quarta-feira, 14 de março de 2012

Air Supply

Quando o Air Supply anunciou um show em São Paulo para o começo de 2012, não me animei muito. Sheila, pelo contrário, queria ver o show e fazer o corre. Ok, o problema é que eu não tinha muita ideia de em que hotel a banda ficaria. O jeito foi ir ao show, que aconteceu no HSBC (hoje Tom Brasil), e tentar arrumar uma maneira de seguir a van depois, possivelmente de táxi. 

Até que foi legal, embora não seja o tipo de música que eu escute no dia a dia. Teve até uma música que eu sabia cantar, "The Power Of Love". Seria uma pena se eu tivesse cantado "Como eu Deusa", deixando a Sheila puta da cara, não?! 😆

Quando terminou encontrei, sem querer, com Breno, um então amigo com quem já tinha feito alguns corres antes. Ele estava acompanhado de Raphael, que tinha carro e estava disposto a seguir também. Quando a van com os músicos deixou o local, foi uma perseguição relativamente rápida, pois em pouco tempo chegamos ao hotel, Blue Tree Premium Verbo Divino. No caminho, percebemos que ninguém era capaz de diferenciar quem era Graham Russell e quem era Russell Hitchcock, então combinamos que, se fosse preciso, chamaríamos ambos de Mr. Russell 😆😆😆

Os músicos desembarcaram e eu, Sheila e Breno nos apressamos para aborda-los, enquanto Raphael estacionava o carro para poder tentar também. Mas não foi necessário, pois um outro casal de fãs teve a mesma ideia. Eles tiravam fotos, conversavam, tiravam mais fotos, conversavam... E a gente ali, de saco cheio com aquele lenga-lenga. A Sheila estressou e deu um esporro no casal, que simplesmente não parava de "alugar" os músicos.

Quando enfim tivemos nossa vez, Graham comentou sobre minha camiseta do Dio, dizendo que era fã, e que foi uma pena seu falecimento. Fiquei completamente surpreso em saber que ele conhecia o trabalho de Dio, pois são músicos de estilos totalmente diferentes, mas sem problemas, eu também sou fã de metal e os estava abordando...


Na época, não havia ônibus noturnos. Se alguém estava na rua após a meia noite, ficava quase sem opções para retornar para casa até pelo menos às 04:00 hs. Sobrava os táxis, mas era uma opção cara. Como esse horário já fora ultrapassado, Raphael gentilmente nos ofereceu uma carona, mas era algo que não fazia sentido, ao menos para ele, pois ele morava em Santo André e, nós, na zona oeste. Ainda assim, ele insistiu e aceitamos.

No caminho, reparamos que Breno tratou mal o Raphael por todo o percurso. Nos oferecemos para deixar uma grana com Raphael, pelo menos para cobrir o custo da gasolina, mas Breno disse que não precisava. Deixamos R$50,00 ainda assim. Eu e Sheila já desconfiávamos do mau-caratismo de Breno, pois tivemos alguns problemas em corres anteriores, como no do Blue Oyster Cult, mas ainda não estávamos plenamente convencidos. Naquela noite vimos que ele realmente não é uma boa pessoa. Ainda assim, a amizade durou mais alguns meses, até que eu resolvesse corta-la de vez. Sou amigo de Raphael até hoje.

domingo, 4 de março de 2012

Hail!

Era pra ser apenas o corre de uma superbanda, mas logo que chegamos ao Blackmore, encontramos Jonas, com quem eu e Sheila não tínhamos ideia desde o corre do Twisted Sister, quando, na esperança de ser o primeiro a ser atendido pelo facílimo e amigável A.J. Pero, “voou em cima dele”, quase derrubando Sheila, que estava com o tornozelo imobilizado.

Infelizmente demos ouvidos ao que tinha a dizer. É claro, desculpou-se pelo ocorrido, não apenas na ocasião citada, como também quanto ao que aconteceu em outros corres, como, por exemplo, quando foi posto para fora do Skye, carregado por seguranças, berrando e balançando os pezinhos no ar, no dia do Aerosmith. Usou o mesmo lenga-lenga de sempre, “a banda vai, os amigos ficam”, e prometeu tentar não agir mais assim. Infelizmente demos um voto de confiança, tão pleno, que fiz com ele quase todos os corres de 2012. Depois, o rompimento foi definitivo.

