terça-feira, 7 de abril de 2009

Kiss

Fui grande fã do Kiss durante a adolescência, mas depois me afastei, não acompanhei mais a carreira nem o lançamento dos novos álbuns. Para dizer a verdade, eu não sabia nada sobre a banda desde o lançamento do Asylum. Porém, em nome do saudosismo, resolvi prestigiar. O Manifesto Bar anunciou uma after party com integrantes da banda. É claro eu não esperava encontrar Paul Stanley nem Gene Simmons por lá, mas decidi conferir.

Ao sair do trabalho, a Galeria do Rock já estava fechada, então fui até a região da Avenida Paulista para tentar comprar um CD gravado pela formação atual. Entretanto, encontrei apenas o Love Gun, ainda com Peter Criss e Ace Frehley. Não era o ideal mas teve que servir. Se, por milagre, Stanley e/ou Simmons aparecessem, eu não estaria totalmente desprevenido e talvez rolasse conseguir um autógrafo.

Encontrei com a Sheila e fomos ao Anhembi, onde rolou o show. Logo após, tomamos um taxi para o Manifesto. Quando a casa abriu, ainda demorou muito tempo para que Tommy Thayer e Eric Singer chegassem ao local. Os seguranças da casa não permitiram que houvesse contato com eles e os acompanharam ao mezanino, onde ficaram bebendo sem ser incomodados.


Como parecia que não haveria nenhum tipo de interação com os fãs, uma menina que conhecemos por lá resolveu tentar conseguir autógrafos ainda assim. Ela perguntou se eu havia levado algo para autografar, mas não vi sentido em entregar para eles um álbum em que eles não tocaram. Ainda assim, ela pegou o encarte de meu CD, bem como materiais de outros fãs, subiu nos ombros de um amigo, e conseguiu entregar. Eles assinaram, mas não devolveram: simplesmente jogaram tudo no meio da galera e, é claro, o encarte nunca mais foi visto, assim como o material de outros fãs. Logo a seguir, funcionários da casa começaram a organizar a fila para fotos e autógrafos, mas cansado e irritado com o que aconteceu, decidi ir embora, sem participar.

domingo, 15 de março de 2009

Iron Maiden - São Paulo

Como chegamos cedo à cidade, fomos para casa e dormimos mais um pouco. Ao acordar, já fomos ao Hilton, mas logo seguimos para o show. A fila quilométrica estava assustadora, mas não me importei de ser um dos últimos a entrar, nem de ficar em um lugar absurdamente distante do palco. O importante era estar próximo à saída, para rapidamente deixar o local e retornar ao hotel.

Distante do palco, mas mais perto do hotel

Quando chegamos, a Sheila quis subir logo, para tomar banho. Eu fiquei em frente à porta principal, fumando um cigarro. Nessa hora, observei que um dos seguranças do hotel não tirava os olhos de mim. Acho que ele não gostou de ver um cabeludo com camiseta do Iron Maiden e relativamente sujo de lama – quem estava em Interlagos sabe do que estou falando. Quando tentei entrar, ele se colocou na frente, impedindo a minha passagem. Ainda perguntou se poderia me ajudar. Eu apenas saquei o cartão que dá acesso ao quarto, coloquei na cara dele, e respondi: 


- É claro que pode. Sai da minha frente que eu vou para o meu quarto!

Eu não gosto de ser mal-educado com ninguém, mas funcionário de hotel parece que gosta de encher o saco, e eu já estava de saco cheio. No ano anterior, eu cheguei a literalmente pendurar o cartão de acesso ao quarto no pescoço, de tanto que tentavam barrar minha reentrada a cada vez que eu saía para fumar um cigarro.

Depois de subir e também tomar banho, descemos para o bar. Conhecemos o diretor do Flight 666, Sam Dunn. Perto de nós, entre os fãs, estava o “chorão colombiano”. No filme, há uma cena do show em Bogotá, onde um fã chora enquanto segura a baqueta que ganhou de McBrain. No entanto, aquele “colombiano” estava ali, ao nosso lado. Quando o viu, Sam apressou-se em se desculpar: “Eu sei que você é brasileiro, mas o clima na Colômbia estava tão pesado, com os fãs sendo maltratados pelas tropas do exército, que preferi colocar a sua cena para mostrar algo de bom no show de lá”. Ele respondeu que não havia problema, o importante era estar no filme. Bruno é paulistano e mora em Curitiba, onde a cena foi gravada em 2008.

Sam Dunn é conhecido por ter dirigido filmes/documentários/shows sobre heavy metal
Mais tarde, conversando com Bruno sobre o episódio, ele me contou como tudo aconteceu: “O Nicko havia se machucado jogando golfe. Ao final do show, eu berrei o nome dele, ele olhou, e perguntei se o punho dele estava melhor. Foi nessa que ele jogou a baqueta para mim. Não tive que pular, que me esticar, nem nada. Ele jogou na minha mão ao responder que estava melhor. E foi aí que eu morri de chorar. Me emocionei, não por ter pego uma baqueta aleatória, mas pela comunicação com ele - a primeira que eu tive com a banda. Isso fez com que eu conhecesse a banda toda depois, mas a primeira a gente não esquece”.

