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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Helloween

Após retornar do Rio de Janeiro, eu e Luciana nos hospedamos no ibis budget São Paulo Morumbi, chegamos por volta das 15:30 hs. A ideia era tomar um banho rápido e passar na Galeria do Rock, onde eu compraria uma camiseta do Metallica para usar no meet & greet do Megadeth em Santiago, mas eu não contava com a lerdeza de minha amiga.

Em 15 minutos, eu estava pronto, de banho tomado e arrumado. Como estávamos em um quarto minúsculo, desci para fumar um cigarro e dar a ela um pouco de privacidade para tomar banho e se vestir, mas pedi que avisasse quando estivesse pronta, para que eu pudesse retornar ao quarto, pegar as coisas necessárias e sair.

Meia hora depois, ela ainda estava se arrumando, e uma hora depois, também. Por que diabos mulher demora tanto pra essas coisas?! Enfim, fui obrigado a cancelar a ida à Galeria pois seria impossível chegar a tempo de encontra-la aberta. Valeu Luciana!

O motivo da escolha desse hotel foi pela sua proximidade com o Hilton, onde eu acreditava que o Helloween ficaria. Já a caminho do aeroporto, meu amigo colombiano Juan, mais conhecido como El Gay de Bogotá, avisou que a banda embarcou na Colômbia. Portanto bastava somar as 6 horas de voo ao horário atual para determinar a hora da chegada da banda em Guarulhos: 23:00 hs. Mas já estávamos a caminho, então seria uma longa espera.

Uma amiga de Belém, Ângela, avisou sobre o pouso do avião que a trouxe com o namorado. Como eu sabia que esse voo estava repleto de fãs do Helloween, e muitos deles eram amigos dela, pedi para que os despistasse e aguardasse por mim, somente ela e Caio, pois corre não é bagunça, não dá pra ajudar todo mundo. O Helloween é uma banda repleta de caras legais com os fãs, mas não é por isso que eu iria lotar o aeroporto, até porque isso diminuiria as minhas chances, as deles, e a de todos os fãs que aparecessem.

Quando eu e Luciana chegamos, nos encontramos com o casal. Não havia muito o que fazer até que a banda chegasse, então ficamos conversando no terminal 2. Uma menina solitária, toda sem graça, se aproximou de nós e perguntou "vocês estão esperando o Helloween?". Angela e Caio a despistaram, dizendo que não eram fãs, que não estavam sabendo de nada. Assim que se afastou, perguntei porquê fizeram isso, e a resposta foi "não era para despistar todo mundo?!".

Normalmente seria, mas era apenas uma menina sozinha, e ela foi mega educada com a gente, chegou toda sem jeito quando nos perguntou. Corri até ela, me desculpei e disse "sim, estamos aqui pelo Helloween. Desculpe meus amigos, depois explico porque tentaram te despistar, fique aqui com a gente, o voo pousa às 23:00 neste terminal".

Mal sabia que estava conhecendo minha futura esposa, Arianne. Ela disse que era seu primeiro corre, e que decidiu vir ao aeroporto quando Sascha postou no Instagram que estava a caminho de São Paulo. Completou afirmando que seu maior sonho é conhecer a banda, especialmente Andi Deris. Respondi que seria realizado em breve.

Após o desembarque, os primeiros a sair foram os fumantes: Kai Hansen, Michael Weikath e Andi Deris. Eu os deixaria fumar em paz, mas não era o único ali, então claro que outros fãs os abordaram enquanto fumavam. Nenhum se importou em tirar fotos com cigarro na mão. Weikath, que geralmente é mais fechado, estava muito legal nesse dia. Em seguida veio o genial Michael Kiske, que nos disse que não estava muito bem, se sentindo doente. Ele tirou pouquíssimas fotos e já entrou no ônibus. Arianne, por exemplo, foi uma das que não conseguiu foto com ele nesse dia.

