sábado, 15 de julho de 2017

Vital Remains

Meu único corre no período em que morei em Belém foi logo no dia em que cheguei à cidade. O Vital Remains apresentou-se no Parque dos Igarapés. Quase tudo foi muito diferente do que eu estava acostumado em São Paulo. Chegamos ao local no começo da tarde, pois Vania queria assistir às bandas de abertura. Pra dizer a verdade, se eu não estava interessado nem no Vital Remains, que dizer das bandas de abertura?! Aquele, em tese, era o começo de minha nova vida, que deveria durar para sempre, ou pelo menos por tempo suficiente para valer a pena. Eu e Vania éramos um casal novo, então imaginei que quando chegasse encontraria aquele fogo, aquela vontade de ficar junto o tempo todo que todos os novos casais tem.

Quando eu ainda estava em São Paulo, ela comentou que queria ir ao show. Fiquei broxado, pois queria chegar e começar logo a curtir o relacionamento, não fazer o que sempre fiz, bandas e corres, uma vida que aceitei deixar para trás para iniciar uma nova realidade com ela. Eu disse que não estava minimamente interessado em ver esse show - pra dizer a verdade, eu nem sabia que essa banda existia, e nunca mais ouvi falar dela, nem antes, nem depois. "Mas é o Vital Remains": Vania disse isso como se fosse o Iron Maiden, o Queen, o AC/DC ou o Rolling Stones.

De qualquer forma, já que eu estava lá, não tinha porque não fazer o que sei fazer de melhor: corre. Perguntei à Vania onde o produtor poderia ter hospedado a banda, e ela respondeu que talvez no próprio Parque dos Iguarapés, já que lá existem chalés onde os integrantes poderiam ficar até a hora de subir no palco. Até pensei em sair explorando, em busca dos tais chalés, mas desisti quando encontrei a placa ao lado.

O Parque é encrustado na floresta, com muita mata nativa. Foi muito diferente assistir a um show em uma enorme estrutura indígena. Chega a ser engraçado pensar que o show em São Paulo aconteceu no Clash Club. Realidades tão diferentes em um país continental!


Bocao é muito gente boa
Vania apresentou-me a alguns amigos, incluindo Andre Bocao, sócio proprietário da Leprosys Produções, a principal produtora que leva bandas de metal para Belém. Eu já o tinha como amigo no Facebook há tempos e foi um enorme prazer conhece-lo. Ele disse que a banda chegaria somente mais tarde e que seria possível tirar fotos com os integrantes após o show, então sosseguei.

No meio da galera que foi para assistir o show, encontrei Felipe, que conheci 6 anos antes, quando estive na cidade para ver o Iron Maiden. Ele ficou muito surpreso ao me ver e pareceu não acreditar quando eu disse que agora eu também era morador da cidade.

Eu era a novidade, então todos queriam saber se eu gostava da temperatura, que estava em torno de 36º. Apesar de suar que nem fdp, prefiro isso a qualquer temperatura abaixo de 18º, como as que encontrava frequentemente no outono e inverno paulista. Para mim, estava ótimo!

Quando enfim a banda chegou, que supresa maravilhosa! Foi a primeira vez que vi uma banda chegar ao local do show de Kombi, com um adesivo "A serviço de Jesus", e um cartaz com pentagrama logo abaixo. Hahaha genial, adorei!


Após o show, quando os integrantes desceram do palco, eu e Vania abordamos um a um e conseguimos as fotos. Simples e fácil!

Brian Werner, vocalista do Vital Remains
Tony Lazaro, guitarrista do Vital Remains
Dean Arnold, guitarrista do Vital Remains
Gator Collier, baixista do Vital Remains
James Payne, baterista do Vital Remains

domingo, 9 de julho de 2017

Congonhas

Pensei que essa seria a minha última "congonhada", pois estava prestes a mudar para Belém e começar uma nova vida. O alvo do corre era Fernanda Torres, que estava com alguma peça em cartaz. Não era difícil deduzir que embarcaria ao Rio logo após o final do espetáculo - é justamente por esse motivo que as peças começam mais cedo aos domingos.