Bruno, "The Crying Man", apareceu no filme Flight 666
Naquela noite estávamos no bar quando Steve Harris apareceu. Eu, Sheila, Bruno, Ricardo e sua esposa, Fátima. O pessoal do hotel anunciou que o bar seria fechado – uma conhecida artimanha para torna-lo exclusivo da banda. Sabíamos que não poderiam nos expulsar enquanto estivéssemos consumindo, então nossas bebidas durariam a noite toda, se necessário. A bem da verdade: se a banda queria o bar apenas para ela, que atendesse a meia dúzia de fãs que estava lá: todos iriam dormir, ficaríamos felizes em deixar o bar apenas para a banda. Mas não fazia questão de atender, nem nós fazíamos questão de sair.

Steve preferiu sentar em um banco, enquanto estávamos em cadeiras ao redor de uma mesa. Ele estava há cerca de um metro atrás de onde eu estava sentado, conversando com Jeff Daniels, um dos primeiros roadies do Iron Maiden. Quando a conversa esfriou e fizeram uma pausa, Sheila foi até ele e rapidamente entregou um presente que eu estava tentando entregar há alguns dias, desde o aniversário dele em Manaus: uma camisa oficial do Palmeiras.

Todos sabem que Harris é grande entusiasta e colecionador de itens de futebol. Achei que seria o mínimo que eu poderia fazer por alguém que já fez tanto em minha vida. Mas quem entregou a camisa foi ela. Simplesmente foi lá, fez uma breve explicação, e retornou. Está valendo: não era horar de incomodar e nem de pedir fotos. Foi bacana ver o Harris abrir um sorriso ao receber a camisa verde-limão e tentar repetir “Pal-mei-ras”. 

Quando Steve subiu para dormir, nós também fomos. Mas acordamos cedo pois, quem sabe, algum deles tomaria café da manhã. Estaríamos lá para descobrir. O primeiro a aparecer foi o Bruce. Como no ano anterior, esperamos que finalizasse a refeição e, então, quando chamou o elevador, falamos com ele. Desta vez ele pareceu incomodado, mas como não tinha para onde ir, rolou a foto. A cara de bunda está nítida. O elevador chegou em seguida, e ele se mandou.


Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
A seguir, veio Steve Harris, que foi bem mais simpático, tirando fotos comigo e com a Sheila, e autografando alguns itens. Mas era isso: o horário do café já estava finalizando, e os outros integrantes provavelmente ainda dormiam. Decidimos descer e passar por outras áreas do hotel para ver se algo acontecia.


Steve Harris, baixista e fundador do Iron Maiden
No térreo, havia fãs por todos os lados, hospedados, não hospedados. Parece que os funcionários do hotel gostam de perturbar somente quem tem cara de fã - e eu tinha. Então era frequente algum funcionário perguntar se eu estava hospedado. Se a resposta fosse “não”, eu seria posto para fora. Como outros não tinham tanta “cara de fã” assim, não eram incomodados. No meio da movimentação havia uns cabeludos que pareciam invisíveis. Simplesmente ninguém percebia que eles estavam ali. Era a banda de Lauren Harris. Ah se os fãs eles imaginassem que mais tarde o guitarrista, Richie Faulkner, tocaria no Judas Priest, hein?! Resolvemos aborda-los, e eles ficaram muito surpresos ao perceber que tínhamos o álbum, que foi devidamente autografado por todos. Em minha foto com eles, até eu reconheço que parece que sou um integrante da banda.

Lauren Harris band e eu
Mais tarde, fomos novamente ao andar exclusivo, onde reconhecemos Jeff Daniels, que passou a noite toda conversando com o Harris. Ele foi extremamente simpático e agradável. Tivemos um longo papo e, claro, tiramos uma foto. Quando nos despedimos, eu e a Sheila resolvemos sair do hotel para encontrar alguns amigos do lado de fora. 

Jeff Daniels foi o primeiro roadie da história do Iron Maiden
Adrian Smith, acompanhado de um segurança, saiu do hotel apenas para atender os fãs que estavam por lá. Rolou uma foto coletiva com Sheila, Adrian, eu e mais um fã que não tenho ideia de quem seja. Isso infelizmente é coisa de segurança que quer agilizar, colocando o máximo possível de gente em apenas uma pose. Acaba estragando uma foto que tinha tudo para ser legal.

Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden
De volta ao hotel, encontramos Sean Brady, técnico de som do Adrian Smith. Pedimos a foto, e fomos prontamente atendidos.

Sean Brady, técnico de guitarra do Adrian Smith
Encontramos também Steve Gadd. Homônimo do grande baterista, Gadd também foi baterista, tocando na banda Charlie, mas agora era o tour manager do Iron Maiden. Fizemos uma abordagem com muito tato pois, mais cedo, vimos que ele se recusou a tirar fotos com fãs que o reconheceram – boa parte da equipe do Maiden “ficou famosa” com o Flight 666. Poucos anos mais tarde, em 2013, faleceu em decorrência de um câncer. Que descanse em paz.

Steve Gadd era o tour manager do Iron Maiden
Saímos do hotel, pois havia um comentário de que Nicko McBrain sairia para atender a galera, assim como Adrian fez minutos antes. E realmente foi o que aconteceu. Nicko autografou tudo, tirou fotos, sempre brincando com todos.

Nicko McBrain, baterista do Iron Maiden
À noite, resolvemos tentar tirar uma foto com o massagista e segurança Peter Lokrantz. Normalmente ele é uma figura mal vista pelos fãs, pois muitas vezes impede que haja contato com algum integrante. Mas estávamos lá há dias, desde Manaus, e não tivemos nenhum problema com ele, pois tentamos sempre respeitar e fazer a abordagem nos melhores momentos. Para nós, sempre foi melhor perder a foto do que ser inconveniente.

