sábado, 24 de abril de 2010

Megadeth

Desta vez a mágica de Kevin não funcionou, pois ele não sabia em qual hotel o Megadeth estava. Uma amiga, Aline, arriscou perguntar para o “tio da van”, mas ele respondeu que só diria se ela lhe desse um beijo. Sem alternativas, aceitou – e ele ainda disse o hotel errado, embora a rua fosse a correta. Acredite se quiser, ainda assim ela não foi no hotel conosco.

Após o show, fomos ao hotel indicado. Ficamos na calçada em frente ao local, mas percebemos que não havia nenhuma movimentação diferente. Entretanto, observamos uma van parar em frente a outro hotel na mesma rua, a uma quadra de distância. Era o Blue Tree Berrini (que hoje em dia chama-se Transamerica Berrini). Corremos para lá e, logo que entramos, já vimos Dave Mustaine no hall. Houve uma movimentação de seguranças do hotel para nos expulsar, mas eliminei esse problema indo direto à recepção, onde anunciei minha intenção de hospedar. O problema é que, enquanto eu fazia o check-in, os músicos tomaram o elevador e foram para seus quartos.

Eu estava numa exaustão monstra, e sabia que se fosse dormir perderia a hora, então decidi passar a noite acordado no hall. Eu estava acompanhado por Jee - uma amiga de Manaus - e Kevin. Além disso, outros hunters descobriram o hotel, e também estavam lá, incluindo Léo, Rafael, o Mestre, Renata, e outra Aline (não a do parágrafo anterior).

Por falar em Aline, agora sim a do parágrafo anterior, ela descobriu a pista que nos fez descobrir o hotel, então nada mais justo do que avisa-la. Assim que clareou, por volta de 06:00 hs, eu liguei para o celular dela, mas quem atendeu foi um homem - provavelmente o pai dela - com uma puta voz de sono. Completamente sem graça, pedi para falar com ela, ele disse que ela estava dormindo, e respondi que era urgente - ela mesmo pediu para eu avisa-la na manhã seguinte se era o hotel estava certo. Quando ela atendeu, passei todas as informações e desliguei.

David Ellefson desceu para tomar café e nos atendeu. Eu o encontrei em outras oportunidades, e ele sempre foi um dos mais legais.

Eu nunca aprendo a fazer uma cara boa na hora da foto

Algumas horas mais tarde, outra amiga minha, que também se chama Aline (sim, não perca a conta, são 3 Alines), e que até então nada tinha a ver com corres, entrou no hotel esbaforida e veio me agradecer por avisa-la. PQP! No sono, simplesmente liguei para a Aline errada 😱

Dave Mustaine veio em seguida e foi à recepção tratar de algum assunto. Surpreendentemente, ninguém reagiu. Kevin, Mestre, Léo, Rafael, ninguém esboçou reação. Não seria eu, com tão poucos corres, que iria tentar aborda-lo, com tantos mais experientes que eu deixando passar. Quando ele se foi, a falta de atitude foi bastante discutida. Um dizia para o outro que não tentou para não irrita-lo. Todos ficaram com medo de tentar, ouvir “não”, e estragar a chance dos demais. Muita solidariedade, pouca atitude: a chance foi perdida.

Ninguém teve coragem de abordar o Pato Donald

Uma das meninas que estava conosco, e que também havia se hospedado, disse que foi à academia do hotel, e que encontrou Chris Broderick se exercitando, chegou até mesmo a mostrar uma foto que tirou dele. Fomos lá, mas apenas observamos um pouco e voltamos para o hall. Seria inconveniente demais interromper o treino do cara para tirar fotos.

Aline III tirou foto de Chris Broderick se exercitando

Não demorou para que Shawn Drover aparecesse e atendesse a todos. Mustaine reapareceu para tomar café, mas não quis nenhum tipo de contato. Apenas pediu para um funcionário do hotel pegar o que tínhamos para autografar. Assinou tudo e mandou devolver. Foi possível vê-lo enquanto se servia e tomava café. Se quiséssemos, poderíamos ir até lá, afinal, também éramos hóspedes. Eu, ao menos, continuava seguindo o que decidi com a Sheila um ano antes: ser o menos inconveniente possível. Claro que queríamos a foto, mas se ele não queria, o que eu poderia fazer?!

