sábado, 19 de janeiro de 2019

Paul Day

Paul Day foi o primeiro vocalista do Iron Maiden. Ele esteve na banda entre 1975 e 1976, quando foi demitido e substituído por Dennis Willcock. Muitos fãs acreditam que o primeiro vocalista do Iron Maiden foi Paul Di'Anno. Di'Anno foi o primeiro a gravar, mas já era o terceiro vocalista a passar pela banda.

Dave Sullivan, Paul Day, Ron Matthews, Terry Rance e Steve Harris
Para a maioria dos fãs, a importância de Paul Day no Iron Maiden é nenhuma, totalmente irrelevante e ignorada. Para quem, como eu, se interessa pelo (agora não tão) obscuro primórdio, quando a banda ainda era desconhecida e lutava por espaço no circuito de pubs londrino, é interessante ter a oportunidade de vê-lo cantar, pois ele é simplesmente um pedaço vivo de história.

O problema é que Paul Day, após passar por bandas como More, Wildfire e Sweet, decidiu viver em Newcastle, na Austrália. Isso torna o custo de traze-lo ao Brasil substancialmente mais elevado do que se ele ainda vivesse em Londres. Se ele já não é muito conhecido por aqui, morando na Austrália, então, é praticamente impossível algum produtor se interessar em traze-lo.

Em dezembro de 2018, Paul Day esteve em Londres pela primeira vez em muitos anos, visitando sua família. Chegou até mesmo a se encontrar com seus antigos companheiros de banda, os guitarristas Terry Rance e Dave Sullivan, além de Steve Harris, para uma foto no lendário Cart & Horses, o pub que recebeu o primeiro show da carreira do Iron Maiden. O baterista Ron Matthews só não compareceu ao encontro por não estar bem de saúde.

Dave Sullivan, Terry Rance, Paul Day e Steve Harris
Sabendo de sua presença em seu país de origem, alguns fãs o convenceram a fazer um show por lá. E foi então que começou a "coceira no corpo": eu simplesmente precisava assistir a esse show, e aproveitar a oportunidade para conhece-lo, mas havia alguns problemas: pouco mais de um mês depois, eu já faria uma eurotrip completa, com mais de um mês de duração. Seria totalmente impossível trocar a passagem e ficar mais de dois meses na Europa. Além disso, a grana já estava curta. A eurotrip estava 100% paga, mas eu não teria como pagar essa ida extra e inesperada.


Durante duas semanas, eu procurei uma forma de solucionar o problema, sem chegar a conclusão nenhuma. Então, comentei sobre isso com a Arianne, que disse "se você realmente quiser, vai arrumar um jeito de estar lá". Pareceu simplista, quase bobo. Mas foi o empurrão que eu precisava para tomar uma decisão. Voltei para a frente do computador, peguei o cartão de crédito, e apertei o foda-se. Naquele momento, eu não sabia nem como pagaria esse gasto extra, mas sabia que estaria lá. A solução foi a mais louca possível: fazer um bate-volta, algo como chegar em um dia e retornar no outro. Seria a coisa mais insana que eu faria em minha vida.

Entrei em contato com meu amigo Mike Chudleigh que, por acaso, era o organizador do evento. Ele sabia de minha viagem em fevereiro, então, quando pedi para me vender um ingresso, ele acreditou que eu estava fazendo alguma confusão:

- O show é agora em janeiro, e você vem em fevereiro.

- Sim, eu vou em fevereiro, mas agora vou em janeiro também.

Provavelmente ele não entendeu nada, mas foi assim que aconteceu. No dia seguinte os ingressos esgotaram. Aguardei duas semanas, mas se tivesse esperado mais um dia teria que me contentar em ver vídeos no Youtube, se existissem.

Como decidi viajar faltando apenas 15 dias, foi difícil achar passagens aéreas em conta, e realmente não achei. A solução mais barata foi a de uma companhia aérea que até então eu não conhecia, a Air Europa. Fiz algumas pesquisas na internet, e quase todas as referências que tive da empresa foram ruins, com problemas que variavam entre tripulação mal-educada, banheiros sem limpeza adequada, atrasos... Meio receoso, comprei, mas já esperando pelo pior. Achei uma promoção de hotel, que custaria somente £11.99 por uma noite.


