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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Iron Maiden

Desta vez sem o Ed Force One, o Iron Maiden veio "fatiado" para São Paulo. Bruce, Steve e Nicko chegaram primeiro, os guitarristas viriam depois. Leo estava determinado a fechar a banda pois, apesar de fazer corres há muito mais tempo que eu, ainda não tinha conseguido encontrar Adrian Smith. E a missão parecia um pouco mais difícil, pois os músicos foram hospedados no Renaissance, um dos piores hotéis de São Paulo no trato com fãs. Leo chegou ao cúmulo de passar sabão no olho para simular conjuntivite, e desta maneira conseguir atestado para fazer o corre sem se preocupar com suas obrigações trabalhistas. Ficou com o olho zuado e ardendo, mas valeu a pena... acho.

Assim que soubemos que metade dos integrantes já estavam em São Paulo, eu o encontrei e seguimos ao hotel. Entramos sem ser incomodados pelos seguranças, nos instalamos em uma mesa próxima ao bar e apenas observamos o movimento. Bruce estava por perto, permanecendo quase o tempo todo sentado em sofás próximos ao bar. Sabendo o quanto o baixinho é chato em relação a abordagens, o deixamos em paz. Nossos alvos prioritários eram Nicko e Steve.

Não vimos sinal de Steve, mas Nicko não demorou a aparecer. Leo o abordou e ele pareceu um pouco incomodado, mas assinou e tirou uma foto. Eu tinha um catálogo do Rock'n'Roll Ribs, o bar que ele tem em Fort Lauderdale, Florida, e queria um autógrafo, mas nem tive chance de pedir. Mal bati a foto do Leo e Nicko ja caminhou apressado para longe, parecia mau humorado. Esta foi a única vez em diversas que o vi que levei naba dele. Nessa noite, nada mais aconteceu.

Nosso plano era ir ao aeroporto na manhã seguinte, para acompanhar o desembarque do voo que chegaria do México. Com certeza os guitarristas estariam nele, o que seria perfeito, pois eu queria mais uma foto com Dave Murray (até hoje tenho apenas uma com ele) e Leo queria abordar Adrian Smith. Entretanto, ainda no hotel, três amigos me enviaram, quase ao mesmo tempo, a mesma foto. Um infeliz postou esta imagem no grupo "Iron Maiden Brasil", o maior de fãs brasileiros no FB.

Eu e Leo cancelamos os planos de ir ao aeroporto. Como conheço Sombra, chefe dos seguranças brasileiros do Iron Maiden, falei com ele e mostrei a imagem. Só imagina o que aconteceria se por algum motivo o pouso adiantasse ou os seguranças atrasassem para chegar ao aeroporto - já vi acontecer com outras bandas - o voo chegaria e o desembarque aconteceria normalmente, com centenas de fãs cantando e berrando. Quem teria que aguentar o mau humor dos músicos no hotel era eu.

Fortaleza 2013, mas em SP poderia ser igual
Até então Sombra estava de boa, descontraído - afinal, apenas eu e Leo estávamos no hotel - mas ficou bastante preocupado e imediatamente acionou Peter Lokrantz, o massagista e segurança do Iron Maiden, que também não ficou feliz ao ver a imagem. Eles convocaram uma reunião com todos os seguranças que iriam buscar os músicos.

Tempos depois, Sombra me disse que não havia fãs e que Adrian, Dave e Janick desembarcaram normalmente como qualquer passageiro, sem nem mesmo utilizar alguma saída especial reservada para esse tipo de situação. Como em um desenho animado, senti a orelhinha de burro crescendo. O voo chegava extremamente cedo em um dia em que a maioria teria que trabalhar. Apesar de ter a informação, os fãs não tiveram coragem de ir ao aeroporto.

Retornei ao hotel com Leo e Sheila no dia seguinte. Desta vez a grana estava curta e não foi possível nos hospedar, como fizemos nas turnês de 2008, 2009 e 2011. Levei o livro "On Board Flight 666" e a intenção era conseguir autógrafos não somente dos músicos, mas também de toda a equipe. Há duas páginas com diversas fotos de integrantes do crew, e eles também fazem parte do Iron Maiden. Não são apenas os seis em cima do palco, todos são de alguma maneira importantes. Por exemplo, Michael Kenney, roadie do Steve Harris que também atua como tecladista, geralmente atrás do palco. Porém, era a "Maiden England World Tour", então tocou à vista de todos em "Seventh Son of a Seventh Son", embora mascarado.

Kenney é um pouco estranho. Em 2009 em Manaus não se incomodou em tirar uma foto comigo. Em 2011, no Rio de Janeiro também não, foto e autógrafo rolaram numa boa. Ainda em 2011, em Belém reclamou para mim e para Bruno "The Crying Man" que estava chateado porque, apesar de ser um dos integrantes mais antigos do Iron Maiden, inclusive tocando com a banda em todos os shows, ninguém sabe quem ele é, ninguém pede fotos e autógrafos, ninguém o assedia. Dois anos se passaram e agora estávamos fumando no fumódromo do hotel, cada um em seu canto. Apenas observei quando alguns fãs que aguardavam na calçada em frente ao hotel se aproximaram e pediram uma foto. Foram solenemente rechaçados: "Eu não sou famoso, eu não sou ninguém! Vá procurar o Bruce Dickinson".

