sexta-feira, 25 de março de 2011

Iron Maiden - São Paulo

Enfim, o Iron Maiden retornou ao Brasil, desta vez com shows em seis cidades. Meses antes, Ricardo Pacheco enviou-me um e-mail revelando quais seriam os hotéis de todas as cidades e também os vôos que ele reservou, o que me possibilitou reserva-los também. Por dois anos usei apenas o salário para sobreviver, pagar as contas e me divertir. Todo dinheiro extra, como o décimo terceiro ou os 30% adicionais das férias, foi depositado em uma conta poupança, criada para custear os shows, hotéis e passagens, que eu sabia que não seriam baratos. Também acumulei horas extras para reforçar o banco de horas, de forma que eu pudesse me afastar do serviço pelo tempo que fosse necessário. Nesse período, Sheila decidiu ir para os Estados Unidos nas férias, mas não a acompanhei porque era isso ou o Maiden. 

A ideia era ir em todas as cidades no Brasil + Buenos Aires + Santiago. No entanto, eu não tinha tanto dinheiro, então tive que optar entre São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Buenos Aires e Santiago, abrindo mão de Brasília, Belém e Recife, ou ir em todas as cidades nacionais, e esquecer as gringas. Já que os shows eram os mesmos, o critério foi o número de cidades, já que assistiria um show a mais se ficasse restrito ao Brasil.

O planejamento foi longo e detalhado, já que incluía diversas cidades, ingressos, hotéis e vôos – mas ainda assim houve erros, que serão comentados no decorrer deste relato. O custo inicial “da brincadeira” foi cerca de R$6.328,78, assim dividido: R$1052,18 (ingressos), R$4.276,60 (hotéis), e cerca de R$1.000,00 (passagens). Houve vôos que considerei caros, como o de Brasília para Belém, que custou R$335,64, enquanto outros foram extremamente baratos. O voo de Recife para Curitiba custou apenas R$19,62, pois usei milhas e paguei apenas a taxa de embarque. Infelizmente não mantive registros com o custo exato de cada voo mas lembro que o último, de Curitiba para São Paulo, pela Webjet, custou R$32,00. Quanto aos ingressos, optei sempre por comprar os mais baratos, o que significa que assisti a todos os shows de lugares ruins – para ver a banda de perto, eu veria nos hotéis. Há, é claro, outros custos, como transporte local e alimentação, mas esses não faziam parte dos custos pré-turnê.

Eu e Ricardo não éramos os únicos a seguir a banda regularmente. Vários amigos faziam isso, e muitos continuam a fazer até hoje. Em um e-mail, Ricardo mandou a “lista atualizada”. Um dos que receberam a mensagem respondeu: “Pacheco, você vai levar essa lista em todos os shows e fazer a chamada?”. De qualquer forma, a lista está incompleta, faltam nomes como Julio, Arthur e Eric.


Ingressos


Hotéis


Vôos


Retornando ao que interessa, assim que chegamos ao Hilton, eu e Sheila percebemos a aproximação da van do Cavalera Conspiracy, e aproveitamos para tirar uma foto com o Max, que era o único ocupante do veículo. Sempre ouvi falar que ele se recusa a assinar álbuns do Sepultura, mas Kevin insistiu um pouco e ele acabou assinando. Na ocasião eu não estava com nada pra ele que ele assinasse.

Max Cavalera
Quando entrei no hotel, já pressenti a desgraça, pois havia muito mais fãs hospedados do que fora do hotel. Pior ainda, a maioria que se hospedou o fez com dois hóspedes e um convidado – na prática, dividem a conta em três, para ficar barato para todos. Se fosse um quarto fazendo isso, não haveria problemas, mas eram dezenas.

Fomos ao andar exclusivo (aquele em que a banda toma café da manhã e faz cofee-break, lembra?), que estava tomado por fãs. Quando Bruce apareceu, até tentou atender, mas eram muitos e definitivamente não sabiam se comportar, então assinou alguns itens aleatórios, mas logo desistiu e foi embora.

