quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Paul Di'Anno

Paul Di'Anno tinha 23 shows confirmados no Brasil, e eu tinha uma intuição forte de que ele se aposentaria em breve dos palcos, então decidi que assistiria o maior número possível dos shows.  Com a grana e disponibilidade profissional que tinha, consegui ir em três. Como possuía algumas milhas acumuladas no Smiles e muitos amigos no Rio de Janeiro, decidi que essa seria a primeira cidade a visitar.

Após trabalhar normalmente o dia inteiro, saí do escritório direto para o aeroporto de Congonhas, onde embarquei em um voo da Gol para a "cidade maravilhosa". Fátima e Ricardo Pacheco estavam à minha espera, me deram uma carona ao Hard Rock Cafe, onde ocorreu o show. Lá, encontrei outros amigos, incluindo as groupies Fani e Yolanda, que sempre estavam em São Paulo atrás das bandas,  ou embaixo delas, em cima, de quatro, sei lá... Claro que nem poderia ser considerado um corre pois, após a apresentação, Di'Anno ficou disponível para qualquer um que quisesse uma foto e/ou autógrafo. 


Lá pelas duas horas da manhã, saí do local com Padro e sua mãe, Elaine, que me deram uma carona para o apartamento deles, no Leblon. Mesmo tendo que trabalhar no dia seguinte, Padro me chamou para sair, passar a noite na orla com ele e amigos/as. Aceitei, pois minha presença no Rio era tão rara que fazia todo o sentido aproveitar a oportunidade.


De manhã, tomei um táxi para o aeroporto, voei, e ainda cheguei uns 20 minutos atrasado no trampo. Foi uma das raras vezes em que fui completamente irresponsável. Trabalhei virado em um dia que demorou demais para passar, como é ruim trabalhar com sono.

domingo, 16 de maio de 2010

O falecimento de Ronnie James Dio

O  inesperado aconteceu. Em 15 de maio, diversos sites e tweets anunciaram a passagem de Dio. Wendy Dio, a esposa, desmentiu os boatos no twitter oficial. Aquele era o dia do corre do Napalm Death, cujos integrantes estavam hospedados no Braston Augusta. Leo e Kevin haviam me chamado para acompanha-los, mas a notícia, mesmo falsa, deixou-me suficientemente arrasado para não querer sair.

A confirmação, no dia seguinte, simplesmente tirou meu chão. Acho que nem mesmo quando minha mãe faleceu, alguns anos depois, me senti tão atingido. Toda criança sabe – ou deveria saber – que um dia perderá os avós e os pais, e de alguma maneira se prepara para isso - eu ao menos me preparei. Quando morre alguém  de forma inesperada, no entanto, é totalmente devastador. De acordo com as notícias divulgadas menos de um ano antes, as chances de cura eram boas,  pois a doença foi diagnosticada no início. Como assim, agora ele estava morto?!

Alguns anos depois, Tony Iommi afirmou que Dio já estava doente durante a turnê com o Heaven & Hell, citando algumas situações onde pareceu evidente que as insistentes dores de estômago do vocalista eram mais do que simples indisposição estomacal. Era maio e ele sugeriu a Dio que fosse ao médico, mas o músico postergou até o final de novembro para seguir o conselho.

Kevin me disse que quando abordou Dio, no bar, ele reclamou de dores no estômago, por isso não pediu nada para comer, apenas bebeu. Ou seja, o câncer não foi diagnosticado no início, e nem a morte era tão inesperada. Mas, com as notícias que foram veiculadas na época, criou-se uma falsa esperança nos fãs, todos acreditavam na plena recuperação.

A morte de Dio foi um divisor de águas para mim, me fez repensar sobre alguns conceitos de vida e morte. Até então eu fazia somente os corres das bandas que realmente era fã, tinha os álbuns, conhecia todas as músicas etc. No ano anterior, Kevin me chamou para acompanha-lo em diversos corres que não aceitei, incluindo Jon Lord, Jerry Lee Lewis, Tony Martin, Joe Lynn Turner, Chuck Berry, Vince Neil, entre outros. Ele conseguiu foto com quase todos, e eu poderia ter conseguido também. Até hoje não tenho com nenhum dos citados e com alguns é impossível ter uma segunda chance, pois não estão mais entre nós. Eu já tinha uma bela coleção de fotos com pessoas incríveis e, mais que isso, possuía muitas estórias para contar. Então... Realmente importava não ser fã?! Isso não faz de nenhum deles um músico desqualificado ou incompetente, faz?! Se agora eu tinha a oportunidade de conhece-los, por que não?!