Kenney não é o único relevante. Ashley Groon, por exemplo, tem uma função chamada "set carpinter", é basicamente um faz-tudo, que cuida de cada detalhe do palco. É, por exemplo um dos responsáveis pela troca dos cenários, aqueles panos de fundo, que são diferentes a cada música. Se o Iron Maiden faz um puta show, não apenas musicalmente mas também visualmente, ele com certeza colabora para isso. Cada integrante da equipe tem sua importância. Por isso, eu estava focado em conseguir os autógrafos.

Dentro do hotel, um dos primeiros que abordei foi o tour manager Ian Day, que recusou-se a tirar foto comigo em 2011. Como era somente autógrafo, desta vez não se importou. O mesmo se aplicou à Michael Kenney. Ele estava de mau humor e distribuindo coices nos fãs, mas não se incomodou em rabiscar meu livro. Eu e Sheila observamos que Ashley Groon estava reunido com outros integrantes da equipe no bar do hotel, sentados ao balcão.

Como excursionamos extra-oficialmente com o Iron Maiden em 2009 e 2011, hospedados nos mesmos hotéis, nos tornamos próximos o bastante para que ele soubesse quem somos e aceitasse nossa presença numa boa, pois sabe que não somos o tipo de fã que causa problemas. Nos aproximamos, os cumprimentamos, e pedi pela assinatura de cada um que estivesse nas imagens do livro. Antes de faze-lo, o sempre animado Ashley disse algo como "é a edição brasileira do livro? Nossa, é diferente! Posso ver?". Mas é claro que sim!

Mal deixei o livro com ele quando fui abordado por um inconveniente segurança do hotel, que solicitou que eu e Sheila nos retirássemos. Perguntei por que, recebendo a resposta que "estávamos abordando banda". Fala sério! Ashley nos conhece e não estava nem um pouco incomodado com nossa presença, pelo contrário, estava se divertindo enquanto folheava o livro. Mas o segurança não aceitou nossos argumentos e fez com que nos retirássemos ainda assim.

É por essa e por outras que quando me hospedo neste hotel, faço questão de tratar a equipe de segurança como lixo, porque é o que é. Seguranças folgados e nada educados, não aliviam nem mesmo quando estou hospedado ou quando estou consumindo no bar do hotel. Sem contar o fato de serem incompetentes, pois quando tiveram de lidar com uma ameaça verdadeira à boa fama do hotel, estavam desatentos e deixaram o crime acontecer, durante a estadia do Crashdïet, em 2016.

Leo não foi expulso conosco porque não estava abordando ninguém. Ele não queria, como nós, ver os integrantes do crew. Arrumou um lugar no lobby e ficou lá quieto, o dia todo, na esperança de que Adrian Smith pudesse aparecer. Mas nem sinal dele neste dia. Nem no próximo.

Retornando a nós, do lado de fora, a missão tornou-se bem mais difícil. Com uma xicará de café na mão, Charlie Charlesworth saiu para fumar, e não se importou em falar conosco. Na sequência, vimos Ian "Squid" Walsh, que também não se incomodou em assinar e tirar uma foto. Abordei também a figurinista Natasha de Sampayo, que não quis saber de papo pois já estava trabalhando, entrou na van apressada e partiu rumo à Arena Anhembi. Mas a cereja do bolo ainda estava por vir: o todo poderoso empresário Rod Smallwood saiu para fumar. Tivemos uma longa conversa, uma das melhores que já tive envolvendo alguém relacionado ao Iron Maiden.

Como o vimos em diversas ocasiões anteriores, perguntamos se lembrava de nós. Sua resposta foi negativa, justificando que sempre vê muita gente em muitas cidades, então é difícil lembrar de todos. Quando dissemos que estávamos em Manaus em 2009, pareceu começar a lembrar. Ele comentou o setlist, música por música. Eu já sabia, mas ele estava tão animado que jamais o interromperia. Foi muito amigável. No fim, rolou uma foto incrível conosco.

No fim da tarde, quase anoitecendo, avistei Tony Newton, produtor e engenheiro de gravação, além de baixista do Voodoo Six (hoje em dia também baixista do KK's Priest). Tirei uma foto com ele, mas mesmo com flash a imagem ficou estranha, parte clara, parte escura... Felizmente consegui tirar outra foto com ele em 2018 no Rio de Janeiro, quando veio na turnê do British Lion.

