sábado, 12 de março de 2016

Noel Gallagher

Lollapalooza é um festival triste, ao menos para mim. Sei lá como a produção consegue achar tanto artista esquisito que eu nem sabia que existia. Se vem um que quero conhecer já é muito. Neste ano, apenas Noel Gallagher me interessava.

Decidi ir com Carlos ao aeroporto de Guarulhos para resolver logo na chegada. Apesar de recebermos uma boa pista assim que chegamos - havia uma moça segurando uma placa com o logo do festival encostada em uma pilastra no terminal 3 - provavelmente foi uma ideia ruim, pois o aeroporto estava tomado por fãs de Florence and the Machine. Entre eles, o sempre problemático Mário, alguém sem noções mínimas de como ser gente. Ele berra e se joga na frente do artista, pula nos fãs, desrespeita segurança, não tem a menor educação ou limites. LGBT, se acha protegido contra tudo, pois qualquer coisa que fizerem com ele será homofobia. Neste dia tomaria uma lição.

Quando a vocalista de Florence and The Machine desembarcou, fez o que sempre faz: tumultou. O segurança que a acompanhava, entretanto, não estava para brincadeiras. Pediu para Mário se afastar uma, duas vezes. Na terceira foi um belíssimo tapa na orelha, cujo estalo ecoou por todo o terminal dois.

- AIIIIII! Você não pode encostar em mim!

- Posso sim e vou bater de novo se não parar com palhaçada!

Foi a única vez que vi um segurança efetivamente agredir um fã. Já vi ameaçar várias vezes, mas bater foi a primeira vez. Porém, Mário "pediu", assim como "pedia" sempre. Se o segurança precisasse de testemunha, eu seria o primeiro a me oferecer. Logo após a fala acima, comecei a filmar na esperança de ve-lo tomar mais um tapa, mas infelizmente não rolou. Depois deste dia ele sumiu, nunca mais ouvi falar. Graças a Deus! E observe: sou ateu.

Retornei ao portão de desembarque, onde uma galera ainda se aglomerava. Felizmente os fãs mais problemáticos se foram quando a vocalista de Florence and The Machine desembarcou, mas ainda havia muitos fãs de Noel Gallagher, e pior: Anebelle chegou acompanhada por Fernando.

Um japonês, que era um dos seguranças contratados pelo festival passou com o rádio ligado, propositalmente no máximo volume, no meio do corredor onde os fãs se aglomeravam, logo após o portão de desembarque. A voz no rádio dizia que Gallagher desembarcaria no terminal 3. Houve debandada geral, todos os fãs acreditaram e foram. Eu e Carlos permanecemos onde estávamos. Anebelle, que não tirava os olhos de nós, também permaneceu com Fernando, mas apenas por um tempo.

O pessoal da produção montou uma rodinha bem ao nosso lado e fingiu uma conversa, dizendo que o Gallagher realmente desceria no 3. Anebelle escutou e correu para o 3 também. Fernando, que a acompanhava, disse "seja o que Deus quiser" quando passou por nós. Eu e Carlos permanecemos impassíveis, nem ao menos debatemos se deveríamos ir ou não. 

Gallagher encontraria apenas eu, Carlos e Juliana - amiga de Carlos, que ele levou por ser fã de Oasis - parecia ser jogo ganho, aliás muito ganho. No entanto, Gallagher passou rodeado por seis seguranças. Carlos estava segurando um LP e ele viu, mas os seguranças não o deixaram atender. Valeu para dar risada da ingenuidade dos fãs que acreditaram, incluindo Anebelle. Por outro lado, teríamos que fazer o corre novamente...

Carlos aproximou-se dos integrantes da produção que disseram que Gallagher desceria no 3 e disse "Vocês estão pensando que aqui tem trouxa?! A gente faz isso há muito tempo pra cair num papinho desses". Também avisou um amigo que tinha ido ao 3: "o cara acabou de desembarcar no 2". Todos os fãs retornaram putos, querendo bater no segurança nipônico.

