Todos sabem que o primeiro show do Iron Maiden foi em no pub londrino Cart & Horses. A formação nessa apresentação contava com Paul Day (vocal), Dave Sullivan (guitarra), Terry Rance (guitarra), Steve Harris (baixo) e Ron Matthews (bateria). No entanto, muito antes desses integrantes nascerem, o Cart & Horses já existia. O pub original foi aberto em 1765 e localizava-se em 150-152 The Grove (onde Wetherspoon está agora). Em 1880, mudou-se para o endereço atual, em 1 Maryland Point.
Foto de 1936
Quando o Iron Maiden apresentou-se, em 1976, o pub era um pouco diferente do que o que eu visitei quando estive em Londres em 2018 e 2019. A porta de acesso ao local ficava à esquerda, não ao centro. Havia também uma porta lateral, que foi desativada. O palco também não era mais o mesmo. Ainda assim, foram mudanças pequenas, pontuais, ainda era o pub onde toda a história aconteceu.
O acesso ao local era feito pela porta à esquerda da imagem e era assim no dia em que o Iron Maiden tocou pela primeira vez
Kastro Pergjoni
Bem mais recentemente, em 2016, Kastro Pergjoni e um amigo arrendaram o pub, sem sequer imaginar a conexão que o local tinha com o Iron Maiden. Eles não tinham experiência com bares de música ao vivo, mas entendiam de preparo de coquetéis, e outras coisas relacionadas. Logo perceberam que muitas mudanças eram necessárias, mas não havia dinheiro disponível imediatamente para faze-las. O jeito foi manter o bar aberto exatamente como estava para reunir a quantia necessária aos poucos.
Não demorou para que percebessem o quanto seria uma ideia ruim. Kastro conta que "as pessoas se aglomeram do lado de fora esperando para abrirmos as portas para poderem entrar e tirar fotos. Não podemos transformar o pub em outra coisa, pois isso destruiria o que os fãs transformaram em um santuário. Sim, por causa desses caras, dos fãs incríveis que o Iron Maiden tem, por causa disso tudo esse lugar ainda existe".
Apesar disso, em 2019, decidiram demolir toda a parte interna e reconstruí-la completamente. Apenas as paredes externas seriam mantida, mas ainda assim haveriam modificações no exterior: as 3 portas originais seriam restauradas.
Em 30 de junho de 2019, a despedida aconteceu em grande estilo, contando com bandas que se apresentaram do começo da tarde até a noite, incluindo Buffalo Fish, banda de Terry Wapram, guitarrista do Iron Maiden na formação de 1978.
A primeira a se apresentar foi Gypsy's Kiss, a primeira banda de Steve Harris, onde ele esteve entre 1972 e 1973. Somente um de seus antigos companheiros, o guitarrista David Smith, permaneceu nesta formação.
A banda entrou em um hiato que durou 44 anos, de 1974 a 2018, até se apresentar com a formação original - sem Steve Harris - no Burr Fest 2018. A ideia da reunião era apenas uma apresentação, para matar a curiosidade dos fãs de Iron Maiden, que sempre ouviram falar em Gypsy's Kiss mas pouco conheciam do som da banda. Além disso, era a chance de velhos amigos dividirem o palco novamente, agora todos na terceira idade.
Entretanto, isso foi o suficiente para reativar em David o tesão de tocar e ter uma banda, então resolveu seguir em frente, ainda que sem seus antigos companheiros, com uma formação ampliada e totalmente reformulada, mas tocando as músicas que ele fez em 1974.
Ao término das apresentações, era o fim!? Nos dias seguintes, a demolição começou a todo vapor, e a reinauguração foi prevista para o segundo semestre de 2020, mas então, todos sabem, veio o corona virus, inviabilizando qualquer pretensão nesse sentido. O Cart & Horses, como fênix, ressurgirá das cinzas, maior, melhor e mais forte.
Pouco restou do local que testemunhou as primeiras apresentações de Steve Harris, ainda com a banda Influence (que pouco tempo depois foi renomeada para Gypsy's Kiss) e com o Iron Maiden. A mística, que o transformou em um santuário para aqueles que tem Iron Maiden como religião, viverá para sempre. O pub reuniu gerações por décadas e continuará reunindo por muitos e muitos anos ainda.
Se por um lado nunca será o mesmo, e daí?! Nós também não somos! Kastro nem era nascido quando o Iron Maiden se apresentou em 1976. Eu tinha 3 anos, quase 4, e agora tenho quase 50! Muitos fãs se foram nos mais de 45 anos de existência do Iron Maiden. Até mesmo Clive Burr se foi...
Ainda assim, o Cart & Horses sempre será um local para que todo fã de Iron Maiden possa visitar, tirar fotos, acompanhar apresentações de ex integrantes - enquanto eles estiverem vivos e bem - e se reunir a cada apresentação do Iron Maiden, antes de partir para o show. Por quanto tempo mais isso acontecerá? Ninguém sabe!
Eu acredito que certas bandas que vimos nascer, florescer e agora temos a oportunidade de testemunhar seus momentos finais, sobreviverão por séculos, tal como compositores de música clássica - Beethoven, Mozart, Liszt, Bach, entre outros - sobreviveram. Em comum, todos fazem boa música e tem grandes fãs. O Iron Maiden tornou-se imortal e levou o Cart & Horses para a imortalidade também.
Após o show de Michale Graves, fui ao hotel onde ele estava hospedado, e esperei por alguns minutos. Contando comigo, havia um grupo de cerca de 8 fãs. Quando ele chegou, atendeu a todos, dentro do hotel e ainda maquiado. Fim de corre?! Com certeza!
O que aconteceu depois foi absolutamente bizarro e inesperado. A turnê brasileira foi interrompida, pois o músico deixou o Brasil sem avisar a produtora responsável pelos shows. Os shows aconteceram normalmente em São José dos Campos, Paranaguá, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, e foram cancelados em Limeira, Caxias do Sul, Brasília, Florianópolis, Fortaleza e Recife. A turnê foi organizada pela Venus Concerts e a produção em 4 cidades ficou a cargo da EV7 Live. Três desses 4 shows foram realizados (Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, Brasília foi cancelado).
A verdade é que em 2019, muitos shows da EV7 tiveram problemas ou foram simplesmente cancelados:
Philip H. Anselmo & The Illegals: os shows em Belo Horizonte e Rio de Janeiro foram cancelados. Em São Paulo aconteceu, mas houve problemas com o voo do Chile para o Brasil, e Anselmo chegou ao país quase no horário em que deveria estar no palco.
Eluveitie: Somente o show de São Paulo aconteceu. Os shows em Belo Horizonte, Brasília e Curitiba foram cancelados. De acordo com a EV7, o primeiro por vontade da banda e os outros dois por decisão da produtora. Houve troca de acusações entre banda e produtora pelas redes sociais. A produtora alegou motivos esdrúxulos, dando a entender que o show do Belo Horizonte foi cancelado porque não havia o chá que a banda pediu no camarim.
