quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Helloween

Após retornar do Rio de Janeiro, eu e Luciana nos hospedamos no ibis budget São Paulo Morumbi, chegamos por volta das 15:30 hs. A ideia era tomar um banho rápido e passar na Galeria do Rock, onde eu compraria uma camiseta do Metallica para usar no meet & greet do Megadeth em Santiago, mas eu não contava com a lerdeza de minha amiga.

Em 15 minutos, eu estava pronto, de banho tomado e arrumado. Como estávamos em um quarto minúsculo, desci para fumar um cigarro e dar a ela um pouco de privacidade para tomar banho e se vestir, mas pedi que avisasse quando estivesse pronta, para que eu pudesse retornar ao quarto, pegar as coisas necessárias e sair.

Meia hora depois, ela ainda estava se arrumando, e uma hora depois, também. Por que diabos mulher demora tanto pra essas coisas?! Enfim, fui obrigado a cancelar a ida à Galeria pois seria impossível chegar a tempo de encontra-la aberta. Valeu Luciana!

O motivo da escolha desse hotel foi pela sua proximidade com o Hilton, onde eu acreditava que o Helloween ficaria. Já a caminho do aeroporto, meu amigo colombiano Juan, mais conhecido como El Gay de Bogotá, avisou que a banda embarcou na Colômbia. Portanto bastava somar as 6 horas de voo ao horário atual para determinar a hora da chegada da banda em Guarulhos: 23:00 hs. Mas já estávamos a caminho, então seria uma longa espera.

Uma amiga de Belém, Ângela, avisou sobre o pouso do avião que a trouxe com o namorado. Como eu sabia que esse voo estava repleto de fãs do Helloween, e muitos deles eram amigos dela, pedi para que os despistasse e aguardasse por mim, somente ela e Caio, pois corre não é bagunça, não dá pra ajudar todo mundo. O Helloween é uma banda repleta de caras legais com os fãs, mas não é por isso que eu iria lotar o aeroporto, até porque isso diminuiria as minhas chances, as deles, e a de todos os fãs que aparecessem.

Quando eu e Luciana chegamos, nos encontramos com o casal. Não havia muito o que fazer até que a banda chegasse, então ficamos conversando no terminal 2. Uma menina solitária, toda sem graça, se aproximou de nós e perguntou "vocês estão esperando o Helloween?". Angela e Caio a despistaram, dizendo que não eram fãs, que não estavam sabendo de nada. Assim que se afastou, perguntei porquê fizeram isso, e a resposta foi "não era para despistar todo mundo?!".

Normalmente seria, mas era apenas uma menina sozinha, e ela foi mega educada com a gente, chegou toda sem jeito quando nos perguntou. Corri até ela, me desculpei e disse "sim, estamos aqui pelo Helloween. Desculpe meus amigos, depois explico porque tentaram te despistar, fique aqui com a gente, o voo pousa às 23:00 neste terminal".

Mal sabia que estava conhecendo minha futura esposa, Arianne. Ela disse que era seu primeiro corre, e que decidiu vir ao aeroporto quando Sascha postou no Instagram que estava a caminho de São Paulo. Completou afirmando que seu maior sonho é conhecer a banda, especialmente Andi Deris. Respondi que seria realizado em breve.

Após o desembarque, os primeiros a sair foram os fumantes: Kai Hansen, Michael Weikath e Andi Deris. Eu os deixaria fumar em paz, mas não era o único ali, então claro que outros fãs os abordaram enquanto fumavam. Nenhum se importou em tirar fotos com cigarro na mão. Weikath, que geralmente é mais fechado, estava muito legal nesse dia. Em seguida veio o genial Michael Kiske, que nos disse que não estava muito bem, se sentindo doente. Ele tirou pouquíssimas fotos e já entrou no ônibus. Arianne, por exemplo, foi uma das que não conseguiu foto com ele nesse dia.

Kai Hansen, guitarrista do Helloween
Michael Weikath, guitarrista do Helloween
Andi Deris, vocalista do Helloween
Michael Kiske, vocalista do Helloween

Como estava conseguindo minhas próprias fotos e ajudando Ângela, Caio e Luciana, nem percebi que Arianne, coitada, estava sozinha e só fazendo FOTASSAS com o celular. Quando reparei, fui ajuda-la, então passei a tirar as fotos dela com minha câmera. Ela estava muito sem graça, mas abordei músicos com quem ela já tirou fotos, alegando que a foto dela não ficou boa, então tirei novamente com a câmera, com qualidade bem melhor. Nesse momento, era apenas corre, não havia nenhuma segunda intenção de minha parte, acho que nenhum dos dois imaginou que ficaríamos juntos no futuro.

