sexta-feira, 16 de julho de 2021

Jeff Scott Soto

Com a pandemia ainda fora de controle, o Manifesto Bar anunciou o primeiro show internacional no Brasil desde março de 2020: o vocalista americano Jeff Scott Soto, conhecido por seus trabalhos em bandas como Yngwie Malmsteen, Talisman, Axel Rudi Pell, W.E.T., Sons of Apollo, entre outras. Diz a lenda que ele abriu mão do cachê para as duas apresentações que faria no local, a primeira com uma compilação dos principais sucessos de sua carreira, e a segunda tocando músicas em homenagem ao Queen.

Por incrível que pareça, Carlos e Jessica não se animaram nada com esse corre. Ok, todos já tínhamos fotos com Jeff, mas fiquei surpreso, pois eles diziam que após a pandemia "tirariam foto até mesmo com o campeão do torneio de botcha" (numa alusão de que não importava qual fosse o corre, eles estariam). Mas não foi bem assim. Ok, se eu realmente quisesse, teria que me virar sozinho. Ou com Anebelle...

Com a aproximação dos shows, fiquei atento ao Instagram. Fiquei feliz ao constatar que Jeff aparentemente não é pandêmico, ou seja, provavelmente foto sem máscara rolaria numa boa, já que na Rússia estava atendendo aos fãs assim, além de frequentar lugares públicos despreocupadamente, sempre sem o acessório. Eu já tinha 3 fotos boas com ele antes da pandemia começar, então só valeria a pena se rolasse foto sem máscara.

Por mais que seja várzea (ou seja, fácil demais), a saudade de voltar a tirar uma foto com um artista internacional era grande. No entanto, esse corre era muito mais interessante para Anebelle, que ainda não tinha foto com ele. Como ela estava me ajudando com os corres do Palmeiras, ainda que do jeito doido dela, pareceu justo ajuda-la a conseguir uma foto com o Jeff. Mas, claro, ela também queria sem máscara.
No domingo anterior aos shows no Brasil, Jeff postou uma mensagem agradecendo e despedindo-se de São Petersburgo. Não me preocupei, pois não tinha a ideia de ir ao aeroporto para conseguir essa foto logo na chegada ao país, porém rapidamente concluí que ele teria que ir para Moscou, distante algumas centenas de quilômetros de onde estava, e que lá haveria voo para o Brasil - com conexão em Paris - somente no dia seguinte, chegando aqui na terça-feira. Fiquei surpreso quando, na segunda-feira, ele postou uma foto pandêmica com a banda - formada por músicos brasileiros - no terminal 3 do aeroporto de Guarulhos. Já estavam em São Paulo, passariam a semana toda aqui. Afinal, o que vieram fazer com tanto tempo de antecedência?

Também imaginei que durante a estadia ele ou algum dos músicos acabasse postando algo que nos levasse a concluir em que hotel ele estava - embora tivéssemos algumas suspeitas - mas isso não aconteceu. Na terça feira, a banda reuniu-se em um estúdio para ensaiar. Na quarta, já estava em outro local, gravando um clipe de vídeo. Não consegui identificar o estúdio a tempo, mas obtive a localização onde o clipe foi gravado.

Jeff e meu ex vizinho Rudney
Após o dia de gravações, Jeff, banda e equipe decidiram dar uma esticada no The Metal Bar. Esse bar tem como proprietário (ou como um dos proprietários) um ex vizinho de infância. Eu e Rudney éramos crianças, depois adolescentes, quando morávamos no mesmo prédio em Higienópolis. Com o surgimento do Orkut, voltamos a manter contato. Nos encontramos algumas vezes, como no show do Symfonia em 2011 ou no Viper Day em 2015. Em 2020, ele comprou alguns autógrafos de minha coleção pessoal para usar na decoração do bar, mais ou menos na época em que estourou a pandemia de COVID.

Se ele tivesse avisado que tinha uma visita ilustre, eu teria dado uma passada lá. Sem problemas, provavelmente nem se lembrou. O importante é que a foto aconteceu sem máscara. Provavelmente conseguiríamos também.

Como na quinta feira aparentemente a gravação do clipe continuou, Anebelle me convidou para dar uma passada no local. Fomos, mas nos demos mal, pois aparentemente se localiza dentro de um condomínio fechado, daqueles onde é necessário se identificar e obter autorização para entrar. Pura perda de tempo! Desistimos, mas tentaríamos no dia seguinte, na frente do Manifesto, logo que ele chegasse para passar o som.

Na sexta feira, chegamos no meio da tarde e não havia sinal algum de movimentação. Conforme os minutos se passavam, os músicos começaram a chegar, entrando rapidamente por uma porta que ficou estrategicamente destrancada. Não nos incomodamos, pois o foco era única e exclusivamente no Jeff que, claro, foi o último a chegar.

Mal o encontro aconteceu e Anebelle já começou com loucura: como ele desceu do carro usando máscara, rolou uma foto pandêmica. Ela então perguntou, em português, em qual hotel ele estava hospedado. Jeff, é claro, não entendeu nada e me olhou, como que esperando que eu traduzisse. Foi o que fiz, e ainda recebi uma resposta meio grossa, pois ele disse que hotel é como se fosse a casa dele, portanto não iria falar.

