domingo, 7 de janeiro de 2018

Rhapsody Reunion

No dia em que desembarquei do navio havia o primeiro corre do ano: Rhapsody Reunion. Sou fã e todos os integrantes são amigáveis, o corre mais parece reunião de amigos, então provavelmente sempre estarei quando a banda vier ao Brasil, não importa se tenho ou não fotos com todos os integrantes. Neste dia, quando cheguei ao hotel, estava apenas eu, Wesley e Maria Claudia.

Foi um dos corres mais especiais que fiz, pois quando a banda retornou da passagem de som, Fabio Lione, que também era vocalista do Angra há cinco anos, já falava português com perfeição, então parou para conversar conosco. As frases fluíam muito bem e eram raras as vezes onde ele tinha dúvida sobre qual palavra utilizar em português. Quando isso acontecia, ele dizia a palavra que queria usar em inglês e eu e Wesley o ajudávamos a encontrar a equivalente em português. Foi uma das conversas mais longas e divertidas da minha vida com um integrante de banda. Fabio é um cara realmente sensacional. 

Quando o encontrei pela primeira vez, pouco mais de sete anos antes, ele ainda não falava uma palavra sequer no idioma. Quando o abordei, perguntei se poderia tirar uma foto com ele, que respondeu "sim, mas antes vou fumar um cigarro". Eu o conduzi à àrea de fumantes do aeroporto de Guarulhos, acendi um também e ficamos fumando, mas não houve muita conversa, já que não sou fluente em inglês.

Voltando a 2018, neste dia falamos sobre tudo, como se fosse mesmo uma reunião de amigos. Quando perguntei como eles faziam para excursionar sem tecladista, ele me disse que o som dos teclados ao vivo era gravado e que Alex Staropoli foi convidado para participar da turnê. Fabio telefonou para convida-lo dizendo "ei, vamos sair no mundo, como nos velhos tempos, vamos ganhar dinheiro", mas a resposta foi negativa.

Perguntei se era realmente a turnê de despedida, como fora anunciado pela mídia especializada, e ele respondeu que "provavelmente não, já que a resposta dos fãs foi muito positiva". Ao final da turnê, ainda em 2018, foi fundada a banda Turilli/Lione Rhapsody, mais uma entre tantas versões do Rhapsody que já existiram mas que, em minha opinião, será provavelmente a melhor.

Houve um momento onde ele começou a comentar suas opiniões sobre os ex vocalistas do Angra. Elogiou a capacidade vocal do André e desceu o pau na de Edu Falaschi, com gosto: "O Falaschi entrou no Angra por minha causa. Quando o André saiu, eu já era amigo do Rafael e do Kiko, então eles me consultaram sobre alguns candidatos e eu o aprovei. Ele não tem técnica vocal muito apurada, mas era, entre os candidatos que escutei, o que provavelmente se encaixaria melhor ao som da banda".

Ele demonstrou algumas técnicas vocais, mostrando como ele, André e Falaschi cantariam a mesma música. Foi hilário e surreal. Em minha opinião, Falaschi é um cara legal, mas realmente não é um grande vocalista. Gravou grandes álbuns com o Angra, é verdade, mas não é bom o suficiente ao vivo, sua voz sempre funcionou melhor no estúdio. É um grande frontman, agita pra caramba, mas não tem uma grande voz.

Por outro lado também não acredito que Fabio seja o nome ideal para a função. Tem voz poderosíssima, mas que não parece se encaixar nas canções do Angra, especialmente nas mais antigas. O ideal era André, que nesse dia ainda era vivo. Mais uma vez, essa é a minha opinião, e opinião é como cu, cada um tem a sua.

Se em 2010 achei surreal fumar com Fabio Lione, que poderei dizer de 2018, quando estávamos no hall do hotel com ele cantando a plenos pulmões?! São momentos como esse que fazem os corres valer a pena! Nesse dia quase todos atenderam e foram incrivelmente amigáveis, como sempre. Dominique Leurquin foi o único que não parou, entrou apressado no elevador quando Fabio começou a falar conosco. Dominique sempre foi um cara bacana, se eu tivesse que apostar, diria que ele correu para o banheiro. Embora às vezes não pareça, esses caras são exatamente iguais a nós, com as mesmas necessidades, se é que me entende...