Por sua vez, Kevin sempre tentava fazer as coisas de forma sem noção. Ele escreveu um bilhete e pediu para um funcionário do hotel entregar na mesa de Mustaine. Gentil, ele fez o que Kevin pediu, mas levou uma belíssima comida de rabo do Mustaine, que amassou o papel sem ler e o atirou no rosto dele, enquanto gritava algo que não entendemos, mas cujo conteúdo verbal não é muito difícil de adivinhar. Quando terminou, deixou o restaurante por uma saída alternativa, apenas para não ter que passar por nós. Em seguida, Broderick desceu e nos atendeu mas, para mim, era o fim do corre.

Com tantas câmeras, ficou difícil para Shawn Drover saber para qual olhar
Pato Donald no café
Pato Donald fugindo
Muito gente boa, Chris Broderick atendeu todo mundo

Léo insistiu que fôssemos ao aeroporto tentar mais uma vez, mas preferi finalizar e retornar para casa. Somente Rafael e Renata concordaram em continuar o corre. Em Congonhas, Mustaine atendeu o trio após muita “choradeira”. Ainda assim, foi uma foto quase irreconhecível, pois ele estava de gorro, cabelo debaixo do gorro e óculos escuros. Só quem estava no corre é capaz de reconhece-lo.

Anos depois, Carlos me disse que Mustaine nem sempre foi assim. Ele se lembra de uma vez, no Monsters of Rock 1998, quando ele, o Mestre e mais um amigo se hospedaram no mesmo hotel que a banda e, após passar a noite conversando com Mustaine no bar do hotel, todos subiram para dormir. Para surpresa geral, o quarto deles era exatamente na frente do quarto do vocalista/guitarrista. Na manhã seguinte, alguém bateu à porta. Mestre abriu e deu de cara com o Mustaine, que disse algo como “estou indo tomar café da manhã e quero companhia, vocês gostariam de me acompanhar?”. 

Carlos disse que quando Kevin contou sobre como foi o corre do Megadeth, se espantou ao saber sobre o comportamento de Mustaine, pois todos os hunters das antigas têm foto com ele. Algo aconteceu durante a pausa do Megadeth entre 2002 e 2004, que alterou completamente a maneira como ele interage com os fãs.

sábado, 10 de abril de 2010

Blaze Bayley

Um velho conhecido, Blaze Bayley, retornou a São Paulo para um show no Manifesto Bar. Naquela manhã, recebi um telefonema estranho. Yolanda*, uma amiga do Rio de Janeiro, que havia ficado em minha casa para o show do Metallica, pediu para ficar lá novamente, com uma amiga, por alguns dias. Sem entender direito, falei com Sheila, e concordamos em recebe-las. Eu iria encontra-las no show, então após o trabalho, fui direto para lá. Como cheguei cedo, Blaze ainda não havia chegado. Quando chegou, consegui a foto. Mal sabia que ele atenderia todo mundo novamente e, desta vez, sem a cara de velório do ano anterior. Melhor para mim, pois tirei duas fotos com ele naquele dia. Como ponto negativo, acabei não abordando Dave Bermudez, pois ele não desgrudava de uma menina, estava agarrado com ela o tempo todo, e fiquei "meio assim" de ser inconveniente.


Jay Walsh, guitarrista do Blaze Bayley
Nico Bermudez, guitarrista do Blaze Bayley
Claudio Tirincanti, baterista do Blaze Bayley

Quando encontrei com Yolanda e Fani*, comecei a compreender tudo. Elas vieram do Rio de Janeiro para São Paulo na van da banda. Contaram uma estória difícil de engolir, sobre Blaze ser excessivamente legal com os fãs, em uma tentativa de explicar a carona. Na verdade, uma pegou o baixista e outra estava com um dos guitarristas. Anos depois, me contaram que nessa aventura, vieram com apenas R$10,00 – somando o dinheiro das duas.

A partir desse dia, por alguns anos, elas sempre vinham do Rio para se encontrar com as bandas em São Paulo. Jovens e sem dinheiro, ainda assim estavam em todos os shows, em todos os hotéis. Por algum tempo, até tentaram disfarçar, mas depois despirocaram de vez e falavam abertamente sobre ter pego esse ou aquele músico, ou até a banda inteira de uma vez, era tipo topa tudo.