Nem tentei tirar uma foto também, pois não queria foto pandêmica. Tão logo Jeff entrou para a passagem de som, perguntei à maluca porquê diabos ela perguntou o hotel. "Porque eu queria uma foto sem máscara". Então porquê diabos não pediu para ele tirar a máscara?! Coisas de Anebelle, eu já deveria estar acostumado...

Era apenas 16:00hs, o show terminaria por volta das 23:00hs, mas ela queria ficar por perto para tentar novamente após o show. Perguntou se eu a acompanharia e respondi positivamente, desde que fôssemos comer alguma coisa. De carro, fomos ao McDonalds da Rua Henrique Schaumann. Após pegar nossos pedidos, subimos ao andar superior para comer. Quando terminamos, Anebelle desceu a escada, pisou em falso e torceu o pé. A coisa foi feia, acabamos parando em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) onde ela foi medicada. Porém, só foi liberada às 23:20hs. Apenas por desencargo de consciência retornamos ao Manifesto; eu realmente acreditava que o corre já estava perdido.

Quando chegamos, havia alguns fãs em frente, o que indicava que o show realmente havia terminado. No entanto, outros tantos saíam do local, o que provavelmente indicaria que Jeff ainda estava lá. Sem querer encontrei Luiz, um amigo de Facebook, que decidiu permanecer justamente para tentar tirar uma foto com ele e me confirmou que Jeff ainda se encontrava lá. Conversamos por alguns minutos, até que Jeff saiu de máscara e começou a atender todos que quisessem. Julguei que não tiraria a máscara ali, talvez fosse melhor segui-lo para o hotel. Anebelle concordou, correndo para o carro, pronta para iniciar a perseguição.

Após atender a todos, Jeff entrou no carro, onde os demais ocupantes já o esperavam. As portas se fecharam, o carro saiu. Anebelle, para variar, fez loucura: ao invés de fazer uma perseguição discreta, à distância, literalmente colou na traseira do carro. Se acelerava, ela acelerava. Se diminuia, ela diminuia. Se trocasse de faixa, ela trocava de faixa. Parecia um carrapato, e com certeza nada discreto.

Isso talvez fosse necessário se fosse com alguém muito raro, talvez Mick Jagger dos Rolling Stones. Pelo amor de Deus, era apenas Jeff Scott Soto, alguém que em tempos sem pandemia vem ao Brasil praticamente todos os anos, e que inclusive já tem show marcado para São Paulo em 2022, com o Sons of Apollo. Não precisava de maluquice para conseguir uma foto sem máscara com ele. Isso foi motivo de discussão: eu reclamando que ela deveria ser mais discreta, seguir mais à distância, e ela berrando que quem dirigia era ela e que eu deveria ficar quieto.

Foi quando aconteceu o grande momento da noite em minha opinião. O carro que levava Jeff virou na Avenida Faria Lima, sentido zona sul. Logo na quadra seguinte, havia uma blitz da lei seca. O carro de Jeff passou sem problemas, mas um policial mandou Anebelle encostar. Ela começou a berrar "agora não! agora não!". À distância, um policial com uma lanterna sinalizava para ela avançar até ele, e já parecia ficar impaciente, pois ela permanecia parada, resmungando algo como "não é possível! hoje não!".

Sinceramente, achei que ela faria alguma besteira que nos levaria à cadeia ou à apreensão do veículo, como xingar o policial ou algo assim. Felizmente, ele quis apenas conferir a carteira de motorista e a liberou. Mas era tarde: o carro que perseguíamos já estava longe e foi impossível continuar. Sem outra saída, finalizamos.

Jeff com fã no Manifesto
Anebelle chorou e xingou por todo o caminho até minha casa. Nem parecia que tínhamos perdido apenas Jeff Scott Soto que, ainda por cima, se apresentaria novamente no mesmo local em apenas dois dias. Não tinha porque ser desequilibrada. Me lembrei imediatamente da Mel, minha falecida ex, o desequilíbrio era o mesmo. 

Em casa após um dia cansativo, nem demorei para pegar no sono. Quando acordei, conversei via Messenger com Luiz, o amigo que encontrei na noite anterior. Ele disse que Jeff perguntou a uma das meninas se queria que ele tirasse a máscara para a foto, mas ela respondeu que não era necessário. Se tivéssemos ficado, provavelmente teríamos conseguido a foto do jeito que Anebelle tanto queria. Além disso, ele se apresentou sem máscara (quem conhece o local sabe o quanto é pequeno e o quanto é impossível manter-se distante do público), além de tirar fotos sem máscara após o show, especialmente com mulheres.

No domingo, eu já estava quase saindo de casa quando um amigo, colecionador de autógrafos, Cris, me chamou no Messenger. Eu já havia oferecido a ele uma foto autografada pelo Jeff, mas ele não se interessou porque iria ao show e conseguiria por si mesmo. Entretanto, quando Jeff passou para atender os amigos que o acompanhavam, Cris tinha ido ao banheiro. Graças a eles, teve seus CDs autografados, mas queria ter conseguido ao menos um autógrafo com dedicatória "To Cris". Então, ele me chamou para perguntar se eu conseguiria uma foto autografada pelo Jeff. Se estivesse com dedicatória, ele compraria. Dinheiro extra é sempre bem vindo, especialmente nestes tempos pandêmicos, mas havia um problema: o local onde mando revelar as fotos não abre de domingo. Se ele tivesse pedido antes...