No bar, ele estava em um canto, com cara de que estava de saco cheio. Sheila se aproximou e ambos iniciaram uma conversa. Ele disse que, se dependesse dele, estaria na cama, mas que tinha que trabalhar. Sheila pediu a foto. O diálogo seguiu:

- Comigo?! Mas eu sou feio!

- Não, você é legal.

- Então vamos sair do bar. Não é certo eu impedir fãs de tirar foto com a banda e, de repente, eu tirar fotos.

Nos afastamos um pouco, e a foto rolou de boa. Ele me disse que aquilo era só um trabalho. E eu pensei “seu fdp, você é pago para acompanhar as pessoas que inspiram a minha vida. Se não dá valor, deixe-me tomar seu lugar”. No fundo, bem no fundo, ele é um cara legal, fazendo o trabalho dele.

Peter Lokrantz, massagista e segurança do Iron Maiden

Voltamos ao bar, onde conhecemos Deca. Eu achava que era apenas uma fã, mas, com o passar do tempo, descobri que ela era bem mais do que isso – este é um assunto que será retomado em outra oportunidade.

Quando Bruce apareceu, algumas meninas foram tirar uma foto com ele. Nem me mexi, já que de manhã eu já havia conseguido. Quem me interessava ainda era Janick Gers, o único com quem ainda não havia tido contato naquele ano. E não demorou muito para que ele aparecesse. Rolou uma foto coletiva. Não gosto, mas como eu já tinha com ele do ano anterior, tudo bem.

Janick Gers, guitarrista do Iron Maiden

sexta-feira, 13 de março de 2009

Iron Maiden - Rio de Janeiro

Quando chegamos ao Rio de Janeiro, tomamos um táxi que nos levou ao hotel. O problema é que não tínhamos dormido nada e pior, faltava muito para o horário do check-in. Alguns amigos estavam a caminho do hotel, inclusive o "Padro". Falarei mais sobre ele em outras oportunidades.

Passamos a tarde toda com eles, mas morrendo de sono. Quando começou a anoitecer, resolvemos conhecer, enfim, o quarto. A ideia era dormir um pouco, até meia noite, e acordar para aproveitar a madrugada no bar, possivelmente com a presença da banda. Mas estávamos num estado de exaustão tamanho que, mesmo após o alarme nos acordar, simplesmente ignoramos, voltamos a dormir e só despertamos na manhã seguinte. Já havia até amanhecido, embora fosse um tanto cedo ainda.

Era pouco mais de 6 horas quando resolvemos dar uma volta na praia. Na verdade, achamos um absurdo pagar 8 reais por uma lata de coca-cola consumida no quarto do hotel, enquanto em qualquer quiosque na praia pagaríamos 2 reais. Isso na época, hoje não seriam esses os valores, mas a proporção seria mais ou menos igual. Nossa ideia era buscar algumas cocas para substituir as que tomamos. Ao sair, um dos seguranças do hotel veio atrás, gritando como um louco. Quando ele se aproximou, nos disse para tomar cuidado e deixar todos os nossos pertences no hotel, pois seríamos assaltados. Ah, o Rio de Janeiro continua lindo, especialmente naquele lugar cercado de Rocinha por todos os lados. O mesmo hotel, aliás, que no ano seguinte sofreu uma invasão de traficantes e mais de trinta pessoas foram feitas reféns.

Mais tarde, descobrimos que perdemos uma excelente noite no bar, pois Adrian Smith apareceu e interagiu com os poucos fãs que estavam por lá. Paciência, fazer o que?!

De tarde, fomos à estreia de “Flight 666”, com a presença da banda, que assistiu boa parte do filme com os fãs. Porém, não ficou até o final. Apenas Nicko ficou um pouco mais, disse algumas palavras depois da exibição, mas logo foi embora também. A chance de interagir com algum integrante até existiu, mas foi pequena e longe de onde estávamos.

Rod Smallwood em frente ao local enquanto aguardava a chegada da banda
Nicko e Rod ficaram até o final

A noite fomos ao show com o Padro e sua mãe, Elaine e, depois, seguimos para o apartamento deles em Ipanema, onde ficamos quase até amanhecer, pois nosso vôo para São Paulo era bem cedo.


terça-feira, 10 de março de 2009

Iron Maiden - Manaus

No final de 2008, o Iron Maiden anunciou as cidades brasileiras da segunda perna da turnê “Somewhere Back in Time”. Como Bruce havia anunciado no show daquele ano que a banda retornaria ao Brasil em 2009, eu passei um bom tempo juntando algum dinheiro para poder assistir ao show em mais cidades, não apenas em São Paulo. A princípio seria Rio de Janeiro e mais uma. Me decidi por Manaus quando soube que o aniversário de Steve Harris, 12 de março, coincidiria com a apresentação na cidade. Então, entrei na comunidade do show de Manaus no Orkut e interagi com algumas pessoas. Descobri que só havia um hotel capaz de receber o Iron Maiden na cidade: o Tropical. Rapidamente fiz a minha reserva e também no Hilton, em São Paulo. Restava saber apenas o hotel em que a banda ficaria no Rio de Janeiro. 