No fim, a banda anunciou que se apresentaria de graça no Rio de Janeiro - cidade que nem constava originalmente da turnê - para todos os fãs que tivessem ingressos das apresentações canceladas, numa tentativa de minimizar as perdas causadas pelos cancelamentos. Quem não tivesse ingresso pagaria apenas R$60,00 para entrar no evento que, de acordo com o comunicado, serviria apenas para cobrir os custos das produtoras No Class e On Stage, que assumiram o evento na cidade carioca.
Fãs criaram arte para tirar um barato da situação ridícula
Dead Kennedys: turnê brasileira cancelada após polêmica com a divulgação do cartaz do show, com desenhos ofensivos ao presidente Jair Bolsonaro e seus eleitores.
Glenn Hughes: todos os shows da turnê brasileira foram cancelados, e a produtora alegou ser vítima de um produtor golpista chileno.
Uriah Heep: a banda simplesmente cancelou a turnê brasileira sem oferecer grandes esclarecimentos aos fãs.
Stryper e Narnia: a turnê aconteceu, porém sem a presença da terceira banda anunciada, Tourniquet. Além disso, o show de Brasília foi cancelado.
Combichrist: mais um cancelamento sem grandes explicações
Ainda que a produtora tenha sido vítima de golpistas, como alegou no caso do show de Glenn Hughes, foram muitos os problemas em espaço de tempo muito curto. A produtora perdeu toda e qualquer credibilidade que tivesse no mercado. Após o show cancelado do Dead Kennedys, por exemplo, foi anunciada a venda de camisetas com a arte do cartaz do show, para tentar minimizar os prejuízos com o cancelamento. No site "Reclame Aqui" há reclamações até mesmo de gente que comprou a camiseta e não recebeu. Aliás, são 110 reclamações diversas, todas não respondidas.
Isso me leva a crer que tinham razão os artistas que vieram e abandonaram a turnê antes do término, casos de Eluveitie e Michale Graves, principalmente porque são artistas que já vieram antes com outras produtoras e nunca causaram problemas.
Sendo sincero: não tenho a menor ideia de quem são. Antes do único show deles no Brasil, em 2019, pesquisei no Youtube e até reconheci uma música ou outra. Não é algo que eu reclamaria se estivesse tocando no rádio, mas não é o tipo de música que eu adicionaria à minha playlist. Por que, afinal, fui tentar conhece-los?! Para ajudar Marcelo Zava, que queria muito conseguir uma foto com eles.
A tentativa foi no local do show, onde havia somente duas pessoas: nós. Vimos chegar, para a passagem de som, a van com os músicos de apoio, mas não reagimos para não entregar nossas intenções aos seguranças do lugar. Quando veio a van que trazia John Oates, nos aproximamos. Um gringo, integrante da equipe da dupla, desceu e exigiu, aos berros e gesticulando muito, que os integrantes da produção local providenciassem mais seguranças, para que ficassem à nossa frente, tapando nossa visão e diminuindo a chance de abordagem. Ele gritava para irmos embora.
Marcelo não aceitou, pois queria a oportunidade de ver Oates e chamar por ele. Se não quisesse atender, paciência. A discussão só terminou quando Marcos, o segurança brasileiro que o acompanhava, desceu da van e veio falar conosco. Ele confirmou ser um pedido da dupla, que não queria nenhum contato com fãs. Como ele nunca nos atrapalhou, e sempre deixou o artista manifestar sua vontade de atender ou não, confiamos e fomos embora.
Decidimos fazer uma nova tentativa após o show, no hotel em que os músicos estavam hospedados. No entanto, recebemos informações de como foi com quem tentou no aeroporto e no hotel: “Desembarcaram no terminal 2 e foram quase correndo para a van. Daryl deu um esculacho nos fãs, bem sem educação. John foi mais educado, mas disse que não atenderia, 4 pessoas somente".
Outro relato: "estávamos na frente ao hotel quando chegaram, mas passaram direto. Fãs hospedados relatam que não os veem nas áreas comuns desde ontem. E hoje, ao sair para passar o som, não foram pela frente, saíram pela garagem. Não vimos nem mesmo a banda saindo, garagem também”. Foi o que bastou para desistirmos.
Hospedada, Annebelle conseguiu foto com John Oates e, até onde tenho notícia, foi a única foto no Brasil fora do meet & greet. Ela, aliás, também ganhou o meet & greet, então conseguiu foto com os dois. Malas desse jeito, nem faço questão. Para mim não eram nada, agora são menos ainda.
Rodrigo Scelza foi o produtor que trouxe Raven e Leather Leone ao Brasil. Somos amigos há anos, então quando ele traz alguma banda, nunca se incomoda de me passar informações de hotel e de horários. Deste modo, sabíamos que as bandas sairiam para o The House (que hoje voltou a se chamar Hangar 110) às 15:30hs. Leo ficou de passar em minha casa às 14:30hs, em tese teríamos tempo de sobra.
Esse, no entanto, foi um dia de trânsito especialmente anormal em São Paulo. Ficamos por muito tempo parados em um congestionamento no Minhocão (viaduto Gal. Costa e Silva, pouco me importa se mudaram o nome). Quando conseguimos sair, foi ainda pior: as ruas do centro estavam absolutamente congestionadas. Quando, enfim, chegamos ao hotel, já era 15:45hs.
A van ainda estava parada em frente ao local, mas para nosso desespero observamos que os integrantes das bandas já estavam saindo do hotel e entrando na van. Eu e a Arianne descemos e fizemos a abordagem, enquanto Leo terminava de estacionar.
Na correria, não conseguimos fotos com todos. Eu, por exemplo, perdi John Gallagher, mas não me importei, pois já tinha foto com ele desde 2010. Sempre é bom renovar, afinal 9 anos se passaram, mas meu objetivo era conseguir foto com o baterista Mark Heller, pois ele era a "figurinha nova".
Leather é sempre boazinha, que mulher legal
Leather Leone, vocalista do Chastain
Mark Heller, baterista do Raven
Mark Gallagher, guitarrista do Raven
No retorno para casa, Leo comentou sobre a morte de Serguei. Essa notícia não me pegou de surpresa: quando o encontrei pela última vez, dois anos antes, ele já estava bastante zuado, parecia que nem sabia o que estava fazendo ali (no show do Made in Brazil, no Sesc Pompéia). O que eu não sabia é que outra notícia ainda pior estava a caminho, já no dia seguinte.
A internet de casa estava com problemas, e eu já tinha solicitado para a operadora enviar um técnico, o que ocorreria somente na segunda feira, dia 10. Nesse sábado, dia 8, passei quase todo o dia offline. Quando anoiteceu, decidi ir para perto de um mini mercado Extra, próximo de casa, apenas para acessar o wi-fi, ver o que estava rolando no Facebook e dar uma lida nas notícias em geral. Para minha surpresa, havia mais de 40 mensagens não lidas, o que é muito incomum. Quando fui ler, todas abordavam o mesmo assunto: o falecimento de André Matos.
No começo achei que poderia se tratar de alguma brincadeira, algum boato. Como assim?! Andre era apenas 11 meses mais velho que eu, nem tinha completado 48 anos ainda. Como todos infelizmente soubemos bem nesse dia, era real. Tirei alguns prints das notícias, pois quando retornasse para casa e contasse à Arianne, ela certamente não acreditaria. Apenas 5 dias antes, eu e ela quase o encontramos na saída do show do Avantasia.