Em seguida, Alisson também me chamou no Messenger. Foi ele quem me avisou que aconteceria o show do Jeff mas, enfim, é meio enrolado. Disse que apareceria para o show de sexta-feira, mas ficou preso no trabalho e não tinha certeza nem ao menos se conseguiria ir domingo. Ao menos me deu a ideia de "revelar" a foto na Alphagraphics, uma franquia de gráficas que, por acaso, tem uma unidade na Avenida Faria Lima, poucas quadras distante do Manifesto, que que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Enviei um email para lá, expliquei o que precisava, e recebi a resposta rapidamente, dizendo que não trabalhavam com revelação de fotos, mas que seria possível fazer impressão da imagem em papel couchê. Ficaria mais caro do que eu pago normalmente e abaixo do padrão de qualidade que costumo utilizar, mas era o que dava para conseguir no domingão. Entrei em contato com Cris, combinamos o valor, e mandei fazer a foto. Restava então conseguir o rabisco.

Anebelle passou em casa, onde deixou o carro (ela estava com o pé machucado, lembra?). Fomos de Uber. Quase no destino, desembarquei para buscar a foto na Alphagraphics e a reencontrei em frente ao Manifesto. Alisson apareceu trazendo um amigo: "ele é porteiro do prédio onde moro e curte muito o trampo do Jeff Scott Soto. Quando comentei que seria possível tirar uma foto com o Jeff, perguntou se poderia me acompanhar". Sem problemas: em corres varzeanos, todos são bem vindos. Alisson, que não é pandêmico, estava o tempo todo sem máscara. No entanto, quando Jeff apareceu, colocou o acessório.

Foi a primeira vez que vi o Jeff chato. Atendeu, mas parecia de má vontade. Talvez tenha nos reconhecido de dois dias antes, mas pelo menos assinou a foto (oba! faturei!). Perguntei se seria possível abaixar a máscara para tirar uma foto com Anebelle. Ele respondeu que não faria isso por causa da pandemia. Sinceramente? Desta vez eu o achei um puta de um cuzão. Tirou fotos sem máscara na Rússia, várias no Brasil, cantou sem máscara em ambiente fechado etc etc etc, para agora dizer que não tiraria por causa da pandemia? Seja coerente pelo menos, ou tira com todo mundo com máscara, ou não tira com ningém. Acabei tirando uma foto pandêmica, assim como Anebelle, Alisson e o porteiro. A coisa foi tão broxante que nenhum de nós ficou para tentar novamente. Finalizamos ali.

Jeff Pandemic Soto

Jogadores do Palmeiras - Parte III

Durante o campeonato Paulista de 2021, com a pandemia de COVID-19 em pleno curso, foi estipulado pelo governador João Doria, em conjunto com a Federação Paulista de Futebol, um esquema de "bolha", onde os jogadores mantinham-se concentrados todo o tempo, saindo dos centros de treinamento apenas para jogar ou para algum outro compromisso relacionado ao futebol. A ideia era minimizar ao máximo qualquer contato com o mundo exterior, evitando a propagação do vírus.

Deve ter sido duro ser família de jogador nessa época, eles realmente não poderiam sair, era concentração em tempo integral. Por isso, ir ao CT para tentar conseguir fotos ou autógrafos era inútil, pois eles simplesmente não sairiam para nada, muito menos para nos atender. Sem ser capaz de entender que estávamos em uma pandemia, Anebelle às vezes me chamava para ir ao CT. Eu explicava porquê não iria, mas na semana seguinte ela me chamava novamente.

Porém, o tempo passou, o campeonato paulista terminou, a vacinação avançou e o esquema de bolha foi finalizado. No domingo, dia 11 de julho, a chamei para me acompanhar ao CT do Palmeiras e ajudar a conseguir os autógrafos que faltavam. Ela, no entanto, recusou veementemente. Sinceramente, fiquei puto.

Ela é do tipo que diz "eu vou em qualquer corre com você", mas quando a chamo para fazer algum durante a semana, ela, que está sempre ocupada em tarefas como levar a mãe idosa no médico, diz "de meio de semana é difícil, mas se me chamar no final de semana, eu irei". Desta vez, chamei num domingão, e levei um sonoro "não". Claro que isso tem a ver com a loucura dela, que enfim conseguiu entender que era impossível conseguir qualquer coisa lá. Ela é simplesmente incapaz de interpretar uma situação em tempo real. Ou pode para sempre, ou não pode para sempre, qualquer variante dá um tilt na cabeça dela.

Após explicar por diversas vezes durante a semana que agora poderíamos tentar novamente, pois o esquema de bolha terminou, consegui convence-la a me acompanhar ao CT. O treino começava às 11:00hs, nos encontramos por volta de meio dia. Os primeiros três ou quatro carros com jogadores não pararam. Não identifiquei quais eram, pois os vidros são completamente escurecidos. Mas isso foi suficiente para fazer Anebelle começar a resmungar: "to vendo que aqui será uma perda de tempo", "não vamos conseguir ninguém" e bla bla bla. Sinceramente, é um saco! Ela tem o dom de conseguir despertar meu mau humor.

