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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Evanescence

Não sou fã de Evanescence, mas fui convencido a ir nesse corre por um amigo, Wesley. Ele encontrou-se com Amy Lee quando ela veio para o Maquinaria Festival em 2009, e também no Rock in Rio, em 2011, e disse que ela era absurdamente legal. Eu não fiz o corre do Maquinaria, mas Kevin fez e conseguiu uma foto linda com ela, o que confirmava as declarações de Wesley. Então, já que estaria em minha cidade, por que não tentar conseguir uma foto com ela também?

No entanto, no dia do corre, aprendi uma lição, pois cometi um erro por excesso de confiança. Falando com todas as letras, achei que era o único esperto na cidade. Agora eu sabia fazer corres e não dependia mais das informações de Kevin. Eu já era melhor que ele e sabia de coisas que ele nem imaginava; por exemplo, a possibilidade de pegar uma banda em conexão* no aeroporto.

Como achava que ninguém mais saberia esse esquema, montei um grupo formado por 6 pessoas: eu, Sheila, Wesley, Jonas (então meu companheiro na maioria dos corres), Jess (uma amiga que era muito fã de Evanescence, que pediu para ajuda-la quando a banda viesse ao Brasil) e Mari Salvaterra (então vocalista da Blitz).

O ideal é ter pelo menos duas pessoas para cada integrante da banda, assim é possível abordar todos. Apenas imagine: se fosse apenas eu e Sheila, quando abordássemos Amy Lee, provavelmente o resto da banda seguiria caminhando para o portão de embarque nacional. Talvez até conseguíssemos abordar um ou outro músico, mas com certeza não conseguiríamos todos. Por isso, 6 pessoas pareceu um bom número para uma banda de 5 integrantes.

O que eu não contava é que outras 6 pessoas também tivessem a mesma informação e a mesma ideia. Então, quando chegamos ao aeroporto, tornamo-nos 12. Ainda assim, não era catastrófico. O voo trazendo a banda de Amy Lee pousaria às 07:30, e o próximo voo para Porto Alegre era as 10:30. Logo, haveria 3 horas em que a banda não teria nada a fazer, senão esperar. Não era difícil imaginar, com as informações que tínhamos, que seríamos atendidos de boa.

O outro grupo nos disse que alguns integrantes já haviam desembarcado e que foram para um restaurante em outro andar do aeroporto. Fomos até lá e confirmamos a informação, pois encontramos o baterista Will Hunt e o guitarrista Terry Balsamo. Não havia sinal de Tim McCord e Troy McLawhorn. 

Will Hunt, baterista do Evanescence
Terry Balsamo, então guitarrista do Evanescence. Deixou a banda em 2015

Retornamos ao desembarque, onde o outro grupo esperava por Amy Lee. Uma menina, Thai, tentou nos enganar, dizendo que Amy desembarcou enquanto estávamos com os outros integrantes no restaurante - curiosamente, depois ela tornou-se uma de minhas melhores amigas, por quem tenho carinho e admiração. Não colou: se fosse verdade, todos já teriam ido embora, no entanto, ainda esperavam pela vocalista.

Quando finalmente Amy desembarcou, foi totalmente antipática. Embora os fãs estivessem de boa, ela não estava nem um pouco a fim de atender. Saiu caminhando com o segurança que a aguardava. Ele a convenceu a tirar uma porcaria de uma foto coletiva conosco. Só aceitei participar porque ainda não tinha foto com ela.


Após esse momento, o caos: percebendo que não conseguiriam mais do que isso, muitos a cercaram para tentar forçar uma selfie. Isso é ridículo, eu e Sheila jamais nos prestaríamos a esse papel, então agora éramos 2 grupos: Amy Lee + segurança + fãs foram pelo elevador e, eu e Sheila, pela escada rolante, acompanhando à distância. Se, no caminho, ela resolvesse atender, nos aproximaríamos.

Houve um momento em que o segurança, meu amigo, perguntou se levei algo para ela assinar, eu respondi que tinha uma foto, ele pediu e a entregou para Amy, que assinou sem parar de caminhar.


Amy foi, acompanhada de segurança e fãs, ao balcão da companhia aérea, onde fez o check-in. Com a passagem na mão, ela e o segurança seguiram ao portão de embarque nacional, onde entraram.


