quarta-feira, 2 de março de 2016

Olivia Newton-John

O corre da eterna parceira de John Travolta, Olivia Newton-John parecia fácil. Bastaria esperar no aeroporto, conseguir a foto e o autógrafo, e fim. Enquanto esperava, consegui um bônus, pois o narrador Galvão Bueno desembarcou. Muita gente dizia que ele é antipático, mas foi de boa. Você pode até não gostar dele, mas é uma parte importante na história esportiva brasileira: "Sai que é tua, Tafarel!!!", "Ronaldiiiiiiiiiiiiinho!", "Ayrton, Ayrton Senna do Brasil", "Acabooooou! Acabooooou! Acabooooou! É tetraaaaaaaa! É tetraaaaaaaa! É tetraaaaaaaa! O Brasil é tetra campeão mundial de futebol", e tantos outros bordões criados por ele que jamais sairão de nossas memórias...


Quando Olivia desembarcou, a abordei e entreguei a foto. Ela autografou e devolveu. Era só tirar a foto com ela, e fim. O problema foi o bando de idiotas que fizeram aquele corre. Ninguém sabia esperar a vez. Ela não estava me atendendo?! Esperasse terminar! Mas não, todos a cercaram, de forma tão desesperada e agressiva, que certamente a assustou. Pior: mais louca do que nunca, Anebelle, que normalmente já não sabe esperar a vez, neste dia resolveu cutuca-la insistentemente, a ponto de o marido de Olivia, John Easterling, interferir e praticamente arrasta-la para o carro que os aguardava. Foi uma das piores recepções de fãs a artistas que já presenciei. 

John Easterling, Olivia Newton-John e um dos músicos da banda da cantora

Os hunters do bem tomaram um táxi e seguiram o carro. Eu e Marcelo Zava não fomos tão ágeis, pois o carro dele estava estacionado um pouco distante. Como não sabíamos o hotel que ela ficaria, combinamos com o Japonês, que também estava de carro, que iríamos para os hotéis da região da Avenida Paulista, enquanto ele verificaria os da zona sul. Estávamos certos, pois um dos hunters do bem, passou a informação de qual era o hotel correto para Marcelo Zava, e era na região para onde estávamos a caminho. Avisamos o Japonês e seguimos para lá.

Anebelle, também de carro, teve o mesmo problema que eu e Zava, ou seja, carro estacionado longe. Como ninguém lhe passaria a informação, fez o que chamamos de via-crucis, indo de hotel em hotel até encontrar. E, infelizmente, encontrou. Apesar de toda confusão que causou no aeroporto, ela conseguiu foto com Olivia. Não satisfeita, achou que não ficou boa, e estava querendo tirar mais uma. Oh, meu saco! 😠

Quando Olivia saiu para jantar, eu estava fumando fora do hotel. Zava, Japonês e mais alguns a esperavam dentro do hotel, próximo ao elevador, e conseguiram. Anebelle também. Mais uma vez, a cena do aeroporto se repetiu, mas ainda assim ela conseguiu a segunda e a terceira foto. Novamente, a doida achou que nenhuma ficou boa, e queria mais. Acuado, o marido mais uma vez interveio, saiu apressado do hotel com Olivia, se pôs na frente dela para que ninguém a abordasse, e solicitou auxílio dos seguranças do hotel.

Eu e Carlos nos aproximamos para conversar com ele, mostrando um comportamento civilizado, que a maioria de quem estava ali jamais seria capaz de demonstrar. Ele disse que sentia muito, mas que a esposa não atenderia ninguém enquanto a doida estivesse ali. Não seria nada fácil, já que a maluca nunca larga o osso...

Sheila, que havia saído há pouco do trabalho, chegou ao hotel, mas disse que não ficaria, pois faria uma visita à minha mãe, que estava internada em um hospital. Me chamou para ir com ela, mas não aceitei. "É sua mãe! Você deve isso a ela!". Penso um pouco diferente: tive mais de 40 anos para falar o que quiser com ela, e ela comigo, e realmente falamos, éramos próximos. Uma hora a mais, que era o tempo autorizado para visita, não faria diferença alguma, e logo ela estaria em casa. Não fui e não me arrependi, embora ela tenha falecido três meses depois. Mantenho a posição: ter uma hora a mais com ela não faria diferença alguma.