Sascha Gerstner e Markus Grosskopf foram os últimos a desembarcar. Conseguimos com eles, fácil, então entraram no ônibus, que fechou as portas e partiu rumo ao hotel. Só então me dei conta de que não vi Dani Löble, mas Leo disse que tirou foto com ele. Devo ter me distraído enquanto tirava as fotos dos amigos. Enfim, tudo bem, porque já tinha fotos com a banda inteira. Eu inclusive tirava as fotos de todos antes de tirar a minha, nunca me importei em ser o último, não iria me importar com uma banda que eu já tinha.

Sascha Gerstner, guitarrista do Helloween
Markus Grosskopf, baixista do Helloween
Eu e Arianne começamos a namorar 5 meses depois dessa foto e estamos juntos até hoje

Como já passava da meia noite e não haveriam opções para sair do aeroporto antes das 5 da manhã - exceto o Airport Bus Service, que funciona a noite toda, mas nem todos ali poderiam pagar - dei uma grana para Leo deixar a galera que estava comigo na estação Pedro II. De lá, todos se viraram para chegar aos seus destinos.

Eu e Luciana seguimos para o hotel e logo adormecemos, mas eu já estava de pé logo que os primeiros raios de sol invadiram o quarto, pois de tarde eu voaria para Santiago, e precisava fazer muitas coisas ainda, como arrumar a mala. Tentei acordar Luciana, mas nada do que eu fizesse foi capaz de acorda-la, então saí sem me despedir mesmo.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Casamento de Michelle Alves e Guy Oseary

Os hunters das antigas costumam dizer que só existem duas pessoas consideradas fotos impossíveis: Madonna e Elton John. O caso de Elton John é complicado. Dois de seus melhores amigos estão mortos: o estilista Gianni Versace e John Lennon foram assassinados por fãs. Ele é milionário, famoso, série A+, não tem porque se arriscar. Pode se dar ao luxo de reservar todo um andar do hotel apenas para si e sua equipe, e realmente o faz.

Estéfano sempre me disse que ele é um "fantasma", ninguém vê. Carlos já dá uma versão diferente "eu estava no Hyatt tentando conhecer outra banda quando o manager do Elton John desceu e veio falar comigo, acreditando que eu era fã. Ele disse que eu poderia chama-lo, mas que não seria atendido. Nada de fotos nem autógrafos. Mas sim, você o vê saindo do hotel, normal, sem esquema de garagem, ele simplesmente não atende". 

Em 2015, quando Elton John veio para o Rock in Rio, um conhecido do Facebook, que é brasileiro mas trabalha no exterior com grandes produções, foi contratado para integrar a equipe local, responsável pelos shows de Rod Stewart e Elton John. No caso de Elton, havia duas equipes, a local, que ele integrava, e a que acompanha o cantor em todo o mundo. Esse camarada contou que rolou uma barreira física separando as equipes. "Somente a equipe dele tinha acesso a ele, eu só o vi no palco, a barreira nos impedia de ve-lo de qualquer outra maneira. Trabalhei no show do cara e não o vi". Surreal! De qualquer forma, com essas referências, jamais me animei a tentar conhecê-lo.

Já Madonna... até onde sei é chata mesmo. Eu também seria se tivesse os fãs dela, os que a chamam de diva, berram, choram, cercam o carro etc etc etc. Em 2012, acompanhei atentamente à distância quando ela passeou pela orla de Ipanema com o namorado, cercada por diversos seguranças e coberta da cabeça aos pés, em uma inútil tentativa de parecer menos visível. 

Em 2017 ela retornou ao Rio de Janeiro para prestigiar o casamento da modelo Michelle Alves com o empresário Guy Oseary, responsável por gerenciar a carreira não apenas de Madonna, mas também do U2. Claro, havia muitos outros convidados, incluindo Dakota Johnson, Owen Wilson, Matthew Mcconaughey, Mía Maestro, P. Diddy, Ashton Kutcher, Demi Moore, Anthony Kiedis e Flea (Red Hot Chilli Peppers), entre outros. Decidi ir ao Rio para descobrir qual é a real dificuldade de chegar perto de Madonna. Apesar de todas as celebridades presentes, esse era meu único objetivo.

Foi amplamente divulgado pela imprensa que todos ficariam no Fasano, em Ipanema. Já estive em frente a ele em diversas ocasiões, mas nesse dia estava diferente, literalmente envelopado, pois colaram um adesivo branco em todos os vidros que o cercam, cobrindo-os completamente, tornando impossível que qualquer um que estivesse fora conseguisse ver o que acontecia dentro.

