sexta-feira, 29 de junho de 2012

Rhapsody of Fire

No dia anterior ao show do Rhapsody of Fire, eu, Leo e Ellen fomos ao Blue Tree Berrini para conseguir as fotos. Todos os músicos estavam de saída para jantar, mas nem todos foram para o mesmo restaurante.

O primeiro a aparecer foi o guitarrista Tom Hess, novato na banda. Quando o abordamos, ele se recusou a tirar fotos, disse que não estava arrumado, e seguiu para a van da churrascaria. ̶B̶a̶i̶t̶o̶l̶a̶g̶e̶m̶ ̶d̶a̶ ̶p̶o̶r̶r̶a̶. Quando retornou, Leo o abordou mais uma vez, e novamente ele negou, dizendo que ainda vestia as mesmas roupas, que continuava não arrumado, mas prometeu que voltaria em 20 minutos para falar conosco. Duvidamos, mas fazer o que, era nossa única alternativa.

Enquanto ele não descia, tiramos fotos com os outros integrantes. Fabio Lione olhou para minha camiseta e berrou "yes!".

Fabio Lione, então vocalista do Rhapsody Of Fire. Ele saiu da banda em 2016
Roberto de Micheli, guitarrista do Rhapsody Of Fire
Oliver Holzwarth, então baixista do Rhapsody Of Fire. Ele saiu da banda em 2014
Alex Holzwarth, então baterista do Rhapsody of Fire. Ele saiu da banda em 2016
Alex Staropoli, tecladista e Roberto de Micheli, guitarrista do Rhapsody Of Fire

Tom Hess é um homem de palavra. Após 30 minutos, ele desceu, todo arrumado, cheirando a perfume. Veio até nós e disse "agora podemos tirar fotos". Tivemos com ele ao menos meia hora de boa conversa. Quem diria que aquele  ̶f̶r̶e̶s̶c̶o̶ é um cara legal?!

Tom Hess, então guitarrista do Rhapsody of Fire. Saiu da banda em 2013

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Congonhando pela primeira vez

Por volta de 2002, seis anos antes de eu começar a tirar fotos, voltei de uma viagem a Vitória (ES) por Congonhas; quando saía do aeroporto, vi o ator José Wilker no saguão. Era uma época onde celulares não eram muito populares, e provavelmente eu não tinha uma câmera a mão, então nem pensei em fazer uma abordagem. Nunca mais o vi pessoalmente, ele faleceu em 2014.

Em 2007, após desembarcar de uma nova viagem, parei para fumar um cigarro na área externa do aeroporto, próximo ao desembarque. Após algum tempo, Luiz Carlos Miéle apareceu por lá, também para fumar. Desta vez eu já tinha um celular, mas era um Nokia porcaria, sem câmera. Mais uma vez, não fiz a abordagem, e perdi para sempre a oportunidade de ter uma foto com o homem que comandou o saudoso programa Cocktail, com suas garotas tim-tim. Miéle faleceu em 2015.

Em 2012, Jonas me disse que conheceu um cara, Ricardo Ramalho, que tem fotos com quase qualquer artista nacional que eu imaginasse. O que ele fazia era frequentar o desembarque do aeroporto de Congonhas para fazer o que chamamos de "pescar" ou "congonhar", ou seja: apenas aguardar no desembarque (ou embarque) e abordar quem aparecesse. Parecia bom, resolvi tentar.

A primeira foto que consegui em uma "congonhada" foi com a repórter Ana Paula Padrão. Sendo muito sincero, não a reconheci, mas os "congonheiros" tiraram fotos com ela, então tirei também. A pessoa pode aparecer com óculos escuros enormes (esse, aliás, é praticamente o padrão dos artistas que desembarcam em Congonhas), sem maquiagem, de cabelo preso, de chapéu, coberta da cabeça aos pés, ainda assim eles são capazes de reconhece-la. Eu não tenho nem nunca tive essa capacidade, principalmente porque faz muitos anos que não assisto TV aberta, os artistas que eu conhecia estavam envelhecidos e eu não acompanhei o envelhecimento, assim ficava difícil...

A repórter Ana Paula Padrão foi  minha primeira foto em uma congonhada

A segunda foto veio acompanhada da terceira: a dançarina Valéria Valenssa (mais conhecida como Globeleza) e seu então marido Hans Donner, designer alemão com cidadania brasileira, conhecido pela criação do logotipo da Rede Globo, bem como por ser o responsável por toda a programação visual da empresa e de todos os seus produtos: novelas, linha de shows, jornalismo, programas infantis, desporte, humor e outros. Hans ficou na emissora até março de 2016, quando foi afastado após 40 anos de serviços. Os dois, especialmente Hans, foram muito simpáticos. Eu estava começando a gostar disso mas, mais uma vez, só os reconheci porque Ricardo Ramalho auxiliou.