Infelizmente nada mais aconteceu, pois arrumaram um esquema para que Olivia retornasse pela garagem, onde não havia a menor chance de contato. Pior: no dia seguinte, tive que fazer meu papel de marido e acompanhar Sheila em um exame que exigia a presença de acompanhante. Se houvesse tempo, tentaria mais uma vez. Porém, assim que o exame finalizou, recebi uma mensagem da Jéssica, comunicando que Olivia saiu do hotel, e atendeu os cinco fãs - Anebelle não estava lá - na maior má vontade. Infelizmente compreendo o porquê. Nos desculpe por isso, Olivia! Bem que gostaríamos que a doida sumisse para sempre, ela sempre nos atrapalha. Mas era a primeira vez que atrapalhou a ponto de eu não conseguir.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Enforcer - o corre que não deveríamos ter feito

A bem da verdade: até então eu e Carlos nunca ouvimos falar em Enforcer. Carlos, inclusive, achava que era uma banda nacional. Mas era fevereiro, período de poucos corres, logo depois da abstinência de shows de dezembro e janeiro, então fomos. Antes, demos uma passada em um bazar fit beneficente organizado por Karina Bacchi para arrecadar fundos para a ONG Florescer. Conseguimos a foto com Karina e seguimos para o Inferno Club, onde aconteceria o show. Leo e Ellen também estavam lá tentando conseguir as fotos.

Logo que a passagem de som terminou, três integrantes saíram da casa, separadamente. Um a um, os abordamos, e todos tiraram fotos conosco, mas foram chatos demais para uma banda série D. Bandas tão pequenas geralmente são mais legais, mas todos pareceram não estar muito a fim de interagir com ninguém. O baterista, entretanto, demorou demais para sair. Quando saiu, Ellen e Leo o abordaram e conseguiram a foto. Eu e Carlos estávamos um pouco afastados, tentamos nos aproximar, mas ele rapidamente atravessou a rua Augusta e foi direto para um estacionamento.

Nós o seguimos, mas ficamos sem graça de entrar, pareceu um pouco invasivo. Estávamos na porta, quando algum amigo saiu do estacionamento e disse:

- E aí, Adriano. Já conseguiu as fotos?

- Falta com o baterista ainda.

- Eles estão sem fazer nada, aguardando o manobrista buscar a van.

Agradeci a informação e decidimos entrar. O baterista estava encostado em uma pilastra. Eu o abordei e perguntei se poderíamos tirar uma foto. A resposta: "maybe after show". O corre terminou ali, para mim e para Carlos. Tivemos que assumir a maior mancha de nossas carreiras: acabamos de levar naba de alguém de uma banda série D.

Olof Wikstrand, vocalista e guitarrista do Enforcer
Tobias Lindqvist, baixista do Enforcer
Joseph Tholl, então guitarrista do Enforcer. Ele saiu da banda em 2019

Karina Bacchi

A edição tupiniquim da revista Playboy foi criada em 1975 pela Editora Abril, que negociou o lançamento da edição brasileira com a direção da Playboy nos Estados Unidos. Em pleno governo militar, com a imprensa sob censura prévia, foi necessário conseguir o aval do então Ministro da Justiça, Armando Falcão, que recebeu garantias de que os ensaios seriam mais comportados e que o conteúdo editorial seria "muito mais intelectual e sofisticado que qualquer revista que circulava no país". Ainda assim, inicialmente, o plano foi vetado, pois o ministro declarou que "não poderia fazer nenhuma revista com o nome Playboy no Brasil, não importava o conteúdo". Observando uma brecha, a editora reenviou os planos sob o título "A Revista do Homem", conseguindo a aprovação.

