um baixo idêntico ao utilizado por McCartney, mas o músico se recusou a autografar. Por um momento fiquei com pena.

Mais tarde, reencontramos o segurança, que perguntou se estávamos felizes. Estávamos extasiados, claro. Ele explicou que os dois que formavam o casal eram impostores do Pânico, estavam lá só para tumultuar mesmo. Quanto ao cidadão que teve o autógrafo no baixo negado, explicou que ele já havia conseguido o autógrafo em outro baixo idêntico, em Porto Alegre. Outra fã argumentou que não era o mesmo fã, mas se era, perdi a pena dele na mesma hora, pois certamente conseguiria o autógrafo para vender. Nem mesmo eu, que sou fã do Iron Maiden, venderei meu autógrafo um dia. Sei bem quanta gente gostaria de estar em meu lugar. E, sem dúvida, é uma bela história para contar em qualquer ocasião...