Quando cheguei, ela estava deitada na cama. Essa foi a conversa que tivemos:
- Um dia que ficamos sem internet e parece que o mundo como conhecemos nunca mais será o mesmo.
- O que aconteceu?
- O Andre Matos morreu!
- Não morreu!
Ela não acreditou nem mesmo quando mostrei os prints, teve que ir ao mercado para confirmar e somente então acreditar. Para ela foi um grande baque, provavelmente foi a primeira grande perda com que teve que lidar. Por minha vez, eu estava vivendo em uma década que levou minha mãe, meus avós, vários amigos e ídolos na música (Dio, Lemmy, Jeff Hannemann, Clive Burr, entre outros), então Andre foi apenas mais uma perda para mim.
A última vez em que encontrei Andre Matos foi no corre do Metal Singers, uma turnê organizada pela produtora Open The Road, reunindo vocalistas de metal para apresentar sucessos de suas carreiras, finalizando com uma jam onde todos participam. Na ocasião, Blaze Bayley, Udo Dirkschneider, e Doogie White vieram em um voo de Santiago. O quarto vocalista, Andre, não desembarcou. Avistei Silvio, o dono da produtora, e perguntei onde estava Andre. Ele respondeu que não havia passagens para todos, então viria no próximo voo.
Como já tenho diversas fotos com ele, normalmente eu finalizaria o corre e iria para casa. Entretanto, seria a primeira vez que Arianne conseguiria encontra-lo, após duas tentativas frustradas, então eu e Carlos aguardamos com ela pela chegada do voo seguinte. Após passar pelos procedimentos alfandegários, Andre saiu pelo portão de desembarque. Logo nos avistou e percebeu que o abordaríamos, então já veio falar conosco.
Arianne tem uma amiga russa, Alisa, que sempre perguntava quando Andre faria um show em seu país. Toda sem graça, pediu permissão para gravar um vídeo com ela perguntando e ele respondendo. Depois de legendar em inglês, enviou o vídeo para a amiga. Obs: a versão abaixo não contém legenda.
Seis meses se passaram e Arianne perguntou se eu me importaria se Alisa ficasse alguns dias em casa conosco. O único problema é a total falta de estrutura para receber hóspedes. Quando eu morava com a Sheila, tínhamos um quarto apenas para essa finalidade, mas onde moro com Arianne é uma casa pequena, com apenas quarto, cozinha, banheiro e um corredor, onde fica o computador.
Não temos cama extra e nem ao menos um colchonete para colocar no chão se vier alguém. Logo, respondi que se Alisa não se importassse em dormir conosco na cama - que é King, enorme - e com os gatos (tínhamos 15, e quase todos também eram acostumados a dormir na cama), por mim estaria ok.
No dia em que Alisa desembarcou em Guarulhos, Arianne foi recepciona-la no aeroporto. Eu não fui, pois Arianne preferiu que eu as encontrasse na estação Barra Funda, apenas para levar uma mala "pesada". As duas tomariam um ônibus para o Rio de Janeiro, onde Alisa faria turismo por alguns dias. Sim, ela veio ao Brasil com o único objetivo de ver Andre Matos, mas turistar um pouco para aproveitar a longa viagem também não seria má ideia. Elas foram e retornaram dois dias depois.
Na madrugada seguinte, às 02:00hs, chegaria o voo trazendo o Avantasia ao Brasil. Eu não estava muito preocupado com o corre, pois havia apenas uma nova integrante com quem eu ainda não tinha foto, a vocalista Adrienne Cowan, que veio em substituição à Amanda Somerville, que meses antes decidiu não excursionar nesta turnê. Conseguindo foto com ela, por mim já estaria bom. Claro que é sempre bom conseguir com todos, mas não fazia questão absoluta. A grande missão nesse final de semana seria mesmo colocar Alisa em frente ao Andre.
Devido ao horário de chegada do voo, ir a Guarulhos automaticamente nos condenava a passar o resto da noite no aeroporto, até que o trem voltasse a circular. Alisa e Arianne me acompanharam, embora não estivessem muito interessadas em conseguir fotos com nenhum dos integrantes. Na correria, esqueci de verificar se a câmera estava com cartão - e não estava - então o jeito foi tirar as fotos com o celular de Arianne.
Tobias Sammet foi o primeiro a passar pelo portão de desembarque. Em 2016 havia muitos fãs no aeroporto, e todos os músicos atenderam numa boa, exceto Tobias. Três anos se passaram, e agora estava mais bonzinho, pois já saiu atendendo. Na sequencia, abordei os sempre simpáticos e gente boa Geoff Tate e Eric Martin, além de Oliver Hartmann. Por fim, consegui quem eu queria: Adrienne ficou muito surpresa com a abordagem. Acho que pensou não ser importante em meio a tantos grandes nomes. Foi muito simpática, então fiz questão de dizer que estava ali apenas para ve-la, sendo retribuído com um sorriso lindíssimo.
Desta vez Tobias não se escondeu e atendeu todo mundo
Geoff Tate é sempre absurdamente legal e atencioso com os fãs
Eric Martin é outro que parece nunca ter um dia ruim. Oliver Hartmann também não se incomodou em tirar foto
Por fim, conheci meu grande alvo deste corre: a vocalista Adrienne Cowan. Pena que foi foto de celular
Mais uma vez, o Photoshop falando alto em uma foto promocional
O segurança brasileiro que recepcionou os músicos estava, como sempre, um pouco babaca. Eram pouquíssimos fãs - principalmente se comparado a 2016 - mas ainda assim ele enchia o saco. Como já tinha conseguido com quem eu queria, preferi finalizar as abordagens para não estressar desnecessariamente. Toda vez é a mesma palhaçada quando esse cara trabalha. Ele nos conhece, sabe o que queremos (foto e autógrafo), sabe que nossa abordagem é sempre a mais rápida possível e mesmo assim faz questão de atrapalhar... É difícil...
Quando a banda se foi, Alisa deitou-se em um banco no terminal 2 e cochilou um pouco. Arianne a acompanhou, ficando acordada para garantir que ninguém a incomodasse ou tentasse roubar. O aeroporto pode ter tipos bem estranhos de madrugada. Por minha vez, fiquei na área externa do terminal, fumando e conversando com outros fãs/hunters que, como nós, ficaram presos no aeroporto: Kleber e Ju Marmitt.
Ao amanhecer, quando o trem voltou a funcionar, pensei que retornaríamos para casa para dormir um pouco, mas Alisa tinha outros planos, que incluiam seguir direto para o Espaço das Américas, para garantir um dos primeiros lugares na fila. Mas que russa xarope! Eu fico péssimo quando não durmo, nem consigo curtir o show direito...
No caminho, expliquei como Andre chegaria ao local, e qual era o portão por onde ele entraria na casa de shows, mas ela alegou que não sairia da fila, pois não queria perder o lugar privilegiado, bem em frente ao palco. Mais uma vez: que russa xarope! Ela tinha ingresso de pista Premium, qual seria o problema se assistisse ao show um pouco mais para trás?! Mesmo que não fosse na primeira fileira, ainda assim seria próximo ao palco. Mas é fã, né? E fã é sempre imbecil, diria Regis Tadeu. Sem muita alternativa, Arianne a acompanhou.