Charlie Charlesworth é técnico de bateria no Iron Maiden
Ian "Squid" Walsh trabalha como técnico de som com o Iron Maiden
O todo poderoso empresário da banda, Rod Smallwood, nos proporcionou um grande momento
Tony Newton, baixista do Voodoo Six e do KK's Priest sempre trabalha com o Iron Maiden como engenheiro de gravação
Ficou bem incompleto perto do que pensei que conseguiria

Eu e Sheila decidimos finalizar. Passamos o dia inteiro de pé em frente ao hotel e percebemos que não conseguiríamos grandes coisas do lado de fora. Não retornei no dois dias em que a banda ainda estava na cidade. Também poderia tentar o corre de outro artista que estava na cidade, Bruce Springsteen, mas sabendo quem estava no corre - os mesmos com quem arrumei a treta gigantesca no ano anterior, incluindo Jonas e a cuidadora de idosos - não animei. Eu não estava com saco para ver gente merda, então me dei folga. Foi um erro, pois Bruce Springsteen é extremamente amigável, ou seja, teria conseguido sem dificuldades. Ele nunca retornou ao Brasil.

Neste dia, Ellen hospedou-se com Aline e Mariana no Renaissance. Elas passaram todo o tempo - tarde, noite, madrugada e manhã do dia seguinte,  uma saga de mais de 24 horas - sentadas próximo à entrada do lounge executive, que era frequentado pelos integrantes do Iron Maiden para tomar café da manhã, beliscar algo à tarde, etc. O sacrifício valeu a pena, pois conseguiram conhecer todos os integrantes. Até então, eu e Sheila fomos os últimos a conseguir ver todos, em 2009, mas precisamos de três cidades para isso, Ellen fez em apenas dois dias (as outras duas não são de corre, então toda a estratégia e plenejamento foi dela).

O que Ellen fez foi simplesmente notável, até porque ela e Aline foram as últimas a conseguir fechar a banda de uma única vez - Mariana não, pois estava tomando banho quando Steve Harris apareceu. Provavelmente ninguém mais conseguirá faze-lo no Brasil, pois a cada vinda o Iron Maiden se torna mais difícil. Imagine então depois do COVID...

Tenho orgulho enorme de saber que fui o "professor" dela, pois não somente aprendeu, como me superou, chegando até mesmo a criar novas técnicas de corre, possibilidades que eu nunca havia pensado. Nesta época, porém, não estávamos nos falando devido à sua aproximação com Jonas, cuidadora de idosos etc. Felizmente voltamos a nos falar - e fazer corres juntos - em 2014.

Relembrando este dia, Ellen conta: "eu e as meninas chegamos ao hotel bem cedo, na véspera do show. Fomos em todas as áreas comuns mas nem sinal dos caras do Iron Maiden. Decidimos então nos concentrar mais no lounge executive. Tão logo chegamos, encontramos Nicko tomando chá. Ele nos atendeu numa boa. No decorrer do dia, ele retornou ao lounge diversas vezes e sempre nos via por lá, então passou a brincar conosco. De noite Steve apareceu para jantar - foi a única aparição dele. Parecia meio cansado, foi bem seco, mas tirou fotos sem nenhuma objeção.

Um pouco mais tarde, Bruce também apareceu para jantar. Não o abordamos, esperamos que terminasse a refeição. Era apenas nós três, mas mesmo assim os seguranças da banda encrencaram conosco. Peter Lokrantz foi um grosso, disse que não era para abordar o Bruce. Nem discuti, não adianta... Esperei o Bruce levantar, percebi que estava meio bêbado. Pedi por favor, juntando as mãos meio que implorando, e ele tirou fotos de boa com nós 3, apesar da cara de bosta dos seguranças. Depois percebemos que tinha um casal disfarçado que também conseguiu. O último que conseguimos nesse primeiro dia foi Janick, que estava mala e tirou as fotos de má vontade.

Encontramos Dave logo cedo, indo pegar algo para comer... foi bem simpático e nos atendeu. Depois do almoço, outros conhecidos se hospedaram também, incluindo Felipe Godoy e Rita, Kevin, Deca... Isso nos preocupou um pouco, pois ainda faltava Adrian Smith, que nem tinha aparecido até então. Já perto da hora de ir ao show, ele enfim foi ao lounge para comer. Segurança do hotel veio encher o saco, mesmo estando todos hospedados. Adrian terminou de comer e atendeu a todos de boa, bem simpático.

No dia seguinte, vi que poderia levar o Leo ao lounge, desde que o registrasse como convidado na recepção. Faltava o Adrian pra ele, e foi justamente quem apareceu por lá. Como na noite anterior, atendeu a todos de boa. Leo ficou bem feliz. Por outro lado, tomou naba do Janick. Bruce também apareceu, mas não tirou fotos com ninguém, o lounge estava bem cheio de fãs naquela manhã".

domingo, 15 de março de 2009

Iron Maiden - São Paulo

Como chegamos cedo à cidade, fomos para casa e dormimos mais um pouco. Ao acordar, já fomos ao Hilton, mas logo seguimos para o show. A fila quilométrica estava assustadora, mas não me importei de ser um dos últimos a entrar, nem de ficar em um lugar absurdamente distante do palco. O importante era estar próximo à saída, para rapidamente deixar o local e retornar ao hotel.