Com a abertura política iniciada no governo Geisel, em 1978, a revista finalmente passou a se chamar Playboy no Brasil. Com efeito, os ensaios com as brasileiras eram mais artísticos e comportados, apenas de vez em quando aparecia um seio ou uma bunda desnuda. Os primeiros ensaios mais ousados das brasileiras, que mostravam os pelos pubianos, só começaram a aparecer lá por 1980.

Em uma década onde a depilação genital definitivamente não era um padrão, lembro a polêmica que houve com o ensaio de Terezinha Sodré, que era depilada. Em 1986, a revista manipulou as fotos, com as técnicas existentes em uma época em que o Photoshop não existia, inserindo pelos pubianos na área onde deveriam estar, a fim de "manter a intimidade de Terezinha" (wtf?!). Mostrar pelos era ok. Vaginas, jamais!

Ainda demorou 20 anos para que esse padrão fosse quebrado. Em 2006, a revista já agonizava com baixa vendagem, resultado direto da concorrência com o conteúdo diferenciado e a pirataria proporcionados pela internet. Ninguém estava mais interessado em pagar pela revista: mal era lançada nas bancas, e as fotos já começavam a pipocar em algum site ou grupo de discussão.

O ensaio de Karina Bacchi, em 2006, não apenas revelava sua vagina, como também uma surpresa adicional: um piercing digital. Deu o que falar e a revista foi uma das campeãs de vendagem, com 278.422 exemplares comercializados. É pouco se comparado com a campeão absoluta de vendas no país, a edição de dezembro de 1999, que trouxe Feiticeira (Joana Prado) na capa e no ensaio principal - foram mais de 1.247.000 cópias vendidas - mas, enfim, os tempos eram outros. Em 1999 eram poucos os usuários da internet no Brasil e não havia opções de banda larga para usuários comuns - a primeira opção, o Speedy, da Telefonica, foi lançada em São Paulo em 2000.

Dois anos depois do ensaio de Karina Bacchi, comecei a fazer corres. Quando fiquei bom o bastante, coloquei o nome dela em uma lista de celebridades que eu gostaria de conhecer. A oportunidade surgiu em 2016, quando ela anunciou no Instagram que faria um bazar fit para arrecadar fundos para a ONG Florescer. Fui até lá com o Carlos, e conseguimos, muito fácil. Depois, seguimos para o corre do Enforcer.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Tankard

Entre 2016, quando o terminal 3 do aeroporto de Guarulhos foi inaugurado e 2020, quando houve a pandemia de COVID-19, monitorar voos vindos da América do Sul era complicado. Quase todos os voos internacionais, especialmente de ou para Europa e Ásia partiam e chegavam no terminal 3, mas os voos que partiam ou chegavam de países como Chile, Argentina ou Colômbia poderiam ser tanto no terminal 3 como no terminal 2. Muitas vezes havia voos da mesma cidade chegando ou partindo ao mesmo tempo ou com diferença de cinco ou dez minutos em terminais diferentes.

O Tankard vinha de Santiago e havia voos chegando tanto no terminal 2 quanto no terminal 3, praticamente no mesmo horário. Sem saber o que fazer, eu, Ellen e Janice utilizamos o avançado método "unidunitê" para escolher monitorar o desembarque do voo que chegava no terminal 3. Mais de meia hora passou-se após o pouso, então percebemos que praticamente todos os passageiros do voo já tinham desembarcado, e que a possibilidade da banda ainda estar lá dentro resolvendo algum problema alfandegário era baixa.

Decidimos correr ao terminal 2 para ver se era possível monitorar o final do desembarque do voo que pousou lá. Quando chegamos, eu e Ellen fomos diretamente ao portão de desembarque, enquanto Janice foi verificar a parte externa do terminal. Ela retornou desesperada, dizendo que tínhamos perdido, pois conseguiu ver os últimos músicos entrando na van, que fechou a porta e partiu. Na tomada de decisão mais rápida da história, Ellen decidiu tomar um táxi e seguir a van. Eu e Janice não tínhamos dinheiro para ajudar, mas Ellen não se importou em nos levar. O motorista também ajudou dando uma acelerada, então não demorou para estarmos logo atrás da van.