Segui para casa, onde deitei e peguei no sono. Fui acordado no começo da tarde, quando Arianne apareceu para tomar banho e descansar um pouco, já que Alisa havia se enturmado com o pessoal da fila. Ela me disse que houve a comercialização de meet & greet do Shaman, e que Alisa sabia disso, mas não comprou porque achava que ficar por apenas um momento ao lado de Andre seria insuficiente, além do fato de não querer perder o lugar na fila. Contou também que, no Rio, Alisa pagou 600,00 para fazer um voo de asa delta - então falta de dinheiro para pagar o meet estava completamente descartada, não comprar o meet foi uma escolha deliberada.
A única chance dela encontrar Andre, então, seria na saída, mas com certeza ela se recusaria a deixar o local antes do final do show para tentar encontra-lo. Andre participou em dois momentos, o primeiro como vocalista da banda de abertura, Shaman, e o segundo cantando "Reach Out For the Light" como convidado do Avantasia. Esta, entretanto, não era a última música do setlist. Pelo contrário: era a oitava, de 23. E se cantasse e fosse embora?! Eu precisava impedir que isso acontecesse!
Portanto, eu e Arianne fomos para o Espaço das Americas assim que deu o horário do início do show do Avantasia. Quando chegamos, entretanto, aparentemente a participação de Andre ja havia acontecido. Ficamos no estacionamento do lugar e, pouco antes do fim do show, vimos quando Ricardo Confessori saiu da casa e colocou pratos em seu carro. Me aproximei e perguntei se ele sabia se o Andre ainda estava no local, mas ele respondeu que já tinha ido. Inacreditável! A menina veio diretamente de Moscou apenas para conhecer Andre e retornaria sem conhece-lo - embora, em muito, por sua própria imbecilidade de fã.
Quando o show terminou, nos encontramos com Alisa e retornamos para casa. No dia seguinte, segunda-feira, ambas tentaram encontrar uma maneira de contatar Andre para verificar se seria possível encontra-lo rapidamente em algum lugar apenas para uma foto e autógrafo. Enviaram e-mail para a assessoria que, é claro, jamais foi respondido. Como o retorno de Alisa a Moscou seria no dia seguinte, começaram a planejar a volta dela ao Brasil, em alguns meses, apenas para encontra-lo. Eu simplesmente não acreditava no que via: houve tantas chances para ve-lo, mas ela desperdiçou cada uma delas!
Na terça-feira ela embarcou para Paris, onde fez conexão para Moscou. Chegou na quarta-feira. Três dias depois, a notícia da morte de Andre chocou o mundo. Sem querer, ela assistiu muito de perto à última performance de Andre em um palco. E perdeu, para sempre, a oportunidade de conhece-lo. É o que sempre digo: show é legal, mas acaba em duas horas. A foto é para sempre!
Passei anos ouvindo estórias maravilhosas sobre as interações com fãs desse ator mundialmente conhecido. Todos dizem que ele é muito amigável. Mesmo hunters de outros países conseguiram a foto sem dificuldade. Portanto, achava que era apenas uma questão dele vir ao Brasil para que eu o conhecesse e tirasse uma foto com ele.
Quando aconteceu, ele demonstrou ser exatamente o oposto do que eu esperava. O relato nem baseia-se em minha própria experiência: na véspera de minha tentativa, retornei da Europa após mais de um mês fora do país. Poderia ter ido, mas estava exausto, tive que descansar ao menos um dia. Até lá, a notícia de que ele estava na cidade se espalhou e, quando cheguei ao hotel, havia cerca de 25 pessoas esperando por ele.
Minha experiência diz que ele tem que ser muito bonzinho, estar com muita vontade para atender tanta gente. Portanto, me retirei, seguindo para a frente de onde ele iria jantar. O motorista vacilou e comentou em voz alta o nome do restaurante. O problema é que não fui o único a escutar e muitos fizeram o mesmo que eu. Embora estivesse todo mundo de boa e organizado, fomos solenemente ignorados, mas sou perfeitamente capaz de entender: era muita gente. Ele poderia estar em um dia ruim, acontece.
A má impressão poderia ser apagada em uma outra ocasião. Por exemplo, na manhã seguinte, uma amiga foi para a frente do hotel tentar algum contato. Ao chegar, ele tomava café em uma varanda, no térreo, bem de frente para a rua. Sozinha, ela acenou e disse que gostaria de tirar uma foto com ele, que simplesmente acenou de volta e virou-lhe as costas. Mesmo quando saiu do hotel para passear ou ir a algum compromisso, passou como se não ela existisse. Esse relato me fez desistir de tentar mais uma vez.
Carlos, Jéssica e alguns outros amigos foram ao aeroporto para tentar algo na saída do país. Alguns conseguiram, mas todos foram unânimes em dizer que só aconteceu porque ele foi encurralado, mas que tudo rolou na maior má vontade. Vai entender... Dizem que ele é bonzinho, bonzinho é o caralho, é um puta de um mala!
Por que a Finlândia estava em nosso roteiro de viagem? Embora seja a terra natal de muitas bandas que eu e/ou a Arianne curtimos, como Stratovarius, Nightwish, Korpiklaani, Sonata Arctica, entre outras, este não foi o principal motivo. Se fosse, iríamos para Helsinque, não para Rovaniemi. Por que, então, Rovaniemi?
Nosso objetivo principal era ter a chance de contemplar a aurora boreal, portanto, pesquisei profundamente a respeito. Rovaniemi, claro, não era a única opção. Poderia ser Tromsø, na Noruega. Poderia ser Jukkasjärvi, na Suécia, onde, inclusive, há um hotel de gelo fantástico. Poderia ser em qualquer lugar na Islândia e em muitos lugares na Rússia. Poderia até mesmo ser no Alasca, no Canadá ou na Groenlândia. Eu nem sei se é possível ir à Groenlândia, se tem alguma estrutura para turistas mas, enfim, os últimos destinos citados foram logo descartados pois estaríamos na Europa, não na América. Concentrei-me nos que seriam possíveis a partir da Europa.
Rovaniemi pareceu ser a opção mais interessante devido ao status de ser a "terra do Papai Noel". É uma cidade reconstruída após a quase completa destruição na Segunda Guerra Mundial. 90% dos imóveis da cidade foram atingidos. Para ressurgir, optou por apoiar-se no turismo como força motriz. Pouco importa se você vai para lá no dia 25 de dezembro ou, por exemplo, em pleno agosto: terá pinheirinho enfeitado, pisca-pisca, desenho de rena por todos os lados, gente fantasiada de elfo e um bom velhinho vestido de vermelho, pronto para desejar Feliz Natal. Mas a cereja do bolo viria apenas nos anos 1980, ano em que a Vila do Papai Noel seria construída, a 8 km da cidade.
Além do mais, piramos quando soubemos da existência de iglus de vidro, construídos especialmente para admirar a aurora boreal deitado na cama, em um lugar com estrutura de hotel 5 estrelas. Eram caríssimos, o mais barato custa cerca de R$2.500,00 por noite. É claro que só reservei uma, sabendo que esse é o tipo de coisa que só se faz uma vez na vida. Agora era torcer para haver aurora quando estivéssemos lá.
