quarta-feira, 14 de março de 2018

Londres: tour pelos locais históricos

Esta é a quarta parte de um texto sobre minha experiência em Londres em 2018. Se você ainda não leu, clique aqui para ler a primeira, aqui para ler a segunda ou aqui para ler a terceira.

Nos dias seguintes, além dos passeios que qualquer turista faz, aproveitei para iniciar a tour pelos lugares históricos do Iron Maiden.

KOKO (Music Machine)

Anteriormente conhecido como “The Music Machine” e “Camden Palace”, é uma casa de shows e um antigo teatro em Camden Town. Foi importante no primórdio do Maiden: uma das melhores gravações piratas dos primeiros anos da banda é de um show realizado neste local (Music Machine 79)".

Até tentei tirar algumas selfies, mas ficou uma merda e desisti
Programação para março e abril de 2018. Em 1979, o Iron Maiden seria uma das atrações

Endereço: 1A Camden High St, London NW1 7JE, Reino Unido. O local fica logo à direita da estação Mornincton Crescent.

Hammers Social Club

Minha intenção era visitar o Upton Park, estádio do West Ham United. Como fã, tenho uma certa simpatia pelo time, embora não acompanhe. Não tem a ver com o Maiden diretamente, mas é tão importante para Steve Harris que acaba sendo também para os fãs. Ou alguém aí já esqueceu de onde veio o bordão "Up The Irons!"?

Seguindo as instruções da matéria, "pegar a linha verde (District) ou rosa (Hammersmith & City) até a estação Upton Park. Ao sair da estação virar à direita e andar reto (ou seguir o povo de roxo, em dia de jogo). Não tem como não ver um estádio enorme na sua frente =)". Eu simplesmente não o encontrei. No local, encontrei o Hammers Social Club, clube social dos fãs do West Ham, o que por si só já valeu a visita. Posteriormente, descobri que o estádio foi fechado após o jogo final da temporada 2015/16 e, então, demolido. O West Ham passou a usar o Estádio Olímpico de Londres, que foi arrendado à equipe por 99 anos, a partir de 2013.


Estádio Olímpico de Londres

Percebido o engano, estava na hora de corrigi-lo. No mesmo dia, localizei e fui ao novo estádio. Nem precisa dizer o quanto fali quando descobri a loja repleta de produtos do West Ham. Comprei camisas, chaveiros, canecas e até mesmo doces.



Endereço: Queen Elizabeth Olympic Park, London E20 2ST, Reino Unido. Próximo à estação Pudding Mill Lane.

22, Acacia Avenue

O endereço foi imortalizado na letra da música homônima que, assim como "Charlotte The Harlot" e "From Here To Eternity", cita a prostituta Charlotte.

De acordo com a Wikipedia, Acacia Avenue é um clichê na cultura britânica, uma metáfora para uma rua de classe média suburbana. Há pelo menos sessenta Acacia Avenue na Grã-Bretanha, nove delas na Grande Londres. Como saber qual é a correta? Simples: nenhuma! A letra não passa de ficção. Mas que é um grande barato chegar a uma dessas ruas cantarolando, ah é. Não tenha dúvida!

Uma consulta à Lirapedia (apelido do historiador Ricardo Lira) revelou que a música já estava pronta quando Adrian Smith ingressou no Iron Maiden, Harris apenas adaptou uma letra, já que a ideia original, é claro, não fazia menção alguma à Charlotte.


Quando retornava à estação, deixei passar o ponto que tinha que descer. Desembarquei no ponto seguinte e fiz o percurso de volta caminhando. No caminho, achei um serviço de passar roupa com um nome curioso, especialmente pela relativa proximidade àquele endereço muito particular...


Como chegar: É um local afastado do centro de Londres, na zona 6. É longe e mais caro para chegar lá, já que não está localizado nas zonas 2 ou 3, onde a mobilidade urbana é mais em conta. Pegue a linha verde (District) e desembarque em Elm Park (uma das últimas estações).

Ao sair da estação, a cerca de 10 metros à esquerda, há um ponto de ônibus. Pegue o ônibus 252 e desça na parada Chestnut Avenue (sem pânico, os ônibus tem um sistema sonoro que avisa qual a próxima parada). Ao desembarcar, atravesse a rua e olhe para direita, você deverá ver na esquina a placa indicando "Chestnut Avenue". Entre nela e caminhe por duas quadras até se deparar com a placa Acacia Avenue. Pronto, agora é só procurar pelo número 22.