Kai Hansen, guitarrista do Helloween
Michael Weikath, guitarrista do Helloween
Andi Deris, vocalista do Helloween
Michael Kiske, vocalista do Helloween

Como estava conseguindo minhas próprias fotos e ajudando Ângela, Caio e Luciana, nem percebi que Arianne, coitada, estava sozinha e só fazendo FOTASSAS com o celular. Quando reparei, fui ajuda-la, então passei a tirar as fotos dela com minha câmera. Ela estava muito sem graça, mas abordei músicos com quem ela já tirou fotos, alegando que a foto dela não ficou boa, então tirei novamente com a câmera, com qualidade bem melhor. Nesse momento, era apenas corre, não havia nenhuma segunda intenção de minha parte, acho que nenhum dos dois imaginou que ficaríamos juntos no futuro.

Sascha Gerstner e Markus Grosskopf foram os últimos a desembarcar. Conseguimos com eles, fácil, então entraram no ônibus, que fechou as portas e partiu rumo ao hotel. Só então me dei conta de que não vi Dani Löble, mas Leo disse que tirou foto com ele. Devo ter me distraído enquanto tirava as fotos dos amigos. Enfim, tudo bem, porque já tinha fotos com a banda inteira. Eu inclusive tirava as fotos de todos antes de tirar a minha, nunca me importei em ser o último, não iria me importar com uma banda que eu já tinha.

Sascha Gerstner, guitarrista do Helloween
Markus Grosskopf, baixista do Helloween
Eu e Arianne começamos a namorar 5 meses depois dessa foto e estamos juntos até hoje

Como já passava da meia noite e não haveriam opções para sair do aeroporto antes das 5 da manhã - exceto o Airport Bus Service, que funciona a noite toda, mas nem todos ali poderiam pagar - dei uma grana para Leo deixar a galera que estava comigo na estação Pedro II. De lá, todos se viraram para chegar aos seus destinos.

Eu e Luciana seguimos para o hotel e logo adormecemos, mas eu já estava de pé logo que os primeiros raios de sol invadiram o quarto, pois de tarde eu voaria para Santiago, e precisava fazer muitas coisas ainda, como arrumar a mala. Tentei acordar Luciana, mas nada do que eu fizesse foi capaz de acorda-la, então saí sem me despedir mesmo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Avantasia

Eu, Kevin, os amigos dele de Curitiba - Vergil, Gillian e Augusto - e Cintia, uma menina que conhecemos no hotel onde estava Glenn Hughes, cujo corre havíamos finalizado, estávamos a caminho do aeroporto de Guarulhos para tentar conseguir fotos com o Avantasia.

Até hoje chegar no aeroporto é um parto, mas ao menos é possível fazer tudo de metrô + trem, embora com muitas baldeações. Na época, tomamos um ônibus na Berrini, altura da Rua Quintana, que nos deixou na estação Anhangabaú. De lá, embarcamos no metrô, linha vermelha, até o Tatuapé, onde tomamos o ônibus que nos deixaria no aeroporto. Claro que seria impossível fazer tudo com tempo reduzido.

Quando estávamos no meio do caminho, recebemos um aviso que a banda chegou e atendeu os poucos fãs que estavam no aeroporto. Ficamos um tanto perdidos, sem saber o que fazer, pois não sabíamos o hotel. Quando tudo parecia perdido, recebi uma mensagem de Maria Claudia, informando que a banda estava em um que até então não conhecíamos, o Novotel Center Norte. Eu definitivamente precisava descobrir como essa galera sempre sabia onde as bandas estavam. Era uma habilidade que eu precisaria desenvolver. 

Mais uma vez tomamos um ônibus, desta vez do aeroporto para a estação Tietê e, de lá, caminhamos ao hotel. Era domingo, Sheila estava na casa de meus avós. Eu era esperado para o almoço, mas fazer um corre atrás do outro atrapalhou o plano. Como era um hotel bacana, não muito caro, e eu não estava com paciência para ficar sendo posto para fora pelos funcionários do hotel, decidi nem arriscar: me hospedei. Então, liguei para Sheila, convidando-a para me encontrar.

Antes que ela chegasse, alguns músicos apareceram, incluindo Amanda Sommerville, Michael Kiske (o principal alvo do corre), Sascha Paeth, Oliver Hartmann e Jørn Lande. Percebi que minha decisão de hospedar foi plenamente justificada: muitos fãs estavam por lá, provavelmente uns 60. Mais cedo ou mais tarde, o hotel tomaria a decisão de expulsar a todos, mas eu não seria afetado, pois estava "imunizado".