Um pouco depois chegaram duas crianças, uma delas muito pequena, e eu sinceramente gostei, pois isso sempre ajuda. Depois descobri que uma das "crianças" tinha 20 anos. Fala sério, se eu tivesse que chutar, chutaria no máximo seis anos.

Apesar de ser um dos goleiros da seleção, e um dos dois únicos jogadores que são unaminidade no elenco - o outro é Gustavo Gomes - Weverton é humilde e foi o primeiro jogador a parar. Eu não tirei outra foto com ele, apenas coletei o autógrafo que não consegui na primeira vez que o vi. A doida, claro, tirou outra foto com ele. Se ainda fosse sem máscara, eu até entenderia, mas fazer coleção de fotos pandêmicas para que?


O segundo carro a parar trazia Wesley e Deyverson no banco de trás. Não reconheci o motorista, poderia ser algum jogador da base menos conhecido, alguém da comissão técnica, algum funcionário do Palmeiras, ou simplesmente o motorista de algum deles. Como em nosso primeiro encontro, Wesley foi bacana e não se importou em nos atender. Mais uma vez, não tirei uma segunda foto com ele, mas a doida sim.


Em seguida fui falar com Deyverson, que é simplesmente mega gente boa. Conversamos rapidamente, agradeci por ter retornado ao Palmeiras. Não que eu o considere um grande centroavante, muito pelo contrário, ele já perdeu gols que me irritaram demais. Mas com certeza é melhor que o "morto e sem vontade" Luiz Adriano, que não conseguia fazer gol nem mesmo de pênalti. Deyverson ao menos é palmeirense, tem vontade de jogar no Palmeiras e é raçudo. Mesmo sabendo que vou me irritar de vez em quando, eu estava verdadeiramente feliz de te-lo de volta no elenco, e de ter a oportunidade de conhece-lo. Até mesmo a doida disse que ele foi o mais legal que vimos naquele dia, e com razão.

Deyvin foi gente boa demais!

Enquanto eu era atendido pelo Deyverson, a doida me deixou na mão, pois mais um carro estava saindo. Ela tirou uma selfie com o jogador que estava nele, o terceiro goleiro Vinicius Silvestre. Mais uma vez me pergunto, para que, se ja tínhamos foto com ele? Uma fila de carros se formou e muitos jogadores saíram sem atender ninguém, mas eu entendo porquê. Naquele momento, se todos parassem, seria complicado, pois formaria um grande gargalo no portão, ninguém poderia entrar ou sair. Um dos jogadores que perdi com isso foi o monstruoso zagueiro Gustavo Gomes, de quem eu queria apenas o autógrafo. Que pena, isso significa que eu teria que retornar outro dia. Mas muitos jogadores sairiam ainda.

O primeiro foi o lateral esquerdo uruguaio Matias Viña. Como eu já tinha foto com ele, e não levei uma foto para ele autografar, deixei passar. A seguir, um dos que eu mais queria conhecer: Breno Lopes, o atacante responsável por fazer o gol na final contra o Santos, que nos deu a segunda Libertadores. Confesso que não o reconheci, mesmo sem máscara, achei que ele é um pouco diferente do que quando o vejo na TV. Talvez fosse o boné.; como já disse, sou péssimo fisionomista. Mas observei a tatuagem no pescoço e rapidamente comparei com a foto que levei, era ele mesmo. Também foi gente boa e assinou a melhor foto que levei para a ocasião, com a taça da Copa Libertadores. Mesmo que ele não faça mais nada enquanto jogue no Palmeiras, estará para sempre na história do clube.

FOTASSA! Mas quem liga!? Eu e o Breno Lopes, porra! Ele deu uma das maiores alegrias da minha vida!

O próximo a deixar o CT foi o zagueiro reserva Kuscevic. Na primeira vez que o encontrei, não consegui tirar uma foto, então aproveitei a oportunidade. Não levei nada para ele autografar.

O chileno Kuscevic

A seguir, Patrick de Paula. Ele foi totalmente diferente do que eu imaginava que seria. Foi atencioso, mas pareceu muito tímido, muito na dele. Eu o imaginava um pouco mais extrovertido, mas tudo bem. Consegui o autógrafo mas, para minha surpresa, não tirei foto. Quando cheguei em casa e fui checar as fotos, simplesmente não havia foto com ele. Que vacilo! E nem me lembro porque não tirei.


Porém sabendo quem foi o próximo, talvez se explique. Era um dos jogadores que eu mais queria conhecer: o habilidoso meia Raphael Veiga, quase craque. Quando o vi, exclamei "chegou o melhor meia do Brasil", que ele retriuiu com um sorrisão. Como todos, foi super gente boa. Pena que o autógrafo deu uma borrada de leve, mas também nada catastrófico.

Raphael Veiga! Orgulho de ver esse cara com a camisa do Palmeiras! Não perde um pênalti sequer!

Veio, então, o grande maestro do time no momento, o meia Gustavo Scarpa. Foi um dos mais quietos, mas como todos, assinou e tirou foto numa boa. 