Três dias antes da viagem, a Arianne resolveu passar o dia na praia, em Bertioga. O sol não estava tão forte, então resolvi que protetor solar não seria necessário. Erro meu, fui para a Europa que nem um pimentão e completamente descascando, por isso algumas das fotos abaixo estão meio esquisitas.

Quando o dia chegou, no portão de embarque, a menina responsável por verificar meu passaporte tomou um susto:

- Você volta... amanhã?!

- Não, eu volto depois de amanhã.

Ela me olhou com cara de "what the fuck?!" ou de "quem diabos vai à Europa para ficar apenas dois dias?!"

- Eu estou indo apenas para assistir ao show do primeiro vocalista do Iron Maiden.

- Paul Di'Anno?!

- Não. Paul Day.

Ela não deve ter entendido nada, embora conhecesse Iron Maiden. Naquele momento eu imaginava o quanto eu seria suspeito aos olhos da Polícia Federal: passagem comprada quase de última hora, viagem curta... Mas eu levei apenas uma mala de mão com uma muda de roupa, a câmera, materiais para autografar e caneta de autógrafo... Sete quilos ao total, contando com o peso da mala. Na volta ela estaria um pouco mais pesada, pois aproveitei para encomendar e enviar ao meu hotel algumas coisas que eu planejava trazer na viagem seguinte.

Ao contrário do que eu esperava, o avião era novo, tudo funcionava, os banheiros eram limpos, a tripulação foi atenciosa... Desse dia em diante, tornei-me cliente da Air Europa. Com certeza seria cliente novamente se fosse preciso. Após pouco mais de nove horas de voo, a aeronave pousou em Madrid. Uma hora e meia de espera, e mais duas horas e pouco de voo, enfim cheguei em Londres.

Na alfândega, que eu já conhecia bem, houve uma cena engraçada. É claro que o oficial achou minha história muito esquisita, mas eu estava com todos os documentos que comprovavam minhas afirmações. Levei até mesmo os documentos da viagem que eu faria no mês seguinte, para que ele entendesse o porque de uma viagem tão curta. Quando foi carimbar o visto, levantou o olhar e disse algo como:

- Você promete que volta amanhã mesmo ao Brasil?

- Sim.


Gatwick fica distante do centro de Londres. Tomei um trem para a estação Victoria e, de lá, de underground, fui fazendo as baldeações necessárias até chegar em Stratford. De lá caminhei por 15 minutos. Cheguei pouco depois do meio dia e a fila já estava formada na frente do local.


Como fui direto do aeroporto, eu estava com a mala de mão. Mike me viu na fila e fez a gentileza de guarda-la no Cart & Horses. Não demorou para que entrássemos e logo começou o meet & greet com Paul Day. O meet foi babaca, como no Brasil: não era permitido tirar uma foto com ele, apenas autógrafos. Eu estava com quatro fotos para autografar mas, de acordo com as regras, só poderia três. Quando coloquei as quatro na mesa, um dos responsáveis pela produção foi logo tratando de retirar uma e me devolver. Eu disse para Paul Day que vim do Brasil apenas para conhece-lo, mas acredito que ele imaginou que eu já estava em Londres e apenas aproveitei a oportunidade.


O pub tinha uma área descoberta que era utilizada como fumódromo. Haviam algumas mesas, e fui organizar o material que eu tinha para autografar. Era muita coisa, pois outros ex integrantes do Iron Maiden também participaram do evento. Logo vi que Dave Sullivan também estava lá, então aproveitei para conseguir a foto com ele, bem como os autógrafos.

Dave Sullivan, guitarrista da formação original do Iron Maiden

A área interna, onde ficava o palco, estava completamente lotada. Não havia espaço para se mexer, e com muita dificuldade, consegui chegar onde havia uma mesa com o mershandsing das bandas. Comprei os álbuns do Airforce que eu não tinha, incluindo uma edição especial gravada há poucos dias apenas para aquele evento, com participação de Paul Day e Paul Di'Anno. Comprei também um par de baquetas autografadas por Doug Sampson, uma pele de bateria autografada por Paul Day, e o livro do ex roadie do Iron Maiden, Steve "Loopy" Newhouse, que foi autografado logo depois, já que ele também estava lá.