Quando chegou o dia, eu e Sheila embarcamos em um voo da extinta Avianca (que ainda chamava-se Ocean Air) rumo a Manaus, com escala em Brasília. Ao chegar, fomos direto ao hotel, após sermos devidamente “roubados” pelo taxista, que só aceitava fazer corridas com o preço fechado, evidentemente em valores bem maiores do que os que dariam com o taxímetro rodando. Felizmente, hoje em dia temos serviços como o Uber, que nos libertam de aproveitadores como esse.

O calor na cidade era infernal, mas sinceramente eu gosto. Passamos o dia nas dependências do hotel, testando a nova câmera fotográfica que compramos especialmente para a ocasião. Reparamos, porém, que algumas fotos não ficavam boas, e demoramos para entender o porquê. O quarto mantinha o ar-condicionado ligado em força total e, quando saíamos para fotografar, a lente embaçava imediatamente. Um efeito interessante causado pelo contraste de temperaturas.

Ao anoitecer, encontramos dois casais. Um, de amigos da Sheila, que ela conhecia a partir de uma comunidade do seriado Lost no Orkut. Outro, de amigos meus, a quem conheci na comunidade do show de Manaus. Todos fomos a uma pizzaria. Após, meus amigos perguntaram se eu gostaria de ir ao local do show, onde o palco estava sendo montado, antes mesmo da chegada da banda à cidade. Achei que seria uma boa ideia, e fomos.

Havia um segurança que não queria nos deixar entrar. No entanto, foi só falar que viemos de São Paulo especialmente para a ocasião, que fomos liberados para dar uma olhada. Tiramos algumas fotos e acompanhamos atentamente a montagem do palco e das luzes por uma equipe local, para o que se tornaria realidade em apenas dois dias: Iron Maiden na Amazônia.


Na manhã seguinte, era hora de voltar ao aeroporto, para recepcionar o Ed Force One. A proximidade da chegada da banda fazia com que esse fosse o principal assunto na cidade. No caminho, em todos os lugares, haviam outdoors do show. Na TV só se falava nisso. Então, é claro que o aeroporto estava tomado pelos fãs de Iron Maiden. Conheci uma galera muito legal por lá. E, enquanto esperávamos, fui entrevistado por uma TV local.

Para assistir um show, é normal o pessoal de Manaus embarcar em um avião para São Paulo ou Rio de Janeiro, mas alguém de São Paulo vir para Manaus pareceu um pouco inusitado para eles. Antes mesmo de chegar à cidade, eu fui entrevistado por jornais locais. A história de que um fã havia conhecido a banda, difundida na comunidade do Orkut, soou bem para os jornalistas.



 

Após acompanhar o pouso, retornamos imediatamente para o hotel. A ideia, claro, era ter algum contato com a banda. Ainda faltava conhecer o Dave Murray. Porém, não tivemos vida fácil. Mesmo hospedados, o hotel estava gradeado, cercado de fãs, e demoramos um pouco para conseguir entrar. Fui entrevistado mais uma vez, por um reporter de outro canal, que havia visto minha entrevista anterior.


Aconteceu algo que nunca vi antes nem depois. Foi reservada uma parte de um andar apenas para a banda e sua equipe e ninguém estava autorizado a passar por lá, nem mesmo hóspedes. Mesmo quem estava em um quarto no mesmo andar era obrigado a dar uma volta maior para chegar até ele. Absurdo completo, mas foi o que aconteceu. Tempos depois, um amigo definiu bem, com ironia: “parecia que eles estavam com medo de ataque de índios”.

Manaus é o principal centro urbano, financeiro e industrial da Região Norte do Brasil. É a cidade mais populosa do Amazonas e de toda a Amazônia com mais de 2,1 milhões de habitantes. Não há ataques de índios e qualquer fala em contrário só demonstra preconceito e ignorância. No entanto, esse comentário pareceu descrever o comportamento da banda que, em Manaus, procurou se esconder a todo custo, nem parecia que eram os mesmos caras que conheci um ano antes.

Foi nessa tarde que conheci o autor do comentário. Um casal, na faixa dos 50 anos, havia acabado de retornar de uma viagem por Bali, Jacarta e Indonésia, onde esteve apenas para assistir aos shows do Iron Maiden. Agora estava ali, pronto para fazer a turnê brasileira completa.

Carioca, Ricardo Pacheco indicou qual seria o hotel em que a banda se hospedaria no Rio de Janeiro: Intercontinental. Imediatamente fiz a minha reserva pela internet. Eu acreditava que aquele senhor sabia o hotel apenas por morar na mesma cidade em que o show aconteceria. Na realidade, ele sabia muito mais do que eu seria capaz de imaginar.

Eu e Sheila fomos dar uma volta pelo hotel e encontramos Rod Smallwood e o fotografo John McMurtrie descansando à beira da piscina.  Mais a noite, encontramos também Lauren Harris, a filha de Steve Harris que comandava a banda de abertura daquela turnê, que levava seu nome. Ela estava acompanhada pelo assistente de palco, Ashley Groon, falecido em 2022.

Eu já previra a possibilidade de encontrar com Lauren. Portanto, havia comprado o CD da banda dela, e levei para conseguir autógrafos. A abordei e consegui a foto e o autógrafo, fácil. Ashley, que era um palhaço completo, no bom sentido, fez questão de aparecer em todas as fotos, sempre fazendo alguma careta ou, no caso da foto com a Sheila, mostrando os mamilos, o que a fez ficar vermelha de vergonha, totalmente sem graça.