O próximo carro a sair trazia o treinador de goleiros Rogerio Godoy, que fez questão de parar para nos avisar que não havia mais jogadores no local, somente o técnico Abel Ferreira ainda estava por lá. Isso foi um pouco frustrante, pois eu ainda tinha esperanças de ver Jaílson, William Bigode e Rony. Ele nos informou também que o carro do Abel é dourado. 

Se Weverton e Jaílson estão pegando até pensamento, a culpa é dele, o gente fina Rogerio Godoy

Enquanto eu e a doida discutíamos para ver se esperaríamos ou não, já que de lá seguiríamos do CT para o Manifesto Bar para ver o Jeff Scott Soto, eis que o portão abriu e um carro dourado veio em nossa direção. Para nossa surpresa, Abel desceu dele para nos atender - até hoje, foi o único que fez isso, o que fez com que as fotos ficassem bem melhores, apesar de também pandêmicas, já que todos estávamos de máscara. Eu comentei que o havia visto no dia anterior no aeroporto, mas acho que ele não ouviu, pois não respondeu. Mas não se importou em autografar e tirar outra foto. Fim de corre! Valeu muito a pena. Dos 12 autógrafos que eu pretendia conseguir, consegui 8. Adiantou bastante, agora faltava pouco, provavelmente eu conseguiria em apenas mais uma tentativa.

Após muitas tentativas falhas, finalmente consegui o autógrafo do Abel Ferreira, técnico campeão da Libertadores e da Copa do Brasil

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Abel Ferreira

Abel Ferreira residia no hotel do CT do Palmeiras e não saía após os treinamentos, então o jeito era tentar encontra-lo no aeroporto. Após a conquista da Copa do Brasil 2020, cuja final foi disputada em 2021, Abel anunciou, na coletiva de imprensa, que passaria alguns dias em Portugal para matar a saudade da família. Fui ao aeroporto duas vezes, mas não o encontrei. Em plena pandemia, a TAP nem ao menos estava operando no Brasil.

Não havia uma maneira simples de ir a Portugal já que as fronteiras estavam fechadas para viajantes brasileiros. Ele poderia entrar, pois é cidadão português, mas não havia voos. Para resolver a questão, a dona da Crefisa e da Faculdade das Americas - e futura presidente do Palmeiras - Leila Pereira cedeu gentilmente seu avião para que Abel voasse para Portugal.

Quando retornou, no campeonato Paulista também não rolou, porque a maioria das viagens é feita de ônibus devido às curtas distâncias. Minha única chance parecia ser este jogo da Libertadores da América, em Santiago, contra o Universidad Catolica. Eu teria que passar a madrugada no aeroporto, mas isso não era um problema, já que já fiz isso dezenas de vezes esperando bandas. A ideia não era conseguir somente Abel, mas também alguns jogadores.

Meia hora antes do desembarque, percebi que fiz a coisa certa, pois o ônibus do Palmeiras chegou e estacionou no terminal 3. O motorista já deixou os bagageiros abertos para que os jogadores tivessem onde colocar rapidamente as malas. Estava tudo pronto para acontecer.

Quando o desembarque começou a ocorrer... fudeu! Eles vinham da gelada Santiago, né?! Quase todos os jogadores usavam máscaras e toucas, era impossível reconhece-los. O único que estava sem touca era Felipe Melo, com quem eu já tinha foto. Além dele, consegui reconhecer somente Patrick de Paula e Deyverson. Este último já saiu falando ao celular, então não o incomodei. Abel também saiu sem touca, então o abordei e consegui a foto. Autógrafo não rolou, pois a caneta que levei abriu sem querer dentro da bolsa carteiro e secou a tinta.

Após diversas tentativas, finalmente conheci Abel Ferreira, que se tornaria o maior treinador da história do Palmeiras

Se fosse outra ocasião, sem pandemia, sem o Palmeiras chegar de um país gelado, esse corre seria um grande sucesso, eu teria conseguido abordar vários jogadores. Consegui apenas Abel e estava feliz pra caralho. Ele já era grande, com os títulos da Libertadores e da Copa do Brasil 2020.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

E o COVID enfim me pegou...

O terreno onde moro tem duas casas: a que eu moro, dos fundos, e a que meu pai morava, da frente. A casa principal é a dele, um sobrado com porão. Quando mudou para o Rio de Janeiro para ficar com a nova esposa, deixou a casa abandonada por quase um ano. Em novembro de 2020, veio rapidamente para fazer pequenas modificações que possibilitassem alugar a casa. Basicamente, colocou todas as coisas pessoais no porão, que passou a ficar trancado, e alugou apenas os outros dois andares. Apesar do quintal compartilhado, meu pai deixou claro que ele não fazia parte do aluguel. Eram apenas os dois andares - mobiliados - e a garagem. Em dezembro já havia um casal morando.

Em maio de 2021 os novos moradores desapareceram. A mulher que tem um bar em frente à casa principal avisou meu pai que um caminhão de mudança encostou e levou todas as coisas deles. Isso não seria problema se não tivessem firmado um contrato de 30 meses. No entanto, com apenas 5 meses, já estavam de mudança, praticamente em fuga. Levaram até mesmo a cama de um dos quartos.