Enquanto a conversa rolava entre eu, Wesley e Fabio, Maria Claudia estava em outro canto, no bar do hotel, tomando coca-cola e conversando com Patrice. Quando a conversa finalizou, Patrice se levantou para devolver os copos no bar e ela foi para o show, mas esqueceu o guarda-chuva pendurado na cadeira. Patrice percebeu, o pegou e saiu correndo atrás dela. Foi uma cena engraçada!

Fabio Lione, vocalista do Rhapsody Reunion
Luca Turilli, guitarrista do Rhapsody Reunion
Patrice Guers, baixista do Rhapsody Reunion
Alex Holzwarth, baterista do Rhapsody Reunion

Não permaneci muito tempo mais, pois combinei que visitaria uma ex namorada assim que o cruzeiro terminasse, então saí do hotel direto para a casa dela. Minha ideia era retomar o namoro, e até demos uns beijos nesse dia, mas ela não estava passando por uma fase boa, sua mãe falecera há pouco tempo, então acabou não dando certo, ficou sem clima. Quando, 5 dias depois, viajei para a praia com Mel, e postei fotos no Facebook, essa ex ficou puta da cara e me excluiu. Não retomamos contato até hoje.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Lacrimosa

Elisa, a menina (de quase 30 anos) com quem estava saindo, pediu minha ajuda para conhecer o Lacrimosa. Era um corre que não planejava fazer, mas tudo bem, mudei os planos. Sete anos antes, conheci Tilo e Anne e eles foram sensacionais. Talvez valesse a pena reve-los.

Chegamos ao Blue Tree Morumbi quando o show ainda estava rolando. É um hotel sossegado, então entramos e nos acomodamos nos sofás à esquerda da porta giratória. A única fã que estava lá era a Jess, então apresentei uma à outra, e ficamos batendo papo. Entretanto, aquele dia reservava algumas surpresas desagradáveis. Quando a van chegou, um segurança, que até então eu não conhecia, entrou no hotel. Assim que nos viu começou a berrar enfurecido: "Saiam do hotel! Eu não quero vocês aqui! Fora!". Foi surreal demais: quase 10 anos fazendo corre e nunca vi nada parecido, nem tão gratuito. Estávamos em apenas 3 pessoas, super de boa. Não havia motivo nenhum para o que estava acontecendo. Meio sem saber o que fazer, saímos. Ele saiu também, ainda berrando, e foi até a van, de onde retirou os músicos, escoltando-os ao hotel.

Nesse momento me senti totalmente inexperiente, realmente não sabia o que viria a seguir. Deveríamos ir embora? Aquilo significava o fim do corre? Sinceramente não sabia responder. Decidimos esperar fora do hotel para ver o que aconteceria. Quando achava que não poderia piorar, piorou: cerca de 25 fãs apareceram. Eles seguiram a van em vários carros e, ao constatar qual era o hotel, foram estacionar os veículos nas proximidades e retornaram caminhando. Então apenas tente imaginar o monte de gótico vestido a carater na frente do hotel.

Emputecido, chamei as meninas para caminhar e comer alguma coisa, pois mais ou menos próximo havia uma loja de conveniência. A essa altura eu achava que já não era possível esperar nada de bom. Fomos, comemos, retornamos, e o cenário ainda era o mesmo. Entretanto, o segurança mala estava entre os fãs. Quando nos viu, me chamou para conversar, desculpou-se e disse que provavelmente os músicos atenderiam mais tarde. Eu não era capaz de entender mais nada.

Quando voltei onde estavam as meninas, surpresa: Elisa queria ir embora. Normalmente concordaria com ela, aquilo estava uma porcaria. Porém, o segurança disse que a banda provavelmente atenderia, então queria ficar para ver o que realmente aconteceria. Também experiente em corres, Jess concordava comigo: deveríamos ficar e observar mais um pouco. No entanto, a paciência de Elisa realmente se esgotou, e ela começou a perturbar como uma menina mimada, dizendo que estava cansada e queria ir para casa. É do tipo que fecha a cara e começa a ser grossa.