O lado bom é que antes achávamos que ele era idiota, agora temos certeza. Entre outras mancadas, em 2016, foi bêbado ao hotel do Testament e incomodou hóspedes, fazendo com que um hotel que sempre fosse fácil adotasse políticas anti-fãs. No mesmo 2016, puxou o cabelo de Steven Tyler, como uma menininha, foi ridículo! Em 2017, seu auge, conseguiu foder com o corre do Ace Frehley, apenas para conseguir uma FOTASSA. Eu tenho pouquíssimos arrependimentos, mas com certeza, se pudesse repensar uma decisão, não teria falado com ele nesse dia.

Sobre o corre: todos atenderam quando a banda chegou ao Blackmore, mas não atenderam a todos. Além de mim, Sheila e Jonas, também estavam Felipe Godoy, Rita, Arthur e o Mestre. Sete pessoas, não era muito. Enquanto abordamos Tim "Ripper", o mestre abordou Paul Bostaph. Depois, abordamos Andreas Kisser e James Lomenzo, mas Bostaph não esperou e entrou. Como sempre, queríamos a banda completa, seria terrível perder alguém que, por ser apenas ex Slayer, poderia não retornar - não tínhamos como saber que ele retornaria à banda no ano seguinte.

Tim "Ripper" Owens, ex vocalista do Judas Priest, do Iced Earth e de Yngwie Malmsteen
James Lomenzo, ex baixista do Megadeth
Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, era o único que eu já conhecia pessoalmente

Dessa forma, como todos estávamos sem dinheiro para ir ao show, o jeito foi caminhar até o shopping Ibirapuera, próximo ao local, e enrolar até a hora em que estivesse acabando. Nesse dia, eu e Sheila também nos tornamos um pouco mais próximos do casal Felipe Godoy e Rita.

Godoy revelou um grande segredo: ele retirou seu inseparável boné exibindo uma assustadora calvície, em contraste total ao seu longo rabo de cavalo. Era cabeludo e careca ao mesmo tempo. Felipe faleceu 2 anos e meio depois, aos 34 anos, vítima de infecção hospitalar. Essa foi uma grande tarde com ele, que jamais será esquecida.

Quando retornamos, esperamos ainda um bom tempo depois que o show terminou para que Bostaph saísse do local. Ao menos, quando saiu, nos atendeu sem problemas. Também conseguimos um bônus, o guitarrista Sílvio Golfetti, ex Korzus.

Paul Bostaph, baterista do Slayer no passado e no futuro dessa foto
Sílvio Golfetti, guitarrista fundador do Korzus

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Blue Öyster Cult

O que mais nos interessou quando o show do Blue Öyster Cult foi anunciado em São Paulo nem foi a banda propriamente dita, mas a presença do ex baixista do Quiet Riot, Rudy Sarzo. Rudy passou pela banda em quatro oportunidades, entre 1978 e 1979, 1982 a 1985, 1987 e de 1997 a 2003.

Na noite anterior ao show, eu e Sheila fomos ao Blue Tree Morumbi, onde nos encontramos com Breno. Foi quando começamos a perceber quem ele era de verdade. Toda a banda estava no hotel, menos Rudy, que tinha ido dar uma entrevista na rádio, se não me engano, na Kiss FM. Conseguimos todas as fotos, fácil, menos com o baterista, Jules Radino. Breno nos disse que, pouco antes de chegarmos, ele abordou Jules, que foi completamente grosso. Por isso, propôs que ninguém pedisse foto para ele. Meio a contragosto, aceitamos. Queríamos fechar a banda como sempre, mas pareceu ok nos solidarizar, se ele realmente foi tratado assim.