De noite foi ainda pior. O Canvas (bar do primeiro andar) estava tomado pelas mesmas dezenas de fãs. A porta do elevador se abriu e então surgiu Steve Harris. Um fã exibiu a caneta de autógrafo, deixando bem clara sua intenção. Steve teve a infeliz idéia de sinalizar que o atenderia. Foi o que bastou para que fosse imediatamente cercado, em todas as direções, por cerca de 80 fãs. Ele atendeu a todos. Mas de boa? Fiquei com pena dele! Os infelizes nem ao menos se organizaram ou formaram uma fila para que tudo acontecesse de maneira calma e civilizada. Steve é um cara bacana, já o vi atender todo mundo diversas vezes - mas ali estava ele cercado por um monte de gente, cada um querendo ser o próximo a ser atendido a qualquer custo. Quando atendia o da direita, o da esquerda o cutucava - e vice-versa. Fiquei com vergonha alheia total e nem cheguei perto. Lógico que queria mais uma foto com ele, mas não assim.

No dia seguinte, fui tomar café e, estranhamente, não havia outros fãs no andar exclusivo. Por outro lado, Janick Gers estava lá. Peguei o celular e liguei para Sheila, com uma mensagem curta e grossa: "sobe aqui agora". Também mandei uma mensagem para uma amiga que estava hospedada, Mariana, que anos antes havia me pedido para ajuda-la a conhecer o Gers, pois ele é "o amor de sua vida". Disse apenas "Janick está no bar. Não avisa ninguém e vem".

Hospedada com duas amigas, eu sabia que viriam as três, mas cinco pessoas não são suficientes para assusta-lo. Ela chegou tremendo muito - assim como eu tremi quando vi Steve pela primeira vez. Desabou no choro também. Eu disse "enxuga as lágrimas e vamos trabalhar". Janick havia finalizado a refeição e agora estava sentado no parapeito da janela, tirando fotos da vista com seu iPhone.

Mariana estava louca para aborda-lo, mas eu a segurei: "o cara sabe que estamos aqui, sabe o que queremos. Se ele quiser, nos atenderá". Eu havia revelado a foto que tirei com ele em 2008, então a peguei e simplesmente deixei em cima da mesa. Janick se levantou, desta vez falando ao celular e passou por nós. Olhou para a foto e deu uma risadinha.

Mais uma vez, Mariana quis aborda-lo, e mais uma vez eu impedi: "Porra, se liga, o cara está no celular, deixe-o conversar em paz". E ela toda tensa: "Mas e se ele for embora?". "Significa que ele não quer nos atender, oras. É direito dele! Não é porque estamos aqui que ele tem obrigação de tirar uma foto com a gente".

Mais de meia hora se passou e ele ali, conversando. Mariana não tirava os olhos, mas eu nem prestava mais atenção. De repente, uma mão pegou minha caneta e começou a autografar tudo. Aconteceu tudo exatamente da forma que eu disse. Ele percebeu que respeitamos o seu momento ao celular e enquanto tirava fotos na janela, e simplesmente veio nos atender. Simples. Todos conseguimos fotos e autógrafos sem nem ao menos aborda-lo. Sensacional! Depois eu soube que Janick saiu do hotel, atendeu os fãs, e caminhou até um bar nas proximidades. Me chamaram para ir lá, mas eu não iria incomoda-lo novamente.


Quando estava anoitecendo, Sheila e eu estávamos no andar exclusivo, quando Bruce apareceu e sentou-se em uma mesa mais escondida, para comer alguma coisa. Decidimos esperar que finalizasse a refeição para aborda-lo. Foi então que tudo deu errado: Jonas e o Mestre, que também estavam hospedados, apareceram, e perceberam o que estava acontecendo.

