quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Patricia Marx

No final dos anos 80, a cantora Patricia (hoje Patricia Marx) representava, para mim, o que a molecada atual chama de crush. Ela era meu crush. Eu pagava um pau violento toda vez que a via na TV, cheguei até mesmo a ter dois álbuns dela. Sim, também fui adolescente bobo, de paixões platônicas. Essa era tanta que, quando montei minha primeira banda, Thrashers, convenci os outros integrantes a tocar um cover da música "Festa do Amor", gravada no primeiro álbum de Patricia.



Fizemos um único show, no Orvalho's Bar, em Interlagos, se não me engano em setembro de 1990. É claro que o cover estava no set, e jamais me esquecerei a cara de "wtf?!" dos presentes quando começamos a tocar. Felizmente eles gostaram quando a música acelerou. Abaixo, um vídeo pessimamente gravado, mas que da uma ideia de como foi a desgraceira (eu sou o baterista).


Muitos anos se passaram, quando percebi que agora eu tinha habilidades para conhece-la. Eu já estava casado, acho que ela também, e ela não era mais meu crush mas, em nome do saudosismo, de uma época gostosa da minha vida, passei a monitora-la à espera de uma oportunidade, que aconteceu quando ela anunciou um pocket show no estúdio Espaço Som, na rua Teodoro Sampaio. Foi um corre como qualquer outro, levei até foto para autografar.

Quando chegou, contei um pouco dessa estória para ela, da banda e tudo mais - só não disse sobre a parte dela ser minha paixão juvenil, pois eu não iria pagar esse micão, ainda mais na frente da esposa. Acho que ficou surpresa de encontrar um cabeludo à sua espera, mas ok. Ela perguntou se eu e Sheila assistiríamos à apresentação, mas era um evento para convidados, não havia ingressos a venda para o público em geral. Respondemos que não ficaríamos, e explicamos o porque. Ela pediu para que a menina que controlava o acesso chamasse algum responsável, para incluir nossos nomes na lista de convidados dela: "são meus fãs, eles vão assistir ao meu show sim!".


O som que ela fazia quando cantora-mirim não era metal, mas ao menos era rock, dava para ouvir de boa. O atual era reggae, eu realmente não consigo curtir, mas mesmo assim reconheço o quanto ela foi fofa de nos colocar para dentro. 




terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Olivia Wilde

Eu e Sheila éramos grandes fãs do seriado House, então piramos quando soubemos que Olivia Wilde, que interpretava a Dra. Remy Hadley, mais conhecida como Thirteen, viria ao Brasil. Era uma foto que queríamos muito, e felizmente conhecíamos as pessoas certas que poderiam nos ajudar. Um amigo, paparazzi, tinha a informação de em qual restaurante ela iria jantar. 

Mas havia um grande problema: chovia torrencialmente em São Paulo, e nenhum de nós tinha um guarda-chuva. Ir atrás de um, àquela altura dos acontecimentos, não era uma opção. Olivia estava para chegar e, se perdêssemos, perderíamos também nossa única oportunidade para conhece-la. Decidimos esperar na chuva mesmo, completamente ensopados.

Quando Olivia chegou, um funcionário do restaurante foi até o carro, para conduzi-la ao local sob um guarda-chuva. Quando ela passou por nós, Sheila disse algo como "Olivia, nós estamos aqui tomando chuva apenas para tentar tirar uma foto com você". Inacreditavelmente, ela aceitou parar. O funcionário do guarda-chuva é que deve ter ficado meio puto, pois ele tomava toda a chuva, enquanto garantia que não caísse sequer uma gota em Olivia. Eu estava molhado da cabeça aos pés, mas inacreditavelmente feliz por ter conseguido.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Theatre Des Vampires

Nunca vi uma banda sofrer tanto quanto o Theatre Des Vampires. Tudo começou em 2012, quando foi anunciada a turnê sul-americana, com passagem por Venezuela, Argentina, Brasil, Guatemala e Colômbia. Quando a banda desembarcou em Caracas para o primeiro show, foi abordada pela polícia local e deportada. Os integrantes ainda tentaram negociar para prosseguir ao próximo destino, Buenos Aires, mas nada feito: foram colocados no mesmo avião em que vieram, retornando para Roma. De volta à Itália, a banda comunicou aos fãs o adiamento da turnê. Felizmente, não demorou tanto para que algumas cidades fossem remarcadas, entre elas, São Paulo.

