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sábado, 2 de março de 2019

Cambridge

Meu interesse inicial nesta cidade, distante 102 quilômetros ou 01:20 hs de viagem de Londres, foi a existência do prédio onde funcionaram os Spaceward Studios, onde o Iron Maiden gravou o lendário "The Soundhouse Tapes". Consegui o endereço graças a uma imagem encontrada na internet. Nada que uma pesquisa no Google não revelasse. De manhã, não tão cedo, saímos da estação Victoria, em Londres, chegando em Cambridge por volta das 11:00.


Também encontrei um website dedicado ao estúdio, que encerrou suas atividades em 1988. A ideia era ver de perto o local onde a mágica aconteceu. Ali foi dado o pontapé inicial para que a banda de pubs se tornasse a gigante que é e conquistasse o planeta. Eu também queria reproduzir a foto da última noite de 1978, quando Steve Harris, Dave Murray, Paul Di'Anno, Doug Sampson e Paul Cairns e seu cachorro posaram em frente ao local. Embora também tenha participado das gravações, Cairns jamais foi creditado, até porque ficou pouco tempo na banda, cerca de 3 meses, e com certeza não estava mais quando o EP foi lançado.


A cidade não tem rodoviária, e o ponto final dos ônibus que chegam (ou ponto inicial dos que saem) é em torno de uma praça chamada Parker's Piece. A boa notícia é que o estúdio está em uma rua localizada a menos de 250 metros do local onde os ônibus estacionam, então basta uma breve caminhada para encontrar o hoje restaurante com muita história para contar. A mudança entre 1978 e 2019 realmente foi sutil.


Embora significasse a perda de um dia em Londres, achei por bem retornar somente de noite. Antes de chegar, estudei algumas coisas que eu e a Arianne poderíamos fazer nos arredores, alguns lugares que valeriam a pena visitar. Passamos uns bons 15 minutos curtindo o lugar onde jaz o famoso estúdio. Tiramos muitas fotos, mas agora era hora de caminhar e conhecer o que mais a cidade poderia nos proporcionar.

Saímos caminhando, visualmente guiados por dos pontos mais altos da cidade, a Igreja Great St Mary's, de mais de 800 anos. No caminho, passamos pelo Market Square, um mercado ao ar livre com diversas opções de comidas, roupas, flores, souvenirs... Não resistimos aos waffles belgas e paramos para experimentar.


De lá, fomos à já citada igreja, que é do lado. Por 4 libras você pode subir os 123 degraus que levam à torre, com provavelmente a melhor vista da cidade.


Desatentos com o passar do tempo, fomos caminhando devagar. Passamos pela famosa Universidade de Cambridge que, entre outras coisas, abriga uma capela fundada por Henrique VIII. Também passamos pelo relógio Corpus (ou Grasshopper). Trata-se de um disco de ouro de 24 quilates de cerca de um metro de diâmetro, que não possui ponteiros nem números. Há um gafanhoto gigante pousado no topo, chamado Chronophage - que em grego significa “comedor de tempo”. Foi inaugurado em 2008 pelo grande físico Stephen Hawking, já falecido.


Chegamos a mais um dos lugares que planejamos visitar, o museu Fitzwilliam, com entrada gratuita. Estávamos curtindo bastante, logo ao entrar demos de cara com diversas armaduras, espadas e outros artefatos medievais. A alegria, entretanto, durou pouco, pois em menos de 5 minutos avisaram que todos teriam que sair, pois o museu estava fechando. Conhecemos apenas o que está exposto próximo à entrada e ficou um fortíssimo gosto de "quero mais", mas infelizmente não teríamos mais um dia na cidade.


Só nos restava conhecer um último lugar: a casa onde viveu o pai da teoria da evolução, Charles Darwin, onde, é claro, fiz a palhaçada de fingir tirar uma foto com ele. Com certeza ele já passou por onde estou abraçando. Só cheguei com alguns anos de atraso.