A década que se seguiu foi especialmente devastadora para mim: perdi minha mãe, meus avós, grande parte da família, amigos, conhecidos e muitos, muitos músicos que admirava. Isso criou em mim a consciência de que o hoje é importante, pois o amanhã pode não existir. Embora às vezes eu tenha me ferrado por conta desse pensamento, é assim que conduzo minha vida desde então.


sábado, 8 de maio de 2010

Gamma Ray

O Gamma Ray ficaria no Novotel Center Norte, relativamente próximo ao local do show, Santana Hall. Quando a banda chegou, já estávamos esperando e conseguimos fotos e autógrafos com o baixista Dirk Schlächter e o baterista Dan Zimmermann.

Dirk Schlächter, baixista do Gamma Ray 
Dan Zimmermann era o baterista do Gamma Ray. Ele saiu da banda em 2012

Quando Kevin abordou Kai Hansen, que para nós era a grande cereja do bolo daquele corre, recebeu “deixe-me em paz” como resposta. Mais tarde, Kai se aproximou e desculpou-se, explicando que houve o extravio de uma mala no aeroporto e que estava tentando resolver. Tirou fotos com todos e distribuiu autógrafos.

Kai Hansen, vocalista, guitarrista e fundador do Gamma Ray

Faltava apenas Henjo Richter, que já estava no bar. Quando nos aproximamos, convidou-nos para beber e tivemos uma longa conversa. Na hora dos autógrafos, vexame. Algo aconteceu com a caneta, que vazou toda nas mãos dele. Felizmente não se importou muito e apenas riu da situação. Todos no Gamma Ray são incrivelmente amigáveis. 

Henjo Richter, guitarrista do Gamma Ray

Tivemos também um bônus inesperado: AC (Rüdiger Dreffein) foi baterista de bandas como Running Wild e Lacrimosa, mas atualmente se dedica à produção e gerenciamento de turnês com sua empresa All Access Entertainment. Neste dia, ele trabalhava com o Gamma Ray. O encontramos em diversas outras ocasiões, sempre trabalhando com alguma banda.

AC Dreffein aposentou as baquetas, passando a trabalhar somente com produção e gerenciamento de turnês

Quando o corre finalizou e caminhávamos para o carro, Leo contou que Renata, uma amiga nossa, tinha contato direto com Kai Hansen e sempre falava com ele pela internet, o que achei inacreditável - na época provavelmente era. Hoje em dia sei que é totalmente normal. 

Postei as fotos no Orkut, e outra amiga me chamou no Messenger para contar que, após o show em Manaus, em 2008, Kai Hansen saiu do local como se fosse apenas um fã, atendeu todo mundo e foi comer um “kikão” (hot-dog) com a galera, em uma das barracas montadas por ambulantes para o evento. Consegue imaginar o quão amigável é um dos um dos maiores nomes do Power Metal, senão o maior?!

Carlos contou que, em outra oportunidade, estava conversando com Henjo Richter, que demostrou espanto com a precaução da produtora que os contratou: “O Brasil é o único lugar do mundo que temos um segurança 24 horas”, dando a entender que é um exagero desnecessário. E é mesmo.


sábado, 24 de abril de 2010

Megadeth

Desta vez a mágica de Kevin não funcionou, pois ele não sabia em qual hotel o Megadeth estava. Uma amiga, Aline, arriscou perguntar para o “tio da van”, mas ele respondeu que só diria se ela lhe desse um beijo. Sem alternativas, aceitou – e ele ainda disse o hotel errado, embora a rua fosse a correta. Acredite se quiser, ainda assim ela não foi no hotel conosco.

Após o show, fomos ao hotel indicado. Ficamos na calçada em frente ao local, mas percebemos que não havia nenhuma movimentação diferente. Entretanto, observamos uma van parar em frente a outro hotel na mesma rua, a uma quadra de distância. Era o Blue Tree Berrini (que hoje em dia chama-se Transamerica Berrini). Corremos para lá e, logo que entramos, já vimos Dave Mustaine no hall. Houve uma movimentação de seguranças do hotel para nos expulsar, mas eliminei esse problema indo direto à recepção, onde anunciei minha intenção de hospedar. O problema é que, enquanto eu fazia o check-in, os músicos tomaram o elevador e foram para seus quartos.