Distante do palco, mas mais perto do hotel

Quando chegamos, a Sheila quis subir logo, para tomar banho. Eu fiquei em frente à porta principal, fumando um cigarro. Nessa hora, observei que um dos seguranças do hotel não tirava os olhos de mim. Acho que ele não gostou de ver um cabeludo com camiseta do Iron Maiden e relativamente sujo de lama – quem estava em Interlagos sabe do que estou falando. Quando tentei entrar, ele se colocou na frente, impedindo a minha passagem. Ainda perguntou se poderia me ajudar. Eu apenas saquei o cartão que dá acesso ao quarto, coloquei na cara dele, e respondi: 


- É claro que pode. Sai da minha frente que eu vou para o meu quarto!

Eu não gosto de ser mal-educado com ninguém, mas funcionário de hotel parece que gosta de encher o saco, e eu já estava de saco cheio. No ano anterior, eu cheguei a literalmente pendurar o cartão de acesso ao quarto no pescoço, de tanto que tentavam barrar minha reentrada a cada vez que eu saía para fumar um cigarro.

Depois de subir e também tomar banho, descemos para o bar. Conhecemos o diretor do Flight 666, Sam Dunn. Perto de nós, entre os fãs, estava o “chorão colombiano”. No filme, há uma cena do show em Bogotá, onde um fã chora enquanto segura a baqueta que ganhou de McBrain. No entanto, aquele “colombiano” estava ali, ao nosso lado. Quando o viu, Sam apressou-se em se desculpar: “Eu sei que você é brasileiro, mas o clima na Colômbia estava tão pesado, com os fãs sendo maltratados pelas tropas do exército, que preferi colocar a sua cena para mostrar algo de bom no show de lá”. Ele respondeu que não havia problema, o importante era estar no filme. Bruno é paulistano e mora em Curitiba, onde a cena foi gravada em 2008.

Sam Dunn é conhecido por ter dirigido filmes/documentários/shows sobre heavy metal
Mais tarde, conversando com Bruno sobre o episódio, ele me contou como tudo aconteceu: “O Nicko havia se machucado jogando golfe. Ao final do show, eu berrei o nome dele, ele olhou, e perguntei se o punho dele estava melhor. Foi nessa que ele jogou a baqueta para mim. Não tive que pular, que me esticar, nem nada. Ele jogou na minha mão ao responder que estava melhor. E foi aí que eu morri de chorar. Me emocionei, não por ter pego uma baqueta aleatória, mas pela comunicação com ele - a primeira que eu tive com a banda. Isso fez com que eu conhecesse a banda toda depois, mas a primeira a gente não esquece”.

Bruno, "The Crying Man", apareceu no filme Flight 666
Naquela noite estávamos no bar quando Steve Harris apareceu. Eu, Sheila, Bruno, Ricardo e sua esposa, Fátima. O pessoal do hotel anunciou que o bar seria fechado – uma conhecida artimanha para torna-lo exclusivo da banda. Sabíamos que não poderiam nos expulsar enquanto estivéssemos consumindo, então nossas bebidas durariam a noite toda, se necessário. A bem da verdade: se a banda queria o bar apenas para ela, que atendesse a meia dúzia de fãs que estava lá: todos iriam dormir, ficaríamos felizes em deixar o bar apenas para a banda. Mas não fazia questão de atender, nem nós fazíamos questão de sair.

Steve preferiu sentar em um banco, enquanto estávamos em cadeiras ao redor de uma mesa. Ele estava há cerca de um metro atrás de onde eu estava sentado, conversando com Jeff Daniels, um dos primeiros roadies do Iron Maiden. Quando a conversa esfriou e fizeram uma pausa, Sheila foi até ele e rapidamente entregou um presente que eu estava tentando entregar há alguns dias, desde o aniversário dele em Manaus: uma camisa oficial do Palmeiras.

Todos sabem que Harris é grande entusiasta e colecionador de itens de futebol. Achei que seria o mínimo que eu poderia fazer por alguém que já fez tanto em minha vida. Mas quem entregou a camisa foi ela. Simplesmente foi lá, fez uma breve explicação, e retornou. Está valendo: não era horar de incomodar e nem de pedir fotos. Foi bacana ver o Harris abrir um sorriso ao receber a camisa verde-limão e tentar repetir “Pal-mei-ras”. 

Quando Steve subiu para dormir, nós também fomos. Mas acordamos cedo pois, quem sabe, algum deles tomaria café da manhã. Estaríamos lá para descobrir. O primeiro a aparecer foi o Bruce. Como no ano anterior, esperamos que finalizasse a refeição e, então, quando chamou o elevador, falamos com ele. Desta vez ele pareceu incomodado, mas como não tinha para onde ir, rolou a foto. A cara de bunda está nítida. O elevador chegou em seguida, e ele se mandou.


Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
A seguir, veio Steve Harris, que foi bem mais simpático, tirando fotos comigo e com a Sheila, e autografando alguns itens. Mas era isso: o horário do café já estava finalizando, e os outros integrantes provavelmente ainda dormiam. Decidimos descer e passar por outras áreas do hotel para ver se algo acontecia.


