sábado, 20 de março de 2010

Dream Theater

O primeiro corre de 2010, propriamente dito, foi quando o Dream Theater se apresentou no Credicard Hall. Eu e Sheila sabíamos, através de Kevin, que a banda ficaria no Hilton. Como estávamos sem dinheiro para nos hospedar, decidimos ficar em um hotel bem mais barato, o Formula 1 (hoje renomeado para Ibis Budget), que nos deixaria próximos ao hotel onde estava a banda e do local do show.

Ao final da apresentação, tomamos um táxi e conseguimos chegar antes que a banda, mas outros fãs tiveram a mesma ideia. Nenhum músico atendeu, exceto Mike Portnoy, que foi completamente cercado. Ele até tirou algumas fotos, mas era impossível atender a todos. Assim que conseguiu se desvencilhar, entrou também.


Fomos para o nosso hotel e retornamos na manhã seguinte bem cedo. Sem combinar, encontramos alguns amigos que estavam ali pelo mesmo motivo que nós: Deca, Arthur, Adrian e Juliane.

Os integrantes da banda de abertura, Bigelf, saíram do hotel e foram solenemente ignorados por todos. Pra dizer a verdade, eu nem sabia que existia essa banda até a noite anterior. Fosse hoje, eu tiraria foto com eles só por tirar, mas na época eu tirava somente com as bandas que era fã. Percebendo que não iríamos tomar nenhuma atitude, vieram até nós, perguntando:

- Photo? Photo?

Alguém disse “acho que eles querem tirar foto com a gente”. Já que era assim, tudo bem, tiramos.


O Dream Theater veio em seguida. O primeiro a sair, James LaBrie, atendeu todo mundo numa boa. Em seguida, todos os demais integrantes saíram, o que tornou as coisas muito difíceis, pois não éramos em número suficiente para conseguir parar todos. Jordan Rudess e Mike Portnoy também atenderam sem problemas, mas John Petrucci e John Myung aproveitaram para passar direto.

Deca foi até a van e falou com John Myung, que aceitou sair para atender. Quando entrou novamente, as portas se fecharam e a banda seguiu ao aeroporto. Nenhum de nós percebeu que Petrucci já havia embarcado, então não conseguimos conhece-lo nessa oportunidade.

James LaBrie
Jordan Rudess
John Myung
Mike Portnoy


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Kevin Mitnick

Kevin Mitnick era uma das atrações da Campus Party 2010. Veio para uma palestra chamada “A arte de enganar”, onde falou sobre a inutilidade de tecnologias de proteção quando o atacante (hacker) realmente quer invadir. Para quem, como eu, acessava a Internet desde o começo da operação comercial no Brasil, com Windows 95, modem de 33.600 e conexão pelo telefone, ele era uma lenda. Foi um hacker mundialmente conhecido que, embora tivesse profundos conhecimentos de phreak, programação e técnicas de invasão de sistemas, usou a engenharia social como principal método para obter informações como nomes e senhas de usuários. Sua trajetória - incluindo sua captura pelo FBI - foi tão notável, que foi retratada no filme “Hackers 2 - Operation Takedown”. Recomendo fortemente para quem não conhece. Hoje em dia, Kevin trabalha em uma empresa de segurança de sistemas.

É claro que eu queria conhece-lo e conseguir uma foto com ele, mas ainda não tinha as habilidades necessárias, então comprei o ingresso e torci para que fosse possível conseguir no evento. Na verdade, eu queria ser como Kevin – o outro – que simplesmente sabia todos os hotéis das bandas, como se fosse mágica.



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

AC/DC

Lá estávamos novamente hospedados em nosso hotel predileto. Conseguimos a confirmação de que o AC/DC ficaria no Hilton duas semanas antes, quando nos hospedamos para tentar conhecer o pessoal do Twisted Sister, e um dos funcionários nos confirmou que Angus e os outros músicos também ficariam lá. Na mesma hora, fiz a reserva. Não fosse pelo Stratovarius, que em 2009 ficou no Mercure Moema (que então chamava-se, se não me engano, Parthenon), eu começaria a achar que o Hilton era o único hotel utilizado pelas bandas que tocavam em São Paulo. Todas as outras que tentei conhecer ficaram lá: Iron Maiden, Motörhead, Heaven & Hell, Twisted Sister e, agora, AC/DC.