Enfim desembarcaram os músicos de Florence & The Machine. Os outros seguranças escoltaram a banda e o segurança japonês para a van. Se não o fizessem, o japonês certamente apanharia, a galera estava muito puta da cara...

Dois dias depois, ainda estava escuro quando eu e Sheila acordamos e saímos de casa, rumo ao aeroporto de Guarulhos. Sabíamos que o embarque seria muito cedo, então daria tempo dela retornar para trabalhar sem chegar atrasada. Havia apenas cinco pessoas esperando por Gallagher: eu, ela, Carlos e mais dois que não recordo. Mais uma vez, pareceu jogo ganho. Será?!

Quando o carro que o trouxe estacionou bem em frente onde estávamos, Noel já desceu dizendo que não tiraria fotos, mas autografaria um ítem por pessoa. Cara babaca do inferno!

quinta-feira, 10 de março de 2016

Lionel Richie

Todas as vezes que veio ao Brasil antes de 2016, Lionel Richie fez base Rio, ou seja: se hospedava no Rio de Janeiro e, quando o show era em São Paulo, vinha para a cidade poucas horas antes de entrar no palco, fazia o show, e retornava ao Rio de Janeiro. O mesmo acontecia com qualquer outra cidade: vinha, fazia o show e retornava ao Rio. Isso inviabilizava qualquer tentativa de conhece-lo pois, utilizando jato privado, descia em algum aeroporto alternativo, como Campinas ou Campo de Marte, onde o acesso seria impossível. O único de nós que já tinha foto com ele é Estéfano, pois, em ocasiões anteriores, foi ao Rio de Janeiro para assistir ao show e fazer o corre.

Desde o corre de Olivia Newton-John, eu e Carlos acreditávamos que desta vez ele poderia até fazer base, mas sairia do país por São Paulo. Tínhamos nossos motivos, que prefiro não revelar. Ainda assim, Jéssica decidiu ir ao Rio de Janeiro para tentar conhece-lo, junto com Marcelo Zava. Conseguiram sem dificuldades.

Jéssica e Lionel Richie, em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro

Richie veio a São Paulo de helicóptero, pousando no campo de Marte. Não tínhamos certeza se ele passaria a noite em um hotel ou se retornaria ao Rio. A ideia inicial minha e de Carlos era conseguir alguém que tivesse carro e estivesse disposto a segui-lo após o show. Como o Japonês mandou mensagem, e ele tem carro, decidimos utiliza-lo.

Eu, Sheila e Carlos nos reunimos na Galeria dos Pães, uma padaria próxima aos hotéis Fasano e Emiliano, que mais parece um shopping center, pelas inúmeras opções oferecidas e pela movimentação de clientes. Era um local estratégico, relativamente próximo ao Ginásio do Ibirapuera, onde o show aconteceu. Era melhor já estarmos na rua, prontos para agir.

Pedimos um lanche e, enquanto comíamos, discutimos a situação de Marcio. Até esse dia, ele fazia alguns corres conosco, mas tem a péssima mania de fazer broadcast, ou seja, espalhar informação. Na maioria das vezes, quem surgia com informação era eu ou Carlos. Passa-la para Marcio era o mesmo que divulgar na página do fã clube da banda ou do artista em questão. Gostamos de fazer corres com ele, é um cara legal e engraçado, mas não dava mais, então teríamos de lhe dar um ultimato: "ou você anda com a gente, ou você faz broadcast", sem meio termo.

Ele sempre negava, mas sabíamos que era mentira. Em 2011, por exemplo, eu estava a caminho do hotel onde estava o Red Hot Chili Peppers, quando Anebelle apareceu. Ela não sabia onde a banda poderia estar, então enviei uma mensagem para Marcio, dizendo "a banda está no hotel tal, NÃO passe para Anebelle". Não se passou nem 20 segundos e Anebelle disse que descobriu o hotel. Perguntei como, e ela me mostrou a mensagem que Marcio enviou. Não foi o único exemplo, aconteceu em várias outras ocasiões. 