Yolanda contou que abordavam algum músico, perguntando se gostaria de transar com elas, as duas de uma vez. Em troca, claro: backstage, viagens, diversão. Poderiam até ter uma vida ruim durante a semana, mas nos finais de semana estavam nos melhores hotéis, comendo e bebendo por conta das bandas, assistindo aos shows de cima do palco, e ainda transavam com os rockstars que muitas desejavam.

Fani dizia “quando você pega um boy na balada, você não transa com ele!? Com banda é a mesma coisa, não muda nada”. Pra dizer a verdade, eu nunca liguei muito para isso. Desde que não atrapalhassem o corre, por mim tudo bem.

Eu conheci muitas groupies no decorrer dos anos, mas essas foram as únicas que simplesmente não viam diferença no tamanho das bandas. Enquanto a maioria desejava – e algumas vezes conseguia - nomes enormes como Jon Bon Jovi, Bruce Dickinson ou Dave Mustaine, para as duas o que importava era a quantidade, então poderia ser uma super banda ou uma bandeca desconhecida, elas estariam da mesma forma, agindo sempre da mesma maneira.


W.A.S.P. e Epica

Kevin sabia quais eram os hotéis, mas preferimos tentar algo diferente: esperar as bandas no aeroporto. Eu já havia pensado nessa possibilidade no ano anterior, quando o Stratovarius tocou no Rio de Janeiro em um dia e em São Paulo no outro. Pareceu lógico esperar pela banda em Congonhas, mas como eu e Natália acordamos tarde, não tivemos a oportunidade de tentar.

Naquele dia, mais uma vez minha casa estava com hóspedes. Alessandra e Lenice vieram de Manaus para assistir o Epica. Eu as convidei para me acompanhar ao aeroporto, mas preferiram continuar dormindo. Quando cheguei, havia uma galera por lá, incluindo Carlos e Kevin.

Eu estava com uma camiseta do W.A.S.P., e a primeira banda a desembarcar foi o Epica. Era a primeira vez que vi Simone Simons frente a frente, ela é muito mais bonita pessoalmente. Nessa época, eu ainda tinha o péssimo costume de abraçar os artistas no momento da foto. Eu a abracei, e ela não se importou. Em corres posteriores do Epica, Simone ficou conhecida por evitar o excesso de proximidade com os fãs, muitas vezes repetindo a já clássica frase "don't touch my hair" (não toque no meu cabelo). Observe que, na foto, meus dedos estavam um pouco entrelaçados no cabelo dela. Totalmente sem querer, mas estavam.

Após tirar foto com a Simone e Yves Huts dentro do saguão, abordei Mark Jansen já do lado de fora, que perguntou se esperávamos o Epica ou o W.A.S.P. Ao menos no meu caso, a resposta correta foi “as duas bandas”. Eu iria ao show de ambas, inclusive. Como era fã há pouco tempo e ainda não conhecia bem a formação, demorei para reconhecer e não consegui fotos com Coen Janssen e Isaac Delahaye. Quando retornei para casa com as fotos, minhas hóspedes dorminhocas arrependeram-se de não me acompanhar.

Simone Simons no auge de seus 25 anos
Yves Huts já saiu da sala de desembarque com o cigarro na mão. Observe que eu estava segurando um álbum do W.A.S.P.
Ariën van Weesenbeek, baterista do Epica
Todos no Epica são legais, mas Mark Jansen é absurdamente legal, sempre!

Quanto ao W.A.S.P., a banda demorou mais algumas horas para desembarcar. Não pude esperar, pois havia combinado algumas coisas com minhas hóspedes. Kevin me disse, entretanto, que todos os músicos foram chatos e não quiseram interação com os fãs que os aguardavam.

O show do W.A.S.P. estava marcado para as 18:00 hs no Santana Hall e o do Epica seria as 22:00 hs no Via Funchal. Acreditando que seria possível assistir aos dois, comprei os ingressos, mas assisti somente o do Epica pois, até às 20:00 hs, o show do W.A.S.P. nem ao menos havia começado, devido a um ataque de estrelismo do Blackie Lawless, que só apareceu para tocar após esse horário. Sei disso porque Kevin descobriu que, no estacionamento ao lado do local, havia uma passagem para os camarins da casa de shows. Então, como era por ali que a banda entraria, era ali que ficaríamos. Mais uma vez, ele não atendeu ninguém.