No dia do show, Angus desceu com a esposa para o bar do térreo, mas a chance de contato foi zero, pois os seguranças que o acompanhavam não permitiram qualquer aproximação. Quando a banda saiu para o show, apenas eu, Sheila e Ricardo Pacheco estávamos no local por onde passou Brian Johnson, sozinho, sem segurança. É claro que o chamamos, mas ele não parou, apenas disse que estava atrasado e que nos atenderia no dia seguinte. Confiamos e o deixamos em paz.

Apenas um ano antes, em 2008, a HoundsTV.com postou um pequeno vídeo do vocalista do AC/DC sendo questionado por um fã se ele já havia se aproximado de alguém para pedir um autógrafo. "Sim, eu pedi para Chuck Berry uma vez em 1975", respondeu Brian. "Ele foi o maior babaca que já vi na minha vida - o homem mais rude que eu já conheci. Ele disse que assinava um autógrafo por dia e que, naquele dia, ele já tinha cumprido sua cota. Eu não quero ser um cuzão como ele foi".


O show foi absurdo em todos os sentidos, a começar pela venda dos ingressos. Lembro que fiquei  insanas nove horas tentando compra-los pela internet e mal acreditei quando consegui. Já no Morumbi, cometemos o erro de permanecer até a última música e, de onde estávamos, na arquibancada, foi possível ver que a van da banda deixou o estádio assim que o primeiro fogo de artifício pós show estourou. Como saímos junto com todos os fãs, foi muito difícil conseguir um táxi para o hotel, então chegamos muito depois da banda e, naquela noite, nada mais aconteceu.

No dia seguinte, cerca de 10 fãs hospedados aguardavam pela saída da banda. Um dos seguranças que acompanhava os integrantes veio falar conosco, alegando que a banda atenderia, mas apenas fora do hotel. Isso não parecia fazer sentido, mas ainda assim confiamos. Se somando aos de fora, eram 22 fãs.

Os seguranças do hotel, a pedido dos seguranças da banda, instalaram algumas grades de isolamento. Eis que surgiu o gigantesco baixinho. Angus Young foi um dos mais simpáticos, atendeu a todos com calma, a única exigência - feita pelos seguranças, não diretamente por ele - é que ele assinaria apenas um item por pessoa. Por mim, sem problemas, eu só estava com o Back In Black.



Malcom foi o segundo a sair, mas apenas olhou em nossa direção antes de embarcar na van. Por algum tempo acreditei que ele fosse mala. Eu não sabia que já estava doente e que estaria morto poucos anos depois, após sofrer de demência por um longo período.

Malcom apenas deu uma olhada rápida, mas entrou na van sem atender ninguém

O terceiro foi Phil Rudd, que veio até nós, mas não quis tirar fotos. Ao menos autografou um item de cada fã. Sheila aproveitou para tirar a minha primeira FOTASSA.

Phil Rudd assinando meu Back In Black
O quarto foi o simpaticíssimo Cliff Williams que, como Angus, atendeu a todos com calma e atenção

Restava Brian Johnson cumprir o que nos prometeu no dia anterior. Quando saiu, foi ainda pior do que Malcom, pois nem ao menos olhou antes de embarcar apressado. Brian foi conosco, assim como Chuck Berry fora com ele, um cuzão. Com a banda completa, a porta foi fechada, e a van seguiu rumo ao aeroporto. O final do corre estava decretado.

Kevin ainda nos chamou para ir do hotel ao Manifesto Bar tentar conseguir fotos com o Skid Row, que se apresentava naquela tarde, mas estávamos cansados e com visita em casa. Dois amigos, Alexandre e Jee, vieram do Rio de Janeiro e Manaus apenas para a ocasião. Passaram dois dias conosco no hotel, mas certamente não aguentariam mais algumas horas de correria. Acabei deixando para lá. No entanto, foi uma má decisão, pois desde então o Skid Row nunca retornou ao Brasil. Até foi confirmada uma turnê em 2013, mas provavelmente devido à baixa vendagem, as apresentações que a banda faria no país foram canceladas.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Twisted Sister

O Twisted Sister se apresentaria pela primeira vez no Brasil. Como eu me hospedaria, utilizei o banco de horas do serviço para não trabalhar na tarde daquela sexta-feira. Para chegar ao Hilton de transporte público era complicado, pois ainda não havia a linha amarela ligando o metrô à CPTM, então eu e Kevin usamos a ponte orca para chegar ao trem.