Quando tentava retornar à área descoberta, fui abordado por alguém que perguntou se eu queria um autógrafo na pele de bateria. Achei muito estranho, pois não era nenhum dos músicos do Airforce, então agradeci, mas disse que não. Somente depois de algum tempo me dei conta da gafe que havia cometido: era Thunderstick, baterista que tocou no Iron Maiden em 1977, e no Samson, na época em que Bruce Dickinson era o vocalista. Perdi ali minha oportunidade de conseguir foto e autógrafos, já que ele não permaneceu para o evento, apenas apareceu para rever os ex companheiros de banda e logo foi embora. Além disso eu só tive a confirmação que era realmente ele quando já havia retornado ao Brasil. Senti-me como nos desenhos, quando as orelhinhas de burro crescem no personagem.

Aproveitei para conseguir mais uma foto com o vocalista e guitarrista do Buffalo Fish, Rob Stitch, já que no ano ano anterior, a foto que consegui ficou desfocada. Sozinho, o jeito foi recorrer à selfie.

Rob Stitch, vocalista e guitarrista do Buffalo Fish

De volta à área descoberta, surpresa: Paul Day estava por lá, e é claro que aproveitei a oportunidade não apenas para conseguir a foto, mas também o autógrafo que faltou.

Paul Day, vocalista original do Iron Maiden

Dave Lights, técnico de luz conhecido por seu trabalho com o Iron Maiden, também estava lá. No momento da foto, o guitarrista Terry Rance, da formação original, juntou-se a nós.

Terry Rance, guitarrista original do Iron Maiden, e Dave Lights

Também estava por lá o croata Stjepan Juras, responsável pelo website Maiden Croatia e por diversos livros relacionados ao Iron Maiden. Somos amigos no Facebook há muitos anos e, inclusive, fui um dos citados por ele no livro "No Matter How Far - Iron Maiden Fans Will Be There".

Stjepan Juras

Finalizei a missão, pois consegui as fotos e autógrafos que eu queria. Agora era momento de relaxar e aproveitar. Mas antes eu precisava comer alguma coisa. Isso, no entanto, foi um erro pois, após comer, bateu um sono desgraçado. Infelizmente eu nunca consigo dormir em avião, ainda mais na classe econômica, então é provável que eu estivesse acordado há mais de 24 horas.


A primeira parte do show foi com a banda Buffalo Fish, de Terry Wapram. Fiz alguns vídeos curtos mas, para ilustrar esse texto, os do Youtube estão melhores que os meus. 


Quando a apresentação terminou, tirei mais uma foto com Terry Wapram e com o guitarrista Jamie Carter, que não estava na banda no ano anterior.

Terry Wapram, ex guitarrista do Iron Maiden, atualmente no Buffalo Fish
Jamie Carter, guitarrista do Buffalo Fish

Ainda em São Paulo, sabendo de minha viagem, Kevin havia pedido para levar o livro que vem com o álbum Best of the Beast (já autografado por Paul Di'anno, Blaze Bayley e por todos da formação atual, incluindo o empresário Rod Smallwood) e o relançamento do The Soundhouse Tapes (já autografado por Steve Harris, Dave Murray e Paul Di'anno). Naquele dia, no livro, consegui autógrafos de Terry Wapram, Doug Sampson, Dave Sullivan, Terry Rance e Paul Day. No vinil, apenas quem faltava: Doug Sampson.


Infelizmente minhas energias estavam acabando. Apesar de tudo, estava tremendamente feliz e satisfeito com o que havia acontecido. Decidi ir embora sem assistir ao segundo show (Paul Day + Airforce), pois realmente mal conseguia manter os olhos abertos. Ao sair, entretanto, consegui ainda uma foto com o guitarrista e vocalista do Gypsy's Kiss, David Smith, bem em frente ao lendário pub. É possível ver no canto da imagem a bagagem que levei: uma mala pequena e o que eu chamo de "kit", uma bolsa carteiro que utilizo em todos os corres para levar a câmera, o material para autografar, as canetas e o que mais for necessário.