Já estava anoitecendo e o casal amigo da Sheila, da noite anterior, veio nos buscar para dar uma volta pela cidade. Conhecemos o Teatro Amazonas por fora e comemos no McDonald's. Quando retornava ao hotel, lembrei que deveria avisar uma conhecida, que conheci na comunidade de Manaus, confirmando que a banda estava mesmo por lá. Eu realmente não queria fazer isso, pois o hotel já estava suficientemente lotado de fãs  e a banda parecia não querer interagir com ninguém. Mas combinado é combinado e a avisei. Aquilo, sem querer, acabou salvando minha noite.

Em 40 minutos, ela chegou com a irmã, e ambas também se hospedaram. Sua beleza despertou a atenção de integrantes da equipe da banda, que a levaram para conhecer Janick Gers e Dave Murray. Eu aproveitei a deixa e finalmente consegui a foto que faltava.



Na manhã seguinte, no café da manhã, houve um comentário de que a banda havia saído para passear. Já que os músicos não estavam no hotel, eu e Sheila resolvemos passear também, conhecer os arredores. Ao sair, descemos até o rio e um dos barcos ancorados nos chamou a atenção. Chamado Batelão, tiramos diversas fotos em frente a ele.


Seguimos nosso passeio caminhando pela orla até chegar a um local onde Sheila aproveitou para testar o zoom da câmera nova, fotografando vários barcos que passavam pelo rio. Mais tarde, ao ver as fotos no computador, surpresa: um dos barcos era o Batelão, e seus passageiros eram o Iron Maiden, a equipe, a banda da Lauren... todos tinham ido navegar no Batelão! Mais tarde ainda, alguns fãs mostraram fotos do momento em que a banda deixou o hotel para navegar. Então, quando saímos, a banda ainda não havia saído. Paciência!


De tarde, um amigo de São Paulo, que estava morando na cidade há algum tempo, apareceu no hotel para nos dar uma carona até o show. Antes, perguntou se eu já havia visto algum integrante do Iron Maiden por ali. Por acaso, naquele exato momento, Bruce estava no bar do térreo conversando com um piloto de avião uniformizado. Quando levantou e se despediu, algumas meninas o abordaram, e ele tirou algumas fotos. Carlos, meu amigo, se aproximou. Quando faltava somente ele, Bruce simplesmente saiu correndo e o deixou na mão.

O show foi maravilhoso, mas logo retornamos ao hotel, pois nosso voo para o Rio era de madrugada. A banda estava no bar comemorando o aniversário de Harris, mas cercada por seguranças, então resolvemos não incomodar. Quando fui para o quarto, meu caminho se cruzou com o de Michael Kenney que, para quem não sabe, é o técnico de baixo do Steve Harris e também o tecladista do Iron Maiden em apresentações ao vivo. Pedi a foto e ele aceitou sem problemas, segurando uma caixa de Havaianas nas mãos. Depois, apenas pegamos nossas coisas e seguimos para o aeroporto, pois um casal de amigos nos deu uma carona.


domingo, 11 de janeiro de 2009

Blaze Bayley

Era a a vez do Blaze Bayley, vocalista que substituiu Bruce Dickinson no Iron Maiden por alguns anos, vir a São Paulo, também para um show no Manifesto Bar. Mais uma vez, minha falta de experiência me fez não saber que ele sempre realiza meet & greet gratuito com todos os fãs que comparecem aos shows, não importa a cidade, não importa quantos fãs compareçam. Blaze é um cara legal que sempre atende a todos.

Aquele, entretanto, foi um dia ruim para uma foto. Poucos meses antes, a esposa de Blaze, Deborah, foi vitimada por um AVC e não resistiu. Blaze foi um tremendo profissional e fez o que deveria fazer um cima do palco, não permitindo transparecer sua tragédia pessoal. Mas, no meet & greet, era outra pessoa. Em todos os clicks, ele não era nem ao menos capaz de olhar para a câmera. Seu olhar era distante e vazio. Triste, mas totalmente compreensível.


Eu queria tentar tirar fotos também com os integrantes da banda, mas o único que ainda estava por perto era o guitarrista Jay Walsh. Nem imaginei que se esperasse pela saída da banda em frente ao Manifesto provavelmente conseguiria as fotos que faltavam. Voltei para casa com a certeza de ter visto um show muito bom, e que estaria lá novamente quando o Blaze retornasse à cidade, não apenas para assistir, mas para conseguir uma nova foto com Blaze (desta vez, olhando para a câmera, espero) e completar as fotos com os outros integrantes da banda.



quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Paul Di'Anno

O ex vocalista do Iron Maiden, Paul Di'Anno, tinha um show agendado no Manifesto Bar com o Rockfellas, projeto formado com integrantes do Raimundos e Charlie Brown Junior. Dez anos antes, Di'Anno participou de uma sessão de autógrafos no próprio Manifesto Bar. Eram outros tempos, onde não havia a facilidade para tirar fotos como se tem hoje ou se tinha já em 2008. Então, na ocasião, eu consegui o autógrafo no meu álbum "Iron Maiden", mas nem tentei conseguir a foto. Animado com o que acontecera meses antes, decidi tentar consegui-la, afinal. Eu realmente não tinha ideia de como seria fácil.