Um outro fã aleatório, ainda pior que eles, também apareceu e, quando viu que Bruce estava ali, ficou de pé próximo à mesa do vocalista, sinalizando todo o tempo, indicando querer um autógrafo. Mau humorado, e com razão, Bruce também sinalizava e chegou a adverti-lo verbalmente, deixando bem claro que não o atenderia.

Ele, entretanto, insistia em ficar cercando o cara. "Falamos um monte", pedindo para que se comportasse, explicando que essa atitude iria atrapalhar a todos, mas ele estava irredutível em sua missão de ser o chato do dia – nem Kevin conseguiria ser pior. Disse que teria que conseguir rápido, já que combinou buscar sua tia para leva-la ao show (porra, ou você quer levar sua tia, ou você quer autógrafo do Bruce. Ou um ou outro, cacete!).

Até que chegou um momento em que ele foi até a mesa do Bruce, que reagiu de forma muito irritada, mas "autografou" o "Seventh Son of a Seventh Son". Na verdade, foi um rabisco, e muito do mal feito. O pentelho saiu comemorando. Bruce, por sua vez, levantou-se para sair de lá. Já estava perdido, mas o que é ruim sempre pode piorar: Jonas correu até ele e o Mestre o seguiu, mas levando chocolate nas mãos, para oferecer ao vocalista. A essa altura, um segurança havia chegado e ficou indignado:

- O que é isso?! Você acha que está em um zoológico oferecendo comida aos bichos?

Ele, então, retirou Bruce do local que, é claro, saiu sem atender ninguém. 

Fomos ao show, voltamos e fomos ao Canvas. Kevin, é claro, tinha uma ideia chata em mente. Disse que se hospedou em 2009 e que, em todas as noites, Bruce escolheu uma poltrona em um canto específico do bar para se sentar. Continuou dizendo que se sentaria ali e que, se Bruce quisesse o lugar, teria que atendê-lo. Quando Bruce apareceu, ele olhou para Kevin, sentado em “sua poltrona” e fez um comentário com algum integrante da equipe. Por um longo tempo, ele olhava, cada vez mais irritado, e comentava mais alguma coisa. Por fim desistiu, e subiu sem atender ninguém. Consegui fotos com Marc Rizzo e Johny Chow, do Cavalera Conspiracy, mas nem sinal do Igor Cavalera.

Marc Rizzo, guitarrista do Cavalera Conspiracy
Johny Chow, baixista do Cavalera Conspiracy
De manhã, Sheila tomou o elevador que subia, rumo ao café da manhã. Eu chamei o que descia, pois queria fumar um cigarro antes de comer. Quando o elevador chegou, surpresa: dentro, apenas Bruce Dickinson, mais ninguém. Quando me viu entrar, cabeludo e com camisa do Iron Maiden, ele provavelmente se assustou. Mas assim como fui ignorado na noite anterior, eu também não dei a mínima para a presença dele. Dei-lhe as costas, apertei o térreo, e descemos alguns andares juntos. Fumei, subi e tomei café. 

Pouco antes de fazer o check-out, Kevin me disse que Jonas aprontou novamente. No mesmo andar de Nicko McBrain, ele descobriu qual era o quarto do baterista. Próximo ao elevador, havia um puff. Jonas o levou até a porta do quarto de Nicko, sentou e ficou esperando  pela saída dele. Seu plano imbecil, entretanto, foi frustrado por Peter Lokrantz (o segurança com cara de vicking, lembra?), que chegou para buscar Nicko. Ele expulsou Jonas aos berros.

Tomei um táxi para Congonhas – sozinho, já que a Sheila não estava de férias e não poderia me acompanhar na maioria das cidades.