Seja qual fosse a cidade escolhida, uma coisa é certa: estaria próxima ao Ártico, e enfrentaríamos temperaturas congelantes com as quais não estávamos acostumados. A primeira questão que veio à mente foi se deveria comprar ou alugar roupas apropriadas pois, afinal, onde moramos não haveria muita utilidade. Por outro lado, teríamos também uma viagem para o Chile, onde iríamos para Farellones e, talvez, Valle Nevado, e isso me fez decidir pela compra. Segunda questão: onde comprar? Eu havia viajado ao Chile um ano antes, e me assustei com os preços de tudo. Defini Santiago como "cidade cara do satanás". Então, decidi que se houvesse como comprar no Brasil, era o que faria.
Descobri uma loja na Marginal Tietê, Decathlon, especializada em produtos esportivos, o que incluía roupas e acessórios para montanhismo, que provavelmente serviriam aos meus propósitos. Fui até lá e constatei que sim: havia inclusive um indicativo nas peças indicando até que temperatura negativa elas seriam capazes de proteger. Embora pudesse esperar por temperaturas como -38ºC, esse seria um caso extremo, portanto comprei bota, segunda pele inferior, segunda pele superior, calça, luvas e casacos para mim e para a Arianne, capazes de suportar até -19ºC.
Nosso voo direto para Rovaniemi partiu de Londres às 06:30, pousando no destino às 11:55 locais. Pouco mais de 4 horas de voo. É interessante ver como a paisagem se transforma conforme se avança ao norte. Quando desembarcamos, já sentimos um pouco do bafo gelado, mas nada que realmente assustasse, afinal Londres estava com temperaturas quase congelantes também. Ao desembarcar estava muito mais frio que no avião, é claro, mas havia um certo aquecimento do ar condicionado do aeroporto.
Embora já estivéssemos no Espaço Schengen desde a chegada à Veneza, e tivéssemos vistos válidos para nos mover livremente pelos países europeus (exceto Reino Unido) por 90 dias, ainda assim o oficial da imigração conferiu nossas reservas de hotel, passagens de retorno, além de questionar por quanto tempo ficaríamos. Como estava tudo correto, logo recebemos as boas vindas. A sala de desembarque é toda decorada com temas natalinos.
A cidade é minúscula, com um aeroporto minúsculo. Mal saímos da sala de desembarque e já estávamos no portão de saída. Enfim descobrimos o que é estar em um país glacial de verdade. A Arianne sentiu o ar gelado, deu um berro e voltou correndo para o interior do aeroporto - ao contrário de mim, ela não preocupou-se em viajar com as roupas apropriadas - enquanto o motorista de um ônibus estacionado próximo a nós dava risada da situação. Ele deve ver cenas como essa todos os dias.
Para vergonha da Arianne, ele era o motorista do ônibus que nos levaria à cidade. O aeroporto é um pouco afastado, algo como GRU (aeroporto de Guarulhos) é de São Paulo. De resto, é o que já falei: a cidade é minúscula. Tudo é perto de tudo. Então indicamos ao motorista onde deveríamos descer, e ele gentilmente nos avisou.
Passamos em um escritório para pegar as chaves do apartamento que seria nossa casa pelos próximos quatro dias e, a propósito, fizemos a escolha correta: gostoso, aconchegante, quentinho, com tudo o que precisávamos para uma experiência excelente. No caminho, vimos coisas bizarras, como diversas bicicletas enterradas na neve.
Nos instalamos e já saímos para conhecer um pouco da cidade. Para nossa surpresa, havia um Cat Café a menos de 100 metros de nosso apartamento. Para quem não sabe, eu e a Arianne cuidamos de 15 gatos. Minha mãe faleceu em 2016, deixando 17 gatos. Até o dia da viagem, dois haviam falecido. Então, é fácil concluir que gostamos de gatos. Logo que vimos, decidimos entrar e tomar alguma coisa. "Ah, mas não fica tudo sujo de neve dentro"? Não. Há duas portas e, após passar pela segunda, os frequentadores devem retirar seus calçados, deste modo, o chão mantém-se totalmente livre de neve.
Cansada da viagem, Arianne preferiu retornar ao apartamento e descansar um pouco. Eu decidi dar uma volta. Tem muita gente que nunca viu neve e acha que deve ser a coisa mais legal do mundo. Posso garantir que, em qualquer cidade, a neve é nojenta. As pessoas pisam, os cachorros fazem cocô em cima - o que não era raro de ver por aqui. Quando neva e acumula, ok, é branquinha, bonitinha... Mas quando pessoas e animais têm que passar por ela, definitivamente não é legal. Faz um barulho muito irritante a cada passo.
Não era incomum ver finlandeses utilizando bastões para caminhar, porque escorrega pra caralho! Eu caí algumas vezes - foi filmado em vídeo, então continue acompanhando o relato que você verá - e derrapei muitas vezes sem cair, dando aquela patinada básica. Há montes de neve por todos os lados, pois de tempos em tempos máquinas passam retirando o excesso das ruas e passagens.
Aqui pode ser difícil jogar o lixo no lixo
Observe o tamanho do "telhado de neve". É surreal. Tem quase um metro!
Isso não tem nada de bonito, é nojento
Retornei ao apartamento e convenci a Arianne que ela deveria vir comigo - até porque eu precisava de alguém que tirasse minhas fotos nos lugares legais que encontrei.
Dando uma conferida no rio completamente congelado
Claro que ver neve de verdade pela primeira vez na vida (aquela nevezinha que vi no Chile não conta) me fez agir como moleque explorando as novas possibilidades. Resolvi "escalar" um monte de neve e caminhar um pouco, mas logo minha perna afundou pra valer. Logo lembrei de um episódio de "À Prova de tudo" (Man vs Wild), onde Bear Grylls ensinava uma técnica para sair de areia movediça, deitando para aumentar a superfície e distribuir melhor o peso do corpo. Embora eu não estivesse tão preso assim, resolvi usa-la e, para minha surpresa... funcionou! Quem me conhece sabe que odeio frio com todas as minhas forças, mas naquele dia admito que me diverti demais.
Voltando a citar "À Prova de tudo", eu via Bear em ambientes glaciais, cavando para fazer um abrigo e, quando terminava, simplesmente deitava lá. Eu ficava pensando "não é possível que a roupa seja tão boa para ele deitar na neve e ficar aí de boa". Mas é! Claro que eu tinha que testar!
Foi então que paguei o mico do ano: fã de futebol, por que não simular um Brasil x Finlândia na casa do adversário?! Diz a lenda que marquei até um gol...
Retornamos ao apartamento, onde pedimos algo para comer com o auxílio de um app similar ao iFood. Ao menos lá, o iFood ainda não funcionava, então a Arianne descobriu uma alternativa que, conforme ela, só funciona na Escandinávia. Eu acredito que ela quis dizer Lapônia, mas ok. O importante é que conseguimos pedir e nos alimentar.
De noite fomos a uma agência de turismo que era o ponto de encontro de nossa primeira atividade: passeio de trenó da Northern Lights com petiscos quentes. Existem atividades similares que utilizam renas ou huskies como tração, mas eu e a Arianne somos contra a exploração animal, então jamais optaríamos por elas.