Meu pai só deu sinal de vida no mês seguinte, quando apareceu em uma determinada manhã com a esposa, meu tio e três pedreiros - todos sem máscara. Eu, é claro, não uso máscara dentro de casa. E assim foi, interagimos todos sem máscara. A ideia era construir um muro que separasse o quintal em duas partes. Eu ficaria com metade e os novos inquilinos com outra. Não gostei muito da ideia, mas se isso fizesse meu pai retornar para o Rio mais rapidamente, que seja.

Na semana seguinte, tive sintomas que remetiam a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). É uma doença causada pelo cigarro que mistura bronquite com enfisema. Fumante há 37 anos, era de se esperar que um dia a conta chegasse, então considerei os sintomas totalmente naturais. Falta de ar, irritação na garganta, pigarro constante, tosse com secreção, chiado no peito... eu estava com tudo isso. Mas apenas isso, nenhum sintoma de COVID, como febre, perda de olfato e/ou paladar, etc.

Tudo começou ao tomar banho. Do nada, fiquei com a respiração super ofegante. A impressão que tive é que iria demaiar, mas consegui sair e me enfiar em frente ao ventilador, onde respirei por cerca de meia hora antes que a respiração voltasse ao normal. No dia seguinte, fui ao correio para postar algumas encomendas que vendi no Mercado Livre. Até lá é uma subida boa, então, preguiçoso, chamei um 99.

Foi só entrar no correio que tive uma falta de ar imensa. Eu simplesmente não conseguia ficar na agência com máscara. Saí, retirei a máscara, respirei um pouco, e consegui retornar para postar os objetos, mas foi difícil. O caminho para casa, que geralmente faço em 10 ou 15 minutos, foi tenso. Eu precisava parar para respirar a cada poste da rua. Tirava a máscara e ficava ali parado, totalmente ofegante. Demorei mais de uma hora para chegar em casa. Tive alguns outros episódios durante a semana, mas esses foram os piores.

Se tem uma coisa que não me descreve é hipocondríaco. Eu estava com um monte de sintomas, mas simplemente os aceitei. Nem passou pela minha cabeça de procurar um médico. Com a ajuda do Dr. Google, me diagnostiquei com DPOC e para mim estava bom assim. Não tenho plano de saúde, nem quero ter. Anebelle, por sua vez, passou a semana toda me convidando para fazer alguma coisa, mas eu sempre recusava, dizendo que não estava legal para sair.

Um dia a doida parou em frente de casa e ficou berrando - acho que ela não sabe para que serve a campainha. Fui atende-la, e ela disse que só sossegaria se eu fosse comer alguma coisa com ela. Contrariado, aceitei. Mas ela não me levou para comer, me levou direto a uma UBS - Unidade Básica de Saúde - o que achei totalmente desnecessário. Afinal, estava conformado com meu diagnóstico de DPOC.

Os médicos não queriam me atender - nem eu queria ser atendido - mas ela, grossa pra cacete, ficou ameaçando todo mundo, berrava que chamaria a polícia se não me atendessem. Até que, enfim, resolveram me atender. Pensei que confirmariam meu diagnóstico e me mandariam para casa.

Quando a médica chegou para me ver, perguntou o que estava sentindo, então respondi que estava com todos os sintomas de DPOC, e descrevi cada um deles. Ela mediu a pressão, que estava perigosamente alta - 20x13 - mas não era a primeira vez que isso acontecia, nem a era a primeira vez que tive falta de ar por causa disso. Ela me receitou uma porrada de remédios e pediu dois testes de COVID, um de sangue e um PCR, que fiz ali na hora. Achei que era excesso de zelo. Jamais passou pela minha cabeça que poderia ser COVID, até porque os únicos sintomas que eu tinha eram respiratórios. Porém, dois dias depois, a doença foi confirmada pelo PCR.


Não posso dizer que fiquei quieto em casa, pois continuava fazendo vendas no Mercado Livre e tinha que posta-las. O Mercado Livre não estaria nem aí se eu atrasasse por estar com COVID e eu não tinha ninguém que pudesse fazer isso por mim. Na medida do possível, evitava sair de casa. Nem retornei para fazer o exame de sangue. Segui o tratamento e os sintomas desapareceram. Após 10 dias, passei a retomar as atividades normais.

Apenas coincidência que os sintomas começaram na semana seguinte à aparição de meu pai em casa com um batalhão de gente sem máscara, né? Fiz tantos corres, tantas saídas nesse um ano e meio convivendo com a pandemia, mas tomando os devidos cuidados e sempre escapei ileso. Foi só meu pai aparecer que peguei essa porcaria...

sábado, 19 de junho de 2021

Kisser Clan

Um dos primeiros shows a acontecer no Brasil pandêmico pós COVID-19 foi do Kisser Clan, a banda de covers que o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, tem com o filho Yohan. Eu tirei um monte de fotos com Andreas Kisser na última década mas Anebelle, pra variar, não tinha nenhuma. 

Marcio e ela torraram a paciência para que eu os acompanhasse neste corre. Fui mais porque vendi uma foto autografada por Bruce Kullick para Marcio e aproveitaria para entrega-la e receber a grana, mas achava uma bobagem fazer o corre, porque Andreas obviamente estaria de máscara e certamente Anebelle encheria novamente quando a pandemia acabasse, para conseguir uma foto sem máscara.