Phantom Music Management

Quartel general do Iron Maiden, é a empresa responsável pelo gerenciamento de todos os interesses da banda, desde o licenciamento de produtos até o planejamento de turnês. Permaneci pouco tempo em frente ao local e tirei algumas fotos, mas certamente não fui mala o bastante para apertar a campainha. Além de ser horário de trabalho, sou apenas um fã, e disso o Maiden está cheio. 


Quando saí, mal andei uma quadra e fui surpreendido: Mr. Rod Smallwood caminhava em minha direção, indo para onde eu acabara de sair, com o auxílio de uma bengala. Claro que o abordei e tiramos uma foto – com o iPhone, já que a câmera já estava guardada e foi no susto demais para pega-la. Nem deu para dizer que vim do Brasil ou que já nos encontramos antes, ele simplesmente saiu apressado. Sim, isso foi sorte!


Endereço: 36 Bridle Lane, W1F 9BZ Londres. Vá à estação Picadilly Circus, atendida pelas linhas Bakerloo e Picadilly, e utilize o GPS de seu celular para se orientar.

Eventim Apollo (Hammersmith Odeon)

Casa de espetáculos inaugurada em 1932 com o nome de Gaumont Palace, foi renomeada para Hammersmith Odeon em 1962, e permaneceu com esta nomenclatura até 2000. Algumas músicas do álbum “Live After Death” foram gravadas lá, assim como o álbum “Beast Over Hammersmith”, gravado em 1982, mas lançado somente em 2002, como parte do boxset “Eddie's Archive”. Vários outros shows da banda aconteceram neste local.

Dei uma volta no lugar para tentar deduzir onde é a entrada dos artistas

Endereço: 45 Queen Caroline St, Hammersmith, London W6 9QH, Reino Unido.

É meio complicado explicar como chega, pois Londres tem duas estações próximas uma da outra e com o mesmo nome (Hammersmith), mas que atendem linhas diferentes. A mais próxima do lugar atende District line e Picadilly. A saída da estação é dentro de um shopping, você mal passa a catraca e já dá de cara com o Mc Donald's. Sem conhecer as saídas do lugar, acabei dando a volta olímpica no quarteirão. 

Sarm West Studios

Em tese, eu faria uma visita ao prédio do estúdio onde foram gravados os álbuns Dance of Death e A Matter of Life and Death. O que encontrei foi uma decepção. Rodeado por tapumes e grandes máquinas, a demolição do lugar estava em pleno andamento. Fica o registro de um pedaço da história que se vai...


Ruskin Arms

Conhecido principalmente pelo vídeo “Live at Ruskin Arms”, gravado em 1980 e lançado no DVD “Early Days” (2004), foi um pub muito importante na história do Maiden, palco de vários shows nos primórdios.

Após períodos de glória e decadência, quando fechou e reabriu as portas diversas vezes, o local foi arrematado por um hotel, que o oferecia como uma opção extra aos hóspedes. Porém, por £4.50, qualquer um poderia tomar café da manhã no local, no famoso “coma tudo o que puder”.

Sem saber de nada disso, cheguei por volta de 09:50 hs, tarde para o café, que finalizou minutos antes. Até pensei em retornar outro dia para conhecer por dentro, mas eram tantas atividades e lugares para conhecer, que não foi possível.


Endereço: 386 High St N, East Ham, London E12 6PH, Reino Unido

A estação mais próxima é a East Ham, atendida pelas linhas District Line e Hammersmith City. Ainda assim, é uma boa caminhada de algumas quadras. Não posso afirmar que o local ainda existe. Em setembro de 2018, o Ruskin Arms fechou as portas mais uma vez, provavelmente para sempre. Após beber, e aparentemente muito drogados, dois homens atacaram um cliente que estava no local com uma mulher, aparentemente sem motivo. Mesmo após deixa-lo inconsciente, as agressões não cessaram.

A polícia foi informada pelo Serviço de Ambulância e não pelos funcionários do lugar. Testemunhas disseram que as portas estavam abertas e eles simplesmente assistiram o ocorrido, sem interferir. Como a lei é regida em proteção à segurança do cidadão, o local foi fechado por determinação judicial. No Google Maps, com imagens produzidas em abril de 2019, o pub está fechado e tapumes reforçam portas e janelas.


Maiden Lane

Também fui a essa rua que não tem nenhuma relação com a história da banda, mas por motivos óbvios para quem é fã, vale dar uma passada para conhecer e tirar fotos. Como dizia Ricardo Pacheco: “É Maiden, porra!”


Como chegar: vá à estação Charing Cross, servida pelas linhas Bakerloo e Northern.  Não é longe, mas também não é fácil de explicar, então sugiro que se oriente com o GPS do celular.