Eu estava numa exaustão monstra, e sabia que se fosse dormir perderia a hora, então decidi passar a noite acordado no hall. Eu estava acompanhado por Jee - uma amiga de Manaus - e Kevin. Além disso, outros hunters descobriram o hotel, e também estavam lá, incluindo Léo, Rafael, o Mestre, Renata, e outra Aline (não a do parágrafo anterior).

Por falar em Aline, agora sim a do parágrafo anterior, ela descobriu a pista que nos fez descobrir o hotel, então nada mais justo do que avisa-la. Assim que clareou, por volta de 06:00 hs, eu liguei para o celular dela, mas quem atendeu foi um homem - provavelmente o pai dela - com uma puta voz de sono. Completamente sem graça, pedi para falar com ela, ele disse que ela estava dormindo, e respondi que era urgente - ela mesmo pediu para eu avisa-la na manhã seguinte se era o hotel estava certo. Quando ela atendeu, passei todas as informações e desliguei.

David Ellefson desceu para tomar café e nos atendeu. Eu o encontrei em outras oportunidades, e ele sempre foi um dos mais legais.

Eu nunca aprendo a fazer uma cara boa na hora da foto

Algumas horas mais tarde, outra amiga minha, que também se chama Aline (sim, não perca a conta, são 3 Alines), e que até então nada tinha a ver com corres, entrou no hotel esbaforida e veio me agradecer por avisa-la. PQP! No sono, simplesmente liguei para a Aline errada 😱

Dave Mustaine veio em seguida e foi à recepção tratar de algum assunto. Surpreendentemente, ninguém reagiu. Kevin, Mestre, Léo, Rafael, ninguém esboçou reação. Não seria eu, com tão poucos corres, que iria tentar aborda-lo, com tantos mais experientes que eu deixando passar. Quando ele se foi, a falta de atitude foi bastante discutida. Um dizia para o outro que não tentou para não irrita-lo. Todos ficaram com medo de tentar, ouvir “não”, e estragar a chance dos demais. Muita solidariedade, pouca atitude: a chance foi perdida.

Ninguém teve coragem de abordar o Pato Donald

Uma das meninas que estava conosco, e que também havia se hospedado, disse que foi à academia do hotel, e que encontrou Chris Broderick se exercitando, chegou até mesmo a mostrar uma foto que tirou dele. Fomos lá, mas apenas observamos um pouco e voltamos para o hall. Seria inconveniente demais interromper o treino do cara para tirar fotos.

Aline III tirou foto de Chris Broderick se exercitando

Não demorou para que Shawn Drover aparecesse e atendesse a todos. Mustaine reapareceu para tomar café, mas não quis nenhum tipo de contato. Apenas pediu para um funcionário do hotel pegar o que tínhamos para autografar. Assinou tudo e mandou devolver. Foi possível vê-lo enquanto se servia e tomava café. Se quiséssemos, poderíamos ir até lá, afinal, também éramos hóspedes. Eu, ao menos, continuava seguindo o que decidi com a Sheila um ano antes: ser o menos inconveniente possível. Claro que queríamos a foto, mas se ele não queria, o que eu poderia fazer?!

Por sua vez, Kevin sempre tentava fazer as coisas de forma sem noção. Ele escreveu um bilhete e pediu para um funcionário do hotel entregar na mesa de Mustaine. Gentil, ele fez o que Kevin pediu, mas levou uma belíssima comida de rabo do Mustaine, que amassou o papel sem ler e o atirou no rosto dele, enquanto gritava algo que não entendemos, mas cujo conteúdo verbal não é muito difícil de adivinhar. Quando terminou, deixou o restaurante por uma saída alternativa, apenas para não ter que passar por nós. Em seguida, Broderick desceu e nos atendeu mas, para mim, era o fim do corre.

Com tantas câmeras, ficou difícil para Shawn Drover saber para qual olhar
Pato Donald no café
Pato Donald fugindo
Muito gente boa, Chris Broderick atendeu todo mundo

Léo insistiu que fôssemos ao aeroporto tentar mais uma vez, mas preferi finalizar e retornar para casa. Somente Rafael e Renata concordaram em continuar o corre. Em Congonhas, Mustaine atendeu o trio após muita “choradeira”. Ainda assim, foi uma foto quase irreconhecível, pois ele estava de gorro, cabelo debaixo do gorro e óculos escuros. Só quem estava no corre é capaz de reconhece-lo.