Houve uma hora em que estávamos todos sentados em um sofá, aguardando pela chegada de Rudy, quando Jules sentou-se na poltrona em frente e puxou papo conosco. Queria saber onde havia um bar de samba, para que ele pudesse ir. Respondemos que aqui é São Paulo, não é como no Rio de Janeiro, onde há samba em cada esquina; que aqui até tem samba, mas são eventos isolados, e que seria difícil saber onde haveria um naquela noite, era plena quinta-feira.

A conversa se estendeu por pelo menos meia hora, e ele mostrou-se muito gente boa, mas estávamos irredutíveis em não pedir para tirar fotos com ele. O problema é que, no dia seguinte, o moleque e vagabundo do Breno voltou ao hotel e tirou fotos novamente com todos, incluindo Jules. Ou seja: perdemos uma foto para ajuda-lo, e ele deu uma mancada dessas... A banda nunca retornou ao Brasil para que eu pudesse consertar esse erro.

Eric Bloom, vocalista e guitarrista do Blue Öyster Cult
Donald "Buck Dharma" Roeser, guitarrista do Blue Öyster Cult
Richie Castellano, tecladista e guitarrista do Blue Öyster Cult
Rudy Sarzo, baixista do Blue Öyster Cult de 2007 a 2012



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Within Temptation

Você pode não acreditar, mas esse foi um dos corres mais aguardados da minha vida. Sempre tive uma paixão platônica por Sharon Den Adel. Lógico que sei que ela é casada, mãe de três filhos, mas e daí, eu também era casado, é apenas admiração de fã. Mesmo se fôssemos solteiros, eu jamais tentaria nada, pois sei me colocar no meu lugar.

No dia em que a banda desembarcou no Brasil, lá estava eu e Sheila no aeroporto, assim como alguns outros fãs e hunters. Nunca tínhamos visto o segurança que foi recepcionar a banda, mas ele veio falar conosco pouco antes dos músicos desembarcarem: "é o mesmo grupo de sempre, sei que vocês são de boa. Eu não vou atrapalhar se a banda quiser atender". A partir de então, ele tornou-se meu amigo, a ponto de me convidar para seu casamento anos mais tarde. Ele sempre deixou claro que jamais me passaria qualquer tipo de informação, mas também jamais atrapalharia se os músicos quisessem atender.

Meu plano era abordar os músicos primeiro, pois todos os fãs se concentrariam em Sharon. Depois, quando já tivéssemos foto com todos, tentaríamos com ela também. O problema é que simplesmente paralisei quando vi aquela deusa na minha frente. Eu só tremi em frente a um artista 4 vezes: com Steve Harris, Paul McCartney, John Travolta e... Sharon Den Adel.


O plano falhou completamente: ao invés de abordar os outros músicos, fiquei olhando Sharon atender os outros fãs. Tava bobão, aéreo mesmo, era como se estivesse na frente de uma deusa. Não gostei da foto que tirei com ela, eu estava com cara de medo. Quando fui tentar os outros músicos, todos já estavam na van, exceto o gente-finíssima baixista Jeroen van Veen.

Sharon den Adel, vocalista do Within Temptation
Jeroen van Veen, baixista do Within Temptation

Como Leo não conseguiu foto com todos também, decidimos ir ao Espaço Victory, onde aconteceria o show, já que não tínhamos a menor ideia de em qual hotel a banda estaria. A ideia era seguir a van para o hotel depois da passagem de som. Quando a van saiu, se inciou uma longa perseguição. Seguimos da estação Carrão ao Anhangabaú. De repente, sem mais nem menos, o motorista estacionou na rua Alvaro de Carvalho, desceu e caminhou para longe. Eu e Leo ficamos com aquela cara de "wtf?!", então resolvemos tentar ver através dos vidros escurecidos da van se havia algum papel ou alguma coisa que nos indicasse o hotel.

Estávamos de cara colada nos vidros da van, quando fomos surpreendidos por um senhor, que disse: "vocês estão procurando pelo motorista dessa van?". Respondemos "sim", e ele nos disse que ele tinha ido a um hotel ali perto - e apontou para o Braston da Martins Fontes. Simplesmente não acreditávamos na sorte que tivemos, então fomos rapidamente para lá. Mal entramos e já vimos que Martijn Spierenburg estava sentado em uma das mesas do restaurante, tomando um café, mas não o incomodamos.