A Globeleza original, Valéria Valenssa
Hans Donner, um gênio da computação gráfica, é um cara legal

Enquanto eu tirava fotos com o casal, Ricardo percebeu que Sabrina Sato passou por nós, apressada, diretamente para a área externa do aeroporto. Olhei para ele, que disse "Eu já tenho, não quero com ela. Corre atrás, que ela é legal". Foi o que fiz. Perguntei se poderia tirar uma foto com ela, e recebi como resposta "sim, claro. Mas rapidinho, porque estou atrasada".

Sabrina Sato é sempre legal, esse foi apenas meu primeiro encontro com ela

Aproveitei para fumar um cigarro, quando fui abordado por um desses malucos que adora conversar com estranhos aleatórios. Ele olhou minha camiseta e disparou "Então você gosta de AC/DC?!". Como não tenho muita paciência pra papo furado, selecionei minha foto com Angus Young no iPhone e mostrei para ele. "Gosto sim, olha eu e o Angus Young!". Ele ficou sem reação, boquiaberto, e a conversa terminou por ali.

Quando voltei para o saguão, havia uma certa movimentação de reporteres e câmera mans. Ricardo disse que o Palmeiras estava para desembarcar. Excelente! Para quem não sabe, sou palmeirense. Era a chance de tentar conseguir uma foto com alguns jogadores que eu admirava. Porém, a coisa acontece extremamente rápido, não é possível conseguir mais do que 2 ou 3 jogadores. Você escolhe quem você quer e foca. No fim, consegui com o atacante Barcos e o zagueiro Henrique, além do ex meio-campista César Sampaio - essa sim um fotão da porra!

Dono da camisa 9, Barcos marcou 28 gol pelo Palmeiras em 2012 
Em 2012, Henrique era a solução dos problemas da zaga. O resto do time que não ajudava muito
César Sampaio, esse sim, monstro sagrado. Bi campeão paulista e brasileiro 93/94 e da Copa Libertadores 99

Mais algum tempo de espera, e as atrizes Suzana Pires e Nathalia Dill passaram pelo desembarque, separadamente. Mas a cereja do bolo ficou para o meio da tarde, quando desembarcou a atriz Flávia Alessandra. Fiquei absolutamente encantado com a sua interação com os fãs. Não foram apenas fotos, ela ficou um tempão conversando, não foi como a maioria dos outros, que logo após o flash já saiam como se fossem tirar o pai da forca.

Nunca imaginei que uma atriz, protagonista de novela de horário nobre, capa de Playboy (quando a revista valia alguma coisa), alguém que estava consagrada e no topo, poderia ser tão humilde. Sempre achei que uma mulher em sua posição deveria ser uma chata arrogante. Felizmente, estava muito enganado. Otaviano Costa, seu marido, que me desculpe, mas que deu vontade de coloca-la em um potinho e traze-la para casa, ah deu!

Simpática, Suzana Pires também parou para nos atender
Nathalia Dill também foi muito simpática
Flávia Alessandra superou quaisquer expectativas. Além de linda e ótima atriz, ela é muito atenciosa

Para uma primeira experiência em Congonhas, este foi um dia muito bom. Com certeza haveriam outros, eu fiquei bem animado com o que consegui.

sábado, 9 de junho de 2012

Korpiklaani

Na primeira vez em que tentei conhecer os caras do Korpiklaani, eles estavam hospedados em um hotel no centro de São Paulo. Eu e Leo esperávamos pela banda no hall, quando o gerente e dois seguranças se aproximaram. Pensei que seríamos expulsos, mas a conversa que se seguiu foi simplesmente bizarra:

- Vocês estão esperando alguma banda?

- Sim!

- É o Korpiklaani?! Eu adoraria que eles ficassem hospedados com a gente, porque eu adoro o som deles e o produtor sempre nos da ingressos quando as bandas que ele traz ficam aqui. Infelizmente não sei o nome dos músicos, então não posso verificar no sistema.