Aquela foi a última vez do Iron Maiden no Hilton em São Paulo, e compreendo bem o porquê. O que vi durante esses dias não foi coisa de fãs, mas de mimadinhos sem a menor compreensão do que seja civilidade. Antes de qualquer foto ou autógrafo, vem o respeito por esses senhores que há décadas espalham o melhor do metal por todo o planeta. 



sexta-feira, 18 de março de 2011

Girlschool


O Girlschool veio ao Brasil para apresentação única no Festival Rock Feminino, em Rio Claro. Como o desembarque obviamente aconteceu em Guarulhos que, na prática, é o aeroporto internacional de São Paulo, a loja London Calling aproveitou a passagem delas pela cidade para realizar uma sessão de autógrafos. Eu poderia ter esperado pela banda no aeroporto, ou até ter tentado descobrir algum possível hotel em São Paulo, onde provavelmente a banda permaneceu, mas optei pelo mais fácil e fui ao evento.


Falando de forma geral - não exclusivamente sobre a London Calling – o problema de sessões de autógrafos com bandas é exatamente o que é retratado na imagem: dificilmente rola foto boa. Geralmente é uma única foto, com você separado fisicamente da banda pelo balcão. Sempre há imposições como, por exemplo, limite no número de itens que você pode levar para ser autografados. Mesmo que você leve mais, e a banda esteja disposta a autografar tudo, ainda assim haverá alguém "da produção" para tentar impedir e também para apressar - mesmo se o evento estiver vazio. Então, se você desejar uma foto a mais – mesmo que para corrigir uma que não saiu boa - um autógrafo extra ou falar algo com o artista, problema seu.

Nunca esqueça de levar sua própria caneta: provavelmente só haverão canetas pretas, então não espere um bom resultado quando o item a autografar for escuro. Por fim, os eventos são realizados sempre de tarde, em dia de semana. Por sorte, onde eu trabalhava me permitia utilizar as horas acumuladas no banco de horas como quisesse.


A propósito, que coroa simpática e sexy é a guitarrista Jax Chambers. Deu vontade de levar para casa. Acho que só não fiz isso porque era casado. Só sosseguei quando consegui uma foto extra com ela - para protestos da produção, que logo me expulsou do lugar 😆




sábado, 12 de março de 2011

Tarja

A ex vocalista do Nightwish, Tarja Turunen, se apresentou em São Paulo. Embora fosse uma foto interessante, eu estava mais interessado em conhecer o baterista, Mike Terrana. A banda estava hospedada no Blue Tree Berrini (que posteriormente passou a ser Prodigy e, em nova mudança de nome, Transamerica). Conforme os músicos deixavam o hotel e entravam na van que os levaria ao show, ignorei a todos, mantendo o foco em Terrana. Quando ele saiu, Jonas o abordou.

Eu tirei a foto dele, mas na minha vez, um segurança da produtora impediu. Já estávamos posando, mas Jonas se enrolou com a câmera, então o segurança disse que estavam atrasados e praticamente arrastou Terrana para a van. Durante muito tempo fiquei puto com esse cara. Não precisava daquilo, apenas mais 3 segundos e a foto rolaria. No entanto, o reencontrei em diversas oportunidades depois disso e ele sempre foi legal. Acho que estava em um dia ruim, sei lá.

Tarja não saiu com a banda. Talvez tivesse ido antes ao local do show. De qualquer modo, fiquei inconformado que um corre aparentemente tão fácil teria que durar bem mais que o esperado, então decidi me hospedar, já que seria necessário esperar pela banda após o show. Mais tarde, Sheila chegou para passar a noite comigo no hotel.

Após o término do show, muitos fãs apareceram e estavam esperando pela banda na porta do hotel. Eu estava hospedado e poderia aguardar dentro, mas havia muitos amigos e conhecidos fora, então fiquei ali, conversando com eles e fumando.

Quando a van chegou, houve um esquema especial. Não vi nada parecido nem mesmo com artistas muito maiores, como Paul McCartney ou Iron Maiden. O motorista praticamente colou a van na porta, impedindo que os fãs tivessem acesso aos músicos. Sobraram pequenos espaços laterais, que foram preenchidos por seguranças do hotel. Eles não permitiram a entrada de ninguém, nem mesmo de quem estava hospedado. A van permaneceu ali por alguns minutos, até que Tarja tomasse o elevador, após atender poucos fãs dentro do hotel. Quando consegui entrar, todos já haviam subido.