Um dos rockstars mais insuportáveis, Blackie Lawless não quis nem saber de papo e entrou sem atender ninguém

Desisti de assistir o W.A.S.P., encontrei uma amiga e fomos ao Via Funchal, onde assistimos a um show memorável. Após, fomos ao Hilton, onde a banda estava hospedada, mas parece que todos que estavam no show tiveram a mesma ideia, pois estava lotado de fãs em frente ao hotel. É claro que, desse modo, a banda entrou por alguma entrada alternativa e não atendeu ninguém, totalmente compreensível.

No dia seguinte, bem cedo, voltei ao Hilton com minhas hóspedes preguiçosas para tentar as fotos que faltaram com o Epica. Elas levaram suas câmeras e tiravam foto de tudo e todos. Antes que fossem embora de minha casa, copiei seus cartões de memória. Abaixo algumas das imagens que elas conseguiram:

Yves bebendo e fumando logo cedo. Pode acreditar, isso era 07:00 hs da manhã 
Coen e Simone saindo do hotel
Simone toda feliz ao ser presenteada com uma caixa de Ferrero Rocher por um fã
Yves não parava de fumar
Mark foi o último a entrar na van

Tirei apenas com o Coen e mais uma com a Simone - não costumo tirar duas fotos com o mesmo artista na mesma turnê, a menos que a foto não tenha ficado boa, mas foi irresistível. Isaac demorou demais para aparecer. Os demais integrantes da banda e o pessoal da produção já demonstravam uma clara preocupação com o horário do voo. Então, quando ele apareceu, entrou na van correndo, sem atender ninguém.

Simone é muito linda e estava de ótimo humor
Coen Janssen não se importou de atender a galera

Uma curiosidade sobre este dia é que sempre observei que Kevin levava, além da discografia completa, uma foto para a banda autografar. Todas as vezes em que eu fazia um corre e não tinha um CD ou vinil da banda, tinha o cuidado de comprar um CD para autografar, mas isso era custoso e trabalhoso. Com o MP3 em alta e a venda de CDs em declínio, muitas vezes eu simplesmente não encontrava, quando encontrava não era com a formação atual. Foi o que aconteceu nesse caso: tentei comprar na Galeria do Rock, mas não encontrei nenhum com aquela formação.

Decidi adotar como padrão sempre levar uma foto. Monta-la dava um pouco de trabalho, mas ao menos era barato. Sheila abraçou essa ideia comigo, e como entendia bem mais que eu de Photoshop, criou modelos que utilizo até hoje. Basta uma imagem da banda em alta resolução, uma imagem do logo, e o nome e respectivo instrumento de cada integrante, que o arquivo fica pronto rapidinho. Para ter mais qualidade, mando revelar.


Kevin ainda me chamou para ir ao Hollyday Inn naquela tarde para tentar novamente o W.A.S.P. mas, devido a tudo que aconteceu, não fui. Me arrependi pois eles, incluindo Blackie Lawless, atenderam os fãs, embora de má vontade. A banda demorou 9 anos para retornar ao Brasil. Em 2012 e em 2015 foram anunciados shows no país, que acabaram cancelados pelo mesmo motivo: falta de profissionalismo de Blackie Lawless.

sábado, 20 de março de 2010

Dream Theater

O primeiro corre de 2010, propriamente dito, foi quando o Dream Theater se apresentou no Credicard Hall. Eu e Sheila sabíamos, através de Kevin, que a banda ficaria no Hilton. Como estávamos sem dinheiro para nos hospedar, decidimos ficar em um hotel bem mais barato, o Formula 1 (hoje renomeado para Ibis Budget), que nos deixaria próximos ao hotel onde estava a banda e do local do show.

Ao final da apresentação, tomamos um táxi e conseguimos chegar antes que a banda, mas outros fãs tiveram a mesma ideia. Nenhum músico atendeu, exceto Mike Portnoy, que foi completamente cercado. Ele até tirou algumas fotos, mas era impossível atender a todos. Assim que conseguiu se desvencilhar, entrou também.