(ex) Casa do Bruce Dickinson

Juliane, uma amiga que morou um tempo em Londres, me passou o endereço onde supostamente residia Bruce Dickinson - antes do divórcio - no bairro Chiswick. Ela disse que às vezes passava um tempo na frente do imóvel na esperança de encontrar o vocalista, mas nunca o viu por lá. Uma vez, viu a então esposa, Paddy, entrando no local com a filha do casal.

É uma casa de dois andares, relativamente grande, mas longe de ser uma mansão. A única coisa que chama atenção são os tapumes colocados nas aberturas do muro que cerca a propriedade, possivelmente para evitar invasão de privacidade.

Em 2018, um mês antes de minha ida à Inglaterra, Verônica, uma brasileira que mora na Europa decidiu, como eu, se aproximar dos locais que fazem parte da história da banda. Ao término da viagem, escreveu sobre suas aventuras no site “Iron Maiden Brasil”. Ela incluiu fotos e o endereço da residência de Bruce que, até então, ainda morava lá. Hoje todos sabem que Bruce enfrenta um divórcio e foi morar com sua nova namorada. Outras fãs, indignadas, entraram em contato diretamente com a Phantom Music Management que, percebendo a gravidade da situação, exigiu diretamente ao provedor que essas informações fossem retiradas do texto.

Este relato não será complementado com o endereço, pois é o tipo de informação que não deve ser compartilhada. Passar na frente apenas para tirar uma foto, provavelmente seja ok. A foto só faz parte deste relato porque ele não mora mais lá. Tem gente que, uma vez em Londres, pensaria em “acampar”, tocar a campainha, essas coisas que malucos fazem. Nunca é demais lembrar que John Lennon morreu em frente ao edifício onde residia, o Dakota, em Nova Iorque, atacado por um fã que lhe pediu um autógrafo horas antes. Ainda tem o caso de Dimebag Darrell, assassinado em pleno palco por um fã inconformado com a separação do Pantera.


Esta é a quarta parte de um texto sobre minha experiência em Londres em 2018. Se quiser ler a quinta parte, clique aqui.


segunda-feira, 12 de março de 2018

Londres: Ilona

Exceto se você for fã de Iron Maiden, daqueles que se interessam pelo período 1975-1979, e portanto, sabe quem é Tony Moore, provavelmente jamais ouviu falar de Ilona. Tony foi o único tecladista de uma formação oficial do Iron Maiden, esteve com a banda em 1977. Depois tornou-se um nome conhecido no Reino Unido por ser o tecladista da banda Cutting Crew, e por apresentar programas de rádio e TV com músicos convidados, apresentações ao vivo, entrevistas, críticas e tudo relacionado ao universo musical.

Tony Moore também foi o responsável por gerenciar artistas em início de carreira, incluindo nomes como KT Tunstall, Damien Rice, Imogen Heap, Paolo Nutini, Ed Sheeran, Newton Faulkner, Muse, entre outros. Foi também proprietário da casa de shows The Kashmir Klub. Atualmente, Tony investe seu tempo em uma banda com a jovem e talentosa cantora Ilona, sempre postando clipes e apresentações ao vivo em seu perfil no Facebook. Não tem nada de mais, é um rock básico, mas sinceramente gostei, a voz dela me agrada muito.





























Já que estava a caminho de Londres, pensei "o que me impede de conhecer Ilona?". Sabendo que é uma artista pequena e pouco conhecida, entrei em contato diretamente a partir da página no Facebook. Ela foi muito receptiva e aceitou se encontrar comigo.

O primeiro contato foi feito quando eu ainda estava no Brasil, na véspera da viagem. O segundo foi no meu quarto dia em Londres. Eu ainda estava um pouco confuso quanto à locomoção na cidade, mas teria que aprender rápido, pois ela marcou o encontro para dali a uma hora.












Você conhece o sistema metropolitano londrino? Chamado de underground (não subway, como nos Estados Unidos), conhecido ainda por The Tube, serve grande parte da Grande Londres e as áreas vizinhas de Essex, Hertfordshire e Buckinghamshire, e constitui o sistema de metropolitano mais antigo e extenso do mundo.

Ok, sou de São Paulo, a maior cidade do hemisfério sul, mas é impossível comparar, pois o sistema metropolitano paulistano é ridículo. Tem menos de 50 anos (iniciou a operação comercial em 1974) e até o início deste século tinha apenas três ramais em operação. Eu sempre zuei amigos que vem a São Paulo a partir de outras cidades e estados, e sentem-se perdidos ao ter que fazer uma simples baldeação. Neste dia me senti como eles: teria que entender essa zona e chegar à Ilona em menos de uma hora.