Quando confirmei, só faltou sair dando pulinhos de alegria. Olhei o celular e havia a mensagem de uma amiga: “eu acho que a banda que você quer está em um bar no Anhangabaú bebendo cerveja”. Pedi para que ela mandasse uma foto. “Acabaram de sair”, foi a resposta, acompanhada de uma foto. Então, ficamos no impasse: se fôssemos, correríamos o risco da banda voltar e haver desencontro. Decidimos esperar.


A van com os músicos chegou, os abordamos assim que entraram no hall e tirávamos fotos e conseguíamos os autógrafos, quando uma hóspede de uns 75 anos perguntou quem eram eles. Eu respondi e ela disse: “eu acho que meu neto gosta”. Então, foi à recepção, pegou alguns papéis em branco e pediu para todos assinarem. Sem dúvida um dos corres mais bizarros de todos os tempos, mas ao menos todos foram legais.

Jonne Järvelä, vocalista e guitarrista do Korpiklaani
Kalle "Cane" Savijärvi, guitarrista do Korpiklaani
Jarkko Aaltonen, baixista do Korpiklaani
Matti "Matson" Johansson, então baterista do Korpiklaani. Saiu da banda em 2019
Tuomas Rounakari, violinista do Korpiklaani
Juho Kauppinen, então acordeonista do Korpiklaani. Saiu da banda em 2013
De lá, encontrei-me com a Sheila e fomos até São Caetano, pois ela queria fazer o corre da seleção de vôlei masculino. Retornamos a São Paulo quando anoiteceu para ir ao show no Clash Club - sob protestos dela, que ainda não tinha conseguido foto com todos os jogadores. Apenas relembrando que ela não é fã de metal, e foi ao show apenas para me acompanhar, é desta maneira que ela descreveu a experiência: "O local era sombrio e mal iluminado, com um monte de cabeludo mau encarado. Foi só o show começar para que todos começassem a dançar alegremente, um dando o bracinho para outro e girando". Que exagero! Mas que o show dos caras é o mais divertido sempre, isso não há dúvidas!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Capitão Nascimento

Eu e Sheila estávamos no corre do Diablo Swing Orchestra, quando surgiu uma informação interessante: Wagner Moura, que faria uma apresentação especial com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, prestando um tributo ao Legião Urbana, estava hospedado no hotel Emiliano. Pessoalmente, não gosto dele, suas posições políticas me enojam. Porém, como diz o Carlos, não se aborda o ator, se aborda o personagem. E ele era o Capitão Nascimento. Aí sim!

Abortamos o corre e fomos para lá. Acho que foi um dos corres mais rápidos de todos os tempos. Demos sorte: não demorou 5 minutos entre chegarmos e ele sair para o evento. Só eu e Sheila estávamos em frente ao hotel, então foi uma abordagem rápida, duas fotos apenas, nada para autografar, e ele pode seguir para fazer o show. Como tudo aconteceu tão rápido, retornamos ao corre anterior.

Capitão Nascimento. Que satisfação, Aspira!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Anthrax e Misfits

Antes mesmo de iniciar o corre já sabíamos que Scott Ian era o mais chatinho do Anthrax. Pelas informações de hunters mais experientes, como Léo e Carlos, sabíamos que provavelmente ele seria o que daria mais trabalho. O grande diferencial do corre foi a presença de Vinicius. Ele não é hunter, apareceu em poucas ocasiões. Nessa época tinha 15 anos e... levou a mãe!!! Até que era uma senhora simpática, mas...

Eu, Sheila, Marcio, Rafael, Jonas, Vinicius e mãe dele estávamos sentados em torno de uma mesa, próxima ao bar do Blue Tree Morumbi, quando Scott Ian apareceu para tomar um café. Decidimos que não era a hora certa para agir. Já que era chato, uma abordagem no momento errado teria resultado desastroso. No entanto, a mãe de Vinícius não se conformava, nos incentivava a ir falar com ele a todo custo, até parece que queria nos ensinar a fazer corres. É claro que a ignoramos. Ela e Vinícius eram os únicos ali que destoavam, o resto estava em todos os corres. 

Quando ele terminou e caminhava para o elevador, o chamamos à distância. Ele compreendeu que respeitamos seu momento no bar, e atendeu, sem problemas. Foi mais fácil do que pensamos.