É foda, né?! Eu só estava ali porque ela quis, e agora que as coisas poderiam acontecer, estava esgotando o pouco de paciência que eu ainda tinha. Tanto encheu que finalmente concordei. Peguei o celular e já estava abrindo o app do 99, quando Anne e Tilo saíram do hotel. O corre estava realmente ficando surreal. Tirei as fotos das meninas com eles e uma delas tirou a minha foto. Finalizamos e finalmente pudemos ir cada um para sua própria casa, descansar de uma noite muito estranha. O que diabos aconteceu ali?!


Quando contei para Carlos, tudo se explicou. Ele disse que o tal segurança novo é irmão de outro segurança bem conhecido nosso... Conhecido por sempre atrapalhar os corres. O mesmo de Dream Theater, Sarah Brightmann e Patrick Stewart, entre tantos outros. Sou ateu, mas Jesus Amado, já era difícil aguentar um, que dirá agora que eram dois?! Puta que pariu! Felizmente, nunca mais vi esse irmão. E mesmo o tal segurança, sumiu demais dessa época para cá. Graças a Deus!

Quanto à Elisa... Eu já tinha decidido terminar com ela 20 dias antes, no corre do Culture Club. Não aguentava mais aquela instabilidade emocional que me deixava extremamente irritado. Só não terminei ainda porque em duas semanas faríamos um cruzeiro que eu prometi a ela. Tenho muitos defeitos, mas sempre cumpri minhas promessas, dessa vez não seria diferente. A menos que algo mudasse muito, a ideia era terminar o relacionamento assim que desembarcássemos do navio.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Hammerfall

Quando estive no Rio de Janeiro para conferir o quanto difícil seria me aproximar de Madonna, tive uma tarde "um pouco mais quente" com uma amiga. Alicia* é muito fã de Hammerfall, e viria em menos de dois meses a São Paulo para assistir ao show, então prometi ajuda-la a conhecer os músicos.

O problema é que penso como hunter, e ela pensa como fã. Eu penso no corre, ela pensa no show. Mesmo podendo agendar a passagem para qualquer data, já que tinha disponibilidade de horário, decidiu chegar na manhã do dia do show, e nem esperou eu calcular em que dia deveria chegar para que pudéssemos recepcionar a banda no aeroporto. Como o Hammerfall desembarcou em Guarulhos na véspera, perdemos essa oportunidade para encontrar os integrantes. Sem problema, pois poderíamos fazer o corre após o show.

Para mim é ok sacrificar algumas músicas para correr ao hotel, chegar antes que a banda e conseguir fazer a abordagem. Para um fã, isso é quase um sacrilégio. "Como assim, perder o bis?! Que absurdo! Não saio antes do show terminar". Pouco antes de partir rumo a São Paulo, Alicia me avisou que desta vez não nos pegaríamos, pois dividiria o quarto com amigas. Isso foi um pouco decepcionante, mas tudo bem, ainda teríamos o corre para nos ver.

No dia do show, eu estava fazendo o corre como sempre faço, com as pessoas com quem sempre fazia. Alícia que era o fator diferencial na ocasião, logo, entendo que é ela que tem que se adaptar ao corre, não o corre a ela. Eu estava com o Leo e a Karina e eles dependiam de mim, pois eu era o único que tinha uma câmera. Leo estava de carro e partiria para o hotel assim que o bis começasse. Eu iria com eles e esperava levar Alícia conosco. Ela, entretanto, recusou-se a abandonar o bis para nos acompanhar, então passei o nome e endereço do hotel, onde esperava encontra-la mais tarde. Foi mancada deixa-la para trás, admito, mas ela não me deixou alternativas.

No hotel, tudo foi tranquilo. A banda chegou e nos atendeu, sem problema nenhum. Todos os integrantes são legais. Alícia não apareceu - depois disse que estava sem dinheiro para chamar um Uber para ir ao hotel, e que estava chateada comigo, pois interpretou o fato de eu te-la deixado para trás como represália por não ficarmos juntos desta vez. Fala sério! Ela fez tudo como quis e o culpado sou eu?! Se tivesse me ouvido, teria chegado na véspera ou sacrificado o bis, e teria conhecido a banda. Espero que na próxima vez ela me ouça e faça o corre como tem que ser feito!