Anebelle passou em casa e seguimos até a rua Teodoro Sampaio, onde encontramos com Marcio. De lá seguimos para a frente do Manifesto, onde aguardamos por cerca de uma hora. Marcio foi o primeiro a notar que os Kisser, pai e filho, caminhavam em nossa direção. Ele os abordou com Anebelle, enquanto eu ajustava a câmera para tirar as fotos. Já cheguei batendo fotos e depois bateram a minha.

Foto totalmente pandêmica com Andreas e Yohan Kisser

Enquanto retornávamos para o carro, os dois ficaram reclamando, alegando que Andreas foi chato. Não achei, mas também não acompanhei toda a ação, pois me aproximei somente depois da abordagem inicial. Mas ele parecia um pouco incomodado pelo fato de ser abordado em plena pandemia. Já Yohan não estava nem aí.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Dudu

Eu estava em casa sossegado, navegando a toa na internet, quando deparei-me com a notícia de que Dudu, nos stories do Instagram, postou uma imagem que anunciava sua vinda ao Brasil para curtir um período de férias, após ser eleito como o melhor jogador da Liga do Catar dos meses de fevereiro e março, pela entidade oficial que organiza o torneio. Imediatamente, a "coceira" começou e logo tomei a decisão: iria ao aeroporto para ve-lo, além de é claro, tentar conseguir um autógrafo e uma foto com ele, ainda que pandêmica (com máscara).

O tempo estava um pouco curto, já era 13:30hs, e o voo de Doha chegaria às 15:40hs. Pelo que consultei no site do aeroporto, o pouso estava confirmado para esse horário. A foto para ele autografar ainda não estava sequer montada. Apressadamente, busquei por uma imagem no Google, fiz a composição com a ajuda dos modelos para Photoshop que tenho, e a enviei por e-mail para revelação. Ao mesmo tempo, perguntei para Anebelle se ela estava afim de me acompanhar, e recebi "sim" como resposta. Nos encontramos às 14:00hs, caminhamos para a Foto Aleska, onde fomos buscar as fotos reveladas - já que ela também queria uma e fiz uma foto extra para mim, totalizando 3.

Em um dia normal, não seria possível conseguir a revelação tão rapidamente, teríamos que nos contentar em tentar apenas tirar uma foto com Dudu. Na fase vermelha da pandemia, entretanto, a Foto Aleska operava quase que na clandestinidade, com as portas abaixadas, recebendo pedidos apenas por email ou whatsapp. Isso, é claro, reduziu a demanda de trabalho, o que proporcionou a rapidez. Quando chegamos, batemos na porta, abriram rapidinho, paguei e retiramos as fotos. É tão estranho, parecia que todos estávamos fazendo algo ilegal, quando eles apenas estavam trabalhando e nós consumindo.

Tomamos um Uber para a estação Barra Funda, onde embarcamos em um trem até a Luz e baldeamos para o aeroporto. Para fazer esse corre, estudamos qual poderia ser a aparência de Dudu - na ida, ele usava máscara e boné. Não queríamos correr o risco dele passar em frente a nós sem que fôssemos capazes de reconhece-lo, como aconteceu no corre do Salt Bae. Sabemos também que ele tem o corpo coberto por tatuagens, inclusive na mão, que seria o único ponto identificável se viesse agasalhado, como no dia em que foi ao Catar. Portanto, decidimos nos guiar por ela. Se víssemos aquela tatuagem, faríamos a abordagem.



Estudamos também a aparência da namorada atual do Dudu. Assim, se ele viesse com ela, mesmo se não o reconhecêssemos, talvez fôssemos capazes de reconhece-la. Foi um corre bem estudado. Quando ele ultrapassou o portão de desembarque, entretanto, o reconhecemos imediatamente. Havia um paparazzi e alguns fãs que também foram ao aeroporto apenas para ve-lo.

Dudu foi simpático e atendeu a todos numa boa, fotos e autógrafos. Anebelle, pra variar, aprontou. Primeiro tirou uma selfie com ele. Não gostou e pediu para eu tirar uma com o celular. Tirei, mas ficou tremida. O abordou novamente, alegando que a foto não ficou boa e pediu outra. Desta vez ficou. Ainda assim, não largou o osso. Foi atrás dele de novo para pedir uma selfie que mostrasse o braço tatuado dele. Conseguiu, mas aparentemente não gostou e pediu outra. Se não bastasse, correu novamente atrás dele para perguntar se ele voltaria para o Palmeiras - e infelizmente ele respondeu que "não agora". Fala sério! Pior é que quando a chamei para o corre, ela perguntou "que Dudu?"...

Esta foi a segunda vez que fiquei cara a cara com Dudu, mas foi a primeira que consegui aborda-lo

segunda-feira, 8 de março de 2021

Abel Ferreira (fail)

Em 07 de março de 2021 o Palmeiras sagrou-se campeão da Copa do Brasil 2020, ao ganhar do Grêmio por 2x0, gols de Wesley e Gabriel Menino. Logo após o apito final e as devidas comemorações no gramado, o técnico português Abel Ferreira anunciou, na coletiva de imprensa, que passaria alguns dias em Portugal para matar a saudade da família.


Abel chegou ao Palmeiras no começo de novembro de 2020, e antes disso trabalhava no PAOK, da Grécia, então provavelmente estava sem ver esposa e filhos há mais de seis meses. Se fosse uma situação normal, é possível que sua família já estivesse no Brasil, mas estávamos em uma fase complicada da pandemia, e a situação brasileira sempre esteve muito pior do que a portuguesa.