Todos ganhamos um capacete para participar da atividade
Fiquei bunitim?!
A luz ao fundo é apenas a iluminação da cidade refletida no céu
Instruções finais antes do passeio começar
Sobre a atividade em si: não faça, não recomendo. As estradas por quais passamos eram isoladas, mas não exatamente lisas. Um tanto onduladas, fazem o trenó pular demais. Quando a moto de neve acelera, você meio que perde o controle e a bunda começa a bater com força no trenó (sem piadinhas "quinta série level", por favor).
Após um trajeto de cerca de meia hora, paramos em uma clareira, onde foi realizado um churrasco. A Arianne é vegana, eu nem tanto - beiro mais ao vegetarianismo - mas ambos preferimos a opção vegetariana feita, pelo que entendi, com espinafre. Também esquentamos alguns marshmallows. Nunca vi em minha vida um céu tão negro como o que vi quando olhava ao norte. Houve um momento em que tentei me afastar um pouco do grupo e da luz da fogueira, mas logo retornei, porque afundei na neve muito mais do que afundara de tarde. Passei algum tempo isolado ouvindo, no celular, bandas como Stratovarius, Sonata Arctica e Korpiklaani. É bom fazer isso estando na casa delas.
Arianne cortou minha cabeça, mas é difícil fotografar sem iluminação alguma
Claro que o objetivo do passeio era se afastar o suficiente da iluminação da cidade para, quem sabe, contemplar a aurora boreal. Mas, naquele dia, não tivemos sorte, ela não apareceu. Mais uma vez, não recomendo esta atividade pois, logo após o churrasco, já se retorna ao ponto onde descemos das vans e embarcamos nos trenós para, em seguida, voltar ao ponto inicial, a agência. Ou seja, é um fracasso quase certo para a caça de aurora boreal.
Eu e a Arianne vimos a aurora duas vezes nos dias seguintes, mas sempre foi uma longa espera, com muita paciência. Não adianta nada fazer uma atividade que dure apenas duas horas. Não é assim que você verá a aurora, a menos que realmente esteja em seu dia de sorte! Além do mais, imagine o quão frustrante seria se a aurora aparecesse e seu guia o convocasse, bem como a todos, para retornar, porque o horário acabou. Você teria que voltar, pois está em meio a uma floresta onde há animais selvagens e as temperaturas são congelantes. Ficar nunca será uma opção. Sem contar que não existem atividades baratas na Finlândia. Esta custou 85 euros por pessoa.
Uma opção que não existia quando comprei e agendei as atividades, e que aparentemente foi retirada do site, é uma noite em um navio quebra-gelo. Lembro que era bem caro, uns 350 euros por pessoa, mas com certeza as chances de ver a aurora seriam muito maiores, até porque ele navegaria até alto mar, onde não haveria interferência alguma das luzes das cidades. Se planeja visitar a Lapônia e se esse custo não é proibitivo para seu bolso, pesquise sobre essa atividade na Finlândia ou na Noruega. De repente você pode fazer um passeio sensacional!
Nosso segundo dia na Finlândia foi um day-off, sem grandes atividades. Dá para acreditar que no dia anterior estávamos em Londres, que há dois dias estávamos em Atenas, que há três dias estávamos no Cairo, que há quatro dias estávamos em Míconos?! Às vezes é necessário parar e recarregar um pouco as baterias. Saímos apenas para procurar um mercado, onde compramos pizzas pré-prontas para o jantar e a Arianne aproveitou para fotografar algumas frutas e legumes, não apenas para lembrar de seus nomes finlandeses - que nesses casos quase sempre eram parecidos com os em português - mas também para recordar quanto custavam.
Quer dizer que você reclamava quando o tomate estava 8 reais no Brasil?!
Na volta ao apartamento, passamos por um parquinho onde não havia crianças. Por que será?!
De noite também não tínhamos atividade agendada. Lembre-se: as atividades na Finlândia são caras. Não da para fazer algo todos os dias. Após passar o dia lendo sobre o assunto, Arianne resolveu, por conta própria, sair para caçar aurora boreal. De acordo com ela, um bom lugar para começar seria perto do museu Arktikum. Não acreditei muito, mas a acompanhei. Após uns 20 minutos de caminhada, chegamos e encontramos muitas pessoas fazendo o mesmo que nós.
A temperatura beirava -15º, e provavelmente esfriou um pouco mais, mas não fiquei monitorando. Esperamos horas olhando pro céu, sem resultado algum. Por muitas vezes sentei na neve - e, mais uma vez, a roupa aguentou de boa - mas não tirava os olhos do céu. A Arianne guiava-se também por um app - My Aurora Forecast & Alerts (Google Play ou App Store) - que mostrava onde estava a aurora boreal e, de acordo com ele, ela estava próxima a nós, mas não o suficiente para ser vista. A chance de vermos algo naquela noite era de 22%. O jeito foi esperar...
Estávamos na beira do rio congelado e eu estava muito a fim de caminhar por ele, mas a Arianne, apavorada, insistiu para que eu não fosse. Seria de boa. No dia anterior, notei que ali tinha mais de metro de gelo. Aguentaria meu peso tranquilamente. Além disso, naquele momento outras pessoas já caminhavam sem problema algum.
No dia anterior, observei pegadas no rio congelado
Buraco aberto no gelo, possivelmente por pescador
Quando começamos a pensar em desistir, a mágica aconteceu. Eu não consigo descrever com palavras, mas tentarei: em um momento ela não está lá, no momento seguinte está. Aparece do nada. E fica bailando no céu. Emocionada, Arianne só faltou chorar. Talvez tenha chorado mesmo. É claro que tentamos tirar fotos, mas a câmera, uma Nikon Coolpix P900, configurada por um finlandês na noite em que andamos de trenó, não conseguia enxergar o mesmo que nós. Não era uma aurora forte, como a que vemos na maioria das fotos ou vídeos por aí. Estava mais fraca do que esperávamos, mas conseguimos ver perfeitamente.
As fotos ficaram horríveis, tremidas, mas é para dar uma ideia: a aurora está lá, mas com certeza vimos algo muito melhor, que a câmera não foi capaz de registrar. Sobre o vídeo, tentei filmar quando o fenômeno apareceu mas, exceto o som, nada foi registrado.
Em janeiro de 2020, assisti a um vídeo de um canal do Youtube que gosto demais, chamado "Mundo Sem Fim". Trata-se de um casal de viajantes que produz vídeos sobre suas aventuras pelo mundo. Neste, comentam a experiência de "ver" a aurora, alegando que nada viram, enquanto a câmera deles era capaz de vê-la perfeitamente. Conosco foi exatamente o contrário. Nós víamos, mas nossa câmera mal era capaz de percebe-la.
Se você entende inglês, assista ao vídeo abaixo, que explica porque o que vemos pode ser tão diferente das fotografias.
Retomando: após algum tempo, a aurora desapareceu. Assim como aparece do nada, some do nada. Ainda esperamos por duas ou três horas, sem ver nada mais, mas tive que desistir pois, desde pouco antes da primeira aparição, eu sentia uma dor horrível nas mãos. Eu sabia que, mesmo estando de luvas, provavelmente era princípio de congelamento, mas deixei de me importar quando a coisa aconteceu e, depois, eu estava extasiado demais para simplesmente ir embora. Agora a dor já beirava o insuportável e tive que pedir arrego. Falei com a Arianne e retornamos ao apartamento.