David Smith, guitarrista e vocalista da primeira banda de Steve Harris, Gypsy's Kiss
Procurei ficar em um hotel relativamente próximo ao aeroporto de Gatwick, pois meu voo de volta seria lá. Por essa questão e também pela promoção de valor, escolhi o Easy Hotel Croydon. É um hotel simples, com quartos sem janela, mas serviu bem para o propósito, que era o de ficar apenas uma noite na cidade.

Ao chegar à recepção, perguntei ao funcionário pelas encomendas que eu havia solicitado para envio ao hotel mas, embora houvessem diversas caixas, nem todas estavam lá. Foi dessa maneira que descobri que os correios ingleses são ainda piores do que os brasileiros. Duas das encomendas não chegaram, mas ambas constavam nos sites como "entregue". Uma da Amazon, outra não sei exatamente, pois eram CDs da Jessica que eu deveria levar para ela. Foi um contratempo meio chato, ainda mais porque uma das encomendas não era minha.


Abaixo, fotos do que havia nas caixas, bem como dos souvenirs que comprei no Cart & Horses:

Kit do Helloween com Boné + Camiseta + Bolsa, para a Arianne 
Mini Atari com 50 jogos. Parece melhor do que realmente é
Macacão de piloto da Royal Air Force
Miniatura do Harrier. Sou muito fã desse avião

Fui a um mercado próximo, onde comprei uma salada de batata com ovo, um café e uma coca. Aproveitei para comprar também um agrado para meus gatos que ficaram no Brasil. Depois de comer, banho e cama. Não era nem 19:00hs ainda e eu estava no limite da exaustão.


Acordei as 06:00hs na manhã seguinte. A princípio tentei resolver o problema das encomendas extraviadas. Consegui descobrir que elas foram entregues, sabe-se lá porque, em uma empresa próxima, mas não descobri que empresa era essa, nem o endereço. Além disso, meu inglês da pro gasto apenas. Mesmo se eu chegasse lá, dificilmente conseguiria explicar a situação. Resolvi deixar para lá e tentar resolver quando estivesse no Brasil.

Meu café da manhã

Então, para aproveitar as poucas horas que tinha no país, visitei dois lugares que estive no ano anterior. O primeiro é uma loja de doces em Picadilly Circus, fui lá para comprar Fluff. Para quem não sabe, é um marshmallow maravilhoso que é vendido em pote, como o de maionese. Tem no sabor original, de morango e de caramelo. Amo os três. Eu já tinha três potes que vieram pelos correios, comprei mais oito. É possível comprar Fluff no Brasil, mas por um preço muito elevado, acaba não valendo a pena.

Endereço: 7-14 Coventry St, London W1D 7DH, Reino Unido
Não esqueci de minha amiga Karina e trouxe um presentinho que é a cara dela

A seguir, visitei uma loja de vinils, CDs e DVDs maravilhosa, chamada His Master's Voice (ou HMV). Estava a procura de álbuns bem específicos, de bandas como Samson (com Bruce Dickinson e Thunderstick), Lionheart (com Dennis Stratton), Praying Mantis e outras com passagens de ex integrantes do Iron Maiden. Infelizmente notei que o acervo não estava tão completo quanto no ano anterior, encontrei somente dois álbuns do Samson. Poucos meses após minha segunda viagem naquele ano, fiquei sabendo que a loja fechou suas portas definitivamente. Nem os ingleses escaparam da crise que o MP3 proporcionou ao setor.


Meu tempo estava acabando, então almocei no McDonald's, retornei ao hotel, onde peguei minhas coisas, e segui ao aeroporto. Quando fui fazer o check-in, uma surpresa desagradável: o funcionário fez questão de pesar minha mala de mão que, para meu desespero, estava com 17 quilos. Ele disse que eu teria que despacha-la e pagar £100 por isso (mais de 500 reais). Fazer o que, né?! Tinha que aceitar. Mas, como era uma mala de mão, não havia um cadeado para fecha-la e estava tudo lá dentro: a câmera, os autógrafos, tudo que comprei...