Steve Harris, baixista e fundador do Iron Maiden
No térreo, havia fãs por todos os lados, hospedados, não hospedados. Parece que os funcionários do hotel gostam de perturbar somente quem tem cara de fã - e eu tinha. Então era frequente algum funcionário perguntar se eu estava hospedado. Se a resposta fosse “não”, eu seria posto para fora. Como outros não tinham tanta “cara de fã” assim, não eram incomodados. No meio da movimentação havia uns cabeludos que pareciam invisíveis. Simplesmente ninguém percebia que eles estavam ali. Era a banda de Lauren Harris. Ah se os fãs eles imaginassem que mais tarde o guitarrista, Richie Faulkner, tocaria no Judas Priest, hein?! Resolvemos aborda-los, e eles ficaram muito surpresos ao perceber que tínhamos o álbum, que foi devidamente autografado por todos. Em minha foto com eles, até eu reconheço que parece que sou um integrante da banda.

Lauren Harris band e eu
Mais tarde, fomos novamente ao andar exclusivo, onde reconhecemos Jeff Daniels, que passou a noite toda conversando com o Harris. Ele foi extremamente simpático e agradável. Tivemos um longo papo e, claro, tiramos uma foto. Quando nos despedimos, eu e a Sheila resolvemos sair do hotel para encontrar alguns amigos do lado de fora. 

Jeff Daniels foi o primeiro roadie da história do Iron Maiden
Adrian Smith, acompanhado de um segurança, saiu do hotel apenas para atender os fãs que estavam por lá. Rolou uma foto coletiva com Sheila, Adrian, eu e mais um fã que não tenho ideia de quem seja. Isso infelizmente é coisa de segurança que quer agilizar, colocando o máximo possível de gente em apenas uma pose. Acaba estragando uma foto que tinha tudo para ser legal.

Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden
De volta ao hotel, encontramos Sean Brady, técnico de som do Adrian Smith. Pedimos a foto, e fomos prontamente atendidos.

Sean Brady, técnico de guitarra do Adrian Smith
Encontramos também Steve Gadd. Homônimo do grande baterista, Gadd também foi baterista, tocando na banda Charlie, mas agora era o tour manager do Iron Maiden. Fizemos uma abordagem com muito tato pois, mais cedo, vimos que ele se recusou a tirar fotos com fãs que o reconheceram – boa parte da equipe do Maiden “ficou famosa” com o Flight 666. Poucos anos mais tarde, em 2013, faleceu em decorrência de um câncer. Que descanse em paz.

Steve Gadd era o tour manager do Iron Maiden
Saímos do hotel, pois havia um comentário de que Nicko McBrain sairia para atender a galera, assim como Adrian fez minutos antes. E realmente foi o que aconteceu. Nicko autografou tudo, tirou fotos, sempre brincando com todos.

Nicko McBrain, baterista do Iron Maiden
À noite, resolvemos tentar tirar uma foto com o massagista e segurança Peter Lokrantz. Normalmente ele é uma figura mal vista pelos fãs, pois muitas vezes impede que haja contato com algum integrante. Mas estávamos lá há dias, desde Manaus, e não tivemos nenhum problema com ele, pois tentamos sempre respeitar e fazer a abordagem nos melhores momentos. Para nós, sempre foi melhor perder a foto do que ser inconveniente.

No bar, ele estava em um canto, com cara de que estava de saco cheio. Sheila se aproximou e ambos iniciaram uma conversa. Ele disse que, se dependesse dele, estaria na cama, mas que tinha que trabalhar. Sheila pediu a foto. O diálogo seguiu:

- Comigo?! Mas eu sou feio!

- Não, você é legal.

- Então vamos sair do bar. Não é certo eu impedir fãs de tirar foto com a banda e, de repente, eu tirar fotos.

Nos afastamos um pouco, e a foto rolou de boa. Ele me disse que aquilo era só um trabalho. E eu pensei “seu fdp, você é pago para acompanhar as pessoas que inspiram a minha vida. Se não dá valor, deixe-me tomar seu lugar”. No fundo, bem no fundo, ele é um cara legal, fazendo o trabalho dele.

Peter Lokrantz, massagista e segurança do Iron Maiden

Voltamos ao bar, onde conhecemos Deca. Eu achava que era apenas uma fã, mas, com o passar do tempo, descobri que ela era bem mais do que isso – este é um assunto que será retomado em outra oportunidade.

Quando Bruce apareceu, algumas meninas foram tirar uma foto com ele. Nem me mexi, já que de manhã eu já havia conseguido. Quem me interessava ainda era Janick Gers, o único com quem ainda não havia tido contato naquele ano. E não demorou muito para que ele aparecesse. Rolou uma foto coletiva. Não gosto, mas como eu já tinha com ele do ano anterior, tudo bem.

Janick Gers, guitarrista do Iron Maiden

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Iron Maiden

Em algumas horas, o Ed Force One, Boeing 757-200 personalizado com a logomarca do Iron Maiden, e pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson, pousaria no aeroporto Internacional de Guarulhos. Era a primeira perna da turnê “Somewhere Back in Time”, que finalmente chegava ao Brasil.

Sou apaixonado por ambos, Iron Maiden e aviação. Simplesmente precisava ver aquilo de perto. É claro que eu não acreditava ser possível encontrar algum integrante da banda pessoalmente porém, embora ainda não soubesse, isso estava muito próximo de acontecer.