Joacim Cans, vocalista do Hammerfall
Oscar Dronjak, guitarrista do Hammerfall
Pontus Norgren, guitarrista do Hammerfall
Fredrik Larsson, baixista do Hammerfall
David Wallin, baterista do Hammerfall

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Amaranthe

Em 2011, a vocalista Elize Ryd foi uma das convidadas para excursionar com o Kamelot, então tive a oportunidade de conhece-la. Que mulher absurdamente linda e gente boa. Para ser sincero, eu não conhecia sua banda, Amaranthe, mas depois de conhecer Elize fiquei interessado em ouvir o som. Sinceramente gostei, é algo diferente, que mistura metal com pop, é algo único e original, sem similares. A formação da banda tem três vocalistas, sendo uma voz limpa feminina, uma voz limpa masculina e uma voz gutural masculina.

Desde então, esperei ansiosamente por uma apresentação no Brasil, que nunca acontecia. Às vezes algum produtor até especulava, mas rapidamente desistia, pois não é uma banda muito conhecida no Brasil. A oportunidade real aconteceu somente em 2017, quando Marcos, da Dark Dimensions, confirmou o show para o Manifesto Bar. Infelizmente, o anúncio demorou o suficiente para que alguns integrantes da formação original saíssem da banda, especialmente o vocalista Joacim Lundberg, mais conhecido como Jake E, que saiu poucos meses antes da apresentação no Brasil. Minha chance de conhece-lo, mesmo no futuro, tornou-se bastante improvável.

No dia em que a banda desembarcou em São Paulo, o aeroporto estava lotado de fãs, pelo menos 15. Era a primeira vez que a banda tocava no país e todos esperavam ansiosos por conhecer seus integrantes, que não decepcionaram e atenderam a todos, mesmo depois de uma viagem de 11 horas. Não sei os detalhes de produção, mas sendo banda série D certamente voaram na classe econômica, o que não é um voo muito confortável. A molecada é gente boa, com certeza uma das bandas mais amigáveis para se conhecer. Elize fez questão de tirar fotos nossas com ela em seu próprio celular.

Elize Ryd, vocalista do Amaranthe (voz limpa feminina)
Nils Molin, vocalista do Amaranthe (voz limpa masculina)
Henrik Englund Wihelmsson, vocalista do Amaranthe (voz gutural)
Olof Mörck, guitarrista do Amaranthe, responsável também pelos teclados e sintetizadores
Johan Andreassen, baixista do Amaranthe
Morten Løwe Sørensen, baterista do Amaranthe

Assim que cheguei em casa, uma surpresa: a sempre fofíssima Elize postou uma das fotos no Instagram. É uma bobagem, eu sei, mas isso é algo que, para quem é fã, simplesmente não tem preço, é sempre legal quando acontece.


Neste corre não fiz foto para a banda autografar, pois ainda não havia fotos oficiais com o vocalista Nils Molin, que acabara de se juntar à banda. Desta forma, como eu tinha conseguido tudo o que queria, decidi que não iria mais incomodar. Foi difícil, pois a Jess ficava mandando mensagens diretamente do bar do hotel, me instigando a aparecer, dizendo que estava bebendo com Elize. Não sei como, mas consegui resistir.

Porém, após o show, que foi maravilhoso (principalmente quando a blusa da vocalista abriu sem querer durante a execução de True), os integrantes saíram do Manifesto e ficaram confraternizando com a galera. Mesmo estando apenas com o iPhone, não teve como: tirei mais fotos. Agora é aguardar para que algum produtor se anime a traze-los novamente ao país. Eles merecem, e nós também!


Se tem algo que nunca cansarei nesta vida é tirar mais uma foto com Elize Ryd
Nils Molin
Olof Mörck
Registre-se que este foi o último corre de Ellen. Depois deste dia, ela engravidou, teve o bebê e nunca mais voltou a fazer corres.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Culture Club

O vocalista Boy George, então ex Culture Club, anunciou que faria um show em São Paulo no final de fevereiro de 2011. Em janeiro, entretanto, o show foi cancelado. Não sou grande fã de seus trabalhos, mas é de conhecimento público que a banda foi uma das mais influentes e representativas da década de 1980. Por isso, seria interessante conseguir conhece-lo e tirar uma foto com ele.