Quando chegamos no hotel, fiz o check-in e decidimos esperar no bar do térreo. Estávamos lá, conversando e petiscando, quando o Supla apareceu. Mal chegou e veio falar com a gente, fazendo algum comentário sobre a minha camiseta do Iron Maiden. Disse também que havia acabado de entrevistar Dee Snider. Foi tão legal que não teve como não tirar uma foto, tornando-se, assim, o meu primeiro bônus.


Pouco depois, o gigantesco baixista, Mark "The Animal" Mendoza, saiu do elevador e caminhou em nossa direção. Já estávamos levantando para aborda-lo, mas ele nos manteve sentados com um sonoro “sit down”. No entanto, foi apenas uma brincadeira, já que ele é dos caras mais legais que conheci. Veio até nós, tirou foto e autografou tudo que tínhamos. O problema é que, apesar da discografia lançada pela banda nos anos 80 ter apenas cinco álbuns, Kevin levou 25, vários repetidos. No dia seguinte, não apenas tinha todos autografados por todos os integrantes como, não contente, foi à Galeria do Rock e comprou mais alguns álbuns e um pôster. A banda pareceu não se importar, e quase todos os integrantes realmente demonstraram estar felizes em tocar no Brasil e de ter a oportunidade de interagir conosco.

Não demorou e os demais músicos, exceto Dee Snider, apareceram. Como havia alguns fãs fora do hotel, fomos para lá. Não foi como tinha sido com o Iron Maiden ou com o Motörhead, quando quase sempre havia um integrante da produção ou algum segurança para que as coisas acontecessem o mais rápido possível. A banda passou a tarde conosco, tirou fotos, deu autógrafos, distribuiu fotos autografadas - que trouxe apenas para presentear os fãs - e fez questão de tirar uma foto conosco, que ilustrou a página principal do website da banda.

Eddie Ojeda, guitarrista do Twisted Sister
A. J. Pero, hoje falecido, era o baterista do Twisted Sister 
Jay Jay French, guitarrista do Twisted Sister

Quando saiu do serviço, Sheila juntou-se a nós e também conheceu todos, incluindo Dee Snider, que finalmente apareceu. Destoando dos demais, não foi muito simpático. Mas atendeu e isso é o que importa.

Dee Snider, vocalista do Twisted Sister
No dia seguinte, muitos fãs esperavam fora do hotel. Quando a banda saiu para passar o som, a cena se repetiu: muita simpatia, fotos, autógrafos, brincadeiras, caras e bocas. Até mesmo Dee Snider parecia estar de bom humor. Mark Mendoza pegava as mulheres no colo para posar para fotos, e enforcava os homens.

Mark "The Animal" Mendoza, baixista do Twisted Sister
A essa altura, alguns rostos bem conhecidos haviam aparecido. Ricardo e Fátima Pacheco vieram do Rio de Janeiro especialmente para a ocasião. Deca também se juntou a nós. Estávamos todos no bar do hotel quando anunciei que subiria ao quarto para deixar algumas coisas e, então, seguiríamos para o show. Quando retornei, Kevin, que não estava hospedado, perguntou se poderia deixar algumas coisas no nosso quarto.

Quando o conhecemos, no dia do Motörhead, Sheila me disse que o havia achado chato. Ele tomava conta da conversa, falando alto, demais e sem parar, sem dar espaço para os outros. A princípio eu não concordei, mas naquela situação foi exatamente o que aconteceu. Eu começava a concordar: Kevin é chato! Não demorou para que esse fosse o apelido dele. Até mesmo na agenda de contatos do celular, eu o cadastrei como Kevin Chato. Curioso foi descobrir que não fui o único que teve essa ideia: ele também está como Kevin Chato no celular do Carlos. E é unânime, não há quem o conheça que seja capaz de discordar.

Após o show, houve uma última surpresa: a banda percebeu que muitos fãs a aguardavam fora do hotel, e encomendou algumas pizzas para eles. As letras TS foram cuidadosamente “impressas” em cada uma com ketchup ou maionese, quando salgada, ou com leite condensado, quando doce. Achei sensacional, pois os músicos mostraram saber que muitos fãs passam horas tentando algum contato, vão ao show e, às vezes, passam o dia sem se alimentar direito. Embora eu não precisasse, achei de uma gentileza sem tamanho, um profundo respeito pelos fãs.

Twisted Pizza
Naquela noite, conhecemos o tour manager da banda, Danny. Ele nos contou que o dinheiro de todos acabou, então foi essa a motivação que finalizou qualquer atrito entre os integrantes e os colocou novamente na estrada. Melhor para nós, o importante é que estavam de volta, prontos para chutar bundas e nos pagar pizza!