Começava a anoitecer, estava bem frio. Decidimos finalizar nosso tour, encontrar uma cafeteria, e ficar de boa até a hora de retornar para Londres.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Iron Maiden

Desta vez sem o Ed Force One, o Iron Maiden veio "fatiado" para São Paulo. Bruce, Steve e Nicko chegaram primeiro, os guitarristas viriam depois. Leo estava determinado a fechar a banda pois, apesar de fazer corres há muito mais tempo que eu, ainda não tinha conseguido encontrar Adrian Smith. E a missão parecia um pouco mais difícil, pois os músicos foram hospedados no Renaissance, um dos piores hotéis de São Paulo no trato com fãs. Leo chegou ao cúmulo de passar sabão no olho para simular conjuntivite, e desta maneira conseguir atestado para fazer o corre sem se preocupar com suas obrigações trabalhistas. Ficou com o olho zuado e ardendo, mas valeu a pena... acho.

Assim que soubemos que metade dos integrantes já estavam em São Paulo, eu o encontrei e seguimos ao hotel. Entramos sem ser incomodados pelos seguranças, nos instalamos em uma mesa próxima ao bar e apenas observamos o movimento. Bruce estava por perto, permanecendo quase o tempo todo sentado em sofás próximos ao bar. Sabendo o quanto o baixinho é chato em relação a abordagens, o deixamos em paz. Nossos alvos prioritários eram Nicko e Steve.

Não vimos sinal de Steve, mas Nicko não demorou a aparecer. Leo o abordou e ele pareceu um pouco incomodado, mas assinou e tirou uma foto. Eu tinha um catálogo do Rock'n'Roll Ribs, o bar que ele tem em Fort Lauderdale, Florida, e queria um autógrafo, mas nem tive chance de pedir. Mal bati a foto do Leo e Nicko ja caminhou apressado para longe, parecia mau humorado. Esta foi a única vez em diversas que o vi que levei naba dele. Nessa noite, nada mais aconteceu.

Nosso plano era ir ao aeroporto na manhã seguinte, para acompanhar o desembarque do voo que chegaria do México. Com certeza os guitarristas estariam nele, o que seria perfeito, pois eu queria mais uma foto com Dave Murray (até hoje tenho apenas uma com ele) e Leo queria abordar Adrian Smith. Entretanto, ainda no hotel, três amigos me enviaram, quase ao mesmo tempo, a mesma foto. Um infeliz postou esta imagem no grupo "Iron Maiden Brasil", o maior de fãs brasileiros no FB.

Eu e Leo cancelamos os planos de ir ao aeroporto. Como conheço Sombra, chefe dos seguranças brasileiros do Iron Maiden, falei com ele e mostrei a imagem. Só imagina o que aconteceria se por algum motivo o pouso adiantasse ou os seguranças atrasassem para chegar ao aeroporto - já vi acontecer com outras bandas - o voo chegaria e o desembarque aconteceria normalmente, com centenas de fãs cantando e berrando. Quem teria que aguentar o mau humor dos músicos no hotel era eu.

Fortaleza 2013, mas em SP poderia ser igual
Até então Sombra estava de boa, descontraído - afinal, apenas eu e Leo estávamos no hotel - mas ficou bastante preocupado e imediatamente acionou Peter Lokrantz, o massagista e segurança do Iron Maiden, que também não ficou feliz ao ver a imagem. Eles convocaram uma reunião com todos os seguranças que iriam buscar os músicos.

Tempos depois, Sombra me disse que não havia fãs e que Adrian, Dave e Janick desembarcaram normalmente como qualquer passageiro, sem nem mesmo utilizar alguma saída especial reservada para esse tipo de situação. Como em um desenho animado, senti a orelhinha de burro crescendo. O voo chegava extremamente cedo em um dia em que a maioria teria que trabalhar. Apesar de ter a informação, os fãs não tiveram coragem de ir ao aeroporto.