Dizem que Scott Ian é mala, mas nesse dia não foi, nem um pouco. Foi calado, mas tirou fotos, é o que importa

O segundo a aparecer foi Rob Caggiano. Ele é bem caladão, na dele, mas aceitou tirar fotos, numa boa. Posso dizer o mesmo de Charlie Benante, o terceiro. A seguir foi a vez de Frank Bello, o mais animado de todos, que ficou ao menos meia hora conversando conosco. Breno lhe disse algo como "você é muito legal, mas sabe que a maioria dos músicos não é assim, né?!". Bello respondeu "Não?! Pois deveriam ser. Conhecer os fãs, interagir com culturas do mundo inteiro é o que mais gosto em meu trabalho".

Aqui, uma pausa se torna necessária para uma estória adicional. Fernando é um brasileiro que sempre vai ao exterior e paga meet & greet para conhecer as bandas. Ele sempre conta que foi ver um show do Anthrax nos Estados Unidos e pagou para conhecer a banda. De acordo com ele, o show foi em um lugar minúsculo, "comparável ao Manifesto" e que tinha no máximo 50 pessoas.

Após o show, ao se apresentar para participar do meet & greet, descobriu que era o único participante. Por isso, perguntaram se ele se importaria de conhecer a banda no tour bus. Os músicos ficaram surpresos ao descobrir que o único pagante era brasileiro. Como Fernando é uma pessoa mais velha, que sabe se comportar, a coisa rolou mais como um encontro entre amigos do que como um meet & greet.

Com efeito, tornou-se amigo de alguns dos integrantes, e essa era primeira vez que a banda vinha ao Brasil depois da ocasião. No meio de nosso papo com Bello ele apareceu, e realmente foi recepcionado como amigo, com direito a abraço e "que bom te ver novamente".

Rob Caggiano era guitarrista do Anthrax, ele saiu da banda em 2013
Charlie Benante não se importou em atender a galera que o esperava
Frank Bello foi o grande nome da noite, confraternizou conosco por pelo menos meia hora

O último a dar as caras foi Joey Belladonna, que também foi de boa. Na verdade a banda inteira foi fácil, até mesmo Scott Ian. Não vimos, porém, nenhum integrante do Misfits. Será que ainda não haviam chegado ao país? Como não sou tão fã, deixei pra lá, não retornei ao hotel só por causa de Misfits.

Joey Belladonna foi o último a aparecer e também atendeu a todos os fãs que o esperavam

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Megadeth

Até 2016, os voos para o Brasil eram um tanto imbecis, pois os hubs aeroportuários ficavam todos na região sudeste, especificamente em São Paulo (Guarulhos) e no Rio de Janeiro (Galeão), o que obrigava os viajantes estrangeiros a voar muito mais horas. Dave Mustaine, que estava em Los Angeles, teve que voar até São Paulo (12 horas e 49 minutos de voo) para fazer conexão para São Luís (3 horas e 14 minutos). Se considerar a espera mínima de uma hora entre as conexões, o tempo total de viagem foi de 17 horas e 03 minutos, com um voo longo e um curto.

Sabendo disso, resolvi espera-lo no aeroporto, para tentar aborda-lo quando desembarcasse do voo internacional e tivesse que subir uma escada rolante e caminhar cerca de 300 metros até o portão de embarque nacional. Seria a oportunidade ideal, já que a maioria dos hunters da época não manjava de conexão - para dizer a verdade, acho que fui o primeiro a estudar e tentar fazer corres dessa maneira. 

Em 2010, desisti cedo demais, quando não acompanhei Leo, Renata e Rafael ao aeroporto. Eles conseguiram uma foto com Mustaine irreconhecível, de óculos escuros e touca, mas ainda assim era uma foto com Dave Mustaine. Desta vez, eu estaria sozinho ou acompanhado de no máximo uma pessoa, então quem sabe conseguisse convencer um cara chato como ele a tirar uma foto.

Em 2011, quando a banda veio para o SWU, uma amiga, que sempre foi apaixonada por ele (como homem, não apenas como artista) conseguiu realizar seu sonho mais profundo: não apenas o conheceu, como ainda passou uma noite com ele. Ela não é groupie, não era do tipo que sempre estava nos hotéis, pronta para transar com qualquer integrante de qualquer banda. Seu lance era único e exclusivo com Mustaine.

Sabendo disso, decidi convida-la para tentar comigo. Era uma aposta arriscada: ou ele a atenderia facilmente, ou poderia fugir dela como o diabo foge da cruz, mas decidi arriscar ainda assim. Em ambos os casos, a reação seria estendida para mim. Se ela fosse atendida, eu também seria. Se fosse naba, seria em ambos.