Marcio sempre municiou com a nossa informação os que não sabem fazer corre, ou os que são vagabundos o bastante para ficar em casa esperando pela informação mastigada. Estava na hora disso acabar, não era mais possível confiar nem passar informações para ele, mas ainda oferecemos a chance de escolha. Como continuou negando que fazia broadcast, mesmo diante de todas as evidências, desse dia em diante nunca voltamos a fazer corres com ele. Continuamos amigos, conversamos sempre que nos encontramos, mas informação nossa ele não tem mais. 

Fomos interrompidos por uma mensagem de Jéssica, que nos informou o hotel correto. Com essa informação, começamos a discutir se deveríamos ou não avisar o Japonês, quando Sheila nos passou a maior lição de moral: "agora que vocês não precisam mais dele, não vão avisa-lo?! Vão sim!". Meio a contragosto, avisamos...

Após o show, estávamos em frente ao hotel quando um carro suspeito chegou. Dele, desceu um assessor gringo, que perguntou se alguém falava inglês. Sheila se ofereceu e iniciamos uma conversa, onde ele tentou orientar sobre como deveria ser nossa abordagem. Pediu, entre outra coisas, para ninguém gritar ou fazer escândalo, por exemplo. Até parece, isso é coisa da Anebelle e dos hunters do bem, mas felizmente não havia sinal deles naquela noite.

Vi quando Lionel desceu do carro e entrou calmamente no hotel, sem ser incomodado. Acreditei que os outros o chamariam, não o chamei para não ser indelicado com o assessor. Éramos 6 pessoas no local e eu e Sheila estávamos ocupados. As outras quatro, ao invés de prestar atenção no carro, tentaram ouvir a conversa e nem perceberam o que aconteceu. Era o fim do corre para Sheila. No dia seguinte, eu, Carlos e Japonês tentaríamos novamente, mas ela não poderia, pois estaria trabalhando.

Como sabíamos que Zava tentaria mais uma vez no hotel, e que outras pessoas também sabiam onde ele estava (havia dois aleatórios no dia anterior, lembra?!) e poderiam disseminar a informação, preferimos tentar no aeroporto. A estratégia deu certo: éramos os únicos. O problema é que aquela foi uma tarde um tanto chuvosa, o que causou o fechamento temporário, com atrasos de pousos e decolagens. Quando Lionel saiu do hotel, fomos informados por Zava que ele atendeu a todos.

Quando o carro chegou, ele demorou mais de meia hora para descer. Nós esperávamos calmamente, mas admito que é difícil, pois não havíamos entendido ainda o motivo de tanta demora. Uma das mulheres da produção que estava com ele é minha amiga, ela veio conversar conosco e disse que, devido ao atraso, a companhia atrasou o horário de check-in, e que estava aguardando abrir, para que pudesse fazer os trâmites, enquanto ele seguiria diretamente para o portão de embarque.

Quando ele desceu, estava falando ao celular. À distância,  Carlos mostrou os discos, e ele comentou "preciso desligar para falar com meus fãs". No maior bom humor, olhou para Carlos e disse algo como "é claro que vou assinar, você já me deu muito dinheiro", referência à quantidade de álbuns que ele carregava. Após assinar todos, era o momento das fotos. A produção estava tão de boa com a gente que, neste momento, era apenas nós e ele, todos já haviam entrado para fazer os trâmites.

Hello!

Anebelle, hunters do bem, e seja lá mais quem quisesse uma foto com ele, felizmente todos acreditaram que ele sempre fez base Rio, e nem ao menos saíram de casa, simplesmente assumiram que seria impossível tentar. Eu e Carlos calculamos todas as variantes, descobrindo a brecha que tornou possível conhece-lo. Todos perderam, nós vencemos! Isso exigia algum tipo de comemoração, então instituímos que sempre que conseguíssemos uma foto difícil, comemoraríamos com Stella Artois. Como não bebo, e não havia ninguém para tirar a foto, fiquei o responsável por fazer a selfie.