Retornei ao hotel com Leo e Sheila no dia seguinte. Desta vez a grana estava curta e não foi possível nos hospedar, como fizemos nas turnês de 2008, 2009 e 2011. Levei o livro "On Board Flight 666" e a intenção era conseguir autógrafos não somente dos músicos, mas também de toda a equipe. Há duas páginas com diversas fotos de integrantes do crew, e eles também fazem parte do Iron Maiden. Não são apenas os seis em cima do palco, todos são de alguma maneira importantes. Por exemplo, Michael Kenney, roadie do Steve Harris que também atua como tecladista, geralmente atrás do palco. Porém, era a "Maiden England World Tour", então tocou à vista de todos em "Seventh Son of a Seventh Son", embora mascarado.

Kenney é um pouco estranho. Em 2009 em Manaus não se incomodou em tirar uma foto comigo. Em 2011, no Rio de Janeiro também não, foto e autógrafo rolaram numa boa. Ainda em 2011, em Belém reclamou para mim e para Bruno "The Crying Man" que estava chateado porque, apesar de ser um dos integrantes mais antigos do Iron Maiden, inclusive tocando com a banda em todos os shows, ninguém sabe quem ele é, ninguém pede fotos e autógrafos, ninguém o assedia. Dois anos se passaram e agora estávamos fumando no fumódromo do hotel, cada um em seu canto. Apenas observei quando alguns fãs que aguardavam na calçada em frente ao hotel se aproximaram e pediram uma foto. Foram solenemente rechaçados: "Eu não sou famoso, eu não sou ninguém! Vá procurar o Bruce Dickinson".

Kenney não é o único relevante. Ashley Groon, por exemplo, tem uma função chamada "set carpinter", é basicamente um faz-tudo, que cuida de cada detalhe do palco. É, por exemplo um dos responsáveis pela troca dos cenários, aqueles panos de fundo, que são diferentes a cada música. Se o Iron Maiden faz um puta show, não apenas musicalmente mas também visualmente, ele com certeza colabora para isso. Cada integrante da equipe tem sua importância. Por isso, eu estava focado em conseguir os autógrafos.

Dentro do hotel, um dos primeiros que abordei foi o tour manager Ian Day, que recusou-se a tirar foto comigo em 2011. Como era somente autógrafo, desta vez não se importou. O mesmo se aplicou à Michael Kenney. Ele estava de mau humor e distribuindo coices nos fãs, mas não se incomodou em rabiscar meu livro. Eu e Sheila observamos que Ashley Groon estava reunido com outros integrantes da equipe no bar do hotel, sentados ao balcão.

Como excursionamos extra-oficialmente com o Iron Maiden em 2009 e 2011, hospedados nos mesmos hotéis, nos tornamos próximos o bastante para que ele soubesse quem somos e aceitasse nossa presença numa boa, pois sabe que não somos o tipo de fã que causa problemas. Nos aproximamos, os cumprimentamos, e pedi pela assinatura de cada um que estivesse nas imagens do livro. Antes de faze-lo, o sempre animado Ashley disse algo como "é a edição brasileira do livro? Nossa, é diferente! Posso ver?". Mas é claro que sim!

Mal deixei o livro com ele quando fui abordado por um inconveniente segurança do hotel, que solicitou que eu e Sheila nos retirássemos. Perguntei por que, recebendo a resposta que "estávamos abordando banda". Fala sério! Ashley nos conhece e não estava nem um pouco incomodado com nossa presença, pelo contrário, estava se divertindo enquanto folheava o livro. Mas o segurança não aceitou nossos argumentos e fez com que nos retirássemos ainda assim.

É por essa e por outras que quando me hospedo neste hotel, faço questão de tratar a equipe de segurança como lixo, porque é o que é. Seguranças folgados e nada educados, não aliviam nem mesmo quando estou hospedado ou quando estou consumindo no bar do hotel. Sem contar o fato de serem incompetentes, pois quando tiveram de lidar com uma ameaça verdadeira à boa fama do hotel, estavam desatentos e deixaram o crime acontecer, durante a estadia do Crashdïet, em 2016.