Quando cheguei à cidade, me instalei em um hotel barato, também em Ipanema, há duas quadras do Fasano. Fui à orla, comi um camarãozinho, e estava pronto para começar a missão. A grande vantagem do Rio de Janeiro é que a maioria das pessoas simplesmente não liga para famosos. Em uma cidade onde encontrar um global ao acaso é absolutamente normal, ninguém liga.

Há poucos hunters no Rio, eu só conheço quatro ou cinco. Há sempre muito menos gente nos hotéis do Rio, mesmo em época de Rock in Rio. Ainda assim, muitos dos que vão aos hotéis são de outras cidades. Estéfano sempre utilizou esse recurso muito bem: se um artista era difícil em São Paulo, no Rio seria bem mais acessível. Em 2012, quando tentei conhecer Alanis Morissette, apenas 4 pessoas a aguardavam em frente ao hotel Unique, mas ela preferiu sair pela garagem, então nem ao menos a vimos. Chegou ao Rio de Janeiro, foi à praia, e atendeu todos que se interessaram em conhecê-la. No Rio é sempre mais fácil!

Retornando... o Fasano estava cercado, mas nada realmente impeditivo, era apenas para que os fãs mantivessem certa distância, mas dava para ver e chamar quem chegasse ou saísse. Estava sossegado, era menos de 20 pessoas. Isso, para o Rio de Janeiro, é um número altíssimo, mas ao menos estava todo mundo de boa. Se alguém quisesse atender, atenderia a todos em menos de 5 minutos. Porém, a maioria dos convidados tem fama de ser chata, que foi confirmada ou reforçada na ocasião.

De noite, quando houve o evento, apenas três atenderam aos chamados. Perry Farrell, vocalista do Jane's Addiction e pai do festival Lollapalooza; Adam Clayton e The Edge, do U2. Clayton parou de atender justamente quando chegou minha vez, por pura babaquice do segurança, que pediu para ele não me atender ao ver que eu tinha uma foto para autografar. "É para vender", alegou. Vender!? Eu!? Só se for vender pra pagar o cachê da mãe do segurança!

De fato, as fotos eram para minha coleção pessoal. Realmente me desfiz de parte da coleção, mas somente três anos depois, em 2020, quando estourou a pandemia do corona virus e fiquei sem nenhuma fonte de renda, em um momento onde minha situação financeira estava muito delicada. Mesmo assim, a intenção nunca foi vender.

Além do mais, existe uma maneira fácil aos artistas preocupados com a vendagem de seus autógrafos. Sabe como faz para que um autógrafo perca todo ou grande parte de seu valor comercial? Basta assinar nominal. "To Adriano, Adam Clayton". Não vale mais porra nenhuma e ninguém quer comprar. Além do mais, se o problema era o autógrafo, por que retirar o artista, sem ao menos deixar rolar a foto? "Segurança" e "babaca" muitas vezes são mais do que sinônimos!

Já The Edge atendeu a todos. Como não exibi a foto para ele autografar, o otário não me atrapalhou novamente.

Perry Farrell, vocalista do Jane's Addiction
The Edge, guitarrista do U2

Vimos a maioria dos outros convidados, estavam todos chatos. Anthony Kiedis e Flea estavam o nojo em pessoa. Durante todo o dia, saíram diversas vezes do hotel, sempre acompanhados por seguranças, não oferecendo a menor chance de contato. Eu, apesar de estar louco para me redimir da besteira que fiz em 2011, quando me recusei a tirar foto com Anthony Kiedis, não estava nenhum pouco interessado em sair me humilhando para conseguir a foto. Na real, ele que se danasse! Por mais que você não acredite, eu não estava no Rio de Janeiro para tirar fotos.

Easy London
Mas... e Madonna??? Absolutamente ninguém conseguiu vê-la, ela sempre entrou e saiu do hotel pela garagem, em carro com vidro filmado. Chance ZERO. Os outros artistas, por mais que fossem chatos e não estivessem a fim de atender, pelo menos ofereceram a possibilidade de ser vistos. Madonna, nem isso. No entanto, ela, que faz tanta questão de ser invisível e insuportável no Brasil, hoje em dia se enfia no meio do povão em manifestações como “Black Lives Matter”, na easy London. Realmente não da pra entender o que se passa na cabeça dela, não pode perder 5 minutos para atender quem a admira, tirar uma foto ou dar um autógrafo...

Mas afinal, se eu não estava no Rio para tirar fotos, que diabos eu estava fazendo lá? Mais uma vez: o objetivo principal era saciar minha curiosidade de quanto difícil seria tentar abordar Madonna. Já o objetivo secundário... Eu tenho uma amiga no Facebook, chamada Alícia*. Certo dia, conversando no Messenger, acabamos caindo pra putaria, o papo esquentou tanto que decidimos nos pegar caso um dia ela viesse a São Paulo ou eu fosse ao Rio. Não estávamos interessados em nos relacionar, seria isso e acabou.