Danny era o tour manager do Twisted Sister

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Stratovarius

Natália, uma amiga de Vitória (ES), veio para esse show e ficou hospedada em minha casa. Como eu estava de folga no serviço devido ao falecimento de meu avô paterno, de tarde fomos ao Citibank Hall, em Moema. Na fila, acabei encontrando Leo e Kevin. Kevin disse que sabia onde a banda estava. Bem na frente do local, havia um hotel Mercure (na época chamava-se, se não me engano, Parthenon) e, incrivelmente, era lá. Quando saíram para passar o som, pouco antes de chegarmos, os integrantes simplesmente atravessaram a rua e entraram na casa de shows. Nós não vimos, mas o pessoal da fila estava comentando, e Kevin escutou.

Kevin propôs que encontrássemos mais uma pessoa e, em três, dividíssemos o valor da diária. Não poderia ser Natália, pois ela não tinha dinheiro, mas eu aceitei. Faltava encontrar a terceira pessoa. Ele saiu procurando na fila e logo encontrou alguém, Carla, disposta a dividir. O plano não era pernoitar. Hospedados, ninguém poderia nos expulsar do hotel, então poderíamos conseguir as fotos em paz.

Eu, Natalia, Carla e um pessoal que conhecemos no show
Quando o show acabou, liguei para Sheila e disse que passaria algum tempo no hotel da banda. Ela não compreendeu bem o fato de termos um quarto à nossa disposição. Ele nem seria utilizado, mas enfim, uma crise de ciúme adiou meus planos, fazendo-me aguardar outra oportunidade. Me despedi dos amigos e voltei para casa com Natália.

Kevin, Carla e meu substituto, André, conseguiram fotos e boas histórias com todos. Kevin sempre conta que ensinou algumas palavras ao tecladista, Jens Johansson, a pedido dele. Como a banda estava hospedada no hotel em frente ao local do show, ficou por algum tempo atendendo os fãs que ainda estavam ali. Sempre que um homem abordava Jens, conseguia a foto. Jens, entretanto, não era tão bondoso quando se tratava de uma mulher. Ele dizia “não”, fazendo caras e bocas. Ela insisitia. Ele dizia “não” novamente. Ela insistia mais um pouco e ele disparava, em português: “Ok! Mostre-me sua buceta”. Claro que depois da piada ele atendia, mas vale o registro da estória.


sábado, 16 de maio de 2009

Heaven & Hell

Houve o show do Heaven & Hell, cuja formação continha apenas integrantes e ex integrantes do Black Sabbath, incluindo o glorioso Ronnie James Dio. O show não me interessava, mas conhecer Dio era um sonho. Entrei em contato com Kevin, que disse que a banda ficaria no Hilton, e que se hospedaria para tentar conseguir as fotos. Convidou-me para dividir os custos de uma diária com ele, mas eu nem teria como pensar nisso, pois ainda estava descapitalizado devido à “turnê” com o Iron Maiden.

Eu e Sheila fomos de tarde, no dia do show. Ao chegar, encontramos alguns fãs que aguardavam a banda em frente ao hotel. Destaca-se que foi esse o primeiro corre que encontrei o Felipe Godoy (alguém que será citado bastante). Nem demorou muito e Vinny Appice saiu para atender a galera. Simpático, tirou fotos, autografou e brincou com todo mundo.


Foi então que Dio apareceu e pudemos vê-lo através dos vidros do hotel. Ele seguiu para o bar, onde estavam Kevin e outros fãs hospedados. Dio sempre foi conhecido por sua simpatia, e na ocasião não foi diferente, pois tirou fotos e distribuiu autógrafos. Ao terminar, pediu uma bebida e ficou conversando com Kevin, que lhe disse “há alguns amigos esperando do lado de fora, você poderia atendê-los?”. Ele olhou para nós e sinalizou, com a mão, que sairia em um minuto.

Foi o que bastou para que uma menina que estava ali, entre os fãs, surtar. Ela batia nos vidros do hotel enquanto berrava, em português, “Dio, vem aqui, eu te amo”. Incrivelmente, ninguém reagiu. Isso não se faz! Perdemos a chance de conhece-lo por causa daquela imbecil!

Quando Kevin saiu, disse que Dio e Vinny Appice usaram uma saída alternativa, em direção ao shopping D&D. Infelizmente não acreditei nele, achei que estava tentando nos despistar. Alguns dias depois, ele postou em seu perfil no Orkut uma foto que comprovou a afirmação.