Quando chegamos, eu tive a "brilhante" ideia de mergulhar as mãos em água morna. PUTA QUE PARIU! Naquela noite vi aurora boreal e muita, muita estrela! Foi sem dúvida nenhuma, a pior dor que senti na vida, e olha que tive algumas dores horríveis, como quando arranquei um dente sem a anestesia pegar - e não consegui sequer reagir para avisar ao dentista. A impressão que eu tinha é que cristais de gelo se soltavam no interior dos meus dedos e agora estavam livremente navegando em minha corrente sanguínea. Nunca mais quero sentir isso de novo! Naquela noite, eu não queria saber de mais nada, apenas deitar e dormir.
A primeira coisa que fiz quando acordei no dia seguinte foi verificar se minhas mãos estavam ok. Se estivessem roxas ou algo assim, seria hora de enfim usar o seguro viagem, que sempre faço mas nunca usei. Mas, mais uma vez, não foi o caso. Eu estava ok e minhas mãos não doíam mais.
Era hora de se preparar para a segunda atividade: Excursão às Cachoeiras Congeladas de Korouoma. Não é barata: 199 euros por pessoa. No dia anterior, combinei com a agência, por e-mail, definindo que o ponto de encontro seria em frente ao Cat Café. Nossa guia, uma jovem e simpática russa, atrasou um pouquinho, mas logo estávamos na estrada a caminho das cachoeiras. Foi pouco mais de uma hora de viagem. Ao chegar, a Arianne precisava muito ir ao banheiro, então a guia indicou onde ela deveria ir. Acredito que não foi uma das tarefas mais fáceis. Quando voltou e disse como era o banheiro, eu simplesmente precisei conferir e tirar algumas fotos. Os cartazes que ilustravam cada porta eram muito engraçados.
Nossa guia retirou uma mochila grande do porta-malas, pôs nas costas, e iniciamos a caminhada. Só sei que, tal como o homem na Lua, deixei minha pegada para posteridade. Por que será que desconfio que ela não se manterá?
Apenas repare no tanto de neve nesse telhado
Foi uma longa descida, e eu perguntava a mim mesmo como faríamos para subir depois. Mas na volta nem foi tão difícil assim. Enfim chegamos à primeira cachoeira. São três.
A segunda cachoeira impressiona um pouco menos
A guia contou que, no verão, quando não há neve, todas as cachoeiras são apenas uma pequena queda d'água. Conforme vai congelando, a água tenta encontrar outros caminhos para cair, por isso se expande para os lados e congela também. Fica simplesmente maravilhoso! Tentei escalar a cachoeira, mas chegou uma hora em que ficou totalmente escorregadio, então desisti.
Apenas repare o tanto que a neve reflete a luz do sol
Após passar pela terceira cachoeira (fraquinha, sem graça, não vale nem a pena mostrar), nossa guia nos conduziu a um abrigo, onde houve uma parada não programada - ao menos para nós. E foi então que entendi o porque daquela mochila enorme: comida. A ideia era fazer o que eles chamam de churrasco que, como no dia do trenó, é composto por linguiça. Provavelmente eles também achem nosso churrasco muito esquisito. Mas como eu e a Arianne não curtimos, felizmente a guia trouxe também as opções vegetarianas que incluíam espinafre e milho, além dos marshmallows. Trouxe também o que eles chamam de suco, mas desconfiamos fortemente de que seja chá.
Aquele era um abrigo finlandês típico, e já tínhamos visto um parecido no vídeo que os finlandeses Timo Kotipelto e Jani Liimatainen fizeram para divulgar o projeto acústico Blackoustic. Me diverti imitando os dois enquanto esperava o rango aquecer (hello, this is Jari. Me, this is Timo). Arianne, por sua vez, estava entretida com os passarinhos. Pra dizer a verdade, eu não compreendo como pode existir vida de sangue quente em um clima tão extremo. Um urso ainda tem uma enorme camada isolante de gordura, mas como essas porras de pássaros não congelam???
Quando retomamos nosso caminho, achamos uma trilha recente de pegadas de algum animal selvagem. A guia não soube identificar, mas pode ser muita coisa, incluindo urso. Pra ser sincero, não estávamos muito preocupados.
Fim do passeio, retornamos ao carro e à estrada. Pedimos para a guia nos deixar em nosso iglú de vidro, que é onde ficaríamos até o dia seguinte. Como o aeroporto, é afastado da cidade, mas um pouco menos. Na verdade está no meio do caminho, assim como a Vila do Papai Noel.
Como estávamos em um hotel 5 estrelas - a sede é anexa aos apartamentos, mas tem tudo o que se espera de um bom hotel, incluindo restaurantes caros - decidimos ir à Vila do Papai Noel para tentar encontrar algum lugar mais em conta para comer nesta noite. Se não encontrássemos, usaríamos o app novamente, mas pagaríamos mais uma taxa de entrega em euros, e isso nunca é legal.
Passamos pela Vila do Papai Noel e não encontramos opções - se bem que apenas por fora, não entramos em lugar algum. Tirávamos algumas fotos, quando vimos ao longe o que parecia ser um posto de gasolina. Teria ele uma loja de conveniência? O jeito foi caminhar até lá e descobrir. Felizmente tinha. Não lembro exatamente o que compramos, mas provavelmente foram salgadinhos e refrigerante para mim. Estava ótimo! Eu estava em um iglu de vidro na Finlândia, acha mesmo que eu iria me importar em comer bobagem?!
Encontramos também algo que eu estava procurando sem sucesso desde que cheguei à Finlândia: salmiakki. Eu não tinha ideia do que se tratava, mas era um pedido da Maria Claudia que, como eu, sempre aborda bandas, incluindo várias finlandesas. Como possui excelente fluência, ela conversava com os integrantes, e sempre ouvia falar do tal salmiakki. Ela me mandou uma foto e pareceu um pacote de balas, algo assim.
A Arianne encontrou na loja de conveniência do posto e, a essa altura, eu já estava tão curioso a respeito que comprei dois: um para ela, outro para mim. Quando retornei ao iglu, a primeira coisa que fiz foi abrir e experimentar: PUTA BAGULHO RUIM!!!! Parece uma bala de alcaçuz que alguém jogou um quilo de sal em cima. Anunciei para a Maria Claudia que, além do dela, ela também ganhou o meu pacote, embora já aberto. Eu que não ia colocar aquela coisa na boca novamente (mais uma vez: sem piadinhas "quinta série style"). Se quiser rir, clique aqui e leia uma opinião sobre as tais balinhas.
O hotel oferece aos hóspedes um tablet, que você utiliza para interagir de diversas maneiras, desde controlar as luzes ou a temperatura do ar condicionado, até solicitar comida do restaurantes do hotel, caso não queira sair do iglu. Também é possível configurar o recebimento de alertas de aurora boreal. Assim, torna-se desnecessário observar o céu: se ela aparecer, você será avisado de que o show começou.