De fato, nosso encontro aconteceu no dia seguinte, justamente quando os outros integrantes do U2 resolveram sair do hotel para atender aos fãs que os esperavam. Se estivesse lá, teria conseguido fotos com toda a banda, mas não estava. Do U2 só tenho foto com o The Edge, mas não me arrependo. Não sou fã, seriam apenas figurinhas novas, duas fotos a mais. Preferi fazer o que fiz, com quem fiz.

Aproveitei a oportunidade para conhecer pessoalmente Leandro, um dos hunters do Rio. Na noite anterior, fiz o corre acompanhado por Vitor, outro hunter do Rio. É sempre bacana trocar informações com quem faz o mesmo que eu em outras cidades, estados e até mesmo países.

No dia seguinte, encontrei Luciana, com quem iria a São Paulo para fazer o corre do Helloween. Antes de seguir ao aeroporto, fomos a uma loja de câmbio, pois em dois dias seria a minha viagem ao Chile. Como encontrei uma ótima cotação para os pesos chilenos, decidi comprar 3.000,00 reais em pesos chilenos. Foi um erro que saiu muito caro, eu deveria ter mantido o plano original, de levar dólares para pagar os hoteis e pesos para as despesas menores.

Parecia muito, mas não vale porra nenhuma!

domingo, 22 de outubro de 2017

Venom

Em 2010, Kevin me chamou para acompanha-lo no corre do Venom, mas era uma época em que eu só fazia corres de bandas que realmente sou fã, e esse não era o caso, então não aceitei. Venom é uma banda legal, mas somente isso. Não fico ouvindo o dia inteiro, não sei o nome de todos os álbuns nem de todas as músicas. A morte de Dio mudou minha mente em relação a isso. Por que não poderia tirar uma foto com Cronos & cia, pegar autógrafos, se tenho a habilidade necessária para conhece-los?! Desta forma, esperei por uma nova oportunidade.

Em 2012, o Venom foi anunciado como uma das bandas que tocaria no MOA (Metal Open Air). Todos sabem o que aconteceu, foi justamente a primeira banda a cancelar a vinda ao festival. Meu plano era encontrar com os integrantes na conexão de entrada ou de saída, como fiz com Dave Mustaine, já que o Megadeth se apresentou em São Luís/MA.

Em 2014, a banda estava escalada para tocar no Zoombie Ritual Festival, em Rio Negrinho/SC. Como no caso anterior, a ideia era conseguir encontra-los na conexão, mas mais uma vez deu ruim, pois a banda cancelou a participação devido a supostas falhas e quebras de contrato da produtora local.

Ainda em 2014, embora o nome tenha sido confirmado como um dos músicos que viria com o Metal All Stars, Cronos logo tratou de desmentir em uma postagem no Facebook, informando que não viria. Ele referiu-se à suposta participação como "boato", agindo como se seu nome foi anunciado sem que ele fosse contratado.

Então, foi necessário aguardar sete longos anos para que, enfim, a banda estivesse novamente no Brasil. Meu amigo Rodrigo Scelza era também amigo no Facebook do baterista Danny Needham, mais conhecido como Dante, então perguntou o hotel onde a banda ficaria, pois gostaria de aparecer com alguns amigos (eu, Samii, Carlos e Jessica) para conseguir autógrafos e tirar fotos. Na maior educação, Dante respondeu. Isso foi excelente pois, como a banda não vinha há muito tempo para o Brasil, poucas pessoas já conheceram seus integrantes, então seria bom evitar o aeroporto, pois estaria tomado pelos hunters do bem. Apenas não contávamos com o que eles aprontariam, que mudaria completamente o rumo do corre.

No aeroporto, Leo foi o primeiro a abordar a banda, já logo que os integrantes passaram pelo portão de desembarque. Foi atendido, foto e autógrafo, sem problema nenhum. Após atende-lo, Cronos disse que atenderia a todos os demais, mas antes queria fumar um cigarro. Sem entender inglês, uma das hunters do bem começou a berrar algo como "esperei 28 anos para te conhecer, por favor, tire uma foto comigo". Cronos respondeu: "Se você esperou 28 anos para me conhecer, então poderá esperar mais 5 minutos para eu fumar um cigarro".

Na época, a própria postou um vídeo onde se ouve claramente a resposta de Cronos, bem como os berros e o desespero, já que ninguém tinha inglês bom o bastante para entender o que ele disse, passando a acreditar que não atenderia mais ninguém. Infelizmente o vídeo foi apagado, seria delicioso exibir essa vergonha alheia por aqui, é uma verdadeira aula de como não fazer corre.