O ingresso estava barato, mas eu estava realmente sem dinheiro, então decidi ir para a frente do News Club, na rua Augusta, onde aconteceria o show, para tentar conseguir ao menos uma foto com a vocalista Sonya Scarlet. Após esperar por algum tempo, a banda chegou ao local de táxi (wtf?! nunca vi isso!!!), acompanhada por Dewindson, vocalista da banda de abertura, Ravenland. Não havia muitos fãs em frente ao local, mas mesmo assim os músicos apressaram-se em entrar na casa, não consegui aborda-la. 

Mais tarde, fiquei sabendo que a banda estava hospedada em um tal hotel Paris, no Anhangabaú. Eu nunca tinha ouvido falar nesse hotel mas, sem problemas, iria lá ao dia seguinte. Combinei com uma amiga e fomos. Chegando lá, que desgraça! Bem ao lado das escadas rolantes que ligam a rua Cel Xavier de Toledo à Rua Formosa... Sabe aqueles "hotéis" que cobram 20 reais por 2 horas, 30 reais por 3 horas, ou 50 reais por período de 12 horas, utilizados apenas quando você está sem dinheiro e quer dar uma rapidinha?! Pois é, era em um desses que estava o Theatre Des Vampires.

Havia um bar em frente, então sentamos em volta de uma mesa, pedimos uma coca-cola, e ficamos aguardando pela saída da banda para o aeroporto. De vez em quando, toda a banda, incluindo Sonya, aparecia na (mesma) janela. Será que o produtor teve coragem de colocar todos no mesmo quarto?! Não posso afirmar isso, mas por tudo que vi, eu não duvidaria!

O hotel à esquerda e o bar que ficamos à direita. Observe a Torre Eiffel pintada na parede do hotel Paris

Quando a banda saiu, os músicos apenas autografaram a foto que levei, e entraram na van. Ou não entenderam que queríamos tirar foto com eles, ou já estavam tão de saco cheio com tudo o que estava acontecendo, que simplesmente ligaram o foda-se. Sonya foi a única que parou para nos atender com foto e autógrafo.


Mais tarde, conversei com Karina, que foi ao show. Ela disse que havia no máximo 40 pessoas dentro da casa. Isso não pagaria nem as passagens para trazer a banda ao Brasil, certeza que o prejuízo que o produtor teve com esse show foi monstruoso, mas fica a pergunta: não seria melhor cancelar  e assumir o prejuízo, do que fazer a banda vir e submete-la a condições tão precárias de transporte, hospedagem e sabe-se lá o que mais?!

Karina continuou, dizendo que a casa de shows não era boa, com palco muito baixo, quase que um tablado: "os caras tocaram quase no nível do chão, mano". O som estava bom, mas houve um atraso considerável. A previsão é que o show iniciasse às 18:00 hs, mas a banda principal se apresentou somente às 22:00 hs. Curiosamente, essa foi a última passagem da banda no Brasil, e não há nenhuma previsão de retorno. Por que será?!


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Eluveitie

Logo cedo, eu e Sheila acordamos no navio, tomamos café da manhã e fomos ao teatro, onde aguardamos nossa liberação. Quando finalmente ocorreu, desembarcamos, e no próprio terminal de cruzeiros tomamos um ônibus para São Paulo. De noite... corre! O Eluveitie estava em São Paulo, e eu não perderia a oportunidade. Como mencionei no texto anterior sobre a banda, tornou-se uma de minhas bandas prediletas. Além do mais, ainda faltava a foto com o Ivo Henzi, que não me atendeu no ano anterior. O outro guitarrista, Siméon Koch, saiu e foi substituído por Rafael Salzmann.

Os músicos estavam no hotel Braston da rua Martins Fontes. Foi um corre extremamente tranquilo, pois conforme os músicos desciam para ir ao show eram abordados e atendiam numa boa. O grande desfalque foi Anna Murphy, que nem veio ao Brasil por estar se recuperando de um problema de saúde não especificado pela banda no comunicado oficial. Foi também a última vez que vi Meri Tadić, que saiu da banda ainda em 2013 e Patrick Kistler, que saiu em 2014.