Essa oportunidade só surgiu novamente em 2017, quando, de volta ao Culture Club, foi anunciada sua vinda com a banda ao Brasil.  Na noite anterior ao dia em que chegaria a São Paulo, passei a noite em um hotel com Elisa, a menina com quem eu estava saindo desde o dia do corre do Satyricon. Menina é modo de dizer, pois já beirava os 30 anos. Logo cedo, Marcelo Zava nos encontrou, e seguimos ao aeroporto.

Embora fosse boazinha quando estava a sós comigo, ela se transformava quando estava entre os meus amigos. No carro, a caminho do aeroporto, já tinha se indisposto com Marcelo várias vezes. Era mau humor mesmo, ele não fez nada de mais, apenas as brincadeiras que sempre fazia com todo mundo. Ela queria me acompanhar nos corres, mas ficava reclamando e enchendo o saco o tempo todo.

Resolvi terminar com ela mas, como tínhamos uma viagem marcada no final de dezembro, esperaria mais um pouco para sair fora. Embora já tenha me ferrado algumas vezes por conta disso, eu gosto de cumprir o que prometo. E aquela viagem fora prometida.

Após algum tempo de espera, tivemos a certeza da proximidade do desembarque quando um grupo composto por 3 seguranças chegou ao terminal para recepcionar a banda. Eles esperaram por cerca de 40 minutos, então, sem mais nem menos, desapareceram, mas a banda não desembarcou. Algo estranho aconteceu, então comecei a pesquisar na internet para tentar achar alguma pista que solucionasse o mistério. Foi difícil acreditar quando encontrei a resposta: a banda cancelou todas as apresentações que faria no Brasil, mas manteve os demais shows na America Latina. Seus integrantes nem ao menos embarcaram no voo.

Foi algo tão inesperado, tão sem sentido, que até mesmo os seguranças foram pegos de surpresa. Diferentemente de nós, eles não estavam lá por diversão, é trabalho. Se soubessem antecipadamente, nem teriam ido. Alguns anos se passaram, e a banda jamais remarcou um novo show no país. Bizarro!


sábado, 11 de novembro de 2017

Satyricon

Sabe aquele corre em que se faz alguma merda e perde-se a chance de conhecer a banda, ou ao menos algum integrante importante? Pois é, foi esse. Eu estava injuriado com tudo o que aconteceu na minha passagem por Porto Alegre (ainda não escrevi sobre isso, mas escreverei), então estava a fim de pegar a primeira tonta que aparecesse na minha frente, não importava quem fosse. 

Me inscrevi em um aplicativo de relacionamento chamado Hapnn, e logo nas primeiras horas já tinha um encontro agendado. Marcamos de nos conhecer pessoalmente no Burdog da Avenida Dr. Arnaldo na mesma noite. O problema é que também era a noite de corre do Satyricon, mas acreditei que se gerenciasse o tempo direitinho, daria para fazer tudo. A ideia era comer, me despedir da menina, e seguir para o hotel onde estava a banda, para conhecer os integrantes do Satyricon, após o show.

O que eu não contava é que, após o encontro, ela decidisse retornar a pé para casa, distante 1.5 quilômetro, na Rua Heitor Penteado. Pareceu uma boa ideia acompanha-la na caminhada, enquanto conversávamos mais um pouco. Eu a deixaria no prédio em que ela mora, chamaria um táxi, e seguiria para o corre. O problema é que, com a caminhada inesperada, cheguei atrasado ao hotel. A banda já tinha chegado e Satyr subiu para o quarto após atender Carlos e Jessica que, diferentemente de mim, não se atrasaram. Como consolação, consegui conhecer Frost, um dos dois integrantes oficiais da banda - todos os outros são apenas músicos de turnê.