Com os pulmões devidamente abastecidos com nicotina, a banda toda atendeu todos que aguardavam, incluindo ela, que enfim conseguiu sua foto tão aguardada. Estaria feliz com o feito? Provavelmente não.

O grande problema veio a seguir: ela fez um post no Instagram acusando Cronos por uma suposta agressão. Em um mundo agora dominado pelas redes sociais, a coisa se espalhou como incêndio em um palheiro, e logo os principais sites especializados, no Brasil e no mundo, estampavam o relato em suas páginas.

A roadie Beatriz Paula descreveu o problema com o manager do Venom
Os fãs, é claro, ficaram revoltados. Alguns a criticaram por tentar conhecer o artista, mas a maioria abraçou a história e passou a hostilizar o vocalista e baixista. Um deles, entretanto, com um pouco mais de lucidez, conseguiu enxergar o óbvio: "eu gostaria de entender em que momento você foi agredida. Ele te disse "foda-se, esperou porque quis", depois tirou essa foto linda e te bateu... Não consigo entender a cronologia dos acontecimentos".

A verdade: após conseguir a foto com todos os integrantes, ela tentou conseguir uma foto individual com Cronos, que não entendeu sua intenção e respondeu que já tinha tirado foto com ela. Sem noção, ela é do tipo que abraça o artista, queira ele ser abraçado ou não - e sabemos que a maioria dos europeus não quer. Quando tentou abraça-lo, ele tentou afasta-la, e nesse movimento a mão de Cronos foi de encontro ao ombro dela, que interpretou o gesto como uma agressão, mas foi muito longe de ser um soco - isso é o que garantem outros hunters que estavam no local, inclusive Leo.

Inicialmente foi dito claramente: foi um soco. Quando questionada com "por que não fez boletim de ocorrência?" e "e seus amigos viram e não fizeram nada?", virou um soquinho. Depois da repercussão internacional, a história mudou mais uma vez: "nem doeu!". Simplesmente patético!

Como se isso já não fosse problema o bastante, o Venom também foi acusado de boicotar a banda brasileira de abertura no Chile. Beatriz Paiva, roadie do Nervosa, fez um post acusando o manager do Venom de sabotar deliberadamente o show das meninas, suprimindo a execução das últimas 4 músicas. Sem maiores explicações, a banda se viu obrigada a encerrar o show, deixando o palco livre para que o Venom se apresentasse.

Retornando à cena no aeroporto, Cronos ouviu a mesma figura que causou a confusão dizer que sairia do aeroporto diretamente para o hotel, então exigiu que o produtor os hospedasse em outro hotel. Esse é outro hábito irritante dela: o stalking. Já não conseguiu fotos e autógrafos?! Por que, então, continuar incomodando o artista? Vai no aeroporto, vai no hotel, volta no hotel no dia seguinte, vai no aeroporto novamente... É um grude que faz com que muitos artistas evitem fãs que agem dessa maneira. E Cronos já estava irritado o suficiente.

Dante entrou em contato com Rodrigo por mensagem, comunicando que o hotel mudaria, devido a problemas com fãs no aeroporto, mas que ainda não sabia para onde estavam indo. Da forma como foi dito, acreditamos ser muito pior do que realmente aconteceu, imaginamos pancadaria generalizada. Depois, Leo nos falou que não foi bem assim...

Um corre simples e garantido arruinado por uma figura problemática, que em diversas outras ocasiões já "causou", seja porque chegava ao hotel ou ao aeroporto com um batalhão de 10 ou 15 pessoas (ela é daquelas que diz que todos os amigos devem ser ajudados), seja por uma abordagem ruim... 

Sei que muitos tem coisas não muito boas a dizer a meu respeito. Podem dizer que não ajudo, que não passo informações, mas nunca, jamais, alguém poderá dizer que perdeu uma foto por minha causa, até porque, como não gosto de abordar, prefiro deixar que alguém o faça, então geralmente sou o último ou um dos últimos a ser atendido.

Por outro lado, muita gente já perdeu foto por causa das atitudes de Jonas, Anebelle, Dandara, Lombrigas, entre outros que não tem educação ou estabilidade emocional para estar em um corre, estressando o artista, os seguranças, os fãs, os hunters, as groupies, os produtores e quem mais estiver envolvido.

Em tese seria muito simples: bastava apenas esperar a banda chegar ao hotel e em 5 minutos o corre estaria terminado. Como sabia que seria rápido, decidi passar o dia hospedado no Tangará - um novo hotel que estava nos dando muitas dores de cabeça, pela fama de ser impenetrável. Muitos artistas hospedavam-se lá, incluindo mas não somente U2 e Paul McCartney. Resolvi conhecer melhor, ver qual eram as dificuldades, estudar os pontos fracos. Por isso, com a mudança inesperada do hotel do Venom, interrompi o corre. Me encontrei com Karina e fomos ao Tangará, onde ficamos até a manhã seguinte. Por sua vez, Carlos e Jessica foram para o Beco do Batman para encontrar com o U2. Eles tinham uma informação de que a banda gravaria um video no local.