Não entendemos o porquê de tamanha antipatia. Com uma única câmera, eu seria capaz de tirar 12 fotos em apenas um minuto. Agora, ela teria cerca de duas horas e quarenta minutos para esperar na sala de embarque. Eu sei que nenhum artista é obrigado a atender, mas ela pareceu bem babaca. E o pior: só fui neste corre porque Wesley me garantiu que ela era legal. Ele mesmo parecia não entender o que acabara de acontecer.

Após o show de Porto Alegre, o Evanscence seguiu para o Rio de Janeiro, onde hospedou-se no hotel Sheraton, que possui uma praia particular. Alguns fãs descobriram e conseguiram entrar. Quando foram falar com Amy, ela virou a cara. Quando os outros fãs souberam o que aconteceu, houve uma invasão, e a cantora teve que deixar a praia correndo. Incomodada, ela enviou um recado aos fãs, dizendo que a banda não tiraria fotos ou daria autógrafos no Rio de Janeiro, por "razões de segurança". Isso era péssimo, pois sabíamos que poderia "respingar em nós" de São Paulo. Obrigado, cariocas sem noção!

Foto: reprodução do site Ego

Naquele final de semana era o aniversário de 10 anos de meu casamento com a Sheila, então resolvemos nos hospedar no hotel Unique para comemorar e, finalmente, aproveitar tudo o que um hotel desse porte tem a nos oferecer. Não era incomum nos hospedar em hotéis 5 estrelas, mas sempre estávamos tentando conhecer os integrantes de alguma banda, então nunca aproveitávamos nada. 

Coincidentemente, aquele foi o hotel escolhido pela produção para hospedar o Evanescence o que, para nós, foi uma surpresa. Porém, não estávamos ali pela banda, então não ligamos muito. No primeiro dia, apenas curtimos a piscina, o restaurante, o quarto, nos curtimos enfim... No dia seguinte, estávamos tomando café da manhã no Skye, bar e restaurante do Unique, quando Amy Lee chegou rodeada por sete seguranças.

Não havia fãs hospedados, e nem mesmo eu e Sheila estávamos lá por isso, mas é claro que olhamos para o grupo quando Amy passou do Skye para a área da piscina. Não fizemos menção alguma de abordagem, mas apenas olhar fez com que 3 funcionários do hotel nos cercassem. Um deles nos ameaçou: "se tentarem levantar, eu terei que expulsar vocês daqui". Como estávamos hospedados, e nos sentimos maltratados, é claro que ali se iniciou um bate boca.

Quando as coisas acalmaram, eu enviei uma mensagem para um dos seguranças que estava com Amy - o mesmo que a recepcionou no aeroporto - perguntando se haveria problema se eu e Sheila tentássemos tirar uma foto com ela. Ele respondeu: "melhor não". Respeitamos e fomos embora.

Quando fizemos o check-out do hotel, a funcionária da recepção perguntou se gostaríamos que ela chamasse um táxi. Agradecemos mas, antes, eu queria falar com alguns amigos que esperavam pela banda fora do hotel, incluindo Jess e Wesley. Fui, conversei uns 5 minutos com eles, contei o que acabara de acontecer e os aconselhei a irem para casa pois, pelo visto, não conseguiriam nada. Quando retornei ao hotel - apenas para aceitar a oferta do táxi - um dos funcionários impediu nossa entrada.

Ainda com o envelope que recebi ao fazer o check-out em mãos, argumentei que havíamos acabado de sair, e que entraria apenas para pedir um táxi à recepcionista. "Vocês não estão mais hospedados, não podem mais entrar". Felizmente, ele pediu a outro funcionário para chamar o táxi para nós. Unique: hotel excelente, com péssimos funcionários! Perderam os clientes: nunca voltamos a nos hospedar lá, nem mesmo quando alguma banda ou artista que gostamos estava no hotel.

Ainda poderíamos tentar encontrar o Evanescence mais uma vez, na conexão de retorno, quando a banda sairia de Fortaleza e passaria por Guarulhos, antes de deixar o país. A essa altura, eu já estava de saco cheio do estrelismo de Amy Lee, ela que se danasse!


sexta-feira, 11 de janeiro de 1985

Rock in Rio 1 (1985)


O primeiro Rock In Rio foi muito especial, pois colocou o Brasil na rota dos shows internacionais, que até então eram raríssimos e esporádicos, somente de bandas gigantes, como Queen (1981), Van Halen (1983) e Kiss (1983). Um show de uma banda internacional em uma cidade como São Paulo ou Rio de Janeiro era um evento tão raro, que tornava-se o assunto do ano, só se falava nele.