Fomos para o nosso hotel e retornamos na manhã seguinte bem cedo. Sem combinar, encontramos alguns amigos que estavam ali pelo mesmo motivo que nós: Deca, Arthur, Adrian e Juliane.

Os integrantes da banda de abertura, Bigelf, saíram do hotel e foram solenemente ignorados por todos. Pra dizer a verdade, eu nem sabia que existia essa banda até a noite anterior. Fosse hoje, eu tiraria foto com eles só por tirar, mas na época eu tirava somente com as bandas que era fã. Percebendo que não iríamos tomar nenhuma atitude, vieram até nós, perguntando:

- Photo? Photo?

Alguém disse “acho que eles querem tirar foto com a gente”. Já que era assim, tudo bem, tiramos.


O Dream Theater veio em seguida. O primeiro a sair, James LaBrie, atendeu todo mundo numa boa. Em seguida, todos os demais integrantes saíram, o que tornou as coisas muito difíceis, pois não éramos em número suficiente para conseguir parar todos. Jordan Rudess e Mike Portnoy também atenderam sem problemas, mas John Petrucci e John Myung aproveitaram para passar direto.

Deca foi até a van e falou com John Myung, que aceitou sair para atender. Quando entrou novamente, as portas se fecharam e a banda seguiu ao aeroporto. Nenhum de nós percebeu que Petrucci já havia embarcado, então não conseguimos conhece-lo nessa oportunidade.

James LaBrie
Jordan Rudess
John Myung
Mike Portnoy


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Kevin Mitnick

Kevin Mitnick era uma das atrações da Campus Party 2010. Veio para uma palestra chamada “A arte de enganar”, onde falou sobre a inutilidade de tecnologias de proteção quando o atacante (hacker) realmente quer invadir. Para quem, como eu, acessava a Internet desde o começo da operação comercial no Brasil, com Windows 95, modem de 33.600 e conexão pelo telefone, ele era uma lenda. Foi um hacker mundialmente conhecido que, embora tivesse profundos conhecimentos de phreak, programação e técnicas de invasão de sistemas, usou a engenharia social como principal método para obter informações como nomes e senhas de usuários. Sua trajetória - incluindo sua captura pelo FBI - foi tão notável, que foi retratada no filme “Hackers 2 - Operation Takedown”. Recomendo fortemente para quem não conhece. Hoje em dia, Kevin trabalha em uma empresa de segurança de sistemas.

É claro que eu queria conhece-lo e conseguir uma foto com ele, mas ainda não tinha as habilidades necessárias, então comprei o ingresso e torci para que fosse possível conseguir no evento. Na verdade, eu queria ser como Kevin – o outro – que simplesmente sabia todos os hotéis das bandas, como se fosse mágica.



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

AC/DC

Lá estávamos novamente hospedados em nosso hotel predileto. Conseguimos a confirmação de que o AC/DC ficaria no Hilton duas semanas antes, quando nos hospedamos para tentar conhecer o pessoal do Twisted Sister, e um dos funcionários nos confirmou que Angus e os outros músicos também ficariam lá. Na mesma hora, fiz a reserva. Não fosse pelo Stratovarius, que em 2009 ficou no Mercure Moema (que então chamava-se, se não me engano, Parthenon), eu começaria a achar que o Hilton era o único hotel utilizado pelas bandas que tocavam em São Paulo. Todas as outras que tentei conhecer ficaram lá: Iron Maiden, Motörhead, Heaven & Hell, Twisted Sister e, agora, AC/DC.

No dia do show, Angus desceu com a esposa para o bar do térreo, mas a chance de contato foi zero, pois os seguranças que o acompanhavam não permitiram qualquer aproximação. Quando a banda saiu para o show, apenas eu, Sheila e Ricardo Pacheco estávamos no local por onde passou Brian Johnson, sozinho, sem segurança. É claro que o chamamos, mas ele não parou, apenas disse que estava atrasado e que nos atenderia no dia seguinte. Confiamos e o deixamos em paz.