Fui para o show com alguns colegas de trabalho. Como fomos os primeiros a chegar, ainda antes da abertura da casa, fomos os primeiros a entrar no local. Di'Anno já estava lá dentro, bebendo alguma coisa no bar do lugar. Pedi para tirar uma foto com ele, no que fui prontamente atendido. No entanto, o flash falhou, e a foto saiu completamente escura. Tentamos uma segunda e uma terceira vez, com os mesmos resultados. A solução foi usar o celular e, bem, as câmeras dos celulares de 2008 não eram muito boas...



sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Iron Maiden

Em algumas horas, o Ed Force One, Boeing 757-200 personalizado com a logomarca do Iron Maiden, e pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson, pousaria no aeroporto Internacional de Guarulhos. Era a primeira perna da turnê “Somewhere Back in Time”, que finalmente chegava ao Brasil.

Sou apaixonado por ambos, Iron Maiden e aviação. Simplesmente precisava ver aquilo de perto. É claro que eu não acreditava ser possível encontrar algum integrante da banda pessoalmente porém, embora ainda não soubesse, isso estava muito próximo de acontecer.

Eu chefiava a redação de um então grande e conhecido website brasileiro e, naquele dia, “abri o jogo” para o dono: precisava sair mais cedo para ir ao aeroporto a tempo de acompanhar o pouso. Devidamente autorizado, encontrei-me com minha então esposa Sheila, e fomos para lá. Sheila não é fã de Iron Maiden, nem de metal, mas foi legal ter a companhia dela na ocasião.

Quando chegamos, encontramos um ambiente caótico, com dezenas de fãs esperando no portão de desembarque do terminal 2, enquanto entoavam cantos como “Olê olê olê olê Maiden Maiden”. Quem é fã sabe do que estou falando. Ao que pareceu, muitos realmente acreditavam que a banda desembarcaria como passageiros comuns. Mas, tendo seu próprio avião, é claro que isso não seria possível.



Procuramos, então, um lugar para acompanhar o pouso. Subimos ao terminal de embarque, onde havia uma grande janela com vista para a pista, que também já estava tomada por fãs. Quando aconteceu, foi totalmente decepcionante. Já havia anoitecido, e a pista em que o avião pousou, apenas com a cauda minimamente iluminada, era relativamente distante de onde estávamos. Então, vimos pouco.



Para dizer a verdade, eu voltei para casa chateado. Se nem o avião eu consegui ver direito, meu sonho de um dia conhecer os integrantes da banda era impossível. Era o que eu pensava.

Gosto de trocar o dia pela noite, e passei boa parte da madrugada interagindo na comunidade “Iron Maiden Brasil”, do Orkut. Por volta das 3 horas da manhã, alguém postou no grupo uma foto abraçado ao Steve Harris. Era possível ler o nome do hotel: Hilton Morumbi. Então, pensei que poderia ter alguma chance de contato se me hospedasse. Acessei o site, procurando pelo quarto mais barato, e não me assustei com o valor: diária por 200 dólares (cerca de 340 reais). Era um pouco salgado para minhas possibilidades mas, enfim, quanto vale um sonho?! Fui dormir já com o plano totalmente arquitetado.

Na manhã seguinte, acordei às 11 horas, junto com Sheila. Esse foi mais ou menos o diálogo que tivemos:

- Vou tomar banho, me vestir e ir ao Hilton. O Iron Maiden está lá, vamos?!

- Tudo bem. Que horas voltaremos?

- Você não entendeu, eu vou me hospedar.

- O que foi que colocaram na sua Coca-Cola?! Você sabe quanto custa?!

- Sei, e eu vou ainda assim. Vamos?!

Percebendo que não conseguiria me convencer a desistir, ela juntou-se a mim. Não tínhamos carro e, em uma época em que não havia Uber, 99 ou Cabify, tomar um táxi seria caro, mesmo nesta ocasião especial. Telefonei para minha mãe, expliquei a situação, e ela se prontificou em nos dar uma carona.

O problema é que, onde ela morava, não havia telhado na garagem. Os passarinhos pousavam nos galhos das árvores e “mandavam ver” (sim, é isso mesmo que você pensou!). Minha mãe estava em um tratamento de câncer de mama, diagnosticado quatro anos antes, e gostava de nos dar caronas, pois eram as raras ocasiões em que ela saía de casa para algo que não fosse ir ao médico, fazer um exame, ou algo relacionado diretamente ao tratamento. Era uma terapia para ela. Mas o carro estava imundo, novamente com aquilo que você pensou, e foi assim que chegamos ao Hilton, com o carro todo cag... deixa pra lá!

Então, esta era a situação no momento exato em que chegamos: cerca de 60 fãs aguardavam em uma fila, do lado de fora do hotel, ansiosos por algum contato com a banda. Minha mãe nos deixou em frente à porta principal e já íamos entrando – eu cabeludo e com uma camiseta do Iron Maiden – quando um segurança nos abordou e disse para esperar na fila como todo mundo. Quando expliquei que seríamos hóspedes, o papo mudou, e é claro que ele nos deixou entrar.

Fizemos o check-in com um atendente bastante atencioso, que visivelmente notou a nossa intenção de ter algum contato com a banda. Eu havia reservado “o quarto mais barato” através do site do hotel, mas ele nos explicou que havia um outro quarto, um pouco mais caro, que daria acesso a um andar exclusivo onde “a banda toma café da manhã e faz o happy hour e, aliás, é onde o Bruce Dickinson está neste exato momento”. Certamente fui convencido a ficar com o quarto mais caro.