Quando os outros músicos começaram a descer para ir à passagem de som, fomos conseguindo as fotos que faltavam. Era fevereiro, então um bloquinho descia a rua ao som de marchinhas de carnaval. Sharon ficou encantada e começou a dançar ali, na nossa frente. Mágico, surreal... Paralisei de novo, nem pedi outra foto para ela.

Mike Coolen, baterista do Within Temptation
Stefan Helleblad, guitarrista do Within Temptation 
Ruud Jolie, guitarrista do Within Temptation
Martijn Spierenburg, tecladista do Within Temptation

Quando a van partiu, retornamos ao carro e voltamos para o Carrão, para assistir ao show. Antes de começar, houve o meet & greet para os sorteados em uma promoção - eu não me inscrevo nessas porcarias, seria tirar a chance de alguém que não tem as mesmas habilidades que eu. Foi a coisa mais ridícula e deprimente que já vi. Fotos individuais? Autógrafos? Interação com a banda? Que nada, foi uma foto coletiva e olhe lá. O tempo total do meet foi de inacreditáveis 38 segundos!!!!



Decepcionada, Jess me perguntou onde a banda estava. Eu falei, mas disse para ela guardar a informação para ela e no máximo mais um amigo. Eu não retornaria para o hotel depois do show, pois já tinha conseguido o que queria, mas ainda assim não gosto de bagunça. Não tem porquê levar um batalhão para encher o saco da banda. Todos querem tirar fotos, mas cada um que se vire e consiga sua própria informação, né não?! Fiquei muito puto quando soube mais tarde que mais de 50 fãs apareceram no hotel. Ela começava a se queimar comigo...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Eluveitie

Eu, Arthur e Laari nos encontramos e fomos para o hotel Apolo, onde estava hospedado o Eluveitie. Conforme os integrantes desciam para ir ao show, fazíamos a abordagem e as fotos aconteciam, sem problema nenhum. O curioso foi que, enquanto tirávamos fotos com os músicos em frente ao hotel - localizado em uma região dominada pelos crackudos, principalmente após o anoitecer - um mendigo passou e pediu esmola para Patrick Kistler, mais conhecido como Päde, que é claro, não entendeu nada. Isso irritou o andarilho, que começou a insistir, argumentando para tentar ganhar algum trocado. Falamos para ele sair fora, porque Päde não entende português, mas pouco adiantou, ficou por perto xingando e resmungando.

Fico pensando o que passa na cabeça de um produtor para deixar uma banda nessa região, ainda mais essa, com duas mulheres. É perto da Galeria do Rock, basta uma pequena caminhada. Mas o que custa deixar em um bairro melhorzinho, sei lá, mais próximo da avenida Paulista?! Não, tem que deixar quase na crackolândia. E se um músico resolve sair para passear, ainda mais após o anoitecer, é esse o Brasil que queremos que ele veja?! Ainda mais suíços, que vem de um país tão certinho e sem problemas, se comparado com o nosso. Que choque de realidade! Felizmente, desse tempo para cá, a banda subiu de série, ao tornar-se mais conhecida e atrair mais fãs para os shows, então passou a ser hospedada em hotéis e regiões melhores.

Nesse dia, admito, eu mal conhecia o som da banda. Fui apenas por insistência da Laari, que abordou os integrantes no ano anterior, quando vieram ao Brasil pela primeira vez, e contou que foram amigáveis demais, especialmente Anna Murphy e Meri Tadić. Desse dia em diante, me aprofundei no som, passei a conhecer as músicas e os álbuns, e o Eluveitie tornou-se uma das minhas bandas prediletas.

Admito que tinha um pouco de preconceito: como uma banda poderia tocar metal com flautas, mandola, gaita, violão, harpa, violino, hurdy-gurdy e outros instrumentos pouco convencionais ao estilo, no que parecia ser uma autêntica salada de frutas musical?! Quando deixei isso de lado, e passei a escutar, caralho, maluco! Que porrada na orelha! Adorei!