Chrigel Glanzmann é um músico completo com voz gutural. Toca mandola, tin whistle, flauta, gaita, violão, bodhrán e sitar
Ivo Henzi, guitarrista do Eluveitie de 2004 a 2016
Rafael Salzmann, guitarrista do Eluveitie
Kay Brem, baixista do Eluveitie
Merlin Sutter, baterista do Eluveitie de 2004 a 2016
Meri Tadić, violinista do Eluveitie de 2003 a 2013
Patrick Kistler, que tocou gaita de fole e Tin & low whistles (espécie de flauta irlandesa) no Eluveitie de 2008 a 2014

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Blaze Bayley

Blaze Bayley se apresentou em São José dos Campos, distante apenas 81 quilômetros de São Paulo, e achei que poderia ser uma boa ideia assistir ao show lá. O ingresso estava apenas 30,00, enquanto em São Paulo, alguns dias depois, no Blackmore, estava 70,00. Poderia ir eu e a Sheila e não daria o preço de um ingresso em São Paulo. Claro, teríamos que nos deslocar até lá, mas sem problemas, é sempre um passeio. Era uma cidade que não conhecíamos, por que não?! Além do mais, eu e Sheila faríamos um cruzeiro de uma semana dois dias após o show em São José dos Campos, então quando Blaze se apresentasse em São Paulo, estaríamos em alto mar.

Quando Sheila saiu do trabalho, nos encontramos na rodoviária da Barra Funda, onde compramos as passagens, e rapidinho chegamos à cidade. Nos encontramos com Kevin. Morador de Taubaté, distante apenas 42 quilômetros de São José dos Campos, para ele também era jogo prestigiar o show, pela distância e pelo valor do ingresso. Logo que o encontramos, ele disse que havia descoberto o hotel. Perguntamos como e ele, que estava de carro, respondeu que mapeou os hotéis das proximidades e passou em frente a alguns deles. A van estava estacionada em frente a um deles.

Sei bem que Blaze sempre atende todos os fãs após o show, mas gostei da idéia de ir ao hotel. Terminaria tarde e teríamos que retornar à São Paulo ou até pernoitar na cidade, mas não tínhamos hotel reservado, então teríamos que procurar por um. Sheila poderia estar cansada e pedir para irmos embora sem ver o Blaze e/ou banda, como aconteceu em 2011. Além do mais, essa era a formação acústica, com Thomas Zwijsen e Anne Bakker, e eu não sabia se seria oportunidade única para conhece-los, então preferia não correr o risco. Entramos no carro e Kevin nos levou. 

Era o Modena Hotel, um típico hotelzinho de cidade do interior, localizado em um prédio baixo, com apenas 4 andares. Mal entramos e Blaze, banda, e o produtor, Silvio, já desceram, de saída para a casa de shows. Foi fácil como roubar doce de criança.

A van estacionada em frente ao hotel foi o único sinal que Kevin precisou para descobrir o hotel
Thomas Zwijsen, conhecido por seu projeto Nylon Maiden, agora acompanhava a formação acústica de Blaze
Anne Bakker, a violinista caladona que acompanhava Thomas e Blaze
Pela quarta vez, eu e Blaze Bayley

Após atender a todos, Silvio convocou os músicos e despediu-se de nós, perguntando se iríamos ao show. Mas é claro que sim! De uma forma ou de outra, eu sempre dava um jeito de prestigiar o Blaze Bayley. O hotel era bastante próximo ao local da apresentação, então em menos de cinco minutos todos estávamos lá, eles de van, nós de carro. Era um barzinho ainda menor que o Manifesto, com o palco poucos centímetros acima do solo, com uma divisória muito baixa separando o público dos artistas. Tive a sorte de ficar próximo onde Anne Bakker se posicionou na maior parte do tempo, então pude acompanha-la bem de perto.

Esta foi a vista que tive na maior parte do show. Anne toca com uma postura bonita de ver
Blaze e Thomas também não estavam longe, foi um show bem intimista
Setlist no chão, para que Anne soubesse a ordem correta da execução das músicas
Detalhe da tatoo que Blaze tem no braço esquerdo, homenageando a esposa Debbie, falecida em 2008, vitimada por um câncer

Após o show, realmente não ficamos para tirar fotos com os músicos. Kevin disse que iria a São Paulo, onde pernoitaria em um hotel, pois tinha que fazer algumas coisas no centro da cidade na manhã seguinte. Demos uma contribuição na gasolina e aproveitamos a carona. Em São Paulo, porém, aconteceu o show do Tankard. Nosso amigo Ricardo Pacheco veio do Rio de Janeiro com a esposa Fátima para prestigiar essa apresentação. Decidimos passar no hotel onde eles estavam para dar um "oi". Quando chegamos, ele nos disse que a banda estava hospedada no mesmo hotel, mas que os caras já tinham chegado e provavelmente estavam dormindo. Paciência, sem bônus desta vez...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Chris Slade