Amanda, com "comissão de frente" enorme, encostou tudo no meu braço na hora da foto, jamais esquecerei a sensação.
Sascha Paeth, muito gente boa
Esse sim: o mito, a lenda: Michael Kiske
Oliver Hartmann é mais na dele, mas atende também
Jørn Lande é muito, muito, muito gente boa!

Kiske, o mais aguardado pela maioria, decidiu atender como se deve: sentou-se em torno de uma mesa e pediu para que todos colocassem o que trouxeram para autografar. Era muita coisa, mas ele não se incomodou em assinar tudo.


O show, no Centro de Tradições Nordestinas, seria apenas no dia seguinte, uma segunda-feira. Então, após atender os fãs, a maioria retornou aos quartos para descansar. A exceção foi Amanda, que aproveitou a proximidade do Shopping Center Norte para passear e fazer algumas compras de supermercado. Chegou carregando sacolas, apenas a cumprimentamos, sem aborda-la novamente.

O problema é que Kevin resolveu usar sua chatice habitual. Disse que estava na cidade desde o dia anterior, passou a noite na rua, e estava precisando de um banho. Perguntou se poderia usar o banheiro de meu quarto para isso. Por mim, não haveria problemas, mas com certeza a Sheila reclamaria comigo se descobrisse. Em nome de tudo o que fez por mim no último ano e meio - afinal, sem ele, eu só teria foto com o Iron Maiden e com o Lemmy, permiti, desde que fosse rápido e deixasse tudo como encontrou. No fundo, eu sabia que não poderia confiar, mas fosse o que Deus quisesse.

É claro que não foi rápido e mais claro ainda que a Sheila chegou antes do chato sair. Ela queria subir para conhecer o quarto, mas tentei disfarçar, dizendo para ficarmos no hall, pois algum músico poderia aparecer. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos esse:

- Quero deixar as coisas no quarto. Além disso, preciso usar o banheiro.

- Mas você não pode subir agora.

- Por que não?! O que você está escondendo?!

- O Chato pediu para usar nosso quarto para tomar banho.

- O QUEE????

A essa altura, eu já pensava em mil e uma maneiras de como torturar e matar Kevin, ele parece mulherzinha, não consegue tomar banho em 5 minutos; a bem da verdade já estava perto de completar meia hora que subiu ao quarto. Fiquei um pouco mais tranquilo quando imaginei que talvez a demora fosse porque estava arrumando o ambiente, deixando tudo como encontrou.

Quando chegamos ao quarto, ele já estava vestido, mas o banheiro estava um pandemônio, com chão encharcado, e a toalha que usou toda amassada, em formato de bola, em cima do vaso sanitário. Perguntei porquê fez isso, ele respondeu que não sabia onde coloca-la. Enfim, tomei mais uma comida de rabo da Sheila. Primeira e última vez que fiz um favor desses ao Kevin, ele é muito sem noção.

Ao anoitecer, a maioria dos músicos que ainda não tínhamos visto apareceram. O aguardado Tobias Sammet desceu, acompanhado pelo produtor do show e por seguranças. Foram ao bar do hotel, onde ficaram por algum tempo bebendo e conversando. Quando decidiu sair, aproveitou para atender os fãs. Ele tem uma marca de nascença no rosto e usa maquiagem quando está no palco. Ali, de cara limpa, não tinha como disfarçar, mas ele não se importou e tirou fotos ainda assim.

É sempre bom reencontrar o mestre alemão, Kai Hansen
Felix Bohnke nunca se incomoda em atender seus fãs
Bob Catley é sempre gente boa também
Tobias não se incomodou em tirar fotos, mesmo revelando sua marca de nascença. Muitos fãs nem imaginam

No dia seguinte, eu e Sheila saímos cedo para trabalhar, então o corre terminou sem conhecermos Miro Rodenberg e Robert Hunecle. O ano também terminou, este foi o último corre de 2010.

Sem muita ideia de como fazer uma foto para tantos autografarem, o jeito foi fazer algo genérico
É claro que o mentor do projeto, Tobias Sammet, mereceu uma foto exclusiva
A belíssima e talentosa Amanda também mereceu exclusividade
Kiske tentou zuar a si mesmo, adicionando uma barba, mas a caneta não pegou muito bem