É curioso notar que, em uma banda com 8 integrantes, apenas 2 permanecem até hoje. Todos os demais foram saindo, um a um, até que em 2016 houve uma grande treta que cuminou na saída, ao mesmo tempo, de Merlin, Anna e Ivo. Os três montaram uma nova banda imediatamente. Eu achava que a saída de três integrantes tão antigos e importantes significaria o fim do Eluveitie, e que o Cellar Darling seria uma grande banda, mas foi exatamente o contrário. Chrigel conseguiu remontar e atualizar o som, enquanto o Cellar Darling lança músicas chatas e sem graça - em minha opinião.

Por falar em Ivo, ele foi o mala do dia. Ao descer, atendeu apenas Laari e já correu para a van. Realmente estava atrasado, o resto dos integrantes já o aguardava na van há vários minutos, mas quanto tempo ele perderia para tirar mais duas fotos? 10 segundos? Eu que não iria esperar até depois do show só para conseguir uma foto com ele, ficaria para quando a banda retornasse ao Brasil.

Chrigel Glanzmann é um músico completo com voz gutural. Toca mandola, tin whistle, flauta, gaita, violão, bodhrán e sitar
Kay Brem, baixista do Eluveitie
Merlin Sutter, baterista do Eluveitie. Saiu da banda em 2016
Patrick "Päde" Kistler tocava flautas e gaita de fole no Eluveitie. Saiu da banda em 2014
Anna Murphy, a voz feminina do Eluveitie, que também toca hurdy-gurdy. Saiu da banda em 2016
Meri Tadić, violinista do Eluveitie. Saiu da banda em 2013. Ela não é tão alta, estava em um degrau
Siméon Koch, guitarrista do Eluveitie. Saiu da banda ainda em 2012

sábado, 29 de outubro de 2011

Aerosmith

Após passar o dia todo no aeroporto, conseguir fotos com o Sirenia, e descobrir que o Aerosmith desembarcou no outro terminal, era hora de radicalizar. Eu e Sheila decidimos nos hospedar, mas com receio, já que poucos dias antes, Steven Tyler sofreu uma queda no banheiro, no Paraguai, o que obrigou o cancelamento do show no país, além da necessidade de reconstruir alguns dentes quebrados. Será que ele tiraria fotos com o rosto roxo e inchado? Teríamos que descobrir.

Fomos direto à recepção do Unique, onde, após o check-in, nos ofereceram champanhe de boas vindas. Uau! Já nos hospedamos em outros hotéis 5 estrelas antes, como Hilton, Hyatt e Tivoli, mas champanhe de boas vindas foi a primeira vez. A seguir, uma funcionária nos acompanhou até o quarto. Logo ao entrar no elevador, percebemos que era totalmente escuro com uma leve iluminação sobre nossas cabeças. Neon?! Não sei. Os corredores mantinham o mesmo estilo. Sinceramente, eu adorei!

Corredores do Hotel Unique. Imagem: reprodução da internet

De noite, decidimos jantar no Skye, um sofisticado restaurante contemporâneo e bar, localizado na cobertura do hotel, com piscina e vista panorâmica. Sabíamos que não seria barato, mas aquele era dia de aproveitar. Pizzas de 60 reais, imagina quanto valia isso em 2011. Não eram tão grandes, mas estavam absolutamente deliciosas.

Sheila: "A Brazuca", molho de tomate, mussarela e catupiry, carne seca desfiada, farofa de mandioca e queijo coalho
eu: "A Bacana", molho de tomate, mussarela e alho poró refogado, camarões, gengibre, gergelim e toque de queijo cheddar

Enquanto comíamos, Steven Tyler chegou, rodeado por alguns seguranças do hotel e o segurança brasileiro, Sombra. Ele sentou-se em um banco em volta de uma mesa próxima aonde estávamos. Não reagimos, continuamos a comer, apenas comentamos como aquele momento era surreal. Quando terminamos, partimos para a sobremesa.