Pegamos o cartão que abre a porta do quarto e embarcamos no elevador, que estava lotado. Assim que chegamos ao nosso andar, eu percebi um senhor parado no corredor falando ao celular, mas não dei muita atenção. Quando conseguimos localizar o quarto, decidimos que era hora de tirar algumas fotos. Afinal, não era todos os dias em que estávamos em um hotel bacana, então deveríamos aproveitar a oportunidade. Pouco depois, lá estávamos nós tirando nossas fotos, quando fomos interrompidos aos berros por um segurança do hotel: “eu já disse que vocês não podem ficar aqui!”.

Sheila passou a chave e a porta se abriu. Então, ele se deu conta de que éramos hóspedes. Constrangido, pediu mil desculpas. Acabamos relevando pois, naquele dia, tudo era festa. Se fosse hoje, faríamos uma reclamação formal, e o hotel acabaria nos oferecendo algo de cortesia, talvez uma diária grátis, talvez um jantar. É o justo por ser maltratados. Se não fôssemos hóspedes, seríamos o que?! A equipe de segurança do hotel é tão incompetente, que deixa qualquer um chegar a um andar exclusivo?!

Colocamos nossas coisas no quarto e fomos conhecer a tal área onde rolava o happy hour. Possivelmente era a nossa melhor chance de ter algum contato com alguém da banda. Chegamos e, mais uma vez, fomos recebidos por funcionários muito simpáticos. Tanto a menina da recepção, como o funcionário que atendia às mesas foram sensacionais. Conversamos sobre o Iron Maiden, e eles disseram que sim, alguns integrantes estiveram ali, mas não estavam mais. Decidimos permanecer, enquanto desfrutávamos das vantagens do happy hour: bebidas grátis e diversos petiscos e tira-gosto.

Não demorou muito e Nicko McBrain apareceu para comer. Eu e Sheila já havíamos conversado sobre ser o menos inconvenientes possível, então decidimos esperar, deixando-o se alimentar em paz. Quando ele chamasse o elevador, o abordaríamos. E assim foi. Nicko autografou o álbum “Dance of Death” e um par de baquetas que levei (usado e bem desgastado, que vergonha!), além de tirar uma foto comigo e outra com a Sheila.



Logo a cena se repetiu com Janick Gers. Ele apareceu e foi abordado por fãs que também eram hóspedes. Aproveitamos para tentar falar com ele também. Ele nos atendeu numa boa, tirou fotos e deu autógrafo, e o deixamos em paz para desfrutar do happy hour.


Ao anoitecer, Bruce apareceu. Ele estava pingando de suor da cabeça aos pés, pois tinha acabado de sair da academia. Assim que eu o vi, exclamei:

- Cacete, é o Bruce Dickinson!

Sheila fechou a cara e respondeu (lembrando que ela não é fã de Maiden):

- Esse é o Bruce Dickinson?!

- Sim!

- Ele estava no elevador quando subimos para o quarto e desceu no mesmo andar que nós, ficou no corredor falando ao celular.

Em minha defesa, gostaria de dizer que o elevador estava lotado, cheio de engravatados, e o Bruce estava de roupa social. Era também a minha primeira vez em um hotel daqueles. Eu não iria ficar encarando todo mundo em um ambiente onde eu ainda estava me familiarizando. Hoje seria normal, mas na época era coisa de outro mundo. Senti-me como nos desenhos animados, quando as orelhinhas de burro crescem no personagem.

Enfim, resolvi aborda-lo, mas apenas para conseguir o autógrafo. Provavelmente, se eu pedisse foto, no estado em que ele estava, ele me mandaria “praquele lugar”, então preferi não arriscar. O autógrafo rolou de boa. Meu Dance of Death estava agora autografado por metade do Iron Maiden.

Como as coisas pararam de acontecer, e a Sheila queria aproveitar a banheira do quarto, demos uma descida. Em uma época em que internet por celular ou mesmo por wi-fi não era tão comum, o hotel disponibilizava 2 computadores no “andar especial” para hóspedes que gostariam de se conectar. Decidi ir até lá e publicar as fotos com Nicko e Janick em meu perfil no Orkut. Mas, quando chegamos, surpresa: Bruce estava usando um dos computadores e sua então esposa Paddy (falecida em 2020) usava o outro.

Mais uma vez, eu avaliei que não seria o momento de pedir foto. Ele estava com a esposa, talvez não fosse legal aborda-lo naquela hora. Então, na maior discrição possível, fiz um pequeno vídeo do Bruce usando o computador, pois eu tinha certeza que ninguém acreditaria quando eu contasse. Quando ele terminou, nos aproximamos, e ele fez uma cara pouco amigável, tipo “que saco!”. Mas a Sheila apenas perguntou se ele havia terminado de usar o computador. Ele se assustou, pois não esperava isso. Então respondeu: “o computador?! Sim, eu terminei, pode usar”, e saiu apressado, deixando para trás uma lata de coca-cola que ele estava bebendo.

Rapidamente, postei as fotos, fiz o logoff e, antes de sair, Sheila perguntou se eu levaria a lata para casa. Só imagina eu mostrando aos amigos “esta é a lata em que o Bruce bebeu”. Fala sério! Definitivamente não!