Leo não foi expulso conosco porque não estava abordando ninguém. Ele não queria, como nós, ver os integrantes do crew. Arrumou um lugar no lobby e ficou lá quieto, o dia todo, na esperança de que Adrian Smith pudesse aparecer. Mas nem sinal dele neste dia. Nem no próximo.

Retornando a nós, do lado de fora, a missão tornou-se bem mais difícil. Com uma xicará de café na mão, Charlie Charlesworth saiu para fumar, e não se importou em falar conosco. Na sequência, vimos Ian "Squid" Walsh, que também não se incomodou em assinar e tirar uma foto. Abordei também a figurinista Natasha de Sampayo, que não quis saber de papo pois já estava trabalhando, entrou na van apressada e partiu rumo à Arena Anhembi. Mas a cereja do bolo ainda estava por vir: o todo poderoso empresário Rod Smallwood saiu para fumar. Tivemos uma longa conversa, uma das melhores que já tive envolvendo alguém relacionado ao Iron Maiden.

Como o vimos em diversas ocasiões anteriores, perguntamos se lembrava de nós. Sua resposta foi negativa, justificando que sempre vê muita gente em muitas cidades, então é difícil lembrar de todos. Quando dissemos que estávamos em Manaus em 2009, pareceu começar a lembrar. Ele comentou o setlist, música por música. Eu já sabia, mas ele estava tão animado que jamais o interromperia. Foi muito amigável. No fim, rolou uma foto incrível conosco.

No fim da tarde, quase anoitecendo, avistei Tony Newton, produtor e engenheiro de gravação, além de baixista do Voodoo Six (hoje em dia também baixista do KK's Priest). Tirei uma foto com ele, mas mesmo com flash a imagem ficou estranha, parte clara, parte escura... Felizmente consegui tirar outra foto com ele em 2018 no Rio de Janeiro, quando veio na turnê do British Lion.

Charlie Charlesworth é técnico de bateria no Iron Maiden
Ian "Squid" Walsh trabalha como técnico de som com o Iron Maiden
O todo poderoso empresário da banda, Rod Smallwood, nos proporcionou um grande momento
Tony Newton, baixista do Voodoo Six e do KK's Priest sempre trabalha com o Iron Maiden como engenheiro de gravação
Ficou bem incompleto perto do que pensei que conseguiria

Eu e Sheila decidimos finalizar. Passamos o dia inteiro de pé em frente ao hotel e percebemos que não conseguiríamos grandes coisas do lado de fora. Não retornei no dois dias em que a banda ainda estava na cidade. Também poderia tentar o corre de outro artista que estava na cidade, Bruce Springsteen, mas sabendo quem estava no corre - os mesmos com quem arrumei a treta gigantesca no ano anterior, incluindo Jonas e a cuidadora de idosos - não animei. Eu não estava com saco para ver gente merda, então me dei folga. Foi um erro, pois Bruce Springsteen é extremamente amigável, ou seja, teria conseguido sem dificuldades. Ele nunca retornou ao Brasil.

Neste dia, Ellen hospedou-se com Aline e Mariana no Renaissance. Elas passaram todo o tempo - tarde, noite, madrugada e manhã do dia seguinte,  uma saga de mais de 24 horas - sentadas próximo à entrada do lounge executive, que era frequentado pelos integrantes do Iron Maiden para tomar café da manhã, beliscar algo à tarde, etc. O sacrifício valeu a pena, pois conseguiram conhecer todos os integrantes. Até então, eu e Sheila fomos os últimos a conseguir ver todos, em 2009, mas precisamos de três cidades para isso, Ellen fez em apenas dois dias (as outras duas não são de corre, então toda a estratégia e plenejamento foi dela).

O que Ellen fez foi simplesmente notável, até porque ela e Aline foram as últimas a conseguir fechar a banda de uma única vez - Mariana não, pois estava tomando banho quando Steve Harris apareceu. Provavelmente ninguém mais conseguirá faze-lo no Brasil, pois a cada vinda o Iron Maiden se torna mais difícil. Imagine então depois do COVID...