Eu chefiava a redação de um então grande e conhecido website brasileiro e, naquele dia, “abri o jogo” para o dono: precisava sair mais cedo para ir ao aeroporto a tempo de acompanhar o pouso. Devidamente autorizado, encontrei-me com minha então esposa Sheila, e fomos para lá. Sheila não é fã de Iron Maiden, nem de metal, mas foi legal ter a companhia dela na ocasião.

Quando chegamos, encontramos um ambiente caótico, com dezenas de fãs esperando no portão de desembarque do terminal 2, enquanto entoavam cantos como “Olê olê olê olê Maiden Maiden”. Quem é fã sabe do que estou falando. Ao que pareceu, muitos realmente acreditavam que a banda desembarcaria como passageiros comuns. Mas, tendo seu próprio avião, é claro que isso não seria possível.



Procuramos, então, um lugar para acompanhar o pouso. Subimos ao terminal de embarque, onde havia uma grande janela com vista para a pista, que também já estava tomada por fãs. Quando aconteceu, foi totalmente decepcionante. Já havia anoitecido, e a pista em que o avião pousou, apenas com a cauda minimamente iluminada, era relativamente distante de onde estávamos. Então, vimos pouco.



Para dizer a verdade, eu voltei para casa chateado. Se nem o avião eu consegui ver direito, meu sonho de um dia conhecer os integrantes da banda era impossível. Era o que eu pensava.

Gosto de trocar o dia pela noite, e passei boa parte da madrugada interagindo na comunidade “Iron Maiden Brasil”, do Orkut. Por volta das 3 horas da manhã, alguém postou no grupo uma foto abraçado ao Steve Harris. Era possível ler o nome do hotel: Hilton Morumbi. Então, pensei que poderia ter alguma chance de contato se me hospedasse. Acessei o site, procurando pelo quarto mais barato, e não me assustei com o valor: diária por 200 dólares (cerca de 340 reais). Era um pouco salgado para minhas possibilidades mas, enfim, quanto vale um sonho?! Fui dormir já com o plano totalmente arquitetado.

Na manhã seguinte, acordei às 11 horas, junto com Sheila. Esse foi mais ou menos o diálogo que tivemos:

- Vou tomar banho, me vestir e ir ao Hilton. O Iron Maiden está lá, vamos?!

- Tudo bem. Que horas voltaremos?

- Você não entendeu, eu vou me hospedar.

- O que foi que colocaram na sua Coca-Cola?! Você sabe quanto custa?!

- Sei, e eu vou ainda assim. Vamos?!

Percebendo que não conseguiria me convencer a desistir, ela juntou-se a mim. Não tínhamos carro e, em uma época em que não havia Uber, 99 ou Cabify, tomar um táxi seria caro, mesmo nesta ocasião especial. Telefonei para minha mãe, expliquei a situação, e ela se prontificou em nos dar uma carona.

O problema é que, onde ela morava, não havia telhado na garagem. Os passarinhos pousavam nos galhos das árvores e “mandavam ver” (sim, é isso mesmo que você pensou!). Minha mãe estava em um tratamento de câncer de mama, diagnosticado quatro anos antes, e gostava de nos dar caronas, pois eram as raras ocasiões em que ela saía de casa para algo que não fosse ir ao médico, fazer um exame, ou algo relacionado diretamente ao tratamento. Era uma terapia para ela. Mas o carro estava imundo, novamente com aquilo que você pensou, e foi assim que chegamos ao Hilton, com o carro todo cag... deixa pra lá!

Então, esta era a situação no momento exato em que chegamos: cerca de 60 fãs aguardavam em uma fila, do lado de fora do hotel, ansiosos por algum contato com a banda. Minha mãe nos deixou em frente à porta principal e já íamos entrando – eu cabeludo e com uma camiseta do Iron Maiden – quando um segurança nos abordou e disse para esperar na fila como todo mundo. Quando expliquei que seríamos hóspedes, o papo mudou, e é claro que ele nos deixou entrar.

Fizemos o check-in com um atendente bastante atencioso, que visivelmente notou a nossa intenção de ter algum contato com a banda. Eu havia reservado “o quarto mais barato” através do site do hotel, mas ele nos explicou que havia um outro quarto, um pouco mais caro, que daria acesso a um andar exclusivo onde “a banda toma café da manhã e faz o happy hour e, aliás, é onde o Bruce Dickinson está neste exato momento”. Certamente fui convencido a ficar com o quarto mais caro.

Pegamos o cartão que abre a porta do quarto e embarcamos no elevador, que estava lotado. Assim que chegamos ao nosso andar, eu percebi um senhor parado no corredor falando ao celular, mas não dei muita atenção. Quando conseguimos localizar o quarto, decidimos que era hora de tirar algumas fotos. Afinal, não era todos os dias em que estávamos em um hotel bacana, então deveríamos aproveitar a oportunidade. Pouco depois, lá estávamos nós tirando nossas fotos, quando fomos interrompidos aos berros por um segurança do hotel: “eu já disse que vocês não podem ficar aqui!”.