A van seguiu diretamente para o Hangar 110, onde o show aconteceria. Assim que estacionou e os músicos começaram a desembarcar, Ellen rapidamente pagou o motorista -  foi uma paulada: R$160,00! - enquanto eu e Janice descemos e tentamos impedir que entrassem na casa de shows até que Ellen também conseguisse as fotos. Eu e Janice fizemos o trabalho direito e todos conseguimos fotos e autógrafos com toda a banda.

Andreas "Gerre" Geremia, vocalista e fundador do Tankard
Andreas "Andi" Gutjahr, guitarrista do Tankard desde 1999
Frank Thorwarth, baixista e fundador do Tankard. A luz estourou na imagem, mas foi o que deu pra conseguir na correria 
Olaf Zissel, baterista do Tankard desde 1994

Lucas, da Overload, produtora responsável por trazer a banda ao Brasil, ficou puto ao nos ver abordando os músicos. Embora a ideia do táxi tenha sido da Ellen, ele marcou somente a minha cara e ficava mais puto ainda quando me via nos hotéis: "esse cara pagou um táxi para seguir a banda"... Quem dera eu tivesse dinheiro para faze-lo. 😁

Antes de sair do local, fui encontrado sem querer por alguns amigos que lá estavam para ver o show. Um deles, que até então eu só conhecia pelo Facebook - mas sempre conversamos bastante - era o Jeffão. Tirei uma foto com ele e os amigos dele para marcar o momento. Ele faleceu dois anos depois, vítima de pancreatite. Foi a única vez que nos encontramos.

Jeffão era o barbudo imediatamente ao meu lado. Esteja onde estiver, que descanse em paz!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Claudia Ohana

Conhecer Claudia Ohana era um sonho antigo, não apenas por ser uma atriz talentosa mas, principalmente, por ser musa de minha adolescência. Quem viu o ensaio dela na Playboy de fevereiro de 1985 sabe do que estou falando: em uma época onde não depilar as partes íntimas era absolutamente natural, Ohana chamou atenção pela quantidade absurda de pelos pubianos.


Após monitora-la durante algum tempo, finalmente surgiu a oportunidade, pois a peça "Uma Luz Cor de Luar", estrelada por ela, estreou em São Paulo, no Shopping Eladorado. Fui para o teatro com a Jéssica e, após o fim da peça, esperamos algum tempo até que ela aparecesse. Não sei porque, mas imaginava que fosse mais alta. Encontrei uma mulher mignon e extremamente simpática. Com certeza valeu a pena tentar conhece-la... e conseguir!

Como bônus, uma foto com seu companheiro de elenco Bernardo Mesquita


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Village People

Em dezembro de 2015, um inusitado corre de última hora simplesmente surgiu. Eu estava pesquisando no Google sobre as bandas que viriam ao Brasil em 2016, quando vi a notícia do show do Village People em São Paulo, ainda em 2015. Obviamente sou muito bem informado no que diz respeito aos shows que acontecem em São Paulo, estou sempre pesquisando sobre o assunto, mas fui completamente surpreendido, eu simplesmente não tinha ideia de que essa banda passaria pela cidade. Pior: o show seria em apenas... 3 dias!

Durante o tempo em que fiz corre, o Village People veio em 2011. Kevin me chamou, mas eu não quis acompanha-lo. Depois que ele conseguiu, pensei "por que não fui?!". É um estilo que eu jamais colocaria para tocar por livre e espontânea vontade, mas todos que viveram os anos 70 e 80 - e eu vivi - tiveram a vida marcada de alguma maneira por hits como Macho Man e Y.M.C.A, que embalavam todas as festas e baladas.