Então ex baterista do AC/DC, Chris Slade veio ao Brasil para uma apresentação no Blackmore Rock Bar. Era um show que eu gostaria de assistir, mas estava completamente sem dinheiro. Como não sabia em qual hotel ele estava, o jeito foi tentar na porta do lugar. Infelizmente não foi uma boa ideia pois, quando ele saiu da passagem de som, não apenas o pessoal que sempre estava nos corres, como também os fãs comuns tentaram cerca-lo, e ele preferiu não atender ninguém.

Neste dia foi a única vez que eu percebi algum sinal de inteligência no Mestre. Enquanto Slade tentava se desvencilhar, ele correu até a van e falou com o motorista. Voltou com uma informação inusitada: o músico estava no hotel Transamerica da Alameda Lorena. Apenas um problema: o único Transamerica que conhecíamos fica na zona sul, próximo ao Credicard Hall. Foi nesse dia que descobrimos que existem várias unidades do Transamerica em São Paulo.

No dia seguinte cedo, fomos ao hotel e foi o mesmo de sempre: esperar, esperar e esperar. Lá pelo final da tarde, Slade desceu, provavelmente para almoçar. Aproveitamos para aborda-lo.


Chris Slade retornou ao AC/DC em 2015.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Nightwish

A primeira vez em que o Nightwish veio ao Brasil desde que comecei a fazer corres foi em 2008 - quando eu nem sabia ainda que fazia corres. Nesse ano conheci apenas integrantes do Iron Maiden e o Paul Di'anno. Logo, nem ao menos cogitei tentar conhecer o Nightwish, quando a banda apresentou-se em novembro.

Em 2010, Marco Hietala apresentou-se no Blackmore Rock Bar com sua banda secundária, Tarot, e até pensei em ir para conhece-lo e tirar uma foto. Porém, por algum motivo relacionado ao trabalho, não consegui ir e tive que me contentar em aguardar pela próxima oportunidade.

Dois anos depois, em agosto, foi anunciado que o Nightwish viria ao Brasil para três apresentações em dezembro, em Porto Alegre (9), Rio (10) e São Paulo (12). Essa é uma banda que, até então, eu não havia prestado atenção, embora fosse uma das prediletas de muitos dos amigos que frequentavam o que eles mesmos chamam de corres góticos. Na verdade, são corres de metal sinfônico, mas ok. Logo, eu iria ao corre apenas pelo critério da "figurinha nova", já que não tinha foto com nenhum dos integrantes.

Certa noite, ao chegar do trabalho, Sheila perguntou se eu queria ir ao show do Nightwish. Explicou que descobriu que a empresa que trabalhava comprava ingressos de eventos para presentear funcionários que se destacavam. Todas as opções musicais oferecidas eram ruins, e a única que poderia interessar era essa, por isso a pergunta. Mesmo sem conhecer a banda direito, aceitei imediatamente. Na noite seguinte, ela já chegou em casa com os ingressos na mão.

Era difícil fazer as fotos para os integrantes das bandas autografarem, pois não havia nenhum local próximo de casa que fizesse a revelação no tamanho e padrão que eu precisava. Como não tenho carro, recorria à boa vontade da minha mãe para ajudar com uma carona, mas eu não ficaria enchendo o saco dela para isso a cada show que fosse anunciado. Portanto, era comum, no início de cada mês, irmos ao Extra Anhanguera, que possuía serviço de revelação de fotos, e eu já mandava fazer as fotos de todas as bandas anunciadas no mês anterior. Logo, no começo de setembro, a foto foi revelada com a vocalista Anette Olzon na formação.

No final do mesmo mês, Anette passou mal e não pode se apresentar com a banda no show de Denver (EUA). Os integrantes optaram por substituí-la por Alissa White-Gluz (então vocalista do The Agonist) e Elize Ryd (Amaranthe). Aparentemente seria uma solução temporária, mas Anette não ficou feliz com o fato do show não ser cancelado e reclamou publicamente. Isso, aliado ao inconformismo dos fãs, que desde a demissão de Tarja, consideravam que Anette nunca esteve à altura da vocalista anterior, levou à sua substituição definitiva por Floor Jansen.