Como eu e Eric sabemos onde os carros param para que os passageiros passam descer e embarcar rapidamente, ficamos esperando. Embora eu deteste as posições políticas dela, admito que no Brasil é uma grande atriz. No entanto, quando ela desceu do carro, a abordamos e... a câmera falhou! Ela se desculpou, disse que estava atrasada e seguiu parra o embarque.

Rapidamente consegui arrumar, então eu e Eric corremos atrás e conseguimos faze-la parar novamente, logo após a escada rolante. Só que, nesse meio tempo, sei lá porque, acabei colocando os óculos que mandei fazer para usar em Belém. No dia a dia eu realmente não uso, mas sabe como é, já passei dos 40, a vista não é mais a mesma... A foto ficou esquisita, não gostei. 

Fernanda Torres

Ainda foi possivel ver mais duas atrizes que passaram: Cléo Pires, que também manda mal quando se posiciona politicamente, e tem fama de ser chata com os fãs. Parou "daquele jeito", rapidinho e já saiu apressada. Quase o mesmo se deu com Juliana Knust. Ela parou, mas quase implorando para eu ir rápido, pois estava atrasada para embarcar. Calma, Juliana! É só uma foto, demora 5 segundos (ou menos)!

Cléo Pires
Juliana Knust

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Liberation Festival 2017

A cada foto que tiro com um grande artista e posto em minha linha do tempo no Facebook, os comentários são sempre tão previsíveis: "que sorte!", "como você é sortudo!", "eu queria ter essa sorte". Sorte?! Na maioria das vezes é tudo, menos sorte. Entretanto, quando King Diamond veio ao Brasil para se apresentar no Liberation Festival, em 2017, a sorte certamente sorriu para nós.

Estavam acontecendo conflitos entre certos profissionais que trabalham indiretamente com shows. Não posso dizer quem estava envolvido ou o que acontecia, porque envolve terceiros, mas enfim, quem se beneficiou fomos nós. Um desses profissionais, para tentar ferrar o outro, que não gostava de "hunters", nos deu uma informação que não teríamos como ter de outra maneira: King Diamond chegaria mais cedo do que pensávamos ao Brasil e faria alguns ensaios no Family Mob Studio. A informação veio completa, com data, horário e tudo mais.

O que não sabíamos é que isso estragaria completamente o plano dos hunters do bem. Como todos planejaram se hospedar, a ideia deles era espalhar a informação para que o hotel lotasse e nós, os hunters do mal, não conseguíssemos. Seria uma pena se o plano desse errado, não?!

Quando King Diamond chegou no estúdio, já o abordamos. Ele foi bacana, tirou fotos e autografou de boa. Na saída, tentamos abordar os músicos, mas rapidamente eles entraram na van, então só consegui abordar um. Ainda sem saber do plano dos hunters do bem, eu, Carlos e Jéssica decidimos que não iríamos ao hotel, não seria mais necessário.

Kim Bendix Petersen, mais conhecido como King Diamond. Uma lenda, mas muito humilde!
Mike Wead, guitarrista do King Diamond

No dia do show - que não fui porque estava completamente sem dinheiro - eu e Sheila fomos ao Espaço das Américas para conhecer Juan, um hunter colombiano que veio ao Brasil especialmente para a ocasião. Ele era nosso amigo no Facebook há alguns anos, e sempre trocávamos figurinhas a respeito dos corres em nossos países. Quando chegamos, ele me cumprimentou com um beijo no rosto, o que lhe rendeu o apelido de "El gay de Bogota".

Juan, hunter da Colombia. Ele faz em Bogotá o mesmo que faço em São Paulo: corres

Juan, aliás, queria nos ensinar a fazer corres. Desde antes da banda chegar ao Brasil, ele tentou determinar em qual hotel King Diamond ficaria: "Galera, fiz uns estudos dos hotéis brasileiros e consegui determinar que ele deve ficar no Hyatt ou no Renaissance ou no Unique". Fique quieto, El Gay de Bogota, desde muito antes de você chegar ao Brasil, já sabíamos que ele ficaria no Meliá Jardim Europa.