Escolhi esse sorvete que veio em um formato meio esquisito e nem era tão bom assim
Sheila também quis sorvete, a escolha dela foi melhor que a minha

Após o jantar, permanecemos sentados, esperando por uma oportunidade para abordagem. Houve um momento em que Sheila precisou ir ao banheiro. Antes que ela retornasse, Steven Tyler também foi, acompanhado por um segurança do hotel. Eles se encontraram no corredor enquanto ele ia e ela retornava. Ela pediu para tirar uma foto com ele, que pegou a câmera da mão dela, fez uma selfie e devolveu.

Quando, bem mais tarde, Tyler tentou sair do local, nosso amigo curitibano Vergil, que também estava hospedado, levantou uma placa com os dizeres "Dream On a photo with Steven Tyler until my dream comes true...". Steven viu e resolveu atender, ele foi o primeiro a conseguir foto e autógrafos. O que se seguiu foi uma loucura: o bar estava infestado de fãs, todos esperando por uma oportunidade. Ele foi completamente cercado por muitos que não tinham a menor noção de civilidade ou respeito. Sozinho, Sombra não daria conta de todos. Solícito, Steven Tyler até tentou atender, mas estava uma zona generalizada.


Mas Sombra tinha um problema adicional: Jonas. Completamente descontrolado, ele se jogava em cima dos fãs, enquanto berrava "Sombra" diversas vezes. Revoltado com o que acontecia, Vergil pegou a caneta prata e rabiscou várias vezes a camisa branca de Jonas, que nem percebeu, pois se comportava como uma menininha na frente de todos.

Ele tanto fez, que foi retirado à força do local por dois seguranças do hotel. Um veio de um lado, outro veio de outro, e só o vimos berrando, sendo arrastado para longe, balançando as perninhas no ar. Mais um papelão de nosso "amigo" desequilibrado. Sem Jonas, Sombra conseguiu colocar seu cliente em segurança, conduzindo-o ao elevador. Naquela noite, nada mais aconteceu.

Na manhã seguinte, acordamos cedo. Após o café, descemos ao hall, onde estava Deca e uma amiga, que decidiram se hospedar nesse segundo dia. Eu e Sheila não renovaríamos nossa estadia, mas sabíamos que não teríamos hora para sair. No começo da tarde, Tom Hamilton apareceu, acompanhado por um segurança. Ele nos atendeu e saiu para atender o pessoal que o aguardava fora do hotel.

Tom Hamilton, baixista do Aerosmith

Após retornar com Tom Hamilton, o segurança trouxe, um pouco mais tarde, o baterista Joey Kramer, que fez o mesmo. Mas foi só, nem sinal dos outros integrantes. Depois de certo horário, sabíamos que a banda já deveria estar no estádio, e somente então conseguimos relaxar.

Tantos anos tirando fotos e eu nunca aprendo a fazer uma cara boa

Após o show, Tyler apareceu mais uma vez no Skye, mas os fãs estavam bem mais tranquilos que na noite anterior. Todos se organizaram em uma fila e a coisa rolou. Quando chegou minha vez, eu quis fazer tudo o mais rápido possível, pois havia muitas pessoas na fila, e eu queria que todas fossem atendidas. Então, após a foto, saí rapidamente, mas Tyler correu até mim e disse algo que não consegui compreender. Jamais saberei o que ele tentou dizer, nem porque foi tão importante interromper o atendimento para me falar o que quer que fosse. Quando retornou para atender quem faltava, eu e Sheila fomos para o quarto, era hora de dormir.

Tyler estava nem aí com o olho roxo e tirou fotos com todo mundo

Sombra, o segurança, era meu amigo no Facebook - na vida real também, mas isso é outra estória. Ele postou essa estória incrível:

"Por volta das 02:00 hs, começou a chover. Me aproximei da janela do Skye e percebi que haviam alguns fãs na rua, debaixo de chuva, na esperança de que algo ainda acontecesse. Eu contei para Steven Tyler, que imediatamente fez questão de descer. Ele ordenou que colocássemos todos os fãs dentro do hotel e atendeu a todos. Depois disse a eles "agora que eu atendi vocês, por favor, saiam da chuva e vão para suas casas". Isso me emocionou, nunca trabalhei com um artista que tivesse tanto respeito pelos seus fãs."