Felizmente tive o auxílio do excelente aplicativo Tube Map. Com o utilíssimo recurso "Route Planner", bastou selecionar a estação inicial (Camden Town) e a final (Earl's Court), que o programa calculou quantas estações haviam até o destino, onde era necessário descer e baldear, que linha e sentido devia-se utilizar em cada desembarque. A única falha é que tive que descobrir por conta própria que, no mesmo trilho, é possível passar trens de linhas diferentes - isso não existe no metrô de São Paulo, então jamais imaginei que pudesse existir no de Londres. Logo, com poucas correções, consegui chegar, e com isso passei a entender como me locomover no sistema metropolitano londrino - isso seria muito útil dali em diante.

Quando finalmente cheguei em Earl's Court, caminhei poucas quadras até encontrar o bar que Ilona mencionou em nossa troca de mensagens. Eu poderia ter entrado, mas preferi aguardar fora do local, então a avisei de minha chegada. Ela saiu toda sorridente, curiosa demais sobre minha história - acho que fui o primeiro fã de fora da Europa a aborda-la desse modo. Me abraçou, me beijou no rosto, foi uma festa, ela é realmente simpática e amigável. Nosso encontro durou cerca de 10 minutos. Eu estava pronto para fazer selfie, mas ela fez a gentileza de chamar um amigo no bar para tirar as fotos.


Tempos depois, fiquei sabendo que toda a banda dela estava no bar na ocasião, incluindo Tony Moore. Ele eu conheci dois dias antes, no Burr Fest, mas poderia ter aproveitado para conhecer também o baterista Matthew Mason, e principalmente a baixista KT Parker (que sempre achei gatinha demais hehe).

Para retornar ao hotel, foi um pouco mais fácil do que na ida, pois eu já estava esperto que era necessário ler para onde cada trem que passasse iria.

domingo, 11 de março de 2018

Londres: Skid Row

Em 2009, logo após o corre do AC/DC, Kevin me chamou para acompanha-lo até a porta do Manifesto Bar para tentar tirar fotos com os caras do Skid Row. Havia, entretanto, muitos problemas: eu estava realmente exausto, pois dormi o mínimo possível nos últimos dois dias. Ficava no bar até altas horas, na esperança que alguém da banda aparecesse para beber, o que não aconteceu, e era o primeiro a levantar, para ficar no restaurante, sempre com a esperança de que algum músico aparecesse para tomar café, o que também não aconteceu.

Além disso, eu tinha visitas em casa: uma amiga de Manaus e dois amigos do Rio de Janeiro. Eles também estavam no hotel, e como eu, tiraram fotos com Angus Young e Cliff Williams. Simplesmente não fazia sentido querer leva-los para mais um corre. Sheila poderia leva-los para casa, mas eram mais amigos meus do que dela. Deixa-los com ela e partir para o corre seria pedir para arrumar confusão. Além disso, mais cedo ou mais tarde o Skid Row retornaria ao Brasil. Melhor deixar essa chance para lá e tentar numa próxima vez.

Com efeito, em 2012, uma produtora anunciou a intenção de trazer a banda ao país, em sua página no Facebook, mas pouco tempo depois anunciou que as negociações não deram certo e não tocou mais no assunto. No ano seguinte, outra produtora chegou a anunciar data, local e até mesmo um flyer mas, mais uma vez, o evento foi cancelado.

De 2014 a 2017, nenhuma produtora manifestou a intenção de trazer a banda, então cheguei a pensar que jamais teria a chance de ve-los novamente, o que me deixava chateado pela decisão estúpida de não ve-los em 2009. Eu deveria ter deixado as visitas com a Sheila, e aguentar a bronca depois. Se tivesse feito isso, ao menos teria fotos com os caras.

Em 2017 agendei minha viagem para Londres, então procurei um site que informasse quais seriam os shows que aconteceriam na cidade enquanto eu estivesse por lá. É claro que comemorei bastante ao constatar que o Skid Row se apresentaria dois dias após a minha chegada. O show aconteceria no O2 Shepherds Bush Empire, então fui dar uma espiada no lugar com o auxílio do Google Street View. Havia somente duas entradas, uma frontal e uma lateral.

2 Shepherds Bush Empire

Concluí que seria possível fazer o corre no "hard mode", ou seja, esperar pela banda na entrada do local e tentar a sorte. Mas... e se não desse?! Valeria a pena me deslocar até lá, perdendo tempo precioso da viagem, para passar a tarde toda plantado na frente do lugar e correr o risco de voltar de mãos vazias? Eu estaria na "easy London", provavelmente rolaria, mas certamente os "poderes" que adquiri e uso tão bem em São Paulo seriam praticamente inúteis lá.