Já era duas e meia da manhã e eu estava cansado, então decidi subir para dormir um pouco. Imaginei que nada aconteceria antes das sete horas, então configurei um alarme para acordar nesse horário. Kevin que, como eu, não conseguiu nada, passou a noite na frente do hotel, já que não estava hospedado desta vez.

Quando acordei, tomei banho, me vesti e desci. Estava tudo quieto demais. Nenhum fã aguardava pela banda. Então, verifiquei o celular, que estava repleto de mensagens e chamadas não atendidas. A banda saiu as 05:30hs e Kevin tentou me avisar, mas não conseguiu, porque meu celular estava no silencioso. Ele entrou e pediu para um funcionário da recepção ligar no meu quarto, mas ele se recusou devido ao horário. Infelizmente, este corre foi apenas perda de tempo e dinheiro.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Michael Schenker Group

Houve um show do Michael Schenker Group no Manifesto Bar. A mágica de Kevin funcionou novamente, então fomos ao Estamplaza Funchal, onde a banda estava hospedada. 

Meu alvo principal era o baterista Carmine Appice. Mais de 20 anos antes, iniciei estudos de bateria utilizando o método que ele desenvolveu. Portanto, seria uma honra conhece-lo. Quando o encontrei, ele ficou surpreso quando entreguei o método para autografar. Chamou, inclusive, seus companheiros de banda, incluindo o próprio Michael Schenker, para mostrar o que eu havia levado. Definitivamente não deve ser o tipo de coisa que ele vê todos os dias.

Carminne Appice
Michael Schenker

Schenker não tem fama de ser amigável com os fãs mas, ao menos desta vez, pareceu simpático. Nesse dia conhecemos também o vocalista David Van Landing que, em novembro de 2015, faleceu quando o carro que dirigia colidiu com um caminhão basculante.

O vocalista David Van Landing faleceu em 2015

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Blaze Bayley

Blaze Bayley estava de volta a São Paulo e lá estava eu novamente para prestigia-lo. A diferença é que, desta vez, convenci Sheila a me acompanhar ao show. Antes mesmo de começar, já consegui mais uma foto com ele. Eu queria também uma foto com o baixista, pois não tirei com ele nas oportunidades anteriores, mas os músicos estavam no camarim. “Depois do show eu consigo”, pensei.


Aquela foi uma sexta-feira normal, trabalhamos o dia todo antes de ir ao Blackmore. O show já estava rolando quando, do mezanino, avistei Kevin entre os que assistiam lá embaixo. Ele estava dormindo. Fui comentar com Sheila, mas ela também estava dormindo. Quando acordou, disse: “quando adormeci, Blaze estava agitando e dando barrigada. Quando acordei, ele ainda estava agitando e dando barrigada. Não perdi nada”. Cansada, ela queria ir para casa antes mesmo do show terminar. Concordei em ir assim que terminasse, sem esperar pelos músicos. 

“Sem problemas, conseguirei as fotos quando a banda voltar”, pensei. Dois meses depois, entretanto, ele demitiu todos os músicos. Era uma banda muito competente, mas infelizmente muitos fãs de Iron Maiden torcem o nariz para o trabalho dele, o famoso “não ouvi e não gostei”. Trazer ao continente uma banda inteira para shows pequenos saia caro, então era melhor que ele passasse a cantar com bandas locais. Para mim, infelizmente descobri da pior maneira, que as chances não devem ser desperdiçadas.

Foi assim que não consegui a foto com Dave Bermudez. Posso ter com muita gente, mas com ele não tenho. E também não tenho com o baterista Lawrence Paterson, que gravou meus álbuns favoritos do Blaze - The Man Who Would Not Die e Promise and Terror. Ele veio em 2009, quando minha falta de experiência me impediu de conhece-lo.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Avantasia

Eu, Kevin, os amigos dele de Curitiba - Vergil, Gillian e Augusto - e Cintia, uma menina que conhecemos no hotel onde estava Glenn Hughes, cujo corre havíamos finalizado, estávamos a caminho do aeroporto de Guarulhos para tentar conseguir fotos com o Avantasia.