Essa imagem caiu como uma bomba atômica no universo dos hunters. A informação de que havíamos conseguido logo se espalhou. Anebelle ligou chorando para Estéfano, perguntando porque ele havia mentido sobre a base Rio, mas nem mesmo ele sabia que desta vez seria diferente. Jonas mandou textão para o japonês, dizendo que queria muito essa foto, que ele sempre o ajudava, e que esperava mais dele, pois não foi ajudado. Diferentemente de Marcio, entretanto, Japonês não usa a informação dos outros para fazer broadcast.

Esse, enfim, foi o corre que separou os homens dos meninos, os hunters dos pedidores de hotel. Anos se passaram e ainda há lamentos e comentários sobre o que aconteceu. Grande dia! 👍

quarta-feira, 2 de março de 2016

Olivia Newton-John

O corre da eterna parceira de John Travolta, Olivia Newton-John parecia fácil. Bastaria esperar no aeroporto, conseguir a foto e o autógrafo, e fim. Enquanto esperava, consegui um bônus, pois o narrador Galvão Bueno desembarcou. Muita gente dizia que ele é antipático, mas foi de boa. Você pode até não gostar dele, mas é uma parte importante na história esportiva brasileira: "Sai que é tua, Tafarel!!!", "Ronaldiiiiiiiiiiiiinho!", "Ayrton, Ayrton Senna do Brasil", "Acabooooou! Acabooooou! Acabooooou! É tetraaaaaaaa! É tetraaaaaaaa! É tetraaaaaaaa! O Brasil é tetra campeão mundial de futebol", e tantos outros bordões criados por ele que jamais sairão de nossas memórias...


Quando Olivia desembarcou, a abordei e entreguei a foto. Ela autografou e devolveu. Era só tirar a foto com ela, e fim. O problema foi o bando de idiotas que fizeram aquele corre. Ninguém sabia esperar a vez. Ela não estava me atendendo?! Esperasse terminar! Mas não, todos a cercaram, de forma tão desesperada e agressiva, que certamente a assustou. Pior: mais louca do que nunca, Anebelle, que normalmente já não sabe esperar a vez, neste dia resolveu cutuca-la insistentemente, a ponto de o marido de Olivia, John Easterling, interferir e praticamente arrasta-la para o carro que os aguardava. Foi uma das piores recepções de fãs a artistas que já presenciei. 

John Easterling, Olivia Newton-John e um dos músicos da banda da cantora

Os hunters do bem tomaram um táxi e seguiram o carro. Eu e Marcelo Zava não fomos tão ágeis, pois o carro dele estava estacionado um pouco distante. Como não sabíamos o hotel que ela ficaria, combinamos com o Japonês, que também estava de carro, que iríamos para os hotéis da região da Avenida Paulista, enquanto ele verificaria os da zona sul. Estávamos certos, pois um dos hunters do bem, passou a informação de qual era o hotel correto para Marcelo Zava, e era na região para onde estávamos a caminho. Avisamos o Japonês e seguimos para lá.

Anebelle, também de carro, teve o mesmo problema que eu e Zava, ou seja, carro estacionado longe. Como ninguém lhe passaria a informação, fez o que chamamos de via-crucis, indo de hotel em hotel até encontrar. E, infelizmente, encontrou. Apesar de toda confusão que causou no aeroporto, ela conseguiu foto com Olivia. Não satisfeita, achou que não ficou boa, e estava querendo tirar mais uma. Oh, meu saco! 😠

Quando Olivia saiu para jantar, eu estava fumando fora do hotel. Zava, Japonês e mais alguns a esperavam dentro do hotel, próximo ao elevador, e conseguiram. Anebelle também. Mais uma vez, a cena do aeroporto se repetiu, mas ainda assim ela conseguiu a segunda e a terceira foto. Novamente, a doida achou que nenhuma ficou boa, e queria mais. Acuado, o marido mais uma vez interveio, saiu apressado do hotel com Olivia, se pôs na frente dela para que ninguém a abordasse, e solicitou auxílio dos seguranças do hotel.