Aeroportos de Londres
Se com certeza eu não seria capaz de descobrir o hotel, aeroporto muito menos. Londres é servida por 6 aeroportos: Heathrow, Gatwick, Luton, Stansted, London City e Southend!!!! O aeroporto de London City é o único que está na área urbana da cidade, os demais estão entre 25 e 58 km fora dos limites urbanos. Eu que não me arriscaria a adivinhar estando há apenas dois dias na cidade. Em Londres pela primeira vez, eu seria apenas stranger in a strange land.

Resolvi garantir e comprei o meet & greet por ‎£75 (R$339,00 no câmbio de 23 de fevereiro de 2018, data da compra). O melhor: era possível comprar o meet sem ter ingresso para o show - não é como no Brasil, onde as produtoras fazem venda casada, ou seja, você só pode comprar o meet se tiver ingresso para o show.

Não, eu não estava interessado em ver o show. Show eu veria na véspera, quando assistiria ao Burr Fest 2018. Prevendo que estaria beirando a exaustão, pois até então a programação seria só correria, conseguir apenas as fotos estaria de ótimo tamanho. Eu não sou muito fã de Skid Row, apenas estava injuriado por perder as fotos em 2009, foram 9 anos para ter uma segunda chance.

Em nosso terceiro dia em Londres, ainda não sabíamos nos locomover direito pela cidade. Ysabella disse que sabia chegar, mas tomamos um trem e fomos parar bem longe de onde deveríamos, então o jeito foi tomar um táxi, ou não chegaríamos a tempo. Na verdade, quando chegamos, todos os participantes do meet - que incluia assistir a passagem de som - já estavam dentro do lugar. Ysabella, que tem o inglês muito melhor que o meu, falou com alguém da produção, e me colocaram para dentro. Ela esperou nas proximidades, do lado de fora.

Não assisti ao show, mas vi boa parte da passagem de som. Para mim, está ótimo!

Após a passagem de som, fotos e autógrafos. O problema é que a produção insistia na manjada foto onde é você com todos os integrantes da banda. Eu gosto, mas sempre preferi fotos individuais. Sozinho, fiz o que pude, só na selfie, várias FOTASSAS. Todos foram gente boa, exceto Rachel Bolan, que após tirar as fotos da banda com os fãs, logo retornou para o camarim, então não consegui a foto individual com ele.

Certamente o fato de eu ser do Brasil despertou maior atenção dos integrantes, principalmente do ZP Theart, que vi alguns anos antes com o Tank, em São Paulo. Embora meu inglês fosse limitado, conseguimos conversar um pouco, e eu lhe disse que já o tinha visto pessoalmente há alguns anos.

Skid Row: Dave "The Snake" Sabo, Scotti Hill, ZP Theart, Rachel Bolan e Rob Hammersmith
ZP Theart, vocalista do Skid Row
Dave "The Snake" Sabo, guitarrista do Skid Row, ex Bon Jovi
Scotti Hill, guitarrista do Skid Row
Rob Hammersmith, baterista do Skid Row
Levei essa foto do Brasil, não é porque estava em Londres que virou bagunça, os padrões continuavam os mesmos

sábado, 10 de março de 2018

Londres: Gypsy's Kiss no Burr Fest

Esta é a terceira parte de um texto sobre minha experiência em Londres em 2018. Se você ainda não leu, clique aqui para ler a primeira ou aqui para ler a segunda.

Gypsy's Kiss foi a primeira banda de Steve Harris. Formada em 1973, quando Harris tinha apenas 17 anos e tocava há pouco tempo. O primeiro nome adotado pela banda foi Influence, a alteração para Gypsy's Kiss só aconteceu no ano seguinte. A formação incluía, além de Harris, Bob Verschoyle (vocal), Dave Smith (guitarra) e Paull Sears (bateria).

Da esquerda para direita: Paul Sears, Bob Verschoyle, Dave Smith e Steve Harris em 1973

Em uma entrevista realizada em 2019, Dave Smith respondeu à pergunta "O que levou a banda a encerrar as atividades em 1974?":

"Nós éramos jovens (eu 19 e Steve apenas 18) e estávamos trabalhando duro. Como todos os jovens, Paull Sears (baterista) e eu queríamos ir a festas e sair com garotas, e Steve queria continuar trabalhando duro na banda e ser profissional imediatamente. Mas Paull e eu tínhamos outros empregos (para pagar o aluguel) e nós (muito tristemente) nos afastamos e concordamos em seguir caminhos separados em bons termos. Na última entrevista, Steve sempre diz que foram 'diferenças musicais', mas acho que ele estava sendo gentil!".