Até hoje chegar no aeroporto é um parto, mas ao menos é possível fazer tudo de metrô + trem, embora com muitas baldeações. Na época, tomamos um ônibus na Berrini, altura da Rua Quintana, que nos deixou na estação Anhangabaú. De lá, embarcamos no metrô, linha vermelha, até o Tatuapé, onde tomamos o ônibus que nos deixaria no aeroporto. Claro que seria impossível fazer tudo com tempo reduzido.

Quando estávamos no meio do caminho, recebemos um aviso que a banda chegou e atendeu os poucos fãs que estavam no aeroporto. Ficamos um tanto perdidos, sem saber o que fazer, pois não sabíamos o hotel. Quando tudo parecia perdido, recebi uma mensagem de Maria Claudia, informando que a banda estava em um que até então não conhecíamos, o Novotel Center Norte. Eu definitivamente precisava descobrir como essa galera sempre sabia onde as bandas estavam. Era uma habilidade que eu precisaria desenvolver. 

Mais uma vez tomamos um ônibus, desta vez do aeroporto para a estação Tietê e, de lá, caminhamos ao hotel. Era domingo, Sheila estava na casa de meus avós. Eu era esperado para o almoço, mas fazer um corre atrás do outro atrapalhou o plano. Como era um hotel bacana, não muito caro, e eu não estava com paciência para ficar sendo posto para fora pelos funcionários do hotel, decidi nem arriscar: me hospedei. Então, liguei para Sheila, convidando-a para me encontrar.

Antes que ela chegasse, alguns músicos apareceram, incluindo Amanda Sommerville, Michael Kiske (o principal alvo do corre), Sascha Paeth, Oliver Hartmann e Jørn Lande. Percebi que minha decisão de hospedar foi plenamente justificada: muitos fãs estavam por lá, provavelmente uns 60. Mais cedo ou mais tarde, o hotel tomaria a decisão de expulsar a todos, mas eu não seria afetado, pois estava "imunizado".

Amanda, com "comissão de frente" enorme, encostou tudo no meu braço na hora da foto, jamais esquecerei a sensação.
Sascha Paeth, muito gente boa
Esse sim: o mito, a lenda: Michael Kiske
Oliver Hartmann é mais na dele, mas atende também
Jørn Lande é muito, muito, muito gente boa!

Kiske, o mais aguardado pela maioria, decidiu atender como se deve: sentou-se em torno de uma mesa e pediu para que todos colocassem o que trouxeram para autografar. Era muita coisa, mas ele não se incomodou em assinar tudo.


O show, no Centro de Tradições Nordestinas, seria apenas no dia seguinte, uma segunda-feira. Então, após atender os fãs, a maioria retornou aos quartos para descansar. A exceção foi Amanda, que aproveitou a proximidade do Shopping Center Norte para passear e fazer algumas compras de supermercado. Chegou carregando sacolas, apenas a cumprimentamos, sem aborda-la novamente.

O problema é que Kevin resolveu usar sua chatice habitual. Disse que estava na cidade desde o dia anterior, passou a noite na rua, e estava precisando de um banho. Perguntou se poderia usar o banheiro de meu quarto para isso. Por mim, não haveria problemas, mas com certeza a Sheila reclamaria comigo se descobrisse. Em nome de tudo o que fez por mim no último ano e meio - afinal, sem ele, eu só teria foto com o Iron Maiden e com o Lemmy, permiti, desde que fosse rápido e deixasse tudo como encontrou. No fundo, eu sabia que não poderia confiar, mas fosse o que Deus quisesse.