Sheila passou a chave e a porta se abriu. Então, ele se deu conta de que éramos hóspedes. Constrangido, pediu mil desculpas. Acabamos relevando pois, naquele dia, tudo era festa. Se fosse hoje, faríamos uma reclamação formal, e o hotel acabaria nos oferecendo algo de cortesia, talvez uma diária grátis, talvez um jantar. É o justo por ser maltratados. Se não fôssemos hóspedes, seríamos o que?! A equipe de segurança do hotel é tão incompetente, que deixa qualquer um chegar a um andar exclusivo?!

Colocamos nossas coisas no quarto e fomos conhecer a tal área onde rolava o happy hour. Possivelmente era a nossa melhor chance de ter algum contato com alguém da banda. Chegamos e, mais uma vez, fomos recebidos por funcionários muito simpáticos. Tanto a menina da recepção, como o funcionário que atendia às mesas foram sensacionais. Conversamos sobre o Iron Maiden, e eles disseram que sim, alguns integrantes estiveram ali, mas não estavam mais. Decidimos permanecer, enquanto desfrutávamos das vantagens do happy hour: bebidas grátis e diversos petiscos e tira-gosto.

Não demorou muito e Nicko McBrain apareceu para comer. Eu e Sheila já havíamos conversado sobre ser o menos inconvenientes possível, então decidimos esperar, deixando-o se alimentar em paz. Quando ele chamasse o elevador, o abordaríamos. E assim foi. Nicko autografou o álbum “Dance of Death” e um par de baquetas que levei (usado e bem desgastado, que vergonha!), além de tirar uma foto comigo e outra com a Sheila.



Logo a cena se repetiu com Janick Gers. Ele apareceu e foi abordado por fãs que também eram hóspedes. Aproveitamos para tentar falar com ele também. Ele nos atendeu numa boa, tirou fotos e deu autógrafo, e o deixamos em paz para desfrutar do happy hour.


Ao anoitecer, Bruce apareceu. Ele estava pingando de suor da cabeça aos pés, pois tinha acabado de sair da academia. Assim que eu o vi, exclamei:

- Cacete, é o Bruce Dickinson!

Sheila fechou a cara e respondeu (lembrando que ela não é fã de Maiden):

- Esse é o Bruce Dickinson?!

- Sim!

- Ele estava no elevador quando subimos para o quarto e desceu no mesmo andar que nós, ficou no corredor falando ao celular.

Em minha defesa, gostaria de dizer que o elevador estava lotado, cheio de engravatados, e o Bruce estava de roupa social. Era também a minha primeira vez em um hotel daqueles. Eu não iria ficar encarando todo mundo em um ambiente onde eu ainda estava me familiarizando. Hoje seria normal, mas na época era coisa de outro mundo. Senti-me como nos desenhos animados, quando as orelhinhas de burro crescem no personagem.

Enfim, resolvi aborda-lo, mas apenas para conseguir o autógrafo. Provavelmente, se eu pedisse foto, no estado em que ele estava, ele me mandaria “praquele lugar”, então preferi não arriscar. O autógrafo rolou de boa. Meu Dance of Death estava agora autografado por metade do Iron Maiden.

Como as coisas pararam de acontecer, e a Sheila queria aproveitar a banheira do quarto, demos uma descida. Em uma época em que internet por celular ou mesmo por wi-fi não era tão comum, o hotel disponibilizava 2 computadores no “andar especial” para hóspedes que gostariam de se conectar. Decidi ir até lá e publicar as fotos com Nicko e Janick em meu perfil no Orkut. Mas, quando chegamos, surpresa: Bruce estava usando um dos computadores e sua então esposa Paddy (falecida em 2020) usava o outro.

Mais uma vez, eu avaliei que não seria o momento de pedir foto. Ele estava com a esposa, talvez não fosse legal aborda-lo naquela hora. Então, na maior discrição possível, fiz um pequeno vídeo do Bruce usando o computador, pois eu tinha certeza que ninguém acreditaria quando eu contasse. Quando ele terminou, nos aproximamos, e ele fez uma cara pouco amigável, tipo “que saco!”. Mas a Sheila apenas perguntou se ele havia terminado de usar o computador. Ele se assustou, pois não esperava isso. Então respondeu: “o computador?! Sim, eu terminei, pode usar”, e saiu apressado, deixando para trás uma lata de coca-cola que ele estava bebendo.

Rapidamente, postei as fotos, fiz o logoff e, antes de sair, Sheila perguntou se eu levaria a lata para casa. Só imagina eu mostrando aos amigos “esta é a lata em que o Bruce bebeu”. Fala sério! Definitivamente não!

Mais tarde, nada estava acontecendo, e resolvemos descer para o bar do térreo, para ver se algo estava rolando por lá. E foi então que aconteceu o momento mais surreal da minha vida – lembrando que era o primeiro dia que eu fazia um corre, mesmo sem ainda saber que isso era um corre.