Conta a história que, quando houve a ruptura, Harris montou sua segunda banda, Smiler, onde conheceu músicos que integraram o Iron Maiden mais tarde, incluindo o vocalista Dennis Willcock e o baterista Doug Sampson... Mas isso é uma estória para outra ocasião.

Durante décadas, os fãs do Iron Maiden permaneceram sem nenhuma informação a respeito do Gypsy's Kiss. Não fossem ferramentas como Youtube ou Facebook, provavelmente isso continuaria a ser verdade. Em 2010, todos os integrantes se reuniram próximo ao natal, apenas como bons amigos, resultando em uma foto histórica, 37 anos depois.

Da esquerda para direita: Paul Sears, Steve Harris, Dave Smith e Bob Verschoyle em 2010
Em 2014, Paull Sears postou em seu perfil no Facebook dois vídeos amadores, resultado de uma reunião com seus ex colegas Bob Verschoyle e Dave Smith. Coube a Roy Middleton substituir Steve Harris no baixo. Isso não significou que as atividades da banda foram retomadas, tratou-se apenas de uma brincadeira entre velhos amigos que se reuniram para tirar um som. Valeu como registro histórico, principalmente porque não foram feitos registros em vídeo que se tenha conhecimento quando Harris era o baixista. De qualquer modo, os fãs puderam, pela primeira vez, conhecer o som da banda. O primeiro vídeo exibe a banda tocando a música própria "Influence", enquanto, no segundo, toca a música "Knock On Wood", cover sessentista de Eddie Floyd.



Mais ou menos nessa época, adicionei todos no Facebook, para tentar bater um papo e, quem sabe, conseguir entrevistas. Somente Paull aceitou a solicitação de amizade. Ele é um cara simples, divertido, que interage - diversas vezes curtiu ou comentou algo que postei. Me contou que em 3 ou 4 shows assumiu as baquetas do Iron Maiden, mas apenas interinamente, entre as passagens de Thunderstick e Doug Sampson pela banda.

Então, é claro que pirei quando, em 2017, foi anunciada a reunião dessa formação para um único show no Burr Fest. Seria a primeira vez que a banda se apresentaria ao vivo em 44 anos, algo histórico demais para eu perder. Felizmente, eu tinha condições para viajar.

Paull Sears e Bob Verschoyle estiveram no show. Paull não subiu ao palco, Bob cantou pelo menos uma música. As outras foram executadas por uma formação com Dave Smith (guitarra e voz) acompanhado por músicos mais jovens. Isso foi um pouco decepcionante, mas não tirou o brilho da apresentação. Curiosamente, houve uma mudança no horário de entrada das bandas, o que fez com que eu e Ysabella perdêssemos o início, pois saímos do local para almoçar em um Mc Donalds próximo. Quando retornamos, o Gypsy's Kiss já estava no palco.

Os vídeos mostram as músicas: 1) Gypsy's Kiss, 2) Rockin' In The Free World (cover de Neil Young, com Bob Verschoyle no vocal), 3) Under My Wheels (cover de Alice Cooper), 4) Don't Believe a Word (cover de Thin Lizzy, com Terry Wapram na guitarra). 





Após o show, aproveitei para abordar os músicos da formação original, todos foram simpáticos e solícitos. Aproveitei para conseguir os autógrafos em uma foto e, meses mais tarde, Steve Harris também autografou.

Bob Verschoyle
Dave Smith
Paull Sears

O que era para ser uma única apresentação felizmente teve continuidade. Outros shows do Gypsy's Kiss foram agendados, a maioria deles no Cart & Horses. Dave Smith recuperou o sonho de ser um rockstar - ou, ao menos, se divertir tentando ser - e reformulou a banda. Com seis integrantes (3 guitarristas - Dave também é o vocalista, 1 baixista, 1 tecladista e 1 baterista), a banda enfim gravou videoclipes e lançou lyric videos que poderiam ser lançados em 1974 com Steve Harris no baixo.





Quando retornei de Londres, Dave Smith aceitou minha solicitação de amizade no Facebook, pendente há anos. Conversamos de vez em quando, ele é um cara legal, sempre disposto a conversar sobre a história da banda.

Esta é a terceira parte de um texto sobre minha experiência em Londres em 2018. Se quiser ler a quarta parte, clique aqui.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Londres: Burr Fest 2018

Esta é a segunda parte de um texto sobre minha experiência em Londres em 2018. Se você ainda não leu, clique aqui para ler a primeira. 