O voo pousou cedo, por volta das 07:15. Quando chegamos ao aeroporto, já avistei o segurança que esperava por ele, era o mesmo que fez a segurança da banda no ano anterior, um cara com quem já tive certa amizade, mas que estava estranho há algum tempo. Ele me viu e não esboçou reação, então não nos cumprimentamos.

Quando Mustaine passou pelo portão de desembarque, ambos se abraçaram e o segurança carregou suas malas. Logo que nos viu, Mustaine ignorou-nos completamente. Ele e o segurança caminharam para o portão de embarque nacional, no andar superior. Incrédulos, eu e minha amiga caminhamos também, mas mantendo certa distância.


Antes de embarcar, ele decidiu descer novamente a escada rolante para tomar um café. Nessa hora, disse algo para o segurança, que olhou para nós e comunicou que ele iria atender, desde que soubéssemos esperar, deixando-o em paz para tomar café. É claro que concordamos. Quando terminou e retornou, passou por nós e apressou o passo, compreendi que aquela oportunidade estava realmente perdida. Nem ao menos o chamei quando isso aconteceu. Ele ainda passou próximo a nós mais uma vez - mais uma vez nem chamei - e desta vez encostou a passagem na catraca e embarcou.

Kevin chamou-me para tentar encontrar Mustaine na conexão de retorno, mas eu não aceitei acompanha-lo. Hoje essa tentativa seria impossível, já que a partir de 2016, quando novas passagens internas foram inauguradas, não é mais necessário aos passageiros sair pelo desembarque nacional e caminhar para entrar no embarque internacional. Agora tudo é feito internamente.

Quando Mustaine passou, Kevin tentou aborda-lo, oferecendo um "presente" (na verdade era um livrinho que ele comprou no próprio aeroporto por 5 reais, apenas para ter algo que talvez fizesse Mustaine parar). Os músicos do Megadeth estavam com ele, e atenderam Kevin sem problemas, mas Mustaine aceitou apenas autografar. Tão logo conseguiu se livrar, passou por uma lixeira e jogou o presente, sem ao menos abrir para saber o que era. Cara chato do inferno!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Queensrÿche + Fates Warning + Mike Portnoy

Sempre fui fã de Queensrÿche, desde que vi o clipe de "Take Hold of the Flame" nos antigos programas de video-clipes na TV, por volta de 1984. Por isso, conhecer Geoff Tate e cia. seria uma honra. Meu único lamento é que Chris DeGarmo não fazia mais parte da banda, mas ainda assim eu poderia conhecer 4 integrantes clássicos e o guitarrista que o substituiu.

Quando chegamos, eu e Sheila aguardamos no restaurante do hotel, enquanto outros hunters chegavam: Breno, Kevin, Leo, Rafael e Raphael. O primeiro a aparecer para beber foi justamente Geoff Tate. Que cara educado, sensacional, um verdadeiro gentleman. Conversou conosco numa boa, como se fôssemos os únicos fãs que ele tinha. O segundo a dar as caras foi Michael Wilton. Ele é quietão, na dele, mas nos atendeu sem problemas também.

Geoff Tate, um cara absurdamente educado e gente boa com os fãs
Michael Wilton, guitarrista do Queensrÿche

Os caras do Fates Warning desceram e se reuniram no hall. Aproveitamos para conseguir as fotos com eles, que foram muito amigáveis, e contaram estar à espera de Mike Portnoy, o baterista sustituto, já que o baterista oficial, Bobby Jarzombek, excursionava com Sebastian Bach. O bizarro dessa história é que os shows das duas bandas aconteceram no mesmo dia, em locais diferentes, ou seja, o batera do Fates Warning também estava em São Paulo, mas tocando com Sebastian. Enquanto nos atendiam, Mike Portnoy entrou apressado no hotel e subiu direto para o quarto.

Fates Warning: Jim Matheos (guitarrista), Ray Alder (vocalista), Joey Vera (baixista) e Frank Aresti (guitarrista)

Quando Portnoy desceu, veio direto falar conosco, com um sorriso no rosto, nem precisamos chamar. Disse que fez uma viagem de mais de 24 horas, saiu de Los Angeles, fez escala no Panamá, e então chegou a São Paulo na hora do rush. Por isso, foram mais 3 horas de van do aeroporto até o hotel. Disse também que estava de saída, pois iria ensaiar com o Fates Warning. Ficamos com aquela cara de "wtf?". Como assim, ainda iria ensaiar?? Pois é, o show era no dia seguinte e eles jamais tocaram juntos, aquele seria o primeiro e último ensaio. Ok que é um baterista muito acima da média mas, mesmo assim, que loucura, que disposição!