Imagine como foi para mim, com 12 anos, saber que minha banda favorita viria ao país, apenas dois meses depois de ouvi-la pela primeira vez. Conhecer o som do Iron Maiden foi quase como conhecer o amor de minha vida. Tanto que, 36 anos depois, aqui estou eu, mais fã do que nunca. Desde então tive todas as mulheres da minha vida - coincidentemente meu primeiro beijo foi em 1985.

O Brasil ainda vivia o regime militar, a moeda era o desvalorizado cruzeiro. Uma ligação internacional não era direta: era necessário falar com a telefonista, que seria capaz de completar a chamada. Em um mundo muito diferente do que existe hoje, dominado pelas gravadoras, o Brasil não era um mercado atrativo nem rota obrigatória na turnê de qualquer banda. O Rock In Rio não mudou isso imediatamente. Em 1985, excluindo o Rock In Rio, o show do ano foi Quiet Riot. Em 1986, Venom/Exciter. Apenas em 1989, quando o Motörhead e o Metallica vieram, a coisa começou a caminhar, mas com certeza quem abriu essa porta foi o festival de 4 anos antes.

Por essas e por outras, o primeiro Rock In Rio foi tão importante para mim. Quando desenvolvi a habilidade para fazer corres, decidi que conheceria o máximo possível das bandas e artistas que tocaram no festival, não importa se sou fã ou não. Foram 29 atrações, 14 internacionais, 15 nacionais - mas conto como se fosse 16 pois, embora fosse contado como um só, o show de Baby Consuelo e Pepeu Gomes contou com apresentações individuais, primeiro Baby, depois Pepeu; portanto considerei que foram dois shows.

Das 30 atrações, conheci ao menos um integrante de 22. Duas bandas completas com a formação da época: Iron Maiden e Scorpions. Provavelmente, no futuro, eu ainda conheça Ivan Lins, Lulu Santos e Rita Lee e consiga fotos com outros integrantes que tocaram no festival com Kid Abelha (Paula Toller), Paralamas do Sucesso (Herbert Vianna) e Blitz (Fernanda Abreu). Entre as internacionais, talvez acabe conhecendo Rod Stewart e integrantes do The B-52's, além de AC/DC (Brian Johnson) e Yes (Jon Anderson). Mais do que isso é difícil, muito difícil. Al Jarreau faleceu em 2017, Nina Hagen e The Go-Go's nunca vieram ao Brasil desde que comecei a fazer corres, em 2008.
  1. AC/DC - conheci 3 integrantes que tocaram no festival, Angus Young, Cliff Willims e Simon Wright. Levei naba de Brian Johnson. Não tive chance com Malcom Young
  2. Al Jarreau 
  3. Alceu Valença - conheci 
  4. Baby Consuelo - conheci
  5. Barão Vermelho - conheci um integrante que tocou no festival, Frejat
  6. Blitz - conheci dois integrantes que tocaram no festival, Evandro Mesquita e Juba
  7. Eduardo Dusek - conheci
  8. Elba Ramalho - conheci
  9. Erasmo Carlos - conheci
  10. George Benson - conheci
  11. Gilberto Gil - conheci
  12. Iron Maiden - conheci a formação completa que tocou no festival
  13. Ivan Lins 
  14. James Taylor - conheci
  15. Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens - conheci um integrante que tocou no festival, George Israel
  16. Lulu Santos 
  17. Moraes Moreira - conheci
  18. Ney Matogrosso - conheci
  19. Nina Hagen
  20. Os Paralamas do Sucesso - conheci um integrante que tocou no festival, João Barone
  21. Ozzy Osbourne - conheci 3 integrantes da formação que tocou no festival, incluindo Ozzy Osbourne, Tommy Aldridge e Don Airey (tecladista do Deep Purple, que excursionou com Ozzy em 1984 e 1985)
  22. Pepeu Gomes - conheci
  23. Queen - conheci 2 integrantes que tocaram no festival, Brian May e Roger Taylor
  24. Rita Lee
  25. Rod Stewart
  26. Scorpions - conheci a formação completa que tocou no festival
  27. The B-52's
  28. The Go-Go's
  29. Whitesnake - da formação que tocou no festival, conheci apenas o principal integrante de todas as formações: David Coverdale 
  30. Yes - conheci 3 integrantes da formação que tocou no festival: Tony Kaye, Chris Squire e Alan White. Levei naba de Jon Anderson
Todas as bandas internacionais se apresentaram duas vezes, exceto o Iron Maiden, que abriu uma brecha na World Slavery Tour para encaixar a apresentação no primeiro dia do Rock In Rio, mas no dia seguinte já voou para New York. Entre as nacionais, todas se apresentaram duas vezes, exceto Ney Matogrosso, Ivan Lins e Rita Lee.