Eu e Carlos nos aproximamos para conversar com ele, mostrando um comportamento civilizado, que a maioria de quem estava ali jamais seria capaz de demonstrar. Ele disse que sentia muito, mas que a esposa não atenderia ninguém enquanto a doida estivesse ali. Não seria nada fácil, já que a maluca nunca larga o osso...

Sheila, que havia saído há pouco do trabalho, chegou ao hotel, mas disse que não ficaria, pois faria uma visita à minha mãe, que estava internada em um hospital. Me chamou para ir com ela, mas não aceitei. "É sua mãe! Você deve isso a ela!". Penso um pouco diferente: tive mais de 40 anos para falar o que quiser com ela, e ela comigo, e realmente falamos, éramos próximos. Uma hora a mais, que era o tempo autorizado para visita, não faria diferença alguma, e logo ela estaria em casa. Não fui e não me arrependi, embora ela tenha falecido três meses depois. Mantenho a posição: ter uma hora a mais com ela não faria diferença alguma.

Infelizmente nada mais aconteceu, pois arrumaram um esquema para que Olivia retornasse pela garagem, onde não havia a menor chance de contato. Pior: no dia seguinte, tive que fazer meu papel de marido e acompanhar Sheila em um exame que exigia a presença de acompanhante. Se houvesse tempo, tentaria mais uma vez. Porém, assim que o exame finalizou, recebi uma mensagem da Jéssica, comunicando que Olivia saiu do hotel, e atendeu os cinco fãs - Anebelle não estava lá - na maior má vontade. Infelizmente compreendo o porquê. Nos desculpe por isso, Olivia! Bem que gostaríamos que a doida sumisse para sempre, ela sempre nos atrapalha. Mas era a primeira vez que atrapalhou a ponto de eu não conseguir.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Enforcer - o corre que não deveríamos ter feito

A bem da verdade: até então eu e Carlos nunca ouvimos falar em Enforcer. Carlos, inclusive, achava que era uma banda nacional. Mas era fevereiro, período de poucos corres, logo depois da abstinência de shows de dezembro e janeiro, então fomos. Antes, demos uma passada em um bazar fit beneficente organizado por Karina Bacchi para arrecadar fundos para a ONG Florescer. Conseguimos a foto com Karina e seguimos para o Inferno Club, onde aconteceria o show. Leo e Ellen também estavam lá tentando conseguir as fotos.

Logo que a passagem de som terminou, três integrantes saíram da casa, separadamente. Um a um, os abordamos, e todos tiraram fotos conosco, mas foram chatos demais para uma banda série D. Bandas tão pequenas geralmente são mais legais, mas todos pareceram não estar muito a fim de interagir com ninguém. O baterista, entretanto, demorou demais para sair. Quando saiu, Ellen e Leo o abordaram e conseguiram a foto. Eu e Carlos estávamos um pouco afastados, tentamos nos aproximar, mas ele rapidamente atravessou a rua Augusta e foi direto para um estacionamento.

Nós o seguimos, mas ficamos sem graça de entrar, pareceu um pouco invasivo. Estávamos na porta, quando algum amigo saiu do estacionamento e disse:

- E aí, Adriano. Já conseguiu as fotos?

- Falta com o baterista ainda.

- Eles estão sem fazer nada, aguardando o manobrista buscar a van.

Agradeci a informação e decidimos entrar. O baterista estava encostado em uma pilastra. Eu o abordei e perguntei se poderíamos tirar uma foto. A resposta: "maybe after show". O corre terminou ali, para mim e para Carlos. Tivemos que assumir a maior mancha de nossas carreiras: acabamos de levar naba de alguém de uma banda série D.