Apenas um ano antes, em 2008, a HoundsTV.com postou um pequeno vídeo do vocalista do AC/DC sendo questionado por um fã se ele já havia se aproximado de alguém para pedir um autógrafo. "Sim, eu pedi para Chuck Berry uma vez em 1975", respondeu Brian. "Ele foi o maior babaca que já vi na minha vida - o homem mais rude que eu já conheci. Ele disse que assinava um autógrafo por dia e que, naquele dia, ele já tinha cumprido sua cota. Eu não quero ser um cuzão como ele foi".


O show foi absurdo em todos os sentidos, a começar pela venda dos ingressos. Lembro que fiquei  insanas nove horas tentando compra-los pela internet e mal acreditei quando consegui. Já no Morumbi, cometemos o erro de permanecer até a última música e, de onde estávamos, na arquibancada, foi possível ver que a van da banda deixou o estádio assim que o primeiro fogo de artifício pós show estourou. Como saímos junto com todos os fãs, foi muito difícil conseguir um táxi para o hotel, então chegamos muito depois da banda e, naquela noite, nada mais aconteceu.

No dia seguinte, cerca de 10 fãs hospedados aguardavam pela saída da banda. Um dos seguranças que acompanhava os integrantes veio falar conosco, alegando que a banda atenderia, mas apenas fora do hotel. Isso não parecia fazer sentido, mas ainda assim confiamos. Se somando aos de fora, eram 22 fãs.

Os seguranças do hotel, a pedido dos seguranças da banda, instalaram algumas grades de isolamento. Eis que surgiu o gigantesco baixinho. Angus Young foi um dos mais simpáticos, atendeu a todos com calma, a única exigência - feita pelos seguranças, não diretamente por ele - é que ele assinaria apenas um item por pessoa. Por mim, sem problemas, eu só estava com o Back In Black.



Malcom foi o segundo a sair, mas apenas olhou em nossa direção antes de embarcar na van. Por algum tempo acreditei que ele fosse mala. Eu não sabia que já estava doente e que estaria morto poucos anos depois, após sofrer de demência por um longo período.

Malcom apenas deu uma olhada rápida, mas entrou na van sem atender ninguém

O terceiro foi Phil Rudd, que veio até nós, mas não quis tirar fotos. Ao menos autografou um item de cada fã. Sheila aproveitou para tirar a minha primeira FOTASSA.

Phil Rudd assinando meu Back In Black
O quarto foi o simpaticíssimo Cliff Williams que, como Angus, atendeu a todos com calma e atenção

Restava Brian Johnson cumprir o que nos prometeu no dia anterior. Quando saiu, foi ainda pior do que Malcom, pois nem ao menos olhou antes de embarcar apressado. Brian foi conosco, assim como Chuck Berry fora com ele, um cuzão. Com a banda completa, a porta foi fechada, e a van seguiu rumo ao aeroporto. O final do corre estava decretado.

Kevin ainda nos chamou para ir do hotel ao Manifesto Bar tentar conseguir fotos com o Skid Row, que se apresentava naquela tarde, mas estávamos cansados e com visita em casa. Dois amigos, Alexandre e Jee, vieram do Rio de Janeiro e Manaus apenas para a ocasião. Passaram dois dias conosco no hotel, mas certamente não aguentariam mais algumas horas de correria. Acabei deixando para lá. No entanto, foi uma má decisão, pois desde então o Skid Row nunca retornou ao Brasil. Até foi confirmada uma turnê em 2013, mas provavelmente devido à baixa vendagem, as apresentações que a banda faria no país foram canceladas.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Twisted Sister

O Twisted Sister se apresentaria pela primeira vez no Brasil. Como eu me hospedaria, utilizei o banco de horas do serviço para não trabalhar na tarde daquela sexta-feira. Para chegar ao Hilton de transporte público era complicado, pois ainda não havia a linha amarela ligando o metrô à CPTM, então eu e Kevin usamos a ponte orca para chegar ao trem.


Quando chegamos no hotel, fiz o check-in e decidimos esperar no bar do térreo. Estávamos lá, conversando e petiscando, quando o Supla apareceu. Mal chegou e veio falar com a gente, fazendo algum comentário sobre a minha camiseta do Iron Maiden. Disse também que havia acabado de entrevistar Dee Snider. Foi tão legal que não teve como não tirar uma foto, tornando-se, assim, o meu primeiro bônus.