No dia seguinte, eu, Carlos e Jéssica fomos ao aeroporto, acompanhado de El Gay de Bogota. Claro que seria justo ajuda-lo, já que ele não conhecia muita coisa no Brasil. Ainda assim, ele continuava se achando mais esperto do que nós. Sabíamos por onde King Diamond passaria quando chegasse ao aeroporto mas, ainda assim, ele achou que estávamos errados e resolveu esperar em outro andar. Resultado: quase perdeu a oportunidade de conhece-lo.

Juan tirou essa foto de Carlos e eu. Em nossa opinião, nada define mais um corre do que ela

A primeira banda a embarcar foi o Lamb Of God. Consegui a foto que faltava com o vocalista Randy Blythe, que não nos atendeu em 2012. Não lembro porque não tirei foto com John Campbell, mas não me importei muito, pois já tenho foto com ele desde 2012.

Randy Blythe, vocalista do Lamb of God
Mark Morton, guitarrista do Lamb of God 
Willie Adler, guitarrista do Lamb of God
Chris Adler era o baterista do Lamb of God. Ele saiu da banda em 2019

O Carcass, outra banda que tocou no festival, demorou demais para aparecer. Carlos decidiu esperar pelos integrantes próximo ao portão de embarque, eu e Jéssica preferimos tentar King Diamond novamente. Próximo ao embarque poderia ser arriscado, pois a essa altura muitos fãs estavam no aeroporto, e ele poderia dar naba em todos e embarcar, se houvesse qualquer tipo de confusão. Era melhor estar mais distante.

"Ah, mas você já conseguiu, por que tentar novamente?". Simples: eu queria outro autógrafo, para enviar para Diego, um amigo hunter chileno. Afinal, o show no Espaço das Américas foi a única apresentação de King Diamond na América do Sul; logo ele não iria para o Chile. Diego fazia o mesmo quando uma banda ia ao Chile, mas não vinha ao Brasil. Desta maneira, todos aumentávamos nossas coleções de autógrafos.

Enquanto esperávamos por King Diamond, abordamos todos os músicos da banda dele que passaram por nós. Eles chegavam separadamente ao aeroporto, provavelmente porquê cada um retornaria para sua própria cidade. Enfim consegui conhecer o guitarrista Andy LaRocque, o único a fazer parte de todas as formações e gravar todos os álbuns com King Diamond. Também abordei Hel Pyre, backing vocal. Os outros músicos, Matt Thompson, Pontus Egberg e Livia Zita, não vimos passar, devem ter ido direto ao portão de embarque.

Andy LaRocque foi gente finíssima
Hel Pyre, backing vocal do King Diamond

Quando King Diamond finalmente apareceu, consegui o autógrafo que queria, e mais uma foto, mas infelizmente foi em vão. Ao sair do aeroporto, perdi a pasta com todos os autógrafos que consegui naquele dia. Infelizmente, Diego ficaria sem o autógrafo.



El gay de Bogotá percebeu a falta de movimentação no andar onde ele estava, então foi verificar o que acontecia no andar onde estávamos. No último segundo antes de King Diamond embarcar, ele conseguiu a foto, mas quase ficou sem. Eu retornei para próximo do portão de embarque, onde estava Carlos, mas ele disse que o Carcass já havia embarcado, todos o atenderam. Não foi o corre perfeito, perdi o Carcass e meia banda do King Diamond, mas ainda assim valeu demais!

sábado, 10 de junho de 2017

Luis Mariutti

A formação que tocou em meus álbuns prediletos do Angra contava com André Matos, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Luis Mariutti e Ricardo Confessori. Eu já conhecia todos pessoalmente, exceto Mariutti. Após sair do Shaman e da banda solo de André Matos, embora tenha participado de algumas bandas e projetos, Mariutti tornou-se um cara difícil de ser encontrado, pois aparecia poucas vezes em público. Ele passou um tempo focado em sua academia, deixando um pouco a música de lado.