Frost, baterista do Satyricon

Satyricon é uma banda rara em São Paulo, só veio duas vezes, a primeira em 2011, quando eu ainda não era bom o bastante nos corres, e a segunda em 2017, quando fiz essa bobagem. Não é o tipo de banda que se deve perder, pois demora muito para retornar, se retornar. No planejamento inicial estava incluso assistir ao show, mas como a doida do sul surtou e desistiu de vir a São Paulo, perdi completamente o tesão de ir, optando por fazer somente o corre. Fiz tudo errado.

Acompanhando os músicos, estava Dewindson Wolfheart, vocalista do Wolfheart and the Ravens e ex Ravenland. Tommy Lindal, guitarrista original da banda norueguesa Theatre of Tragedy, o acompanhava. Dewindson, que é meu amigo, nos apresentou, anunciando que Lindal era o novo guitarrista de sua banda atual. Só fui entender quando cheguei em casa, postei as fotos no Facebook e marquei Tommy Lindal. Nos minutos seguintes, ele me adicionou, e começamos a trocar ideia no Messenger. Descobri que ele estava morando no Brasil porque tem filhos com uma brasileira. Quem diria?! Eu jamais imaginaria...

Juliana Novo, baterista do Crucifixion BR, também minha amiga, estava no hotel como convidada de Dewindson para, como eu, conhecer os integrantes do Satyricon.

Tommy Lindal, guitarrista da formação original do Theatre of Tragedy, e Frost
Juliana Novo, baterista do Crucifixion BR

Fim de corre. Mas o pior ainda estava por vir... No dia seguinte fiz uma bobagem ainda maior (que contarei em outra oportunidade).

domingo, 29 de outubro de 2017

Megadeth

Muitas pessoas dizem que não se deve tentar conhecer os ídolos, pois a decepção pode ser grande e o encanto pode se quebrar. Meu conselho é exatamente o oposto. Se todos fossem malas insuportáveis, eu já teria desistido de fazer corres há muito tempo. Garanto que mais de 90% dos músicos que conheci são bacanas ou, no mínimo, são ok. Os chatos são menos de 10%. Mas é bom saber quem é quem para não idolatrar alguém que, se não fosse artista, seria apenas um bosta. Foi o que aconteceu com o Megadeth.

Deixei de ser fã, de acompanhar, e até mesmo de ouvir as músicas. Em quatro oportunidades (2010, 2011 e duas vezes em 2012), fiquei cara a cara com Dave Mustaine, mas sempre fui solenemente ignorado, mesmo quando, acompanhado por apenas uma pessoa, o encontrei acompanhado apenas pelo segurança, o que aconteceu nas duas oportunidades de 2012. É claro que entenderia se ele não atendesse caso fossem 50 fãs loucos, berrando... Mas eram apenas dois, numa boa, então que merda de ídolo é esse que recusa-se a perder 10 segundos para tirar duas fotos?!

Se ele nunca tirasse fotos com ninguém, eu entenderia e respeitaria, ele não é obrigado, é direito dele não querer, há muitos outros músicos que não querem. A partir do momento que parece que é apenas comigo que ele nunca tira foto, a coisa muda de figura e passa a ser pessoal. O Megadeth apresentou-se em São Paulo em 2013 e 2014, mas desencanei completamente, não quis saber de fazer corre e muito menos de assistir aos shows.

Observei, no entanto, que a cada vinda para a América Latina, Mustaine tirava fotos com meus amigos e conhecidos no Rio de Janeiro, em Santiago, na Cidade do México e em outras cidades. Mesmo em São Paulo, atendeu Leo, Renata e Rafael em 2010. Nessa turnê, a do Endgame, fui ao show e curti demais, mas a atitude de Mustaine com os fãs é tão ruim que simplesmente larguei mão após tentar conhece-lo em mais algumas tentativas frustradas.

Em 2016, Mustaine tirou foto com Fernando, o único que aguardava em frente ao hotel Renaissance quando a banda saiu rumo ao aeroporto. O problema não foi ele ter conseguido, fico feliz, é meu amigo e já me ajudou em corres. A questão é: qual o critério que esse pato donald do inferno usa para atender ou não?