Pouco depois, o gigantesco baixista, Mark "The Animal" Mendoza, saiu do elevador e caminhou em nossa direção. Já estávamos levantando para aborda-lo, mas ele nos manteve sentados com um sonoro “sit down”. No entanto, foi apenas uma brincadeira, já que ele é dos caras mais legais que conheci. Veio até nós, tirou foto e autografou tudo que tínhamos. O problema é que, apesar da discografia lançada pela banda nos anos 80 ter apenas cinco álbuns, Kevin levou 25, vários repetidos. No dia seguinte, não apenas tinha todos autografados por todos os integrantes como, não contente, foi à Galeria do Rock e comprou mais alguns álbuns e um pôster. A banda pareceu não se importar, e quase todos os integrantes realmente demonstraram estar felizes em tocar no Brasil e de ter a oportunidade de interagir conosco.

Não demorou e os demais músicos, exceto Dee Snider, apareceram. Como havia alguns fãs fora do hotel, fomos para lá. Não foi como tinha sido com o Iron Maiden ou com o Motörhead, quando quase sempre havia um integrante da produção ou algum segurança para que as coisas acontecessem o mais rápido possível. A banda passou a tarde conosco, tirou fotos, deu autógrafos, distribuiu fotos autografadas - que trouxe apenas para presentear os fãs - e fez questão de tirar uma foto conosco, que ilustrou a página principal do website da banda.

Eddie Ojeda, guitarrista do Twisted Sister
A. J. Pero, hoje falecido, era o baterista do Twisted Sister 
Jay Jay French, guitarrista do Twisted Sister

Quando saiu do serviço, Sheila juntou-se a nós e também conheceu todos, incluindo Dee Snider, que finalmente apareceu. Destoando dos demais, não foi muito simpático. Mas atendeu e isso é o que importa.

Dee Snider, vocalista do Twisted Sister
No dia seguinte, muitos fãs esperavam fora do hotel. Quando a banda saiu para passar o som, a cena se repetiu: muita simpatia, fotos, autógrafos, brincadeiras, caras e bocas. Até mesmo Dee Snider parecia estar de bom humor. Mark Mendoza pegava as mulheres no colo para posar para fotos, e enforcava os homens.

Mark "The Animal" Mendoza, baixista do Twisted Sister
A essa altura, alguns rostos bem conhecidos haviam aparecido. Ricardo e Fátima Pacheco vieram do Rio de Janeiro especialmente para a ocasião. Deca também se juntou a nós. Estávamos todos no bar do hotel quando anunciei que subiria ao quarto para deixar algumas coisas e, então, seguiríamos para o show. Quando retornei, Kevin, que não estava hospedado, perguntou se poderia deixar algumas coisas no nosso quarto.

Quando o conhecemos, no dia do Motörhead, Sheila me disse que o havia achado chato. Ele tomava conta da conversa, falando alto, demais e sem parar, sem dar espaço para os outros. A princípio eu não concordei, mas naquela situação foi exatamente o que aconteceu. Eu começava a concordar: Kevin é chato! Não demorou para que esse fosse o apelido dele. Até mesmo na agenda de contatos do celular, eu o cadastrei como Kevin Chato. Curioso foi descobrir que não fui o único que teve essa ideia: ele também está como Kevin Chato no celular do Carlos. E é unânime, não há quem o conheça que seja capaz de discordar.

Após o show, houve uma última surpresa: a banda percebeu que muitos fãs a aguardavam fora do hotel, e encomendou algumas pizzas para eles. As letras TS foram cuidadosamente “impressas” em cada uma com ketchup ou maionese, quando salgada, ou com leite condensado, quando doce. Achei sensacional, pois os músicos mostraram saber que muitos fãs passam horas tentando algum contato, vão ao show e, às vezes, passam o dia sem se alimentar direito. Embora eu não precisasse, achei de uma gentileza sem tamanho, um profundo respeito pelos fãs.

Twisted Pizza
Naquela noite, conhecemos o tour manager da banda, Danny. Ele nos contou que o dinheiro de todos acabou, então foi essa a motivação que finalizou qualquer atrito entre os integrantes e os colocou novamente na estrada. Melhor para nós, o importante é que estavam de volta, prontos para chutar bundas e nos pagar pizza!

Danny era o tour manager do Twisted Sister