Fiquei em uma sinuca de bico: deveria mandar fazer novamente a foto com Floor Jansen, ou levar a que já estava pronta para que todos, menos Floor, assinassem, conseguindo o autógrafo de Anette em outra ocasião, quando ela viesse com outra banda ou projeto? Como já tinha o autógrafo de Floor, optei pela segunda alternativa. Entretanto, quase dez anos se passaram e até hoje Anette não conseguiu manter-se musicalmente relevante para que algum produtor brasileiro se interessasse em traze-la.

No final de semana anterior à apresentação em São Paulo, eu estava ocupado fazendo corre de tenistas. Astros do esporte como Roger Federer, Maria Sharapova, Serena Williams e Jo-Wilfried Tsonga, entre outras estrelas, faziam uma turnê para mostrar aos fãs brasileiros um pouco de suas habilidades dentro das quadras. Esse foi um corre que fiz completamente errado: a ideia era conhecer Federer e a gatíssima Sharapova, os outros eu mal sabia quem eram, pois não acompanho o esporte. Entretanto, embora todos estivessem em São Paulo desde quarta-feira, iniciei o corre dois dias depois, e consegui conhecer somente Victoria Azarenka, então número um do mundo no feminino.

No sábado, a intenção era estar livre para ir ao aeroporto e encontrar com a banda já na conexão de São Paulo para Porto Alegre. Entretanto, como os objetivos do corre de tênis estavam longe de ser alcançados, decidi permanecer onde estava para continuar tentando, e encontrar com a banda somente quando os músicos retornassem a São Paulo.

Jess deu uma passada no Renaissance, o hotel onde os tenistas estavam, não me recordo se apenas para me dar um "oi" ou para tentar tirar foto com alguém. Seja qual fosse seu motivo, eu lhe daria um melhor para abandona-lo. Discretamente, a chamei em um canto e disse para ir ao aeroporto, pois o Nightwish passaria por lá no começo da tarde. Sua cara de espanto foi impagável:

- Hoje?!

- Hoje!

- Mas você tem certeza??? O show é só na semana que vem...

Isso é um pouco chato, você dá uma informação valiosa como essa na maior boa vontade, mas ainda precisa explicar, porque mesmo quem fazia corres não era capaz de entender como funcionavam os voos de conexão. Ainda assim, ela me ouviu e conseguiu encontrar com a banda, que a atendeu numa boa. 

Desde o corre do Evanescence, quando Jess se decepcionou com sua maior inspiração de vida, Amy Lee, precisava de um novo ídolo, e não foi difícil optar por Floor Jansen. Antes mesmo do ocorrido com Amy, ela montou uma fan-page do ReVamp, e enviou uma despretenciosa mensagem para Floor no Facebook da banda. Inacreditavemente, a vocalista não apenas leu, como respondeu, e assim se iniciou um ciclo de amizade e idolatria que perdura até hoje. Todas as vezes que Floor vem ao Brasil, Jess tem atenção especial e acesso facilitado.

2012 foi um ano difícil, em que realmente aprendi a fazer corre e tornei-me um hunter de verdade, capaz de descobrir hotéis quase sem ajuda. Fazer isso no ritmo em que eu fazia era extremamente cansativo. Era dezembro, fiz isso o ano inteiro e achava que merecia um descanso. Portanto, pedi para Jess perguntar o hotel à Floor, assim eu não precisaria, mais uma vez, "me virar nos 30".

Por outro lado, a irmã de Alvaro namorava o produtor do show, o holandês Eric de Haas. Isso fazia com que ele fosse "cunhado" de Eric, tivesse certa proximidade, e conseguisse informações privilegiadas, como a vez em que fomos ao aeroporto duas semanas após a saída do Symfonia do Brasil, pois a banda passou em São Paulo em uma conexão que jamais seríamos capazes de imaginar. Também pedi para que ele conseguisse essa informação.

Os dias se passavam e nada da informação chegar. Jess dizia que Floor conversava sobre praticamente qualquer assunto com ela, mas que não diria o hotel em que a banda ficaria, nem mesmo se ela perguntasse. Para ser honesto, me pareceu mentira. Alvaro dizia que sua irmã e Eric estavam brigados, e que ele não teria "cara" para pedir nada. Por isso, decidi fazer corre no aeroporto, não no hotel.