Eu estava disposto a ficar na frente do hotel até que a banda voltasse do show, quando haveria uma nova chance para tentar. Sheila preferiu voltar para casa. A galera se dispersou, provavelmente seguindo para o show, e fiquei sozinho. O problema é que aquela foi uma noite fria, e a temperatura caiu muito rapidamente. Eu não estava agasalhado, pois de tarde o tempo estava quente e ensolarado. Mas São Paulo tem dessas coisas... Até que resisti bastante mas chegou uma hora em que pensei “dane-se! Quando ele voltar ao Brasil com a banda dele eu tentarei novamente”. Esse foi, provavelmente, o maior erro da minha “carreira”.

Poucos meses depois daquela apresentação, Dio foi diagnosticado com câncer estomacal. As chances de cura eram boas porque a doença foi descoberta em estágio inicial – era o que os médicos diziam. Porém, exatamente quando com-pletou um ano daquela oportunidade, ele faleceu. Imagine o tamanho do meu arrependimento de não ter aguentado um friozinho naquela noite?!

Nos anos seguintes, conheci muita gente que conheceu Dio, e todos - sem exceção - tinham estórias incríveis. A "pior" definição que já ouvi sobre como tratava os fãs é que "ele era um gentleman". Há também uma estória que ouvi por aí, não sei exatamente com quem isso aconteceu mas, baseado no monte de relatos que ouvi, acredito que seja verdade: diz que um brasileiro que morava em Londres o encontrou sem querer em um trem no underground (metrô). Eles começaram a conversar, e o fã disse "se eu soubesse que te encontraria, estaria com os meus LPs para você autografar". Dio quis saber em que estação ele desceria. Como não era tão fora de mão, desceu com o fã, foi até a casa dele, e autografou tudo o que ele quis.

Não faltam registros no Youtube que comprovam o carinho que Dio tinha com os fãs, incluindo os que você encontra abaixo. Às vezes você vê um vídeo e não sabe se ele era assim mesmo no dia a dia, ou se é algo "armado" para pagar de bom-moço com os fãs apenas porque foi filmado. Mas Dio, pode acreditar, era exatamente assim. E é uma pena que tenha nos deixado tão cedo.


terça-feira, 7 de abril de 2009

Kiss

Fui grande fã do Kiss durante a adolescência, mas depois me afastei, não acompanhei mais a carreira nem o lançamento dos novos álbuns. Para dizer a verdade, eu não sabia nada sobre a banda desde o lançamento do Asylum. Porém, em nome do saudosismo, resolvi prestigiar. O Manifesto Bar anunciou uma after party com integrantes da banda. É claro eu não esperava encontrar Paul Stanley nem Gene Simmons por lá, mas decidi conferir.

Ao sair do trabalho, a Galeria do Rock já estava fechada, então fui até a região da Avenida Paulista para tentar comprar um CD gravado pela formação atual. Entretanto, encontrei apenas o Love Gun, ainda com Peter Criss e Ace Frehley. Não era o ideal mas teve que servir. Se, por milagre, Stanley e/ou Simmons aparecessem, eu não estaria totalmente desprevenido e talvez rolasse conseguir um autógrafo.

Encontrei com a Sheila e fomos ao Anhembi, onde rolou o show. Logo após, tomamos um taxi para o Manifesto. Quando a casa abriu, ainda demorou muito tempo para que Tommy Thayer e Eric Singer chegassem ao local. Os seguranças da casa não permitiram que houvesse contato com eles e os acompanharam ao mezanino, onde ficaram bebendo sem ser incomodados.


Como parecia que não haveria nenhum tipo de interação com os fãs, uma menina que conhecemos por lá resolveu tentar conseguir autógrafos ainda assim. Ela perguntou se eu havia levado algo para autografar, mas não vi sentido em entregar para eles um álbum em que eles não tocaram. Ainda assim, ela pegou o encarte de meu CD, bem como materiais de outros fãs, subiu nos ombros de um amigo, e conseguiu entregar. Eles assinaram, mas não devolveram: simplesmente jogaram tudo no meio da galera e, é claro, o encarte nunca mais foi visto, assim como o material de outros fãs. Logo a seguir, funcionários da casa começaram a organizar a fila para fotos e autógrafos, mas cansado e irritado com o que aconteceu, decidi ir embora, sem participar.