Chamamos o elevador e, quando ele chegou, entramos. A porta se fechou e descemos dois andares. A porta abriu, Steve Harris entrou sozinho, a porta fechou. Então imagine: naquele momento, estavam no mesmo elevador, eu, Sheila e Steve Harris que, para mim, sempre foi “Deus”, o melhor, o fodão. Quando o vi entrar, só consegui dizer “Steve Harris” e congelei. Steve, embora não pareça no palco, é um sujeito muito tímido e reservado na vida real. Ele acenou com a cabeça, apertou o andar e baixou a cabeça. Ficou ali, na dele. O elevador descendo e eu completamente congelado.

Para quebrar o gelo, a Sheila disse, em inglês:

- Este é meu marido, ele é muito teu fã.

Neste momento, ele olhou para mim, e eu consegui descongelar. Então, apertei a mão dele, e tentei dizer, também em inglês:

- Meu nome é Adriano, tenho 35 anos e sou fã de Iron Maiden há 25 anos.

O problema é que entrei em loop e, quando dei por mim, estava pagando um senhor mico na frente de Steve Harris, repetindo “third five years”, sem parar. Steve olhou para mim e disse, em claro e bom português:

- Calma!

A partir desse momento, toda a conversa rolou em português. Na hora lembrei do Eddie’s Bar e respondi:

- É mesmo, você tem um bar em Portugal. Entende português?

- Um pouco.

- É o suficiente – Sheila completou

O elevador chegou ao térreo e Harris prosseguiu para a garagem. Eu estava morrendo de vergonha por ter me comportado como um idiota na frente de uma das pessoas que mais admiro, e decepcionado por não ter pedido foto ou autógrafo no trajeto que compartilhamos.

No bar, a coisa estava realmente uma festa. Em uma mesa, ao canto, Janick Gers estava sentado, conversando com algumas mulheres. Em outra mesa, ao nosso lado, Nicko conversava com Rod Smallwood, o poderoso empresário do Iron Maiden. Adrian Smith estava no balcão, sentado nos bancos, e um pouco mais tarde Bruce juntou-se a ele. E eu ali, olhando tudo aquilo, sem acreditar no quão surreal parecia ser.

Quando Rod levantou-se, alguns fãs resolveram tirar foto com ele. Eu não tirei porque, depois de tudo o que estava acontecendo, estava completamente tímido, sem graça. Sheila aproximou-se e pediu uma foto:

- Comigo?! Mas eu não sou da banda.

- É, mas para mim você também é uma estrela do Rock!

Rod abriu um sorrisão e a foto rolou de boa. Nem sei porque não pedi também, mas, enfim, não adianta ficar revirando o que já aconteceu.

Mais tarde, alguns fãs que também estavam hospedados abordaram o Adrian Smith, que tirou fotos numa boa. Sei lá porque, ao invés de fazer o mesmo, preferi me posicionar ao lado do Adrian enquanto ele tirava foto com um dos fãs. Anos depois encontrei o perfil desse fã em uma rede social e me desculpei com ele. Era o nervosismo do primeiro corre. Abaixo, a foto devidamente cortada.



Conforme a madrugada se aproximava, Steve Harris reapareceu, desta vez acompanhado de seguranças. Eu consegui a foto com ele mas, quando Sheila foi tentar a dela, um dos seguranças disse “já acabou”. Ela começou a discutir, dizendo que só queria um autógrafo. Steve, que estava de costas, ouviu, e a chamou. A foto dela não rolou, mas conseguimos o autógrafo.


Percebemos que, fora do hotel, eles pararam para tirar fotos com alguns fãs. Um deles, que eu ainda não conhecia, seria um grande companheiro de corres no futuro: Leo "Wacken". Fomos até lá para tentar conseguir a foto de Steve com a Sheila, mas não rolou. Nos contentamos em fazer um vídeo. Depois soube que ele e Janick deram uma passada no Manifesto Bar.


Saí do hotel para fumar um cigarro e fui abordado por alguns fãs, que pensaram que eu era da equipe da banda. Um deles era Marcelo Zava, que no futuro, fez – e ainda faz - diversos corres comigo. Outro era um um fã que acabou se hospedando também. No dia seguinte, ele foi essencial para que rolasse a foto com o Bruce, pois nos avisou quando ele apareceu para tomar café. Fomos para lá e sentamos algumas mesas distante. Aguardamos pacientemente que ele finalizasse a refeição. Após, pegou um jornal e leu por pelo menos meia hora. Então, quando se levantou, o abordamos e a foto rolou, fácil.


Algumas horas antes, eu e Sheila acordamos e levantamos cedo, justamente para tentar encontrar com Bruce ou Dave Murray no café da manhã. Não encontramos, mas na mesa ao lado à que estávamos estava Paddy, a esposa de Dickinson. Conversamos rapidamente e ela foi muito simpática. Lamento não ter pedido para tirar uma foto com ela.

A hora de fazer o check-out chegou e tivemos que ir embora. Dos seis integrantes do Iron Maiden, conseguimos contato com cinco. O único que não vimos foi Dave Murray. De lá seguimos para casa, onde assistimos Palmeiras 1x0 Corinthians pela TV e, então, fomos ao show. Que final de semana inacreditável!