Anos depois, Carlos me disse que Mustaine nem sempre foi assim. Ele se lembra de uma vez, no Monsters of Rock 1998, quando ele, o Mestre e mais um amigo se hospedaram no mesmo hotel que a banda e, após passar a noite conversando com Mustaine no bar do hotel, todos subiram para dormir. Para surpresa geral, o quarto deles era exatamente na frente do quarto do vocalista/guitarrista. Na manhã seguinte, alguém bateu à porta. Mestre abriu e deu de cara com o Mustaine, que disse algo como “estou indo tomar café da manhã e quero companhia, vocês gostariam de me acompanhar?”. 

Carlos disse que quando Kevin contou sobre como foi o corre do Megadeth, se espantou ao saber sobre o comportamento de Mustaine, pois todos os hunters das antigas têm foto com ele. Algo aconteceu durante a pausa do Megadeth entre 2002 e 2004, que alterou completamente a maneira como ele interage com os fãs.

sábado, 10 de abril de 2010

Blaze Bayley

Um velho conhecido, Blaze Bayley, retornou a São Paulo para um show no Manifesto Bar. Naquela manhã, recebi um telefonema estranho. Yolanda*, uma amiga do Rio de Janeiro, que havia ficado em minha casa para o show do Metallica, pediu para ficar lá novamente, com uma amiga, por alguns dias. Sem entender direito, falei com Sheila, e concordamos em recebe-las. Eu iria encontra-las no show, então após o trabalho, fui direto para lá. Como cheguei cedo, Blaze ainda não havia chegado. Quando chegou, consegui a foto. Mal sabia que ele atenderia todo mundo novamente e, desta vez, sem a cara de velório do ano anterior. Melhor para mim, pois tirei duas fotos com ele naquele dia. Como ponto negativo, acabei não abordando Dave Bermudez, pois ele não desgrudava de uma menina, estava agarrado com ela o tempo todo, e fiquei "meio assim" de ser inconveniente.


Jay Walsh, guitarrista do Blaze Bayley
Nico Bermudez, guitarrista do Blaze Bayley
Claudio Tirincanti, baterista do Blaze Bayley

Quando encontrei com Yolanda e Fani*, comecei a compreender tudo. Elas vieram do Rio de Janeiro para São Paulo na van da banda. Contaram uma estória difícil de engolir, sobre Blaze ser excessivamente legal com os fãs, em uma tentativa de explicar a carona. Na verdade, uma pegou o baixista e outra estava com um dos guitarristas. Anos depois, me contaram que nessa aventura, vieram com apenas R$10,00 – somando o dinheiro das duas.

A partir desse dia, por alguns anos, elas sempre vinham do Rio para se encontrar com as bandas em São Paulo. Jovens e sem dinheiro, ainda assim estavam em todos os shows, em todos os hotéis. Por algum tempo, até tentaram disfarçar, mas depois despirocaram de vez e falavam abertamente sobre ter pego esse ou aquele músico, ou até a banda inteira de uma vez, era tipo topa tudo.

Yolanda contou que abordavam algum músico, perguntando se gostaria de transar com elas, as duas de uma vez. Em troca, claro: backstage, viagens, diversão. Poderiam até ter uma vida ruim durante a semana, mas nos finais de semana estavam nos melhores hotéis, comendo e bebendo por conta das bandas, assistindo aos shows de cima do palco, e ainda transavam com os rockstars que muitas desejavam.

Fani dizia “quando você pega um boy na balada, você não transa com ele!? Com banda é a mesma coisa, não muda nada”. Pra dizer a verdade, eu nunca liguei muito para isso. Desde que não atrapalhassem o corre, por mim tudo bem.

Eu conheci muitas groupies no decorrer dos anos, mas essas foram as únicas que simplesmente não viam diferença no tamanho das bandas. Enquanto a maioria desejava – e algumas vezes conseguia - nomes enormes como Jon Bon Jovi, Bruce Dickinson ou Dave Mustaine, para as duas o que importava era a quantidade, então poderia ser uma super banda ou uma bandeca desconhecida, elas estariam da mesma forma, agindo sempre da mesma maneira.