Se eu tivesse aceitado o convite, teria conhecido David "Scar" Hodo, o operário da formação original. Quando tentei conhece-los, quatro anos depois, apenas Felipe Rose (o Índio) e Alex Briley (o soldado) ainda restavam como integrantes originais. Depois ambos também saíram, mas o vocalista original Victor Willis (o policial) retornou. Por isso, se o Village People voltar ao país, eu estarei novamente.

O show foi no Studio Verona, em Santana, zona Norte. Desconfiávamos de alguns hotéis que eram bastante suspeitos de hospedar a banda, pois eram próximos ao local. Fomos em alguns deles e não detectamos sinal algum de que o Village People estivesse lá. Decidimos ir até o local do show para, quem sabe, conseguir alguma informação. O maior problema é que, ao vivo, a banda usa playback, para todos possam pular e dançar a vontade enquanto cantam. Será que banda assim passa som? É o que iríamos descobrir.

Quando chegamos, uma van vazia deixava o local. O motorista desceu para trancar o portão, Jéssica se aproximou e perguntou se ele estava com a banda, ele confirmou. Ela perguntou o hotel, e ele respondeu uma opção muito improvável: Hilton. Era literalmente do outro lado da cidade, longe pra caramba, não fazia sentido algum. Parecia que ele estava nos trollando mas, naquela altura, era a única informação que tínhamos, então decidimos averiguar. 

Quando chegamos, esperamos por algum tempo, sem sinal algum. De repente, vi alguém fantasiado dentro do hotel. Não enxergo tão bem a noite, então apontei na direção e pedi para que Carlos desse uma olhada. Ele já começou a me tirar um barato: "alguém fantasiado kkkk é o índio!". Com efeito, era ele mesmo. Mas eu esperava encontra-lo com um cocar enorme, tal como o que usava nos clipes, mas era apenas um penachinho. De qualquer forma, está valendo.

Era deste modo que Felipe Rose se apresentava nos anos 70/80 e era assim que eu esperava encontra-lo
Felipe Rose saindo do hotel já devidamente fantasiado, pronto para subir no palco

Um a um, todos saíram e nos atenderam. O cowboy, o soldado e o motoqueiro estavam, tal como o índio, devidamente trajados, o operário e o policial não. Todos foram extremamente simpáticos, pareceu mais um encontro de amigos do que um corre de banda.

Bill Whitefield era o novo operário, substituindo o clássico David Hodo
Jim Newman era o cowboy, substituindo Jeff Olson, que viveu o personagem por 23 anos entre 1990 e 2013
Alex Briley, o soldado, era o outro remanescente da formação original
Ray Simpson era o policial, estava na banda desde 1987
Eric Anzalone, o motoqueiro, na banda desde 1985. O integrante original, Glenn Hughes, faleceu em 2001 de câncer no pulmão

sábado, 5 de dezembro de 2015

Comic Con 2015: Jorge Garcia

Alerta de spoiler: contêm algumas confissões de crimes de menor gravidade, todos já prescritos.

Lost foi um seriado extremamente marcante em minha vida e, principalmente, na vida de Sheila. O interesse dela foi tanto, que começou a participar da comunidade Lost Brasil, no Orkut, onde eram debatidas as teorias sobre os mistérios da ilha. Não demorou muito para que encontros presenciais fossem agendados, e ela conheceu pessoas com quem mantêm amizade até hoje. A bem da verdade: quando foi lançada, em 2004, a série não era oficialmente exibida no Brasil. A Globo só começou a exibir os episódios da primeira temporada em 2006, quando já estávamos assistindo à terceira temporada.

Era época onde serviços como Megaupload, File Factory,  Depositfiles, Easy-Share, entre outros, pagavam pelo download de arquivos que estivessem hospedados em seus servidores. Geralmente era um dolar para cada 1.000 downloads. Pode parecer pouco, mas logo percebemos que poderíamos conseguir milhões de downloads. Não demorou para que começássemos a subir os episódios em diversos formatos (AVI, RMVB, RMVB legendado). A coisa chegou em um nível tão doentio, que havia uma noite na semana em que não dormíamos, apenas para estar com os arquivos em dia nos servidores.