Ysabella e eu ficamos no hotel Pulmann, em Guarulhos, para que chuva e trânsito não nos impedisse de chegar ao aeroporto

Sugeri à Ysabella que contássemos uma pequena mentira na alfândega inglesa, que evitaria aborrecimentos e questionamentos adicionais: deveríamos alegar que somos namorados. Ela não aceitou. Como eu previra, dizer a verdade quase nos trouxe grandes problemas.

Após um voo de dez horas até Frankfurt, na Alemanha, voamos mais cerca de uma hora até Londres. Então chegou o momento de passar pela alfândega. O oficial achou nossa história muito estranha. Perguntou se éramos namorados. Ysabella negou. Perguntou se nos pegávamos de alguma maneira. Mais uma vez, a resposta foi negativa. Ele disse não compreendia como eu poderia gastar tanto com uma simples amiga. O dinheiro era meu e seria gasto como e com quem eu quisesse, mas não poderia dar essa resposta, é claro, pois certamente ele me mandaria de volta para casa.

Desconfiado, fez questão de conferir cada nota de libra que a Ysabella levou - em momento algum ele se interessou pelos valores que eu portava. Conferiu e reconferiu tudo o que tínhamos: as passagens de volta, a reserva de hotel, os comprovantes dos lugares que visitaríamos, incluindo o ingresso do Burr Fest, o meet & greet com o Skid Row (que se apresentou em Londres enquanto estávamos lá), os ingressos da London Eye (uma das maiores rodas-gigantes do planeta, com 133 metros de altura), a reserva no Sky Garden (um restaurante que oferece uma maravilhosa vista de 360 graus de Londres), nosso London Pass (cartão turístico que ajuda os visitantes a aproveitarem ao máximo sua viagem, economizando tempo e dinheiro, oferecendo acesso facilitado a mais de 80 atrações)... 

Estava tudo absurdamente certo, mas ele insistia em estranhar da história: "Por que você trouxe essa menina para o meu país?", indagava. Eu me questiova se ele achava que ela era prostituta, ou se acreditava que ela não retornaria ao Brasil. A coisa estava feia, tudo indicava que ele barraria nossa entrada. Eu já estava pronto para matar Ysabella quando aquilo acabasse. Que custaria dizer que éramos namorados apenas para evitar tudo aquilo?! O oficial não faria a gente se beijar só para comprovar a afirmação. Casais de namorados entram o tempo todo. Amigos, um pagando para o outro, parece suspeito, e foi isso que tentei evitar...

Após mais de 50 minutos, ele autorizou nossa entrada, provavelmente vencido pelo cansaço. Nem acreditei, já estava pronto para retornar ao Brasil. O tempo todo ele tentou achar o menor motivo que fosse para nos barrar. Felizmente estávamos totalmente preparados, munidos com todos os documentos e comprovantes, mas tínhamos, admito, uma estória estranha. Ele fez uma observação em caneta em nossos vistos - tempos depois, descobri que quando isso acontece, é um código para que outras autoridades fiquem espertas quando e se nos abordarem, ou seja, é um "eu já desconfiava que esse indivíduo poderia nos trazer problemas".


Algum tempo depois que comprei as passagens, com a chegada prevista para a véspera do Burr Fest, foi anunciada uma pre-party na véspera do evento, ou seja, no dia em que chegamos. Toda a demora na alfândega e no deslocamento do aeroporto de Heathrow para o centro de Londres deixou nosso tempo escasso. Ainda não sabíamos nos locomover direito pela cidade, então optei pelo táxi. A corrida custou 40 libras, espantosos R$200,00. Primeira lição aprendida: não utilize táxi em Londres, a menos que seja absolutamente necessário, pois é caro pra cacete. Chegamos ao Cart & Horses e, uau! Eu mal podia acreditar que estava lá. 

Cart & Horses, o lendário pub onde o Iron Maiden fez o primeiro show da carreira

Esgotado após tantas horas de viagem, fui apenas porque provavelmente seria a única oportunidade de conhecer Bob Sawyer. Sua banda Firebird Seven era uma das atrações daquela noite. Mal cheguei e já o encontrei. Não sei se ele me reconheceu, já que somos amigos no Facebook.