Mike Portnoy, sempre um cara legal, com disposição invejável

Mais tarde, Eddie Jackson e Parker Lundgren também desceram para beber, mas faltou Scott Rockenfield, que não deu as caras. O jeito seria retornar no dia seguinte...

Eddie Jackson, baixista do Queensrÿche
Parker Lundgren, guitarrista do Queensrÿche. 14 anos mais jovem que eu, o moleque é gente boa!

Ao chegar em casa, tivemos uma surpresa: nossa câmera tinha uma configuração que não conhecíamos, onde ao encostar no botão para tirar a foto, iniciava a gravação de um vídeo, que só era interrompido quando a foto era batida. Automaticamente, a câmera já produzia um único vídeo a partir de todos os pequenos vídeos capturados desta maneira. Nesse dia, por acidente, esse modo estava ativo. Apelidamos essa configuração como "modo picture hunter", e passamos a utiliza-la em todos os corres durante muito tempo.

Nesses vídeos, é possível ver como a coisa rola na maioria dos corres, ao menos os que não tem Jonas, Anebelle, hunters do bem ou algum outro imbecil: tudo na maior tranquilidade, educação e descontração.


No dia seguinte, retornamos com uma amiga, Tânia, que tinha por volta de 17 anos, e uma beleza que realmente chamava atenção. Ao menos o segurança que acompanhava a banda ficou impressionado. Eu e ele sempre nos encontrávamos nos corres - eu tentando conseguir as fotos, ele trabalhando - e mantínhamos uma relação cordial, inclusive éramos amigos no Facebook e tínhamos o número do celular um do outro.

Ele dificilmente ajudava com informação, mas também jamais atrapalhou em nada - ao menos até então. Após conseguir a foto com Rockenfield, eu, Sheila e Tânia caminhávamos para a estação de trem, pois voltaríamos para casa. Era o que chamamos de "abril maldito", o mês que mais teve shows interessantes em todos os tempos, então era impossível assistir todos, até porque a grana não estava sobrando.

Scott Rockenfield, baterista do Queensrÿche
Fiz algo que não costumo: levei um vinil para autografar. Não gosto, porque quase sempre volta amassado

Recebi uma mensagem do segurança no celular, questionando se iríamos ao show. Respondi que não, pois estávamos sem dinheiro. Ele respondeu "volte, eu tenho alguns ingressos cortesia e colocarei vocês 3 no show". Claro que foi um presentão, e sempre vou agradecer, mas sacamos logo que a verdadeira intenção do segurança era se aproximar de Tânia.


Assistimos aos shows "na cara do gol". Tão perto que, durante a apresentação do Fates Warning, Mike Portnoy olhou em nossa direção, nos viu e acenou, tudo sem parar de tocar. Quando tudo parecia bem, o mesmo segurança se aproximou de nós e disse que o show principal, do Queesrÿche, seria cancelado. Mais uma vez, o olhamos com cara de "wtf?", e ele disse que o vocalista surtou, pegou uma faca, e saiu tentando esfaquear todos da banda, ressaltando que ele e os demais seguranças foram obrigados a intervir.

O Fates Warning estava no palco quando recebemos a notícia inacreditável

Foi difícil de acreditar... como isso pode acontecer justo com quem foi o mais educado e amigável da banda? Ele, Michael, Eddie e Scott se aguentaram por mais de 30 anos, por que isso agora? Na noite anterior, quando o vimos, ele parecia bem, estava feliz... Acho que seria mais fácil de acreditar se dissessem que os outros tentaram esfaquea-lo, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário! Que loucura!

Após a apresentação do Fates Warning, já esperávamos pelo anúncio de cancelamento. Aquilo daria uma merda tão grande... A produtora teria que devolver o dinheiro de todos, isso se a galera não saísse quebrando tudo. Quem iria acreditar no que aconteceu?! No entanto, após um intervalo bem maior que o normal, enfim o Queensrÿche subiu ao palco. Desnecessário dizer que foi o último show de Geoff Tate com a banda. Foi substituído por Todd La Torre. Encontrei Tate em muitas outras ocasiões nos anos seguintes, e ele sempre foi o cara gentil, simpático e educado que conheci. É surreal demais ter que imagina-lo correndo atrás de todos com uma faca...

Imagino o arrependimento que teria se nunca tivesse visto Geoff Tate cantando com o Queensrÿche