Se não me engano, cada episódio saía por volta de 2 da manhã. Fazíamos o upload para os servidores e assistíamos em inglês, sem legendas. Até o amanhecer, a legenda já estava disponível, então codificávamos um arquivo RMVB com ela, e também subíamos para os servidores. Quando eu estava no ônibus ou no metrô, a caminho do trabalho, assistia novamente, desta vez com a legenda. De noite, após o expediente, assistíamos pela terceira vez. Todo esse esforço compensou e muito: nosso orçamento ficou muito mais folgado, pois recebíamos diversos pagamentos dos servidores. Foi, inclusive, com essa folga, que conseguimos, em nossos primeiros corres, pagar os hotéis onde as bandas estavam.

Então é claro que, quando comecei a fazer corres, qualquer aproximação com qualquer integrante do elenco seria especial para nós. Algumas vezes conseguimos, outras não tivemos sorte. No decorrer dos anos, conhecemos Evangeline Lilly (Kate Austen), Naveen Andrews (Sayid Jarrah) e Rebecca Mader (Dra. Charlotte Lewis). Em compensação, Dominic Monaghan (Charlie Pace), Ian Somerhalder (Boone Carlyle) e Rodrigo Santoro (Paulo), estiveram no Brasil após a gravação do seriado, mas não conseguimos conhece-los. Agora era vez de um de nossos personagens prediletos: Hugo Reyes, o Hurley, interpretado por Jorge Garcia, que viria para a segunda edição da Comic Con em São Paulo.

No dia da chegada dele ao país, eu e Sheila acordamos cedo e fomos ao aeroporto de Guarulhos, para tentar conseguir foto com ele assim que ele passasse pelo portão de desembarque. No caminho, curiosamente, fomos conversando sobre a polícia federal, responsável por toda a segurança do perímetro aeroportuário. Lembro claramente de dizer a ela que eu jamais arrumaria confusão no aeroporto pois, até onde sei, seria tratado como crime federal, não como crime comum. Parecia até que eu estava prevendo o que estava prestes a acontecer...

Quando chegamos, logo identificamos dois grupos que não gostaríamos de encontrar: os hunters que vão em corres de cantoras como Ariana Grande, Lady Gaga, Pink, Beyoncé, Shakira, Jessie J, Katy Perry, Lana Del Rey, entre outras. Eles são conhecidos por diversas características desagradáveis, que incluem andar em bando - quando um tem uma informação, é como se todos tivessem, um passa para o outro, que passa para o seguinte; então chegam ao hotel ou aeroporto em grupos de 10, 20 pessoas. Além disso, não tem a menor noção de respeito ou civilidade: berram, choram, se jogam no chão, desrespeitam segurança, xingam a artista se ela não quiser atender. Enfim, um bando de arruaceiros. São 10 vezes piores que os hunters do bem.

Enzo*, um dos representantes desse grupo, me disse uma vez que não se incomoda em se humilhar para a artista, "pois ela nunca mais o verá novamente". Na maioria das vezes eles conseguem fotos incríveis. Porém, para conseguir como eles, prefiro não conseguir. Meus corres são educados, calmos, procuro proporcionar uma experiência legal para o artista e para mim mesmo. Já eles... Não tem nem como comparar!

O segundo grupo era ainda mais preocupante: três integrantes de uma equipe do Pânico. Eles estavam ali para tumultuar, a ideia era se jogar em cima de Jorge Garcia, berrando e fazendo o estilo "fã maluca", empurrando o cara, apenas porque seria engraçado colocar isso na TV. Grupos como esses já tentaram nos atrapalhar anteriormente, em corres como Paul McCartney, Paulo Maluf e Quentin Tarantino. Nos dois primeiros, não conseguiram, mas no último ficamos sem a foto por causa deles. Era de se prever que conseguir a foto com Jorge Garcia seria muito complicado.