Entre 2014 e 2016, não lembro ao certo, Kevin me chamou para acompanha-lo em um corre onde Luis tocaria com o irmão Hugo. Não recordo exatamente qual era a banda ou projeto, mas o local era na rua Augusta. Porém, eu estava exausto e acabei deixando passar. Corres de artistas nacionais são uma merda, porque dão preguiça. Você sempre acredita que terá uma próxima oportunidade, então acaba perdendo ótimas chances.

Terrivelmente arrependido, procurava agora me redimir comigo mesmo. Por isso não exitei quando Cassandra disse que ele participaria de um show no Manifesto Bar, com a Falaschi All Star Band. Eu nem quis saber quem estava ou não participando do show, ele era o único alvo. Encontrei-me com Cassandra, e fomos ao Manifesto. Após o show, consegui a foto facilmente. Enfim completei a formação que considero clássica. 

Valeu a pena esperar, que fotão da porra!

Mas havia algo perturbador em Cassandra: sua obcessão por André Matos a fazia viver em mundo criado por ela mesma. Sei bem que ela sempre trabalhou com produção e que tem muitos contatos, mas falava dos músicos do Shaman como se fossem grandes brothers, como se os visse o tempo todo. Nessa noite, quando Mariutti saiu do Manifesto, ela o abordou, mas ele não pareceu reconhece-la, parecia atender ao pedido de uma fã qualquer.

No carro, retornando para casa, ela me pediu para pegar algo no porta luvas, e acidentalmente encontrei uma certidão de casamento que atestava que ela era... casada com André Matos!!! Foi quando contou algo surreal, dizendo que André queria trazer para o Brasil o filho que tinha com a ex esposa sueca, mas que as leis suecas só permitiriam se ele fosse casado, então André lhe pediu para que casassem no papel, embora os dois não se relacionassem - mas passaram a morar juntos. Uma história confusa e difícil de engolir.

No mesmo mês, o perfil oficial do André no Facebook fez um post dizendo que havia uma fã que apresentava-se para todos como sendo sua fotógrafa e assessora e que, no entanto, ambos não tinham nenhuma relação pessoal ou profissional. Classificando-a como perseguidora, André salientava que medidas judiciais seriam cabíveis se essas atitudes não cessassem imediatamente.

Para mim, estava mais do que na cara que ele se referia à Cassandra. Por sua vez, ela tentou se defender dizendo que todos sabiam que o André não usava redes sociais, e que a responsável pelo post foi uma assessora que "não gostava dela", mas que pediria para o próprio André se retratar, o que obviamente nunca aconteceu. Pouco tempo depois, o post foi apagado, com um aviso: "recado dado"!

Cassandra sempre se vangloriava das inúmeras vezes em que supostamente levou ou foi buscar André no aeroporto. De acordo com ela, isso acontecia todo o tempo. No entanto, em todas as vezes que encontrei André chegando ou partindo, jamais ela estava com ele ou esperando por ele.

Nessa época, Cassandra anunciou a todos que estaria grávida. Em 14 de setembro, coincidentemente a data de aniversário do André, ela anunciou o nascimento, mas demorou para postar fotos. Que mãe não postaria?! Quando, enfim, postou, eram imagens do bebê sozinho, deitado. Facilmente dava para saber que as fotos foram retiradas da internet, em uma pequisa simples no Google era fácil encontrar exatamente as mesmas imagens. Suas amigas queriam visita-la para conhecer o bebê, mas sempre esbarravam em alguma desculpa.

Depois, quando falo sobre mulheres loucas, acham que estou exagerando. Éramos amigos, mas ainda assim preferi me afastar, era muita loucura pra minha cabeça. Pra finalizar, não era ela quem estava com André quando ele morreu. É óbvio que não!

domingo, 28 de maio de 2017

Europe

Mais uma vez eu estava em um corre de banda repetida, que não teve alteração de integrantes, apenas para ajudar alguém. No caso, Lizandra, que conheci no corre do Aerosmith em 2016. No primeiro dia fui com ela ao Hilton, onde a banda estava hospedada, mas conseguimos somente Joey Tempest e Ian Haugland. O problema é que todos os integrantes saíram ao mesmo tempo do hotel, então não foi possível parar todos, ainda mais com Anebelle causando, tentando encontrar alguém que tirasse a foto dela. Não valeria esperar, pois seriam muitas horas para a banda retornar. O jeito foi tentar novamente no aeroporto.