Eu, Carlos e Jessica sabíamos em qual voo o Venom embarcaria para sair do país. Infelizmente, no trajeto entre o hotel e o aeroporto, encontrei trânsito infernal, a Marginal toda parada. Talvez se o trem já estivesse operacional (o que aconteceu somente no ano seguinte) fosse possível chegar, mas de táxi realmente não deu: quando eu estava entrando na Dutra, Carlos avisou que o Venom embarcou. Todos atenderam numa boa, incluindo Cronos.

Observe minhas fotos, especialmente as mais recentes: eu jamais toco no artista. Sempre poso ao lado dele, com os braços abaixados. É um padrão que adotei ao perceber o quanto pode ser irritante a um europeu ser abraçado por um desconhecido, mesmo que apenas para tirar uma foto. É uma questão de respeito, a cultura europeia é diferente, e cabe a nós respeitar. Somos nós que queremos uma foto com o artista, não ele conosco! Agora veja a foto de Carlos com Cronos: o vocalista está com a mão no ombro dele, justamente para impedir que ele o abrace. Apenas isso. Não o socou. Ele "agride" os hunters do bem e trata bem os hunters do mal. Por que será????


O jeito foi retornar para casa, assumindo uma derrota que não poderia acontecer, já que eu esperava pela banda há sete anos, e sabe-se lá quando voltará. A boa notícia é que quando voltar eu já sei que essa cidadã não estará lá para atrapalhar novamente.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Ian Anderson's Jethro Tull

Fui neste corre repetido, em que eu já tinha foto com todos, de uma banda que não sou tão fã, apenas para dar uma força para Samii, que ainda não tinha foto com Ian Anderson. Eu e ela ficamos algumas vezes desde que retornei de Belém, então ajuda-la a conseguir era o mínimo que eu poderia fazer por ela.

Samii enfim conseguiu sua foto com Ian Anderson e com todos os músicos da banda dele

Acabei nem tirando foto com todos os integrantes, faltou com o baixista David Goodier, mas não me importei, pois já tinha foto com ele. O guitarrista Florian Opahle devia estar de saco cheio de ver a minha cara, pois estava sorrindo na foto que tiramos em 2012, quando o encontrei pela primeira vez; em 2015 estava um pouco mais sério, agora estava com cara de cu. De qualquer forma, ele saiu da banda pouco depois desse show.

Desta vez o mala estava bonzinho, pois a foto rolou sem problemas
Florian Opahle ja devia estar de saco cheio de ver a minha cara
Scott Hammond tem cara de bonzinho e é bonzinho mesmo, sempre atende numa boa
John O'Hara também sempre atendeu sem problema nenhum

sábado, 23 de setembro de 2017

Bon Jovi

O certo é certo e é necessário reconhecer: enquanto estive casado, Sheila me acompanhou em dezenas de corres, onde muitas vezes nem ao menos sabia quem era o artista ou a banda. Ela é fã de MPB, mais especificamente de Marisa Monte, e conhecia poucas bandas de rock - a maioria pelo nome, não pelo som.

Claro que isso a fez ter fotos que são o sonho de muitos, tais como Iron Maiden, AC/DC, Kiss, Queen, Aerosmith, Motörhead, Roger Waters, Deep Purple, Saxon, Dream Theater, Queensrÿche, Anthrax, Blind Guardian, Scorpions, Europe, Whitesnake, Doro, Epica, entre outras, além de artistas de outros gêneros e atores hollywoodianos. Ela conseguiu foto até mesmo com Michael Schumacher, que eu não consegui.

Houve duas ocasiões onde a iniciativa de fazer o corre partiu exclusivamente dela: Marillion e Air Supply. Além disso, ela sempre deixou claro que gostaria de conhecer os Irmãos à Obra, Josh Holloway (ator de Lost que nunca veio ao Brasil) e, principalmente, Jon Bon Jovi.

O casamento acabou, mas a amizade permaneceu intacta. Em 2017, Bon Jovi foi uma das atrações confirmadas no festival São Paulo Trip. Na data em que a banda se apresentaria em São Paulo, eu estaria em Curitiba para tentar conhecer Alice Cooper, mas incentivei Sheila a se hospedar e tentar conhecer Bon Jovi - era o típico corre que não dá para fazer no modo fácil, apenas esperando na frente do hotel. Ela recusou, alegando não poder pagar pela diária, que é cara.