Tenho orgulho enorme de saber que fui o "professor" dela, pois não somente aprendeu, como me superou, chegando até mesmo a criar novas técnicas de corre, possibilidades que eu nunca havia pensado. Nesta época, porém, não estávamos nos falando devido à sua aproximação com Jonas, cuidadora de idosos etc. Felizmente voltamos a nos falar - e fazer corres juntos - em 2014.

Relembrando este dia, Ellen conta: "eu e as meninas chegamos ao hotel bem cedo, na véspera do show. Fomos em todas as áreas comuns mas nem sinal dos caras do Iron Maiden. Decidimos então nos concentrar mais no lounge executive. Tão logo chegamos, encontramos Nicko tomando chá. Ele nos atendeu numa boa. No decorrer do dia, ele retornou ao lounge diversas vezes e sempre nos via por lá, então passou a brincar conosco. De noite Steve apareceu para jantar - foi a única aparição dele. Parecia meio cansado, foi bem seco, mas tirou fotos sem nenhuma objeção.

Um pouco mais tarde, Bruce também apareceu para jantar. Não o abordamos, esperamos que terminasse a refeição. Era apenas nós três, mas mesmo assim os seguranças da banda encrencaram conosco. Peter Lokrantz foi um grosso, disse que não era para abordar o Bruce. Nem discuti, não adianta... Esperei o Bruce levantar, percebi que estava meio bêbado. Pedi por favor, juntando as mãos meio que implorando, e ele tirou fotos de boa com nós 3, apesar da cara de bosta dos seguranças. Depois percebemos que tinha um casal disfarçado que também conseguiu. O último que conseguimos nesse primeiro dia foi Janick, que estava mala e tirou as fotos de má vontade.

Encontramos Dave logo cedo, indo pegar algo para comer... foi bem simpático e nos atendeu. Depois do almoço, outros conhecidos se hospedaram também, incluindo Felipe Godoy e Rita, Kevin, Deca... Isso nos preocupou um pouco, pois ainda faltava Adrian Smith, que nem tinha aparecido até então. Já perto da hora de ir ao show, ele enfim foi ao lounge para comer. Segurança do hotel veio encher o saco, mesmo estando todos hospedados. Adrian terminou de comer e atendeu a todos de boa, bem simpático.

No dia seguinte, vi que poderia levar o Leo ao lounge, desde que o registrasse como convidado na recepção. Faltava o Adrian pra ele, e foi justamente quem apareceu por lá. Como na noite anterior, atendeu a todos de boa. Leo ficou bem feliz. Por outro lado, tomou naba do Janick. Bruce também apareceu, mas não tirou fotos com ninguém, o lounge estava bem cheio de fãs naquela manhã".

terça-feira, 10 de março de 2009

Iron Maiden - Manaus

No final de 2008, o Iron Maiden anunciou as cidades brasileiras da segunda perna da turnê “Somewhere Back in Time”. Como Bruce havia anunciado no show daquele ano que a banda retornaria ao Brasil em 2009, eu passei um bom tempo juntando algum dinheiro para poder assistir ao show em mais cidades, não apenas em São Paulo. A princípio seria Rio de Janeiro e mais uma. Me decidi por Manaus quando soube que o aniversário de Steve Harris, 12 de março, coincidiria com a apresentação na cidade. Então, entrei na comunidade do show de Manaus no Orkut e interagi com algumas pessoas. Descobri que só havia um hotel capaz de receber o Iron Maiden na cidade: o Tropical. Rapidamente fiz a minha reserva e também no Hilton, em São Paulo. Restava saber apenas o hotel em que a banda ficaria no Rio de Janeiro. 

Quando chegou o dia, eu e Sheila embarcamos em um voo da extinta Avianca (que ainda chamava-se Ocean Air) rumo a Manaus, com escala em Brasília. Ao chegar, fomos direto ao hotel, após sermos devidamente “roubados” pelo taxista, que só aceitava fazer corridas com o preço fechado, evidentemente em valores bem maiores do que os que dariam com o taxímetro rodando. Felizmente, hoje em dia temos serviços como o Uber, que nos libertam de aproveitadores como esse.

