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| Jeff e meu ex vizinho Rudney |
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| Jeff com fã no Manifesto |
| Jeff Pandemic Soto |
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| Jeff e meu ex vizinho Rudney |
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| Jeff com fã no Manifesto |
| Jeff Pandemic Soto |
Durante o campeonato Paulista de 2021, com a pandemia de COVID-19 em pleno curso, foi estipulado pelo governador João Doria, em conjunto com a Federação Paulista de Futebol, um esquema de "bolha", onde os jogadores mantinham-se concentrados todo o tempo, saindo dos centros de treinamento apenas para jogar ou para algum outro compromisso relacionado ao futebol. A ideia era minimizar ao máximo qualquer contato com o mundo exterior, evitando a propagação do vírus.
Deve ter sido duro ser família de jogador nessa época, eles realmente não poderiam sair, era concentração em tempo integral. Por isso, ir ao CT para tentar conseguir fotos ou autógrafos era inútil, pois eles simplesmente não sairiam para nada, muito menos para nos atender. Sem ser capaz de entender que estávamos em uma pandemia, Anebelle às vezes me chamava para ir ao CT. Eu explicava porquê não iria, mas na semana seguinte ela me chamava novamente.
Porém, o tempo passou, o campeonato paulista terminou, a vacinação avançou e o esquema de bolha foi finalizado. No domingo, dia 11 de julho, a chamei para me acompanhar ao CT do Palmeiras e ajudar a conseguir os autógrafos que faltavam. Ela, no entanto, recusou veementemente. Sinceramente, fiquei puto.
Ela é do tipo que diz "eu vou em qualquer corre com você", mas quando a chamo para fazer algum durante a semana, ela, que está sempre ocupada em tarefas como levar a mãe idosa no médico, diz "de meio de semana é difícil, mas se me chamar no final de semana, eu irei". Desta vez, chamei num domingão, e levei um sonoro "não". Claro que isso tem a ver com a loucura dela, que enfim conseguiu entender que era impossível conseguir qualquer coisa lá. Ela é simplesmente incapaz de interpretar uma situação em tempo real. Ou pode para sempre, ou não pode para sempre, qualquer variante dá um tilt na cabeça dela.
Após explicar por diversas vezes durante a semana que agora poderíamos tentar novamente, pois o esquema de bolha terminou, consegui convence-la a me acompanhar ao CT. O treino começava às 11:00hs, nos encontramos por volta de meio dia. Os primeiros três ou quatro carros com jogadores não pararam. Não identifiquei quais eram, pois os vidros são completamente escurecidos. Mas isso foi suficiente para fazer Anebelle começar a resmungar: "to vendo que aqui será uma perda de tempo", "não vamos conseguir ninguém" e bla bla bla. Sinceramente, é um saco! Ela tem o dom de conseguir despertar meu mau humor.
Um pouco depois chegaram duas crianças, uma delas muito pequena, e eu sinceramente gostei, pois isso sempre ajuda. Depois descobri que uma das "crianças" tinha 20 anos. Fala sério, se eu tivesse que chutar, chutaria no máximo seis anos.
Apesar de ser um dos goleiros da seleção, e um dos dois únicos jogadores que são unaminidade no elenco - o outro é Gustavo Gomes - Weverton é humilde e foi o primeiro jogador a parar. Eu não tirei outra foto com ele, apenas coletei o autógrafo que não consegui na primeira vez que o vi. A doida, claro, tirou outra foto com ele. Se ainda fosse sem máscara, eu até entenderia, mas fazer coleção de fotos pandêmicas para que?
| Deyvin foi gente boa demais! |
| FOTASSA! Mas quem liga!? Eu e o Breno Lopes, porra! Ele deu uma das maiores alegrias da minha vida! |
| O chileno Kuscevic |
| Raphael Veiga! Orgulho de ver esse cara com a camisa do Palmeiras! Não perde um pênalti sequer! |
| Se Weverton e Jaílson estão pegando até pensamento, a culpa é dele, o gente fina Rogerio Godoy |
| Após muitas tentativas falhas, finalmente consegui o autógrafo do Abel Ferreira, técnico campeão da Libertadores e da Copa do Brasil |
Abel Ferreira residia no hotel do CT do Palmeiras e não saía após os treinamentos, então o jeito era tentar encontra-lo no aeroporto. Após a conquista da Copa do Brasil 2020, cuja final foi disputada em 2021, Abel anunciou, na coletiva de imprensa, que passaria alguns dias em Portugal para matar a saudade da família. Fui ao aeroporto duas vezes, mas não o encontrei. Em plena pandemia, a TAP nem ao menos estava operando no Brasil.
Não havia uma maneira simples de ir a Portugal já que as fronteiras estavam fechadas para viajantes brasileiros. Ele poderia entrar, pois é cidadão português, mas não havia voos. Para resolver a questão, a dona da Crefisa e da Faculdade das Americas - e futura presidente do Palmeiras - Leila Pereira cedeu gentilmente seu avião para que Abel voasse para Portugal.
Quando retornou, no campeonato Paulista também não rolou, porque a maioria das viagens é feita de ônibus devido às curtas distâncias. Minha única chance parecia ser este jogo da Libertadores da América, em Santiago, contra o Universidad Catolica. Eu teria que passar a madrugada no aeroporto, mas isso não era um problema, já que já fiz isso dezenas de vezes esperando bandas. A ideia não era conseguir somente Abel, mas também alguns jogadores.