É claro que não foi rápido e mais claro ainda que a Sheila chegou antes do chato sair. Ela queria subir para conhecer o quarto, mas tentei disfarçar, dizendo para ficarmos no hall, pois algum músico poderia aparecer. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos esse:

- Quero deixar as coisas no quarto. Além disso, preciso usar o banheiro.

- Mas você não pode subir agora.

- Por que não?! O que você está escondendo?!

- O Chato pediu para usar nosso quarto para tomar banho.

- O QUEE????

A essa altura, eu já pensava em mil e uma maneiras de como torturar e matar Kevin, ele parece mulherzinha, não consegue tomar banho em 5 minutos; a bem da verdade já estava perto de completar meia hora que subiu ao quarto. Fiquei um pouco mais tranquilo quando imaginei que talvez a demora fosse porque estava arrumando o ambiente, deixando tudo como encontrou.

Quando chegamos ao quarto, ele já estava vestido, mas o banheiro estava um pandemônio, com chão encharcado, e a toalha que usou toda amassada, em formato de bola, em cima do vaso sanitário. Perguntei porquê fez isso, ele respondeu que não sabia onde coloca-la. Enfim, tomei mais uma comida de rabo da Sheila. Primeira e última vez que fiz um favor desses ao Kevin, ele é muito sem noção.

Ao anoitecer, a maioria dos músicos que ainda não tínhamos visto apareceram. O aguardado Tobias Sammet desceu, acompanhado pelo produtor do show e por seguranças. Foram ao bar do hotel, onde ficaram por algum tempo bebendo e conversando. Quando decidiu sair, aproveitou para atender os fãs. Ele tem uma marca de nascença no rosto e usa maquiagem quando está no palco. Ali, de cara limpa, não tinha como disfarçar, mas ele não se importou e tirou fotos ainda assim.

É sempre bom reencontrar o mestre alemão, Kai Hansen
Felix Bohnke nunca se incomoda em atender seus fãs
Bob Catley é sempre gente boa também
Tobias não se incomodou em tirar fotos, mesmo revelando sua marca de nascença. Muitos fãs nem imaginam

No dia seguinte, eu e Sheila saímos cedo para trabalhar, então o corre terminou sem conhecermos Miro Rodenberg e Robert Hunecle. O ano também terminou, este foi o último corre de 2010.

Sem muita ideia de como fazer uma foto para tantos autografarem, o jeito foi fazer algo genérico
É claro que o mentor do projeto, Tobias Sammet, mereceu uma foto exclusiva
A belíssima e talentosa Amanda também mereceu exclusividade
Kiske tentou zuar a si mesmo, adicionando uma barba, mas a caneta não pegou muito bem

sábado, 4 de dezembro de 2010

Rhapsody of Fire

Era a vez do Rhapsody of Fire, que se apresentaria no Santana Hall. Esse era um show que eu queria assistir, mas estava sem dinheiro. Fui ao aeroporto de Guarulhos e, quando a banda desembarcou, abordei Fabio Lione. Ele disse que atenderia, mas somente depois de fumar um cigarro. Levei-o então à área de fumantes, onde fumamos e conversamos um pouco. Hoje ele fala português quase perfeitamente, mas nesse dia a comunicação foi em inglês.

Fabio Lione, então vocalista do Rhapsody of Fire

Eu já abordei o Rhapsody of Fire e algumas de suas variantes – Luca Turilli’s Rhapsody e Rhapsody Reunion – algumas vezes, e sempre todos foram legais, especialmente os que integraram a formação do Rhapsody Reunion, então não foi difícil conseguir as fotos e os autógrafos.

Luca Turilli, então guitarrista do Rhapsody of Fire 
Nesta ocasião, Dominique Leurquin era o guitarrista convidado que excursionava com o Rhapsody of Fire
Patrice Guers, então baixista do Rhapsody of Fire
Alex Holzwarth, então baterista do Rhapsody of Fire
Alex Staropoli, tecladista do Rhapsody of Fire