Olof Wikstrand, vocalista e guitarrista do Enforcer
Tobias Lindqvist, baixista do Enforcer
Joseph Tholl, então guitarrista do Enforcer. Ele saiu da banda em 2019

Karina Bacchi

A edição tupiniquim da revista Playboy foi criada em 1975 pela Editora Abril, que negociou o lançamento da edição brasileira com a direção da Playboy nos Estados Unidos. Em pleno governo militar, com a imprensa sob censura prévia, foi necessário conseguir o aval do então Ministro da Justiça, Armando Falcão, que recebeu garantias de que os ensaios seriam mais comportados e que o conteúdo editorial seria "muito mais intelectual e sofisticado que qualquer revista que circulava no país". Ainda assim, inicialmente, o plano foi vetado, pois o ministro declarou que "não poderia fazer nenhuma revista com o nome Playboy no Brasil, não importava o conteúdo". Observando uma brecha, a editora reenviou os planos sob o título "A Revista do Homem", conseguindo a aprovação.

Com a abertura política iniciada no governo Geisel, em 1978, a revista finalmente passou a se chamar Playboy no Brasil. Com efeito, os ensaios com as brasileiras eram mais artísticos e comportados, apenas de vez em quando aparecia um seio ou uma bunda desnuda. Os primeiros ensaios mais ousados das brasileiras, que mostravam os pelos pubianos, só começaram a aparecer lá por 1980.

Em uma década onde a depilação genital definitivamente não era um padrão, lembro a polêmica que houve com o ensaio de Terezinha Sodré, que era depilada. Em 1986, a revista manipulou as fotos, com as técnicas existentes em uma época em que o Photoshop não existia, inserindo pelos pubianos na área onde deveriam estar, a fim de "manter a intimidade de Terezinha" (wtf?!). Mostrar pelos era ok. Vaginas, jamais!

Ainda demorou 20 anos para que esse padrão fosse quebrado. Em 2006, a revista já agonizava com baixa vendagem, resultado direto da concorrência com o conteúdo diferenciado e a pirataria proporcionados pela internet. Ninguém estava mais interessado em pagar pela revista: mal era lançada nas bancas, e as fotos já começavam a pipocar em algum site ou grupo de discussão.

O ensaio de Karina Bacchi, em 2006, não apenas revelava sua vagina, como também uma surpresa adicional: um piercing digital. Deu o que falar e a revista foi uma das campeãs de vendagem, com 278.422 exemplares comercializados. É pouco se comparado com a campeão absoluta de vendas no país, a edição de dezembro de 1999, que trouxe Feiticeira (Joana Prado) na capa e no ensaio principal - foram mais de 1.247.000 cópias vendidas - mas, enfim, os tempos eram outros. Em 1999 eram poucos os usuários da internet no Brasil e não havia opções de banda larga para usuários comuns - a primeira opção, o Speedy, da Telefonica, foi lançada em São Paulo em 2000.

Dois anos depois do ensaio de Karina Bacchi, comecei a fazer corres. Quando fiquei bom o bastante, coloquei o nome dela em uma lista de celebridades que eu gostaria de conhecer. A oportunidade surgiu em 2016, quando ela anunciou no Instagram que faria um bazar fit para arrecadar fundos para a ONG Florescer. Fui até lá com o Carlos, e conseguimos, muito fácil. Depois, seguimos para o corre do Enforcer.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Tankard

Entre 2016, quando o terminal 3 do aeroporto de Guarulhos foi inaugurado e 2020, quando houve a pandemia de COVID-19, monitorar voos vindos da América do Sul era complicado. Quase todos os voos internacionais, especialmente de ou para Europa e Ásia partiam e chegavam no terminal 3, mas os voos que partiam ou chegavam de países como Chile, Argentina ou Colômbia poderiam ser tanto no terminal 3 como no terminal 2. Muitas vezes havia voos da mesma cidade chegando ou partindo ao mesmo tempo ou com diferença de cinco ou dez minutos em terminais diferentes.