Joey Tempest é sempre gente boa. E sim, é Anebelle à direita. Não basta ser louca, tem que aparecer na foto dos outros
Ian Haugland também é gente fina, atendeu todo mundo

No dia seguinte, eu, Carlos, Jessica e Lizandra fomos ao aeroporto. Quando a banda chegou, Joey estava sem óculos. Lizandra animou-se para conseguir uma foto rara - já que ele está sempre com o acessório - porém, assim que pediu para tirar uma foto, ele colocou os óculos antes de aceitar. John Levén e Mic Michaeli nos atenderam sem problemas, como em 2012. 

John Levén, baixista do Europe
Mic Michaeli, tecladista do Europe

John Norum, entretanto, pediu para o segurança nos avisar que não iria atender. O que fizemos? Batemos nele, gritamos, nos humilhamos, choramos? É claro que não. Sabemos que não é possível ganhar todas, então não reagimos quando ele passou pelo portão de embarque rumo à Santiago. Quando chegou ao Chile, havia alguns fãs aguardando no aeroporto, e Norum não se importou em tirar fotos com eles. Fica a pergunta: qual o problema desses caras? Será que os chilenos são mais bonitos??? Azar o dele, perdeu a chance de tirar uma foto com Lizandra. Eu não perdi!

Liz, foi um grande prazer poder te ajudar. O corre só não foi perfeito porque John Norum é mala

sábado, 27 de maio de 2017

Abbath e Amon Amarth

Duas bandas relativamente fáceis - somente Johan Hegg, o vocalista do Amon Amarth, é um pouco mais chatinho. O que poderia dar errado? 

No passado, o hotel Meliá Jardim Europa foi um lugar muito bom para conhecer bandas, adorávamos quando alguma ficava lá. Chegávamos em grupos pequenos, de 3 ou 4 pessoas, entrávamos e esperávamos no hall. Não era raro irmos ao bar interno, próximo aos elevadores, para comprar um sanduíche ou uma porção de batatas fritas, sempre acompanhado de coca-cola, e comer enquanto esperávamos pela aparição dos músicos. 

Entretanto, há sempre os idiotas que acham que todos tem o direito de tentar, espalham a informação do hotel, chegam em bando e entram - é claro que não poderia acabar bem. Em 2016, quando o Testament estava lá, Jonas foi ao hotel completamente bêbado e incomodou hóspedes. Era o fim: nunca mais a entrada de fãs foi permitida.

O problema é que, daquele dia em diante, os funcionários do hotel estavam cada vez mais folgados e desrespeitosos. Sabíamos que nossa entrada não era mais permitida, e não nos incomodamos em aguardar na calçada. Poderíamos estar dentro, gastando dinheiro no bar, mas lá estávamos debaixo de um sol escaldante. Tudo bem, faz parte, o hotel é uma propriedade privada e estabelece suas próprias regras. O que não admitimos é ser maltratados pelos funcionários.

A área para manobra de veículos do hotel é extensa, o que nos deixava há uns 15 ou 20 metros da porta de entrada. Estávamos na calçada, esperando numa boa, quando um funcionário veio falar conosco: "vocês não podem ficar aqui, tem que esperar do outro lado da rua". Como é que é?! A calçada é do hotel agora?! Calçada é pública, mas ele insistia que deveríamos atravessar.


Sabe o que decidimos fazer?! Enche-lo de porrada! 5 ou 6 de nós - incluindo eu, Carlos e Leo - chegaram nele e disseram "se a gente não pode subir, você também não pode descer. Se descer vai apanhar de todo mundo aqui". Ele recuou, e ai se não recuasse, não estávamos para brincadeiras!