O calor na cidade era infernal, mas sinceramente eu gosto. Passamos o dia nas dependências do hotel, testando a nova câmera fotográfica que compramos especialmente para a ocasião. Reparamos, porém, que algumas fotos não ficavam boas, e demoramos para entender o porquê. O quarto mantinha o ar-condicionado ligado em força total e, quando saíamos para fotografar, a lente embaçava imediatamente. Um efeito interessante causado pelo contraste de temperaturas.

Ao anoitecer, encontramos dois casais. Um, de amigos da Sheila, que ela conhecia a partir de uma comunidade do seriado Lost no Orkut. Outro, de amigos meus, a quem conheci na comunidade do show de Manaus. Todos fomos a uma pizzaria. Após, meus amigos perguntaram se eu gostaria de ir ao local do show, onde o palco estava sendo montado, antes mesmo da chegada da banda à cidade. Achei que seria uma boa ideia, e fomos.

Havia um segurança que não queria nos deixar entrar. No entanto, foi só falar que viemos de São Paulo especialmente para a ocasião, que fomos liberados para dar uma olhada. Tiramos algumas fotos e acompanhamos atentamente a montagem do palco e das luzes por uma equipe local, para o que se tornaria realidade em apenas dois dias: Iron Maiden na Amazônia.


Na manhã seguinte, era hora de voltar ao aeroporto, para recepcionar o Ed Force One. A proximidade da chegada da banda fazia com que esse fosse o principal assunto na cidade. No caminho, em todos os lugares, haviam outdoors do show. Na TV só se falava nisso. Então, é claro que o aeroporto estava tomado pelos fãs de Iron Maiden. Conheci uma galera muito legal por lá. E, enquanto esperávamos, fui entrevistado por uma TV local.

Para assistir um show, é normal o pessoal de Manaus embarcar em um avião para São Paulo ou Rio de Janeiro, mas alguém de São Paulo vir para Manaus pareceu um pouco inusitado para eles. Antes mesmo de chegar à cidade, eu fui entrevistado por jornais locais. A história de que um fã havia conhecido a banda, difundida na comunidade do Orkut, soou bem para os jornalistas.



 

Após acompanhar o pouso, retornamos imediatamente para o hotel. A ideia, claro, era ter algum contato com a banda. Ainda faltava conhecer o Dave Murray. Porém, não tivemos vida fácil. Mesmo hospedados, o hotel estava gradeado, cercado de fãs, e demoramos um pouco para conseguir entrar. Fui entrevistado mais uma vez, por um reporter de outro canal, que havia visto minha entrevista anterior.


Aconteceu algo que nunca vi antes nem depois. Foi reservada uma parte de um andar apenas para a banda e sua equipe e ninguém estava autorizado a passar por lá, nem mesmo hóspedes. Mesmo quem estava em um quarto no mesmo andar era obrigado a dar uma volta maior para chegar até ele. Absurdo completo, mas foi o que aconteceu. Tempos depois, um amigo definiu bem, com ironia: “parecia que eles estavam com medo de ataque de índios”.

Manaus é o principal centro urbano, financeiro e industrial da Região Norte do Brasil. É a cidade mais populosa do Amazonas e de toda a Amazônia com mais de 2,1 milhões de habitantes. Não há ataques de índios e qualquer fala em contrário só demonstra preconceito e ignorância. No entanto, esse comentário pareceu descrever o comportamento da banda que, em Manaus, procurou se esconder a todo custo, nem parecia que eram os mesmos caras que conheci um ano antes.

Foi nessa tarde que conheci o autor do comentário. Um casal, na faixa dos 50 anos, havia acabado de retornar de uma viagem por Bali, Jacarta e Indonésia, onde esteve apenas para assistir aos shows do Iron Maiden. Agora estava ali, pronto para fazer a turnê brasileira completa.

Carioca, Ricardo Pacheco indicou qual seria o hotel em que a banda se hospedaria no Rio de Janeiro: Intercontinental. Imediatamente fiz a minha reserva pela internet. Eu acreditava que aquele senhor sabia o hotel apenas por morar na mesma cidade em que o show aconteceria. Na realidade, ele sabia muito mais do que eu seria capaz de imaginar.