W.A.S.P. e Epica

Kevin sabia quais eram os hotéis, mas preferimos tentar algo diferente: esperar as bandas no aeroporto. Eu já havia pensado nessa possibilidade no ano anterior, quando o Stratovarius tocou no Rio de Janeiro em um dia e em São Paulo no outro. Pareceu lógico esperar pela banda em Congonhas, mas como eu e Natália acordamos tarde, não tivemos a oportunidade de tentar.

Naquele dia, mais uma vez minha casa estava com hóspedes. Alessandra e Lenice vieram de Manaus para assistir o Epica. Eu as convidei para me acompanhar ao aeroporto, mas preferiram continuar dormindo. Quando cheguei, havia uma galera por lá, incluindo Carlos e Kevin.

Eu estava com uma camiseta do W.A.S.P., e a primeira banda a desembarcar foi o Epica. Era a primeira vez que vi Simone Simons frente a frente, ela é muito mais bonita pessoalmente. Nessa época, eu ainda tinha o péssimo costume de abraçar os artistas no momento da foto. Eu a abracei, e ela não se importou. Em corres posteriores do Epica, Simone ficou conhecida por evitar o excesso de proximidade com os fãs, muitas vezes repetindo a já clássica frase "don't touch my hair" (não toque no meu cabelo). Observe que, na foto, meus dedos estavam um pouco entrelaçados no cabelo dela. Totalmente sem querer, mas estavam.

Após tirar foto com a Simone e Yves Huts dentro do saguão, abordei Mark Jansen já do lado de fora, que perguntou se esperávamos o Epica ou o W.A.S.P. Ao menos no meu caso, a resposta correta foi “as duas bandas”. Eu iria ao show de ambas, inclusive. Como era fã há pouco tempo e ainda não conhecia bem a formação, demorei para reconhecer e não consegui fotos com Coen Janssen e Isaac Delahaye. Quando retornei para casa com as fotos, minhas hóspedes dorminhocas arrependeram-se de não me acompanhar.

Simone Simons no auge de seus 25 anos
Yves Huts já saiu da sala de desembarque com o cigarro na mão. Observe que eu estava segurando um álbum do W.A.S.P.
Ariën van Weesenbeek, baterista do Epica
Todos no Epica são legais, mas Mark Jansen é absurdamente legal, sempre!

Quanto ao W.A.S.P., a banda demorou mais algumas horas para desembarcar. Não pude esperar, pois havia combinado algumas coisas com minhas hóspedes. Kevin me disse, entretanto, que todos os músicos foram chatos e não quiseram interação com os fãs que os aguardavam.

O show do W.A.S.P. estava marcado para as 18:00 hs no Santana Hall e o do Epica seria as 22:00 hs no Via Funchal. Acreditando que seria possível assistir aos dois, comprei os ingressos, mas assisti somente o do Epica pois, até às 20:00 hs, o show do W.A.S.P. nem ao menos havia começado, devido a um ataque de estrelismo do Blackie Lawless, que só apareceu para tocar após esse horário. Sei disso porque Kevin descobriu que, no estacionamento ao lado do local, havia uma passagem para os camarins da casa de shows. Então, como era por ali que a banda entraria, era ali que ficaríamos. Mais uma vez, ele não atendeu ninguém.

Um dos rockstars mais insuportáveis, Blackie Lawless não quis nem saber de papo e entrou sem atender ninguém

Desisti de assistir o W.A.S.P., encontrei uma amiga e fomos ao Via Funchal, onde assistimos a um show memorável. Após, fomos ao Hilton, onde a banda estava hospedada, mas parece que todos que estavam no show tiveram a mesma ideia, pois estava lotado de fãs em frente ao hotel. É claro que, desse modo, a banda entrou por alguma entrada alternativa e não atendeu ninguém, totalmente compreensível.

No dia seguinte, bem cedo, voltei ao Hilton com minhas hóspedes preguiçosas para tentar as fotos que faltaram com o Epica. Elas levaram suas câmeras e tiravam foto de tudo e todos. Antes que fossem embora de minha casa, copiei seus cartões de memória. Abaixo algumas das imagens que elas conseguiram:

Yves bebendo e fumando logo cedo. Pode acreditar, isso era 07:00 hs da manhã 
Coen e Simone saindo do hotel
Simone toda feliz ao ser presenteada com uma caixa de Ferrero Rocher por um fã
Yves não parava de fumar
Mark foi o último a entrar na van

Tirei apenas com o Coen e mais uma com a Simone - não costumo tirar duas fotos com o mesmo artista na mesma turnê, a menos que a foto não tenha ficado boa, mas foi irresistível. Isaac demorou demais para aparecer. Os demais integrantes da banda e o pessoal da produção já demonstravam uma clara preocupação com o horário do voo. Então, quando ele apareceu, entrou na van correndo, sem atender ninguém.