Mais tarde, nada estava acontecendo, e resolvemos descer para o bar do térreo, para ver se algo estava rolando por lá. E foi então que aconteceu o momento mais surreal da minha vida – lembrando que era o primeiro dia que eu fazia um corre, mesmo sem ainda saber que isso era um corre.

Chamamos o elevador e, quando ele chegou, entramos. A porta se fechou e descemos dois andares. A porta abriu, Steve Harris entrou sozinho, a porta fechou. Então imagine: naquele momento, estavam no mesmo elevador, eu, Sheila e Steve Harris que, para mim, sempre foi “Deus”, o melhor, o fodão. Quando o vi entrar, só consegui dizer “Steve Harris” e congelei. Steve, embora não pareça no palco, é um sujeito muito tímido e reservado na vida real. Ele acenou com a cabeça, apertou o andar e baixou a cabeça. Ficou ali, na dele. O elevador descendo e eu completamente congelado.

Para quebrar o gelo, a Sheila disse, em inglês:

- Este é meu marido, ele é muito teu fã.

Neste momento, ele olhou para mim, e eu consegui descongelar. Então, apertei a mão dele, e tentei dizer, também em inglês:

- Meu nome é Adriano, tenho 35 anos e sou fã de Iron Maiden há 25 anos.

O problema é que entrei em loop e, quando dei por mim, estava pagando um senhor mico na frente de Steve Harris, repetindo “third five years”, sem parar. Steve olhou para mim e disse, em claro e bom português:

- Calma!

A partir desse momento, toda a conversa rolou em português. Na hora lembrei do Eddie’s Bar e respondi:

- É mesmo, você tem um bar em Portugal. Entende português?

- Um pouco.

- É o suficiente – Sheila completou

O elevador chegou ao térreo e Harris prosseguiu para a garagem. Eu estava morrendo de vergonha por ter me comportado como um idiota na frente de uma das pessoas que mais admiro, e decepcionado por não ter pedido foto ou autógrafo no trajeto que compartilhamos.

No bar, a coisa estava realmente uma festa. Em uma mesa, ao canto, Janick Gers estava sentado, conversando com algumas mulheres. Em outra mesa, ao nosso lado, Nicko conversava com Rod Smallwood, o poderoso empresário do Iron Maiden. Adrian Smith estava no balcão, sentado nos bancos, e um pouco mais tarde Bruce juntou-se a ele. E eu ali, olhando tudo aquilo, sem acreditar no quão surreal parecia ser.

Quando Rod levantou-se, alguns fãs resolveram tirar foto com ele. Eu não tirei porque, depois de tudo o que estava acontecendo, estava completamente tímido, sem graça. Sheila aproximou-se e pediu uma foto:

- Comigo?! Mas eu não sou da banda.

- É, mas para mim você também é uma estrela do Rock!

Rod abriu um sorrisão e a foto rolou de boa. Nem sei porque não pedi também, mas, enfim, não adianta ficar revirando o que já aconteceu.

Mais tarde, alguns fãs que também estavam hospedados abordaram o Adrian Smith, que tirou fotos numa boa. Sei lá porque, ao invés de fazer o mesmo, preferi me posicionar ao lado do Adrian enquanto ele tirava foto com um dos fãs. Anos depois encontrei o perfil desse fã em uma rede social e me desculpei com ele. Era o nervosismo do primeiro corre. Abaixo, a foto devidamente cortada.



Conforme a madrugada se aproximava, Steve Harris reapareceu, desta vez acompanhado de seguranças. Eu consegui a foto com ele mas, quando Sheila foi tentar a dela, um dos seguranças disse “já acabou”. Ela começou a discutir, dizendo que só queria um autógrafo. Steve, que estava de costas, ouviu, e a chamou. A foto dela não rolou, mas conseguimos o autógrafo.


Percebemos que, fora do hotel, eles pararam para tirar fotos com alguns fãs. Um deles, que eu ainda não conhecia, seria um grande companheiro de corres no futuro: Leo "Wacken". Fomos até lá para tentar conseguir a foto de Steve com a Sheila, mas não rolou. Nos contentamos em fazer um vídeo. Depois soube que ele e Janick deram uma passada no Manifesto Bar.


Saí do hotel para fumar um cigarro e fui abordado por alguns fãs, que pensaram que eu era da equipe da banda. Um deles era Marcelo Zava, que no futuro, fez – e ainda faz - diversos corres comigo. Outro era um um fã que acabou se hospedando também. No dia seguinte, ele foi essencial para que rolasse a foto com o Bruce, pois nos avisou quando ele apareceu para tomar café. Fomos para lá e sentamos algumas mesas distante. Aguardamos pacientemente que ele finalizasse a refeição. Após, pegou um jornal e leu por pelo menos meia hora. Então, quando se levantou, o abordamos e a foto rolou, fácil.


Algumas horas antes, eu e Sheila acordamos e levantamos cedo, justamente para tentar encontrar com Bruce ou Dave Murray no café da manhã. Não encontramos, mas na mesa ao lado à que estávamos estava Paddy, a esposa de Dickinson. Conversamos rapidamente e ela foi muito simpática. Lamento não ter pedido para tirar uma foto com ela.

A hora de fazer o check-out chegou e tivemos que ir embora. Dos seis integrantes do Iron Maiden, conseguimos contato com cinco. O único que não vimos foi Dave Murray. De lá seguimos para casa, onde assistimos Palmeiras 1x0 Corinthians pela TV e, então, fomos ao show. Que final de semana inacreditável!