Eu e Sheila fomos dar uma volta pelo hotel e encontramos Rod Smallwood e o fotografo John McMurtrie descansando à beira da piscina.  Mais a noite, encontramos também Lauren Harris, a filha de Steve Harris que comandava a banda de abertura daquela turnê, que levava seu nome. Ela estava acompanhada pelo assistente de palco, Ashley Groon, falecido em 2022.

Eu já previra a possibilidade de encontrar com Lauren. Portanto, havia comprado o CD da banda dela, e levei para conseguir autógrafos. A abordei e consegui a foto e o autógrafo, fácil. Ashley, que era um palhaço completo, no bom sentido, fez questão de aparecer em todas as fotos, sempre fazendo alguma careta ou, no caso da foto com a Sheila, mostrando os mamilos, o que a fez ficar vermelha de vergonha, totalmente sem graça.


Já estava anoitecendo e o casal amigo da Sheila, da noite anterior, veio nos buscar para dar uma volta pela cidade. Conhecemos o Teatro Amazonas por fora e comemos no McDonald's. Quando retornava ao hotel, lembrei que deveria avisar uma conhecida, que conheci na comunidade de Manaus, confirmando que a banda estava mesmo por lá. Eu realmente não queria fazer isso, pois o hotel já estava suficientemente lotado de fãs  e a banda parecia não querer interagir com ninguém. Mas combinado é combinado e a avisei. Aquilo, sem querer, acabou salvando minha noite.

Em 40 minutos, ela chegou com a irmã, e ambas também se hospedaram. Sua beleza despertou a atenção de integrantes da equipe da banda, que a levaram para conhecer Janick Gers e Dave Murray. Eu aproveitei a deixa e finalmente consegui a foto que faltava.



Na manhã seguinte, no café da manhã, houve um comentário de que a banda havia saído para passear. Já que os músicos não estavam no hotel, eu e Sheila resolvemos passear também, conhecer os arredores. Ao sair, descemos até o rio e um dos barcos ancorados nos chamou a atenção. Chamado Batelão, tiramos diversas fotos em frente a ele.


Seguimos nosso passeio caminhando pela orla até chegar a um local onde Sheila aproveitou para testar o zoom da câmera nova, fotografando vários barcos que passavam pelo rio. Mais tarde, ao ver as fotos no computador, surpresa: um dos barcos era o Batelão, e seus passageiros eram o Iron Maiden, a equipe, a banda da Lauren... todos tinham ido navegar no Batelão! Mais tarde ainda, alguns fãs mostraram fotos do momento em que a banda deixou o hotel para navegar. Então, quando saímos, a banda ainda não havia saído. Paciência!


De tarde, um amigo de São Paulo, que estava morando na cidade há algum tempo, apareceu no hotel para nos dar uma carona até o show. Antes, perguntou se eu já havia visto algum integrante do Iron Maiden por ali. Por acaso, naquele exato momento, Bruce estava no bar do térreo conversando com um piloto de avião uniformizado. Quando levantou e se despediu, algumas meninas o abordaram, e ele tirou algumas fotos. Carlos, meu amigo, se aproximou. Quando faltava somente ele, Bruce simplesmente saiu correndo e o deixou na mão.

O show foi maravilhoso, mas logo retornamos ao hotel, pois nosso voo para o Rio era de madrugada. A banda estava no bar comemorando o aniversário de Harris, mas cercada por seguranças, então resolvemos não incomodar. Quando fui para o quarto, meu caminho se cruzou com o de Michael Kenney que, para quem não sabe, é o técnico de baixo do Steve Harris e também o tecladista do Iron Maiden em apresentações ao vivo. Pedi a foto e ele aceitou sem problemas, segurando uma caixa de Havaianas nas mãos. Depois, apenas pegamos nossas coisas e seguimos para o aeroporto, pois um casal de amigos nos deu uma carona.