O Tankard vinha de Santiago e havia voos chegando tanto no terminal 2 quanto no terminal 3, praticamente no mesmo horário. Sem saber o que fazer, eu, Ellen e Janice utilizamos o avançado método "unidunitê" para escolher monitorar o desembarque do voo que chegava no terminal 3. Mais de meia hora passou-se após o pouso, então percebemos que praticamente todos os passageiros do voo já tinham desembarcado, e que a possibilidade da banda ainda estar lá dentro resolvendo algum problema alfandegário era baixa.

Decidimos correr ao terminal 2 para ver se era possível monitorar o final do desembarque do voo que pousou lá. Quando chegamos, eu e Ellen fomos diretamente ao portão de desembarque, enquanto Janice foi verificar a parte externa do terminal. Ela retornou desesperada, dizendo que tínhamos perdido, pois conseguiu ver os últimos músicos entrando na van, que fechou a porta e partiu. Na tomada de decisão mais rápida da história, Ellen decidiu tomar um táxi e seguir a van. Eu e Janice não tínhamos dinheiro para ajudar, mas Ellen não se importou em nos levar. O motorista também ajudou dando uma acelerada, então não demorou para estarmos logo atrás da van.

A van seguiu diretamente para o Hangar 110, onde o show aconteceria. Assim que estacionou e os músicos começaram a desembarcar, Ellen rapidamente pagou o motorista -  foi uma paulada: R$160,00! - enquanto eu e Janice descemos e tentamos impedir que entrassem na casa de shows até que Ellen também conseguisse as fotos. Eu e Janice fizemos o trabalho direito e todos conseguimos fotos e autógrafos com toda a banda.

Andreas "Gerre" Geremia, vocalista e fundador do Tankard
Andreas "Andi" Gutjahr, guitarrista do Tankard desde 1999
Frank Thorwarth, baixista e fundador do Tankard. A luz estourou na imagem, mas foi o que deu pra conseguir na correria 
Olaf Zissel, baterista do Tankard desde 1994

Lucas, da Overload, produtora responsável por trazer a banda ao Brasil, ficou puto ao nos ver abordando os músicos. Embora a ideia do táxi tenha sido da Ellen, ele marcou somente a minha cara e ficava mais puto ainda quando me via nos hotéis: "esse cara pagou um táxi para seguir a banda"... Quem dera eu tivesse dinheiro para faze-lo. 😁

Antes de sair do local, fui encontrado sem querer por alguns amigos que lá estavam para ver o show. Um deles, que até então eu só conhecia pelo Facebook - mas sempre conversamos bastante - era o Jeffão. Tirei uma foto com ele e os amigos dele para marcar o momento. Ele faleceu dois anos depois, vítima de pancreatite. Foi a única vez que nos encontramos.

Jeffão era o barbudo imediatamente ao meu lado. Esteja onde estiver, que descanse em paz!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Claudia Ohana

Conhecer Claudia Ohana era um sonho antigo, não apenas por ser uma atriz talentosa mas, principalmente, por ser musa de minha adolescência. Quem viu o ensaio dela na Playboy de fevereiro de 1985 sabe do que estou falando: em uma época onde não depilar as partes íntimas era absolutamente natural, Ohana chamou atenção pela quantidade absurda de pelos pubianos.


Após monitora-la durante algum tempo, finalmente surgiu a oportunidade, pois a peça "Uma Luz Cor de Luar", estrelada por ela, estreou em São Paulo, no Shopping Eladorado. Fui para o teatro com a Jéssica e, após o fim da peça, esperamos algum tempo até que ela aparecesse. Não sei porque, mas imaginava que fosse mais alta. Encontrei uma mulher mignon e extremamente simpática. Com certeza valeu a pena tentar conhece-la... e conseguir!

Como bônus, uma foto com seu companheiro de elenco Bernardo Mesquita