Decidimos deixar que os outros fizessem a abordagem, pois seria pior se abordássemos primeiro, pois com certeza surtariam. Porém, admito: não foi tão ruim quanto pensamos que pudesse ser. Garcia desembarcou com a família e não pareceu muito disposto a atender, mas parou e começou a dar autógrafos. Houve alguns gritos, alguns empurrões, mas aparentemente todos conseguiríamos ao menos uma foto com ele.

De repente, senti alguém pulando em minhas costas, o que me fez desequilibrar e quase cair em cima de Jorge. Era um dos engraçadinhos do Panico, berrando para Garcia lhe dar a mão, "pois ele não estava mais perdido". Nesse momento, Jorge desistiu de atender e entrou o mais rápido que pode no carro que o aguardava, enquanto o mesmo cidadão lhe pedia um abraço, tudo para tumultuar. Sheila conseguiu registrar Garcia entrando no veículo, mas meu cabelo quase o encobriu.


Enquanto eu guardava a câmera e a foto que levei para Jorge autografar, Sheila passou pelo pessoal do Panico e disse algo como "eu não entendo como vocês podem acordar cedo apenas para vir atrapalhar a vida de quem só quer conseguir uma foto com ele", e seguiu caminhando. A essa altura, eu já havia guardado tudo e caminhava alguns metros atrás dela, quando ouvi um deles dizer algo como "essa vagabunda não tem louça para lavar em casa?!".

Primeiro, ele estava xingando a minha esposa. Segundo, ele tinha atrapalhado uma foto que seria uma das mais especiais para mim. Me aproximei sem dizer nada e já cheguei socando o infeliz, que caiu ao chão. Em seguida bati no segundo e já estava correndo atrás do terceiro. Foda-se se era crime federal, eu estava super a fim de socar a cara deles e naquele momento nada iria me impedir, nem mesmo os federais. Porém, para minha surpresa, em um aeroporto completamente monitorado por câmeras, ninguém apareceu.

Sheila tentou me segurar, quando um deles me acertou um soco na lateral do rosto. Consegui me desvencilhar e pancadaria continuou. Quando ela conseguiu me segurar novamente, tomei outro soco, na outra lateral. Nada muito ruim, eles bateram como menininhas. Mas ela me convenceu a finalizar a briga e embarcar com ela em um ônibus que fazia o traslado entre os terminais. Assim que a porta se fechou, conosco dentro, um deles começou a chutar o vidro da porta, berrando algo como "marquei a sua cara, você está fudido", aquelas coisas que se diz quando uma briga termina. 

Do terminal 3 fomos ao terminal 1, onde tomamos o ônibus para o Tatuapé. Tomamos o metrô, baldeamos na Sé e em Pinheiros, e fomos até a estação Morumbi, para continuar o corre no hotel Hyatt, onde a maioria das atrações da Comic Con estavam hospedadas. Jorge Garcia hospedou-se no Fasano. Não tentamos ve-lo novamente, preferimos ficar onde estávamos, pois havia muitos outros artistas ali, e somente Garcia no Fasano.

De repente, recebi uma mensagem da Jess perguntando se estava tudo bem, respondi que sim. Ela disse que ouviu diversas versões sobre o que aconteceu. Uma delas dizia que fui algemado e preso, outra que fui eu quem levou a pior, que saí sangrando. A foto abaixo, com o escritor e desenhista de histórias em quadrinhos Frank Miller, aconteceu cerca de três horas após a briga. Parece que fui preso ou que apanhei?!


Posteriormente, comentando sobre o ocorrido com outros hunters, como Carlos e Marcelo Zava, lamentei muito que a maioria não tivesse se interessado em fazer esse corre. Todos, sem exceção, disseram que, se estivessem, o pau teria comido solto. Entre os hunters, ninguém gosta desses caras.

ATUALIZAÇÃO

Após postar esse texto, um amigo me enviou um vídeo gravado pelo Panico, que mostra muito do que contei, a partir de 00:59. Eu apareço em 01:35, com a mesma camiseta do Blaze Bayley da foto acima.