Vergil também contou essa estória, disse que quando chegou do show - já que estava hospedado - viu Tyler no saguão atendendo a todos, e não era má ideia tirar mais uma foto. A diferença é que não foi algo rápido, Tyler fez questão de conversar com todos e, inclusive, lembrou-se que Vergil era o cara da placa, da noite anterior. Depois, certificou-se que todos foram atendidos, se despediu e falou para todos se cuidarem, pois realmente estava começando a chover. No dia seguinte, antes da banda partir para o aeroporto, havia umas 70 pessoas do lado de fora do hotel, ele atendeu todo mundo. Quase todos os músicos atenderam, exceto Brad.

Faltam as assinaturas de Brad e Joe

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Saxon

Na primeira vez que tentei conhecer os integrantes do Saxon, fomos ao hotel errado. Após esperar por algum tempo, surgiu a informação de que a banda estava em outro hotel, então seguimos para lá. Quando a banda retornou do jantar, conseguimos abordar apenas três integrantes. Não lembro se os outros subiram para seus quartos sem nos atender ou não foram jantar mas, enfim, só conseguimos abordar Biff Byford, Doug Scarratt e Nigel Glockler.

Todos foram legais, mas Biff estava muito, muito doido. Ele perguntou quantos fãs éramos ali, no hotel, quando respondemos "8", ele disse que éramos todos convidados dele para o show, que bastava dar uma lista com os nomes que entraríamos na pista vip. Exceto as groupies, Sheila era a única mulher na ocasião, então tirou um papel da bolsa, fizemos a lista e entregamos para ele, que seguiu para o merecido descanso. Doug também se despediu e subiu.

Nigel, por sua vez, estava com Yolanda e queria comprar preservativos. Foi uma cena muito engraçada: os dois bêbados, quase que entrelaçando pernas, tentando se manter de pé, caminhando para a farmácia, que ficava a umas duas quadras de distância. 

Biff Byford, vocalista do Saxon
Doug Scarratt, guitarrista do Saxon
Nigel Glockler, baterista do Saxon

No dia seguinte, eu e Sheila decidimos primeiro ir ao show, depois ir ao hotel para tentar as fotos que faltaram. Por sua vez, alguns "amigos" que estavam conosco na noite anterior, resolveram retornar ao hotel de tarde. Um deles, Breno, nos disse depois que, quando encontrou Biff, perguntou se estava tudo ok com os nomes na lista. Confuso, Biff respondeu: "Lista?! Que lista?!". Ele estava tão louco que nem lembrava mais. Quando Breno explicou, Biff disse que não estava mais com o papel, e pediu para que ele fizesse uma nova lista. Ele fez, incluiu alguns nomes, e excluiu alguns, incluindo o meu e de Sheila. 

Quando chegamos para o show, fomos a um guichê especial, apenas para a retirada de ingressos para quem tinha nome na lista. Ficamos surpresos em saber que nosso nome não constava na relação. Explicamos a estória para a mulher que nos atendeu, e ela foi compreensiva. Disse que não poderia fazer nada, mas também disse que havia muitas pessoas que não haviam retirado os ingressos, acrescentando que se ao menos duas não os retirassem, ela permitiria nossa entrada. Foi o que aconteceu.


Aquele foi um show no mínimo inusitado: só tinha a galera do corre na pista VIP. Eu, Sheila, Breno, Leo, o Mestre, Kevin e nem me lembro mais quem. Sacrificamos a última música - justo a que eu mais queria assistir, Power & the Glory - para assegurar que chegaríamos ao hotel antes da banda.

Quando o show terminou, não apenas a galera do corre, muitos fãs foram ao hotel. Muitos mesmo. Sorte que o Saxon é uma banda cujos integrantes são todos legais. Apesar do elevado número de pessoas, a banda atendeu a todos.

Nibbs Carter, baixista do Saxon
Paul Quinn, guitarrista do Saxon