Sheila se aventurava na fabricação de sabonetes artesanais para tentar conseguir uma renda extra. Não recordo exatamente o porquê, mas quando comentei que o Nightwish viria, ela decidiu fazer sabonetes especiais para Floor, com o nome da vocalista, além de múltiplas cores e aromas. Como estaria no trabalho no horário da chegada da banda, me incumbiu de presentea-la em seu lugar.

No dia em que a banda retornou a São Paulo, encontrei-me com Laari no começo da tarde e ficamos conversando sobre corres, músicas etc. até chegar o horário de seguir ao aeroporto. O Nightwish sempre atrai muitos fãs e, como previsto, havia ao menos 25 à espera. Isso felizmente não foi um problema para a banda atender a todos. Até Emppu, que tem fama de ser chatinho com os fãs, estava relativamente de bom humor.

Floor Jansen, vocalista do Nightwish
Marko Hietala, então vocalista e baixista do Nightwish. Saiu da banda em 2021
Emppu Vuorinen, guitarrista do Nightwish
Jukka Nevalainen, baterista, foi afastado por problemas de saúde em 2014. Sua saída oficial foi anunciada em 2019
Tuomas Holopainen, tecladista do Nightwish
Troy Donockley era músico convidado, mas passou a integrar a banda oficialmente ao final da turnê

Após passar pelo portão de desembarque e sair para a área externa, os músicos já começaram a atender, mas esse processo foi interrompido porque a produção avisou que seria necessário atravessar todo o aeroporto até a área onde as vans tem autorização para estacionar. Os músicos interromperam o atendimento, mas prometeram retomar, atendendo quem faltasse quando chegasse lá. Eu já havia conseguido foto com todos, mas alguns fãs ainda não. Fãs e banda caminharam juntos. No caminho, Wesley posicionou-se atrás de Floor e tirou uma foto da bunda dela. Acho que ele tem foto da bunda de todas as vocalistas de metal, mas temos que admitir: embora as européias não sejam exatamente conhecidas por esse motivo, Floor tem um belo rabo. Enquanto isso, apressei o passo para chegar onde ficam as vans. Quando Floor passou, mostrei os sabonetes, dizendo que tinha um presente para ela, que pareceu ficar encantada.

Infelizmente não gostei de minha foto com Marco Hietala. Foi tirada contra a luz, não ficou legal. Então, fui obrigado a descer de meu orgulho, fazendo algo que definitivamente não costumo: pedir ajuda. Enviei mensagem para todos que poderiam saber de alguma coisa, desde fãs e hunters, até produtores. A essa altura, eu e Laari já estávamos a caminho do Hilton, onde eu desconfiava que a banda poderia ficar. Foi quando chegou a resposta de um amigo improvável, produtor de shows do Rio de Janeiro: a banda estava no Unique. Imediatamente descemos do ônibus e tomamos outro, que nos deixaria na Avenida Brigadeiro Luís Antonio, onde fica o hotel. Avisei a Sheila, que ficou de nos encontrar quando saísse do trabalho. Quem sabe ela conseguisse foto com a Floor, além de receber pessoalmente os agradecimentos pelos sabonetes?

Pouco depois que Sheila chegou, estávamos em frente ao hotel, quando apareceu Diego e Jess. Me senti duplamente traído. No ano anterior, quando o Mayan veio ao Brasil, Diego me implorou por ajuda, e eu ajudei. Assim que descobri o hotel, passei imediatamente a informação para ele. Jess, por sua vez, foi ainda pior: fiz um esquema todo especial para tentar coloca-la em frente à Amy Lee, e consegui, não importa o quão decepcionante foi o encontro. A ajudei com o Nightwish há poucos dias e ela disse que não sabia o hotel e que Floor não falaria. Como diabos, então, estava na minha frente, se ela em tese não tinha informação, levando em conta de que a banda tinha acabado de chegar à cidade???

Nos últimos meses, eu havia brigado com umas 20 pessoas que fazem corres, estava excluindo geral da minha vida. Dois a mais, dois a menos, não fazem diferença... E foi assim que eu e a Jess deixamos de nos falar por um ano e meio. Com o Diego, nunca houve retorno. Ouvi dizer que ele disse que não me avisou porque queria ter o momento dele com a banda. É justo. Mas quando foi necessário me pedir ajuda, pediu. Definitivamente não preciso de amigos assim!

Apenas Hietala apareceu para interagir com os pouquíssimos fãs que estavam em frente ao hotel. Era quem eu queria, mas Sheila ficou sem conhecer a Floor. Pena...