Os shows na América Latina foram próximos ao meu aniversário. Minha mãe falecera há menos de dois meses, então acostumei a almoçar frequentemente no apartamento dos avós maternos, até para dar uma força, pois perder a única filha os deixou muito fragilizados. Talvez por isso, estavam mais bonzinhos do que o habitual. Em um desses almoços, perguntaram se havia algo que eu queria ganhar de presente. Respondi que sim, mas era meio caro, então poderia ser um empréstimo: 600,00.

É claro que quiseram saber o que eu faria com o dinheiro, eu disse que iria a Assunção para assistir um show. Claro que a ideia sempre foi fazer o corre. Eles ficaram de pensar no assunto, e pouco tempo depois, responderam que não emprestariam, pois "eu não saberia me virar fora do Brasil". Mal sabia que aquele era meu último aniversário com eles, pois no seguinte, ambos também estariam mortos. Mas é mais claro ainda que, em 2017, usei a grana que herdei deles para fazer a viagem que não fiz no ano anterior.

Por tudo isso, era hora de conseguir essa foto de uma forma ou de outra. Decidi comprar o meet & greet, que estava barato, apenas 99 dólares (o que não é muito se comparado com o meet de bandas como Ozzy (700 USD), Kiss (900 USD) ou Metallica, que pode chegar a 2500 USD). Como o Megadeth se apresentaria em Santiago com outras bandas, incluindo King Diamond, decidi que iria para lá, não apenas fazer o primeiro corre fora do país e, portanto, completamente fora da minha zona de conforto, como aproveitaria essa oportunidade para conhecer meus amigos hunters chilenos, seria um interessante intercâmbio de informações.

Na véspera de meu voo para Santiago, o Megadeth chegou à cidade. Os hunters chilenos, incluindo Diego e Eduardo, conseguiram uma foto com ele, sem problema algum. En Santiago es siempre más facil.

O mala atendeu Diego assim que o Megadeth chegou à Santiago

Mapa indicando o ponto de encontro
Dois dias depois, já na cidade, fui à Movistar Arena, permanecendo no local onde deveria encontrar com Dave, o responsável pelo meet & greet, de acordo com o mapa que recebi por e-mail. Entre os fãs que compraram o meet e também aguardavam, havia um chileno que é meu amigo no Facebook, Cristobal. Ele me viu e veio conversar, mas não consegui entender uma palavra que ele disse. O jeito foi nos comunicar em inglês.

Logo Dave veio nos buscar. Entre o horário no ponto de encontro (17:00) e o horário do meet (18:30), permanecemos isolados em um salão, enquanto rolavam os shows das bandas menos expressivas do festival. Se estivesse interessado em assisti-los, problema meu. Pouco antes de trazer a banda e iniciar o meet, Dave explicou como seria, perguntando se alguém tinha alguma dúvida. Levantei a mão e disse que já tinha fotos com todos os integrantes da banda em outras ocasiões, exceto Mustaine, e que gostaria que minha foto fosse apenas com ele. Dave não concordou, deixando claro que eu teria que tirar a foto com todos, assim como todo mundo que estava ali. Palhaçada da porra!

Enquanto os shows aconteciam, tínhamos que aguardar pelo início do meet & greet

A foto é paga, mas ainda assim não foi possível consegui-la como eu gostaria. Custava me deixar por último na fila e pedir para David Ellefson, Kiko Loureiro e Dirk Verbeuren saírem, permanecendo somente o Pato Donald?! Quando chegou minha vez, cumprimentei os integrantes com um aperto de mão, exceto Donald. Ele também me estendeu a mão, mas fingi que não vi. Foi justo eu dar naba nele depois de ter tomado tantas! Me posicionei ao lado dele, e permaneci pelo um segundo que o meet dava direito. Então, saí de lá, e pude baixar a foto alguns dias mais tarde.

Não foi como eu queria, mas enfim minha foto com o Pato Donald do inferno

Quando entrei na arena, King Diamond ainda estava no palco. Assisti uma ou duas músicas e fui embora. Caminhei até o metrô e logo estava de volta ao hotel. Não, não assisti aos shows, especialmente do Megadeth. Dane-se o show, se ficasse eu perderia o corre do King Diamond (que será contado em outro relato desta viagem).