Eu estava morrendo de medo de que fosse extraviada ou tivesse conteúdo roubado por algum funcionário dos aeroportos, mas tive que confiar. Foi duro vê-la rolar e desaparecer na esteira de bagagem despachada. Acho que minha expressão de choque e tristeza foi tão grande que, quando fui pagar, o funcionário fez um sinal com as mãos, como que dizendo "não precisa, saia daqui". Eu agradeci e embarquei. Minha curta estadia em Londres terminava aqui.

O caminho de volta foi o mesmo da ida: voei até Madrid e, então, até São Paulo. Saí de São Paulo no dia 19, cheguei em Londres no dia 20, voltei no dia 21, cheguei no dia 22. Foram cerca de 30 horas voando ou em conexão para 37 horas em Londres. Minha mala, felizmente, chegou intocada. O voo de volta, como o de ida, foi bom.

Apenas para completar a estória: tanto eu como a Jéssica conseguimos o ressarcimento dos valores das encomendas que não foram entregues. Os correios ingleses são uma merda, mas a honestidade de seus cidadãos não. Bastou um e-mail explicando, para termos os valores devolvidos, sem questionamentos adicionais.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Metal Singers

A segunda edição do projeto Metal Singers trouxe ao Brasil Blaze Bayley, Udo Dirkschneider, e Doogie White, contando também com a participação de um grande nome nacional: André Matos. Após passar por Chile (somente Udo e Doogie White), Peru (dois shows, o primeiro apenas com Udo e Blaze), Paraguai e novamente Chile, era a hora de vir ao Brasil para duas apresentações, sendo a primeira delas em Limeira.

Como envolvia um nome nacional que residia em São Paulo e certamente não ficaria em hotel, não foi difícil optar pelo corre no aeroporto. Quando chegamos, entretanto, o desembarque estava meio esquisito: uma girafa estava à espera de algum passageiro. De vez em quando, era solicitada a tirar fotos com alguns curiosos...


Algum tempo após o voo pousar, o primeiro a sair foi Udo. Mal deu dois ou três passos depois de passar pelo portão de desembarque e o enxame dos "hunters do bem" o cercou. Um dos grandes problemas deles é exatamente isso: não dão nem tempo para o cara respirar, não cumprimentam, não perguntam se fez boa viagem, é apenas um bando de zumbis pedindo "foto, foto, foto", chega a ser ridículo. Tanto que o sempre gente-fina Udo correu para fora do saguão, visivelmente irritado. Como já tenho com ele (na verdade, já tinha com todos, mas o grande alvo era Andre Matos, que a Arianne ainda não conhecia pessoalmente), o deixei em paz.

O próximo a sair foi o sempre gente-fina Blaze Bayley, que na maior calma e paciência atendeu a todos. Tirou algumas selfies com a galera e publicou em seu Instagram na hora.


Doug White foi o terceiro a sair. Mais uma vez, o enxame dos "hunters do bem" o cercou, mas ele não se irritou como Udo, então quando terminou de atender, me aproximei e consegui minha foto também.


Andre Matos não desembarcou, mas havia algo errado, porque ele cantou no show na noite anterior no Chile. Será que decidiu passar mais um dia no Chile, já que havia mais um day-off até o próximo show? Felizmente encontrei meu amigo Silvio, dono da Open The Road, produtora responsável pela turnê. Perguntei sobre Andre, ele respondeu que viria no próximo voo. Graças a Deus os hunters do bem foram embora, então ao menos sabíamos que o Andre não seria incomodado pelo enxame. 

Depois de cerca de uma hora e meia, o voo seguinte vindo de Santiago pousou. Após algum tempo, Andre saiu, acompanhado de sua companheira. Logo que nos viu, percebeu que o abordaríamos, então já veio falar conosco. Para Arianne, foi uma grande emoção, pois era a primeira vez que ela ficava frente a frente com um de seus vocalistas prediletos. Eu estou acostumado a fazer corres mas, para ela, ainda era "coisa do outro mundo" conhecer e interagir com os ídolos, ainda que fosse um vocalista brasileiro. 