Devido à paralização de quatro meses que ocorreu no futebol tão logo a pandemia começou, a temporada 2020 invadiu 2021 e terminou somente em março para o Palmeiras. Para tentar compensar, foram muitos jogos em pouco tempo, pelo Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Taça Libertadores da América, o que levou todo o elenco à exaustão. Mesmo com o Campeonato Paulista 2021 iniciando na mesma semana, o presidente Mauricio Galiotte autorizou 10 dias de férias para todos, comissão técnica e jogadores.

Um grupo formado pela maioria dos jogadores considerados titulares, mais o Abel Ferreira, tiraria a primeira folga de 10 dias, enquanto os demais disputariam o Paulistinha. Quando retornassem às atividades, um segundo grupo, formado pelos reservas mais utilizados na temporada, mais os outros integrantes da comissão técnica, iniciaria seus 10 dias de descanso.

O grande problema foi a pandemia. Abel simplesmente não encontrava uma maneira de ir a Portugal, já que as fronteiras estavam fechadas para viajantes brasileiros. Ele poderia entrar, pois é cidadão português, mas não havia voos. Mesmo assim, teria que cumprir um período mínimo de 14 dias de quarentena tão logo chegasse ao país. Com a moral em alta pela conquista da Libertadores da América e da Copa do Brasil, Abel teve a ampliação de seu período de descanso autorizada pelo presidente, mas ainda assim não conseguia uma maneira de chegar à Europa.

Os jogadores titulares iniciaram as férias, mas Abel permaneceu, participando normalmente dos treinamentos no CT. Entretanto, seguindo o que já estava estabelecido, quem comandou a equipe no jogo de estreia, contra o São Caetano, foi o auxiliar João Martins, embora Abel ainda estivesse no Brasil.

Sem ter toda essa informação, tão logo soube da intenção de Abel de ir a Portugal, enxerguei uma boa oportunidade para encontra-lo no aeroporto. A família de Abel mora em Porto, mas os únicos voos para Portugal a partir de Guarulhos são para Lisboa. Sem problemas, chegando lá ele poderia tomar outro voo para chegar em casa. Após uma pesquisa no Google, descobri que haveria um voo para Lisboa no dia seguinte à conquista da Copa do Brasil, às 17:00hs. Combinei com Anebelle e fomos.

Quando chegamos, o balcão de check-in da TAP estava fechado e o voo não aparecia no quadro como uma das partidas previstas para o dia. Conversei com funcionários do aeroporto, que informaram que a TAP não estava operando durante a pandemia. Google filho da puta, me induziu ao erro! Só nos restou comer um lanche no McDonalds e retornar para casa.

Passei a acompanhar as notícias intensamente, à procura de uma pista que me levasse a encontra-lo na saída do Brasil. Descobri que haveria um voo de repatriação na quinta feira, dia 11, e que Abel planejava estar nele. Embora fosse fruto de um acordo entre os governos do Brasil e de Portugal, não era nada barato ser um dos passageiros, pois era necessário desembolsar €890. Para Abel e seu salário de treinador de ponta no futebol brasileiro, não deveria ser um problema.

Mais uma vez fui ao aeroporto e acompanhei atentamente, à distância, o check-in de cada passageiro do voo. Nenhum deles era Abel. Confuso, retornei para casa, onde descobri que a dona da Crefisa e da Faculdade das Americas, Leila Pereira, cedeu gentilmente seu avião para que Abel fosse para Portugal. Sim, a aeronave tem autonomia para fazer a travessia do oceano Atlântico, fazendo apenas uma escala para reabastecimento nos Açores.

Não foi desta vez que consegui conhecer Abel Ferreira, apesar de ir duas vezes ao aeroporto

Pra quem acha que é sorte, ou que levo uma vida imensamente divertida conhecendo tantas celebridades e personalidades, é fato que ninguém leva em consideração a quantidade de horas que gasto para conhecer cada um deles, o dinheiro gasto, as diversas idas frustradas aos hotéis e aeroportos. A verdade é que as pessoas veem apenas o que consigo, mas não o que não consigo. Fazer corres, mesmo com uma taxa alta de sucesso como a minha, muitas vezes não é tão divertido nem tão fácil quanto parece.

Após passar 20 dias em Portugal, Abel retornou, mais uma vez utilizando o avião de Leila, que fez na volta as mesmas escalas da ida, quando retornou a Portugal para buscar o técnico. Eu acompanhei em tempo real pelo Flightaware, o que me fez prever com precisão que Abel desembarcaria em Congonhas. Após atravessar o oceano e o Brasil, o avião pousou por volta das 04:00hs no Galeão e lá permaneceu por algum tempo. Foi fácil adivinhar que estava à espera da abertura de Congonhas, o que de fato aconteceu.

No entanto, Anebelle estava sem carro, e eu não queria gastar com Uber para chegar lá, e de repente, o cara não atender. Sempre tem chance da naba acontecer, e eu não estava a fim de correr o risco após duas idas frustradas ao aeroporto. Seria desmoralizante. Melhor aguardar uma oportunidade melhor.