Bob Sawyer, guitarrista do Iron Maiden na formação de 1977 

Um dos donos da gravadora responsável pela organização do Burr Fest, Erwin Lucas, estava lá e me reconheceu. Ele disse que o ex guitarrista do Iron Maiden, Terry Wapram, também estava lá, então me levou até ele, nos apresentou, e já aproveitei para tirar uma foto com ele. Embora o pub fosse minúsculo, eu ainda não havia visto Wapram mas, por outro lado, acabara de chegar

Erwin Lucas, um dos sócios da WatchOut Records, gravadora responsável pela realização do Burr Fest
Terry Wapram, guitarrista do Iron Maiden em 1978

Naquela noite, conheci outro amigo do Facebook, Mike Chudleigh, que nos dias que se seguiram me ajudou a conhecer outros ex integrantes do Iron Maiden. Naquela noite eu não assisti aos shows, apenas tirei algumas fotos do pub e com os ex integrantes, e retornei ao hotel para descansar, pois os próximos dias prometiam ser exaustivos.

Mike Chudleigh. Em 2019, ele foi o responsável pela organização do show com Paul Day em Londres

No dia seguinte, fui ao Burr Fest, onde conheci Tony Moore, Doug Sampson, Terry Rance, e reencontrei Terry Wapram que, quando me viu, veio trocar ideia. Todos são muito simpáticos e acessíveis. Além disso, conheci Mimi Highfield-Burr, viúva do Clive Burr. Ela foi extremamente simpática e falou comigo como se eu fosse um velho amigo. Se emocionou ao saber que vim de tão longe apenas para prestigiar o festival que homenageia seu marido. Também conheci Steve 'Loopy' Newhouse, roadie e técnico de bateria do Iron Maiden de 1978 a 1985.

Nightclub Kolis, local da segunda edição do Burr Fest, em 2018
Tony Moore foi o único tecladista a constar em uma formação oficial do Iron Maiden, em 1977
Doug Sampson foi baterista do Iron Maiden entre 1978 e 1979. Participou das gravações de The Soundhouse Tapes 
Terry Rance foi guitarrista da formação original do Iron Maiden, entre 1975 e 1976
Mimi Highfield-Burr é a viúva de Clive Burr
Steve 'Loopy' Newhouse, roadie e técnico de bateria do Iron Maiden de 1978 a 1985

Além disso, aproveitei para tirar fotos com os integrantes do Buffalo Fish (banda de Terry Wapram), Airforce (banda de Doug Sampson) e com os integrantes originais do Gypsy's Kiss. Paull Sears, o baterista, é meu amigo no Facebook, e ficou surpreso. Ao me ver, conseguiu dizer "Adriano Ribeiro, from Brazil". Ah, admirável mundo novo, onde coisas surreais podem acontecer: os músicos que reconhecem os fãs, não o contrário.

Ysabella estava comigo mas, como eu estava entre amigos que se esforçavam em me entender, e me ajudavam a tirar as fotos (Andy e Mike, inclusive, iam ao fumódromo do lugar me chamar quando algum ex integrante do Iron Maiden aparecia), achei desnecessário que ela ficasse até o final, pois ela queria sair para se encontrar com um inglês que conheceu no Tinder.

Rob Stitch, vocalista e guitarrista do Buffalo Fish. Só depois percebi que a foto não ficou nítida
Dwight W, baixista do Buffalo Fish. Gente finíssima!
Pete A, baterista do Buffalo Fish

Acredite se quiser, levei naba do vocalista do Airforce, Dilian Arnaudov. Eu o abordei e pedi para que autografasse uma foto da banda, ele autografou. Pedi para tirar uma foto com ele, ele aceitou. Como eu estava com muitas coisas nas mãos, pedi licença, as coloquei em algum lugar e retornei para tirarmos a foto. Ele já não estava mais lá. Não sei se não entendeu, não sei se foi antipático mas, de qualquer forma, não o abordei novamente.

Chop Pit, guitarrista do Airforce
Tony Hatton, baixista do Airforce
Ao fim das apresentações, os organizadores discursaram, prometendo uma nova edição para o ano seguinte, 2019. Para minha surpresa, fui um dos nomes citados nos agradecimentos. Acho que Erwin e Andy não esperavam que alguém viesse de outro continente, mas quando o trabalho é bem feito merece ser prestigiado.

Uma curiosidade: enquanto os shows rolavam no Burr Fest, houve um momento em que eu estava no fumódromo e recebi uma mensagem no Messenger. Era a Arianne, dizendo algo como "O Facebook está muito chato, só não excluo minha conta por causa dos seus posts". Respondi dizendo que a gente sairia quando eu voltasse ao Brasil. A reação inicial dela foi negativa mas, quando voltei, realmente saímos, e estamos juntos até hoje. Foi assim que tudo começou.

Devido a limitações do Blogger, fui obrigado a dividir, colocando o texto sobre o Gypsy's Kiss na terceira parte deste texto. Clique aqui para ler.