11 de janeiro

Ney Matogrosso, o encontrei sem querer em duas oportunidades, ambas em 2013
Fiz o corre do Erasmo Carlos em 2017
Fiz o corre do Pepeu Gomes em 2015, e o reencontrei em 2016, com os Novos Baianos
Fiz o corre dos Novos Baianos em 2016, ocasião em que conheci Baby Consuelo
Encontrei duas vezes com David Coverdale, vocalista do Whitesnake, em 2011 e 2016
Felizmente estou perdendo a conta de quantas vezes me encontrei com Steve Harris, baixista do Iron Maiden
Fiz o corre do Queen em 2015, quando conheci o guitarrista Brian May
12 de janeiro

Ivan Lins, nunca o encontrei
Fiz o corre do Grande Encontro em 2016, ocasião em que conheci Elba Ramalho
No corre do M. Night Shyamalan, em 2017, FOTASSA (pingo d'agua na lente) com Gilberto Gil
Al Jarreau. Tentei encontra-lo em 2014, mas não tive sorte. Faleceu em 2017, então não tive segunda chance
Fiz o corre do James Taylor em 2017
Fiz o corre do George Benson em 2016
13 de janeiro

Fiz o corre do Call The Police em 2017, ocasião em que conheci João Barone, baterista do Paralamas do Sucesso (2017)
Lulu Santos. Nunca o encontrei
Fiz o corre da Blitz em 2012, quando conheci Evandro Mesquita (voz, guitarra e violão)
The Gogo's, nunca vieram ao Brasil desde que comecei a fazer corres
Nina Hagen, nunca veio ao Brasil desde que comecei a fazer corres
Rod Stewart. Nunca fiz o corre, mas hunters mais experientes dizem que é mala

14 de janeiro 


O quarto dia de festival teve apenas 4 atrações, duas nacionais inéditas e duas internacionais que faziam a segunda apresentação, George Benson e James Taylor.

Fiz o corre dos Novos Baianos em 2016, ocasião em que conheci Moraes Moreira, que faleceu em 2020
Fiz o corre do Grande Encontro em 2016, ocasião em que conheci Alceu Valença

15 de janeiro

Durante o corre do A-ha, em 2015, encontrei George Israel, saxofonista do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens
Encontrei Eduardo Dusek aleatoriamente no Aeroporto de Congonhas, em 2018
Encontrei Frejat, do Barão Vermelho, aleatoriamente no Aeroporto de Congonhas, em 2017
Encontrei duas vezes com Klaus Meine, vocalista do Scorpions, em 2012 e 2019
Fiz o corre do AC/DC em 2009, quando conheci o guitarrista Angus Young

16 de janeiro

O sexto dia de festival teve 5 atrações: uma nacional e uma internacional inéditas, duas nacionais  e uma internacional que faziam a segunda apresentação, Os Paralamas do Sucesso, Moraes Moreira e Rod Stewart.

Nos últimos anos, todo ano Rita Lee lança um livro. Sempre falo que vou conhece-la, mas nunca vou
Em 2018, participei do meet & greet do Ozzy Osbourne

17 de janeiro

Com uma semana de festival, restavam apenas duas apresentações inéditas, uma delas da banda Yes, a única inédita do dia.

Fiz o corre do Yes em 2013, quando conheci o baixista  Chris Squire

18 de janeiro

Enfim a última inédita.

Ao menos conscientemente, jamais fiz um corre do The B52's