Simone é muito linda e estava de ótimo humor
Coen Janssen não se importou de atender a galera

Uma curiosidade sobre este dia é que sempre observei que Kevin levava, além da discografia completa, uma foto para a banda autografar. Todas as vezes em que eu fazia um corre e não tinha um CD ou vinil da banda, tinha o cuidado de comprar um CD para autografar, mas isso era custoso e trabalhoso. Com o MP3 em alta e a venda de CDs em declínio, muitas vezes eu simplesmente não encontrava, quando encontrava não era com a formação atual. Foi o que aconteceu nesse caso: tentei comprar na Galeria do Rock, mas não encontrei nenhum com aquela formação.

Decidi adotar como padrão sempre levar uma foto. Monta-la dava um pouco de trabalho, mas ao menos era barato. Sheila abraçou essa ideia comigo, e como entendia bem mais que eu de Photoshop, criou modelos que utilizo até hoje. Basta uma imagem da banda em alta resolução, uma imagem do logo, e o nome e respectivo instrumento de cada integrante, que o arquivo fica pronto rapidinho. Para ter mais qualidade, mando revelar.


Kevin ainda me chamou para ir ao Hollyday Inn naquela tarde para tentar novamente o W.A.S.P. mas, devido a tudo que aconteceu, não fui. Me arrependi pois eles, incluindo Blackie Lawless, atenderam os fãs, embora de má vontade. A banda demorou 9 anos para retornar ao Brasil. Em 2012 e em 2015 foram anunciados shows no país, que acabaram cancelados pelo mesmo motivo: falta de profissionalismo de Blackie Lawless.

sábado, 20 de março de 2010

Dream Theater

O primeiro corre de 2010, propriamente dito, foi quando o Dream Theater se apresentou no Credicard Hall. Eu e Sheila sabíamos, através de Kevin, que a banda ficaria no Hilton. Como estávamos sem dinheiro para nos hospedar, decidimos ficar em um hotel bem mais barato, o Formula 1 (hoje renomeado para Ibis Budget), que nos deixaria próximos ao hotel onde estava a banda e do local do show.

Ao final da apresentação, tomamos um táxi e conseguimos chegar antes que a banda, mas outros fãs tiveram a mesma ideia. Nenhum músico atendeu, exceto Mike Portnoy, que foi completamente cercado. Ele até tirou algumas fotos, mas era impossível atender a todos. Assim que conseguiu se desvencilhar, entrou também.


Fomos para o nosso hotel e retornamos na manhã seguinte bem cedo. Sem combinar, encontramos alguns amigos que estavam ali pelo mesmo motivo que nós: Deca, Arthur, Adrian e Juliane.

Os integrantes da banda de abertura, Bigelf, saíram do hotel e foram solenemente ignorados por todos. Pra dizer a verdade, eu nem sabia que existia essa banda até a noite anterior. Fosse hoje, eu tiraria foto com eles só por tirar, mas na época eu tirava somente com as bandas que era fã. Percebendo que não iríamos tomar nenhuma atitude, vieram até nós, perguntando:

- Photo? Photo?

Alguém disse “acho que eles querem tirar foto com a gente”. Já que era assim, tudo bem, tiramos.


O Dream Theater veio em seguida. O primeiro a sair, James LaBrie, atendeu todo mundo numa boa. Em seguida, todos os demais integrantes saíram, o que tornou as coisas muito difíceis, pois não éramos em número suficiente para conseguir parar todos. Jordan Rudess e Mike Portnoy também atenderam sem problemas, mas John Petrucci e John Myung aproveitaram para passar direto.

Deca foi até a van e falou com John Myung, que aceitou sair para atender. Quando entrou novamente, as portas se fecharam e a banda seguiu ao aeroporto. Nenhum de nós percebeu que Petrucci já havia embarcado, então não conseguimos conhece-lo nessa oportunidade.

James LaBrie
Jordan Rudess
John Myung
Mike Portnoy