Meia hora antes do desembarque, percebi que fiz a coisa certa, pois o ônibus do Palmeiras chegou e estacionou no terminal 3. O motorista já deixou os bagageiros abertos para que os jogadores tivessem onde colocar rapidamente as malas. Estava tudo pronto para acontecer.
Quando o desembarque começou a ocorrer... fudeu! Eles vinham da gelada Santiago, né?! Quase todos os jogadores usavam máscaras e toucas, era impossível reconhece-los. O único que estava sem touca era Felipe Melo, com quem eu já tinha foto. Além dele, consegui reconhecer somente Patrick de Paula e Deyverson. Este último já saiu falando ao celular, então não o incomodei. Abel também saiu sem touca, então o abordei e consegui a foto. Autógrafo não rolou, pois a caneta que levei abriu sem querer dentro da bolsa carteiro e secou a tinta.
| Após diversas tentativas, finalmente conheci Abel Ferreira, que se tornaria o maior treinador da história do Palmeiras |
| Foto totalmente pandêmica com Andreas e Yohan Kisser |
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| Esta foi a segunda vez que fiquei cara a cara com Dudu, mas foi a primeira que consegui aborda-lo |
Em 07 de março de 2021 o Palmeiras sagrou-se campeão da Copa do Brasil 2020, ao ganhar do Grêmio por 2x0, gols de Wesley e Gabriel Menino. Logo após o apito final e as devidas comemorações no gramado, o técnico português Abel Ferreira anunciou, na coletiva de imprensa, que passaria alguns dias em Portugal para matar a saudade da família.
Abel chegou ao Palmeiras no começo de novembro de 2020, e antes disso trabalhava no PAOK, da Grécia, então provavelmente estava sem ver esposa e filhos há mais de seis meses. Se fosse uma situação normal, é possível que sua família já estivesse no Brasil, mas estávamos em uma fase complicada da pandemia, e a situação brasileira sempre esteve muito pior do que a portuguesa.
Devido à paralização de quatro meses que ocorreu no futebol tão logo a pandemia começou, a temporada 2020 invadiu 2021 e terminou somente em março para o Palmeiras. Para tentar compensar, foram muitos jogos em pouco tempo, pelo Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Taça Libertadores da América, o que levou todo o elenco à exaustão. Mesmo com o Campeonato Paulista 2021 iniciando na mesma semana, o presidente Mauricio Galiotte autorizou 10 dias de férias para todos, comissão técnica e jogadores.
Um grupo formado pela maioria dos jogadores considerados titulares, mais o Abel Ferreira, tiraria a primeira folga de 10 dias, enquanto os demais disputariam o Paulistinha. Quando retornassem às atividades, um segundo grupo, formado pelos reservas mais utilizados na temporada, mais os outros integrantes da comissão técnica, iniciaria seus 10 dias de descanso.
O grande problema foi a pandemia. Abel simplesmente não encontrava uma maneira de ir a Portugal, já que as fronteiras estavam fechadas para viajantes brasileiros. Ele poderia entrar, pois é cidadão português, mas não havia voos. Mesmo assim, teria que cumprir um período mínimo de 14 dias de quarentena tão logo chegasse ao país. Com a moral em alta pela conquista da Libertadores da América e da Copa do Brasil, Abel teve a ampliação de seu período de descanso autorizada pelo presidente, mas ainda assim não conseguia uma maneira de chegar à Europa.
Os jogadores titulares iniciaram as férias, mas Abel permaneceu, participando normalmente dos treinamentos no CT. Entretanto, seguindo o que já estava estabelecido, quem comandou a equipe no jogo de estreia, contra o São Caetano, foi o auxiliar João Martins, embora Abel ainda estivesse no Brasil.
Sem ter toda essa informação, tão logo soube da intenção de Abel de ir a Portugal, enxerguei uma boa oportunidade para encontra-lo no aeroporto. A família de Abel mora em Porto, mas os únicos voos para Portugal a partir de Guarulhos são para Lisboa. Sem problemas, chegando lá ele poderia tomar outro voo para chegar em casa. Após uma pesquisa no Google, descobri que haveria um voo para Lisboa no dia seguinte à conquista da Copa do Brasil, às 17:00hs. Combinei com Anebelle e fomos.
Quando chegamos, o balcão de check-in da TAP estava fechado e o voo não aparecia no quadro como uma das partidas previstas para o dia. Conversei com funcionários do aeroporto, que informaram que a TAP não estava operando durante a pandemia. Google filho da puta, me induziu ao erro! Só nos restou comer um lanche no McDonalds e retornar para casa.
Passei a acompanhar as notícias intensamente, à procura de uma pista que me levasse a encontra-lo na saída do Brasil. Descobri que haveria um voo de repatriação na quinta feira, dia 11, e que Abel planejava estar nele. Embora fosse fruto de um acordo entre os governos do Brasil e de Portugal, não era nada barato ser um dos passageiros, pois era necessário desembolsar €890. Para Abel e seu salário de treinador de ponta no futebol brasileiro, não deveria ser um problema.
Mais uma vez fui ao aeroporto e acompanhei atentamente, à distância, o check-in de cada passageiro do voo. Nenhum deles era Abel. Confuso, retornei para casa, onde descobri que a dona da Crefisa e da Faculdade das Americas, Leila Pereira, cedeu gentilmente seu avião para que Abel fosse para Portugal. Sim, a aeronave tem autonomia para fazer a travessia do oceano Atlântico, fazendo apenas uma escala para reabastecimento nos Açores.
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| Não foi desta vez que consegui conhecer Abel Ferreira, apesar de ir duas vezes ao aeroporto |