Quanto ao Megadeth, é claro que haveria o corre também, em Santiago e em São Paulo. Eu estava no aeroporto quando, de madrugada, o carro trazendo Mustaine chegou. Acompanhado pelo mesmo segurança de sempre, foi o mesmo babaca de sempre. Eram pouquíssimos fãs, mas ele não parou, entrando direto na sala de embarque. Foi então que percebi o quanto as coisas são realmente mais fáceis em Santiago.

Diego e seus amigos tentaram entrar na sala de embarque, mas foram barrados pelo segurança que controlava o acesso. Alegaram, porém, que tentariam apenas conseguir o autógrafo de Mustaine. Inacreditavelmente, a entrada do grupo foi liberado. Agora me diz: quando isso seria possível nos aeroportos brasileiros???? Eu não os acompanhei, pois sabia que a naba seria certa, preferi tentar filmar a cena inusitada. Eles conseguiram autógrafos, mas foto que é bom nada.


Kiko chegou pouco depois e também não estava muito a fim de atender ninguém. Eu já tinha foto com ele de outras oportunidades. Sabendo que eu iria a Santiago, Samii me entregou o encarte de um CD do Angra e pediu para tentar conseguir o autógrafo, se o encontrasse. Quando falei em português, ele se assustou um pouco, acho que não esperava. Deu uma estancada, então aproveitei para pedir o autógrafo. Ele pegou o CD, voltou a caminhar, assinou andando e devolveu.

Missão dada é missão cumprida! Essa foi pra você, Samii!

Apesar de permanecer no aeroporto até o horário do meu voo, na tarde seguinte, não vi quando Ellefson embarcou, provavelmente ele o fez depois de mim. Dirk eu vi, mas não o abordei, pois foi uma situação desfavorável. Ao passar pelo portão de embarque, enfrentei, como todos os passageiros, a longa fila para passar pelo controle alfandegário. Eram muitas fileiras que serpenteavam.

Dirk estava muito atrás de mim, mas houve um momento em que ficamos lado a lado, mas em fileiras paralelas. Até dava para tentar uma selfie com o celular, mas não tentei, imaginando que talvez pudesse reencontra-lo quando passássemos pelo controle. Mas não foi possivel aguardar, pois com a demora dos procedimentos, faltava apenas 20 minutos para meu voo de volta a São Paulo. Deixei para lá e fui procurar o portão de embarque. É claro que me certifiquei que não fomos no mesmo voo, se fôssemos eu o abordaria ou ainda em Santiago ou já em São Paulo. Aliás, não o abordei em São Paulo, pois quando cheguei Samii já estava me esperando. Passamos a noite juntos e eu aproveitei para devolver o encarte autografado.

No dia seguinte fui ao Renaissance, onde encontrei Karina e Janice. Apenas nós aguardávamos pela saída da banda. Duas meninas e eu, será que enfim daria certo?! Enquanto esperávamos, David Ellefson, sempre gente finíssima, saiu do Starbucks e veio em nossa direção, já pronto para falar conosco, nem precisamos chamar. Finalmente consegui uma foto legal com ele, pois em todas as outras estou com cara de enterro, com cara de louco, ou com o segurança fazendo careta ao fundo.


Eu não tinha e até hoje não tenho uma foto individual com Dirk Verbeuren. Eu, Jessica e Carlos falhamos miseravelmente no corre do Soilworks, no ano anterior. Mas desta vez Dirk não era o alvo, como sempre a ideia era conseguir uma foto com Mustaine, em corre, sem as regras imbecis do meet & greet. Quando Donald saiu, entrou no carro sem ao menos olhar para os lados. É claro que chamamos, mas fomos ignorados novamente. 3 fãs, cara, 2 mulheres! Pato Donald é mesmo um cuzão! É provável que esta seja minha última história com ele, pois definitivamente não pretendo ve-lo novamente.

Enquanto o chamávamos, os demais músicos também saíram do hotel, entrando na van, então não tive como pedir a foto ao Dirk. Tive tantas oportunidades para consegui-la e fiquei sem.