De fato, em um dia normal, a diária do Fasano ficava em torno de R$1.300,00. Com a lotação quase esgotada, o preço beirava o dobro. Como eu sabia que Ellen também queria se hospedar e dividir a diária, eu disse que pagaria a metade dela. Sendo assim, ela topou.

O plano era reservar somente uma diária, na data do show, quando deveriam tentar na saída da banda para o show, ou no retorno. Sabíamos que seria difícil, mas Sheila era experiente e Ellen sempre foi minha melhor "aluna" - em muitos pontos, me superou, pois desenvolveu técnicas de corre que eu não utilizava. Uma delas era, com artistas considerados difíceis, levar um presente para tentar fazer faze-los parar. Na maioria das vezes, mandava fazer uma camisa oficial da seleção brasileira, com o nome do artista em questão às costas.

Ainda houve um problema adicional: quando tentaram fazer a reserva, descobriram que a lotação foi atingida: não havia mais quartos disponíveis. Entretanto, assim como consegui, em 2011, um quarto de última hora no hotel do Iron Maiden em Brasília, devido à desistência de um hóspede, elas também poderiam ter essa sorte. E tiveram: no dia em que planejaram se hospedar, Ellen telefonou ao hotel logo cedo e foi informada de que houve desistência, portanto havia um único quarto disponível, por R$2.500,00. Ellen pagou tudo no cartão e quando retornei a São Paulo a reembolsei com a metade desse valor.

Quando o dia chegou, eu estava em Curitiba, acompanhando tudo à distância em tempo real. As duas sempre me enviavam mensagens contando o que estava acontecendo. De noite, recebi a confirmação: conseguiram! Fantástico! Questionei sobre a dificuldade, e a resposta foi que tudo aconteceu na saída para o show. Bon Jovi não parecia interessado em atender ninguém, passava por todos ignorando e dando naba. Havia alguns outros fãs que também se hospedaram, mas escoltado por seguranças, ele não parava. De fato, a única coisa que o fez parar foi o presente de Ellen.

Claro que Jon aceitou tirar uma foto com ela, mas houve algum problema com a câmera, que se recusava a disparar. Quase não rolou, mas Sheila conseguiu arrumar e as fotos aconteceram, tanto com ela, como com Ellen. Bon Jovi não atendeu mais ninguém, nem mesmo Lizandra, que também estava no hotel como convidada de um casal de amigos. Essa foi uma grana que valeu a pena gastar, fiquei realmente feliz, como se fosse eu mesmo conseguindo uma foto difícil.

A partir de agora eu e Sheila tínhamos as fotos com os artistas que mais queríamos, eu com o Iron Maiden, ela com Bon Jovi

Esse foi o penúltimo corre de Sheila. Depois desse, ela só fez o dos Irmãos à Obra, em 2019. Provavelmente só faça outro se Josh Holloway aparecer pelo Brasil.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Airbourne

Airbourne é uma banda interessante. Como o AC/DC, seus integrantes são australianos. O som remete demais ao dos conterrâneos muito mais famosos, a tal ponto que é possível confundir algum desavisado. No entanto, enquanto o AC/DC lota grandes arenas ao redor do planeta, o Airbourne não é tão conhecido, muitas vezes sofrendo para lotar lugares pequenos. Por mais que o som lembre, e daí?! Não é uma banda cover, o instrumental das músicas próprias atinge o mais elevado nível de competência do AC/DC que já vi. Não procure pela voz de Bon Scott ou Brian Johnson, concentre-se apenas no instrumental.

Em 2014, foi anunciado um show da banda em São Paulo, que aconteceria no Manifesto Bar. No entanto, com o falecimento do pai dos irmãos Joel O'Keeffe (vocal e guitarra) e Ryan O'Keeffe (bateria), o show foi cancelado. A estréia em terras brasileiras ocorreu apenas três anos depois, em 2017. Desta vez eu perderia porque estaria em Belém curtindo minha nova vida.

Eu não planejava vir a São Paulo apenas para ve-los - não tinha como fazer isso com todas as bandas que eu queria ver, então teria que escolher a dedo em quais valeria vir. Certamente me lamentaria muito por ter perdido a oportunidade. Como, entretanto, minha aventura em Belém durou apenas 20 dias, eu estava liberadíssimo para fazer o corre.

Conhece-los foi bem simples: mal chegamos ao aeroporto, e a banda chegou também, foi questão de minutos. Eu, Carlos e Guido rapidamente fizemos o que sempre fazemos, conseguindo fotos e autógrafos, nem há muito o que dizer, exceto que a molecada foi gente boa. Eu realmente acredito que é uma banda pronta para brilhar quando o AC/DC se aposentar o que, aliás, nem está muito longe de acontecer.