Superado o contratempo, apareceram alguns integrantes do Abbath, incluindo o próprio. Eles chamaram para nos atender próximo à porta do hotel e é ótimo quando isso acontece, pois os funcionários ficam putos mas não podem fazer nada, já que fomos convidados pelos hóspedes. Abbath viu minha camisa e disse que é grande fã de Iron Maiden. Depois, pediu para tirar foto dela, e ainda postou no Instagram. Que cara gente boa, sensacional!

Abbath Doom Occulta, gente finíssima 
King ov Hell, então baixista do Abbath. Ele saiu da banda em 2018

Horas mais tarde, todos os integrantes do Amon Amarth, exceto Johan Hegg, apareceram. Eles estavam na rua, voltando sabe-se lá de onde para o hotel, e aproveitamos para aborda-los. Todos são bastante secos, mas ao menos atendem. Eu não quero ser amigo deles, só quero tirar uma foto com eles, então está ótimo.

Olavi Mikkonen, guitarrista do Amon Amarth
Johan Söderberg, guitarrista do Amon Amarth 
Ted Lundström, baixista do Amon Amarth
Jocke Wallgren, baterista do Amon Amarth

Claro que eu poderia esperar para tentar conseguir fotos com os integrantes que faltaram das duas bandas, mas naquela noite havia um compromisso inadiável, um jantar com meu novo advogado para definir como seria feito o inventário e a abertura do testamento do meu avô. Por isso, finalizei o corre. No fim, só não consegui com o baterista do Abbath, 'Creature' Emil Wiksten. Eu já tinha foto com Johan Hegg desde 2014.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Chloe

Fui inventar de tentar conhecer Chloe, a garotinha que, por volta de 2014, observou a irmã Lily se emocionar com uma viagem surpresa para a Disney, reagindo com uma expressão facial que misturava tédio e desprezo. Parecia uma foto engraçada, bem humorada, que fugia completamente aos padrões que eu estava acostumado. Além disso, seria minha foto mais jovem, pois, até então, eu nunca abordara crianças.

Toda a família veio ao Brasil em uma viagem quase de férias bancada pelo Google. O gigante das buscas utilizou a imagem da menina em uma campanha, e o único compromisso oficial no país foi  uma visita às instalações da empresa, onde uma foto com a famosa expressão ilustrava um dos elevadores.


Tudo o que precisei para descobrir o hotel foi essa foto, postada no Instagram oficial das irmãs. Uma área plana, com muitas árvores e sem tantos prédios. Ao fundo, antenas, provavelmente as da Avenida Paulista. Ao centro, uma estrutura que deveria ser o ginásio do Ibirapuera. Com o Google Maps, confirmei que a intuição estava correta, pois consegui localizar o prédio ao lado da cabeça da mãe das meninas. A partir daí, foi fácil identificar o hotel como o "Marriott Executive Apartments". 


Não pude ir no dia em identifiquei o hotel, pois tinha um compromisso. Passei o nome do hotel para Lucas, um amigo que me ajudava com as buscas, ele foi e conseguiu. Parecia fácil e simples. 

No dia seguinte, foi a minha vez, sozinho. Quando a família retornou do passeio, abordei a mãe com mais tato e educação que de costume, perguntando se seria possível tirar uma foto com a filha dela. A menina, que estava no colo, reagiu muito mal e começou a chorar. A mãe ainda tentou convence-la, sem sucesso. Me explicou que ela estava assustada com o assédio pois, em todos os lugares que iam, todos queriam uma foto com ela. É claro que compreendi e não forcei a situação. Para não voltar de mãos vazias, perguntei se poderia tirar uma foto com toda a família. Todos aceitaram, mas Chloe recusou-se terminantemente, chorando ainda mais. A mãe a passou para a babá que os acompanhava, e consegui a foto de consolação com a família. Sim, eu levei naba de um meme!


Quando cheguei em casa, contei o que houve para Stephanie, um amiga que também queria conhece-la. Ela foi esperta: quando tentou, no dia seguinte, levou doces para presentear a garota. Exatamente como comigo, Chloe não queria fotos mas, como havia um presente, a mãe a obrigou a tirar.