Naquela noite, com céu limpíssimo, a probabilidade de aparição era superior a 30%, o que os finlandeses consideram muito alta. Estava tudo favorável mas, infelizmente, ela não apareceu. Também é questão de sorte. Mesmo assim valeu a experiência, e muito. A única coisa que consideramos desconfortável foi a maldita mania finlandesa de usar peles de animais em tudo, como se fosse normal. Talvez seja para eles, para nós não é. É triste encontrar uma pele em cima da cama. Fora isso e da ausência da aurora, foi tudo mágico e perfeito.
Na manhã seguinte, tivemos uma surpresa: o céu estava um tanto encoberto e logo começou a nevar. Alguém fez um boneco de neve em frente ao nosso chalé.
Após o café da manhã, já era praticamente a hora do check-out. Fui até a recepção para descobrir quais eram as opções para retornar à cidade e... surpresa maravilhosa: havia uma van gratuita! "Ah, mas vocês não ficaram para explorar melhor a Vila do Papai Noel?". Não! Até pensamos no assunto e seria legal demais tirar uma foto com o Papai Noel em sua própria casa, mas é tudo muito caro e já estávamos na Europa, gastando, há um mês. Me parece que apenas tirar uma foto com o papai noel custa 50 euros. Prefiro tirar uma foto de graça com ele em algum shopping de São Paulo. Um tour guiado na vila custa 485 reais por pessoa. Se quisesse dar uma volta de renas com o Papai Noel não sairia por menos de 960 reais por pessoa.
Morrendo de vergonha, me enfiei no meio da molecada no shopping Bourbon, em São Paulo
É louvável saber que a cidade se reergueu mantendo vivo o espírito de natal mas, por outro lado, é um comércio, uma exploração, como se todas as pessoas que visitam Rovaniemi cagassem ouro. Os preços fogem da realidade até para o padrão europeu, que dirá de mim com o real desvalorizado?! Lamento não ter conhecido o bar de gelo que tem na Vila do Papai Noel, mas até mesmo isso eu já conheci no Brasil - embora reconheça que foi infinitamente mais sem graça, mas ao menos foi barato. Enfim, quem sabe numa próxima vez...
Bar de gelo no shopping Anália Franco
Quando chegamos à cidade, o primeiro lugar que Arianne quis visitar foi o Cat Café. Depois, inventou de visitar a exposição do museu Arktikum. Eu a acompanhei até a entrada do museu, mas não entrei, primeiro porque era pago e eu não estava a fim de gastar, segundo porque eu já estava meio de saco cheio de visitar museus, visto que já estivemos em alguns na Inglaterra, Grécia e Egito nas últimas semanas. No caminho ao museu, encontramos um bar de gelo a céu aberto quase tão sem graça quanto a versão brasileira.
Os gatos do lugar: Cecilia, Ludwig, Musti e Vincent
Observe onde é o banheiro humano e onde é o dos gatos
Quanto ao museu, não tenho muito o que dizer, já que não entrei. Mas a Arianne diz que há uma área para visualizar a aurora. Há apenas um problema, ele fecha de noite. Então, não entendi nada.
Esta noite seria a última oportunidade para vermos a aurora, então decidimos voltar ao museu. Para não sofrer princípio de congelamento desta vez, decidi que, sempre que minhas mãos ficassem excessivamente geladas, eu as colocaria em alguma parte quente do meu corpo, como no sovaco ou mesmo em partes íntimas. É sério! Funcionou bem. Ficamos cerca de 8 horas no local, repeti a operação várias vezes, e não tive o menor problema com isso. Bem, quase. Após tanto tempo pisando em gelo e neve, os dedos dos pés começaram a doer e adormecer. Não querendo passar pelo que havia passado há duas noites, abortei a missão imediatamente, e convenci a Arianne a retornar ao apartamento comigo. Quanto à aurora, sim, ela apareceu, mas ainda mais fraca do que tínhamos visto antes. Apenas uma foto ficou mais ou menos, e bem mais ou menos mesmo. Já era 27 de março, e a temporada de aurora, que vai de outubro a março, já estava no final.
No dia seguinte, dormimos preguiçosamente até quase meio dia. As malas já estavam arrumadas e bastava fechar a porta do apartamento com a chave dentro, que ele estaria entregue. Antes de seguir ao aeroporto, demos uma última passada no Cat Café, para nos despedir de nossos amiguinhos finlandeses. Por sorte, o ônibus que deveríamos tomar ao aeroporto passava há duas quadras de onde estávamos e, assim que chegamos ao ponto, ele também já estava passando. Foi difícil entrar no avião, nós realmente queríamos ficar mais algum tempo. Julgamos que quatro dias seriam suficientes para ver a aurora e vimos, duas vezes. Mas se soubéssemos tudo o que encontraríamos, com certeza ficaríamos muito mais. Pouco antes de embarcar, comprei uma última lembrança:
No aeroporto de Helsinque, onde fizemos conexão antes de retornar a Londres, comprei uma das lembranças mais legais da viagem, um imã de geladeira que é a cara da Finlândia.
Já em Londres, ao abrir a mala no hotel, constatamos que ela fora aberta pelos oficiais da alfândega em um dos aeroportos finlandeses. Eles deixaram um papel comunicando que foi necessário abrir para retirar um objeto proibido (conforme o texto, um isqueiro). Para dizer a verdade, não senti falta de isqueiro algum, nem de nada mais. Sempre levo mais de um (para não passar muitos apertos se perder algum), e os que levei estavam na mala de mão. O curioso é que eles não retiraram uma cebola pequena. Ela sobrou dos alimentos que compramos no mercado, e fiquei com pena de desperdiça-la, então a coloquei na mala. Ela passou ainda pelas alfândegas de Londres, Paris e Madrid, e chegou ao Brasil, onde finalmente a consumi.
Cerca de uma semana após nosso retorno ao Brasil, Maria Claudia veio à nossa casa buscar o salmiakki. Jamais esquecerei sua expressão quando colocou o primeiro na boca. Sua reação foi a mesma que a minha. Apenas desconfio que ambos os pacotes foram parar no lixo. Ninguém gostou daquilo.
Para concluir: eu passo mais frio no dia a dia em São Paulo do que passei nesses dias na Finlândia. A explicação é simples:
Todos sabem que é possível ter as quatro estações no mesmo dia em São Paulo. Às vezes você sai de casa de manhã com um calor desgraçado, de camiseta, nem leva um agasalho. Porém, ao retornar, horas e horas mais tarde, já está um frio quase polar, e você sem proteção alguma. Na Finlândia, as roupas bastam para te proteger do frio e, quando você sai de casa, com certeza está vestido apropriadamente. Ok, tive o problema com as luvas e com a bota mas, resolvido isso em uma próxima aventura em um país gelado, a afirmação torna-se 100% válida.
Os lares finlandeses tem aquecedores e mantem-se todo o tempo em uma temperatura agradável. Ao chegar da rua, é tranquilo tirar a roupa - se não, nem demora para começar a suar em bicas.
Além disso, após o banho, você sai de boa, pois a temperatura do banheiro é agradável. Em São Paulo, no inverno, eu sempre postergo a saída, pois sei que receberei aquele bafo de ar gelado horrível. Não são raros os dias que nem quero tomar banho em São Paulo. Tomo sim, mas sempre sob protesto, praguejando contra tudo e contra todos.