Joel O'Keeffe, vocalista e guitarrista do Airboune
Harri Harrison, guitarrista do Airbourne
Justin Street, baixista do Airbourne
Ryan O'Keeffe , baterista do Airbourne

sábado, 2 de setembro de 2017

Information Society

Information Society é uma banda que nunca fui fã, e já havia perdido diversas oportunidades para conhecer seus integrantes. Em anos anteriores, Leandro Caíque me chamou diversas vezes para acompanha-lo no corre, sempre feito com sucesso, mas eu recusava. Carlos sempre comentava como Paul Robb e James Cassidy são absurdamente legais com os fãs. Kurt Harland é menos amigável, mas geralmente atende sem problemas também. Seria uma boa chance para conseguir "figurinhas novas".

O que eu não contava era com um dia que pode ser resumido em um misto de cabacisse minha com filhadaputagem dos outros. Esse foi o corre em que estreei a câmera nova, Nikon Coolpix P900. Alguns dias antes, quando a recebi, observei que a bateria veio pré-carregada e o indicativo no visor indicava que a carga estava completa. Portanto, quando fui fazer o corre, não me preocupei em carrega-la.

O voo que trazia a banda pousou no meio da tarde no aeroporto de Congonhas. O primeiro a sair da sala de desembarque foi James Cassidy, então já o abordei. Após Carlos tirar a minha foto, o músico pediu para tirar mais uma, e então fez uma careta. Até aí, tudo beleza. O problema foi quando fui tirar a foto de Carlos: o visor da câmera apagou e não consegui religar, obviamente a bateria acabou. Cabacisse minha, assumo completamente. Mas Carlos foi outro cabaço, pois não levou uma câmera, assumindo que a minha seria o suficiente. O jeito foi tirar fotos com o iPhone.

James Cassidy é uma figura, nos recebeu como se fôssemos velhos amigos. Sensacional!

Abordamos Paul Robb, que também foi muito simpático e solícito, confirmando o que Carlos me dissera sobre ele e Cassidy serem bacanas com os fãs.


Até então, o corre estava dentro da normalidade, numa boa. O problema foi quando Kurt Harland apareceu. O namorado de Dandara, conhecido como Lombrigas, literalmente voou para cima dele, berrando e cutucando como se fosse uma fãzete chiliquenta, sem respeito nenhum. Supreendentemente, Kurt até atendeu um ou outro fã, limitando-se a pedir para ele ficar quieto, pois seria atendido quando chegasse a vez dele. Infelizmente falar com imbecil costuma ser inútil e desta vez não foi diferente. Resultado óbvio: Kurt emputeceu e não atendeu mais ninguém. Lombrigas é baixinho, um tapa meu o quebraria ao meio, mas e o medo de enfiar a mão na cara dele e ser acusado de agredir deficiente mental?!

Como sabíamos o hotel, eu e Carlos nos dirigimos para lá. Chegamos por volta das 19:00 hs e ficamos até cerca de uma da manhã do dia seguinte na espera. O show estava marcado para às 22:00 hs mas, conforme Carlos, esse tipo de show sempre atrasa muito. Foi quando a porta do elevador se abriu, era o manager da banda, que veio falar conosco. Disse que ninguém atenderia no hotel pois, enquanto estivessem hospedados, ali era a casa deles, e eles não atendem fãs em suas casas. Disse também que os integrantes estavam com medo de serem atacados por 20 fãs, como aconteceu no aeroporto. Respondemos "só estamos nós 2". E ele "aqui não vão atender. Vão para o Áudio, talvez eles atendam vocês antes do show". Todos desceram e passaram por nós, entrando direto na van. O manager foi o último a entrar.

Sabendo que a pé não chegaríamos a tempo, pegamos um táxi e fomos direto para uma garagem nos fundos do Audio Club, pois a entrada para os camarins da casa fica nela. A banda conseguiu chegar antes que nós, então paramos em frente à tal entrada, meio sem saber o que fazer. A porta se abriu: era o manager, que disse que Kurt não iria nos atender, mas que se quiséssemos, ele levaria o que tínhamos para ele autografar. Após alguns minutos, voltou com um dos autógrafos mais feios que já vi, tanto que eu mesmo poderia fazer e dizer que foi ele quem assinou. Por algum tempo pensei que o manager poderia ter assinado para se livrar de nós. Tempos depois, Raphael, que abordou Kurt em outra oportunidade, cara a cara, confirmou que aquele era mesmo o autógrafo dele.


O autógrafo que Raphael conseguiu prova que a assinatura feia é mesmo de Kurt

O corre terminou ali, fracasso total. Sinceramente, eu deveria ter enfiado a mão com gosto na cara do Lombrigas. Provavelmente ainda farei isso no futuro...