Arianne tem uma amiga russa que sempre perguntava quando Andre faria um show em seu país. Toda sem graça, pediu permissão para gravar um vídeo com ela perguntando e ele respondendo. Depois de legendar em inglês, enviou o vídeo para a amiga. Obs: a versão abaixo não contém legenda.



Andre queria esticar a conversa, pelo visto gostou de encontrar conosco, mas percebemos que sua companheira estava ansiosa para sair de lá, o que é compreensível depois de uma viagem relativamente longa, então não esticamos o papo. Ele ficou bons cinco minutos com a gente, e provavelmente eu tivesse esticado mais um pouco se soubesse que aquela era a última vez que o veria 😔

Ou penúltima, já que fomos ao show e pudemos vê-lo em cima do palco. Quando finalizou, perguntei a Arianne se ela gostaria de esperar para tentar falar novamente com Matos, mas ela preferiu ir para casa. Ok, critério dela. Mais uma vez: eu teria ficado se soubesse que era a última vez que o veria...

Uma curiosidade: Carlos foi o único a esperar por Andre conosco. Ele encontrou o vocalista muitas e muitas vezes no decorrer dos anos, mas nunca tirou uma foto. Aquela foi a primeira... e última 😭


sábado, 17 de novembro de 2018

Kreator + Arch Enemy + Excel + Walls of Jericho

Arianne me acompanhou nesse corre, pois gostaria de conhecer Alissa White-Gluz e Daniel Erlandsson, do Arch Enemy. Eu a avisei que ela conseguiria a foto com Daniel facilmente, mas que Alissa é mala e provavelmente não rolaria. Além disso, sendo vegana, e sabendo que Mille Petrozza e Alissa White-Gluz também são, decidiu presentea-los com doces veganos brasileiros.

Provavelmente eu não teria ido a esse corre se ela não estivesse interessada, porque eu já tinha foto com todos os músicos do Kreator e do Arch Enemy. Com Excel e Walls of Jericho tanto faz, eu nem conhecia essas bandas, valeria apenas por serem "figurinhas novas", mas não saberia identificar quem era quem. O Excel é uma banda tão pequena que nem consultando o Google ajudou na identificação. Foi fácil descobrir o nome dos músicos mas nem tanto associar cada nome ao músico respectivo. Porém, mal chegamos e já encontramos com eles, que estavam em frente ao hotel. Já que estavam ali, e foram todos gente boa, não teve porque não tirar fotos, mas continuo até hoje sem saber quem é quem.










Esse foi um corre lotado. Os hunters eram os mesmos de sempre, mas que costumavam ir a corres de bandas de estilos diferentes. Desta vez era um corre de bandas que todos queriam conhecer, então todos estavam ali. Eu, Arianne, os hunters do bem, Carlos, Jessica, Guido, Juliana Novo, Samii, Karina, Luh Rossi, Leo, Ingui, Marlon (de Porto Alegre) e até mesmo Fernanda Lira, do Nervosa...

Quando o Kreator retornou da passagem de som, os hunters do bem voaram, como zumbis sedentos por sangue, em Mille Petrozza, na mesma palhaçada de sempre, cercando e cutucando. Ele até se dispôs a atender, mas logo percebeu que não seriam educados, então saiu dando naba em todo mundo. Quando passou por nós, Arianne lhe ofereceu os doces, e é claro que ele parou e nos atendeu. Ficou tão satisfeito que, logo que subiu, fez um post no Instagram, agradecendo a gentileza de sua fã brasileira.

Christian "Speesy" Giesler (baixista) e Jürgen "Ventor" Reil, baterista do Kreator
Sami Yli-Sirniö, guitarrista do Kreator
Mille Petrozza, vocalista e guitarrista do Kreator

Logo a seguir, o Walls of Jericho desceu para passar o som. Como não sabia quem era quem, abordei somente a vocalista, Candace Kucsulain. Foi uma surpresa para nós ela estar ali pois, na véspera, houve o cancelamento do show no Rio de Janeiro. Segundo um comunicado da Liberation, realizadora do evento, uma tempestade de neve causou o cancelamento de centenas de voos na costa leste dos Estados Unidos e Candace não conseguiu embarcar. "Os quatro músicos da banda estão no Rio de Janeiro, mas obviamente não há como se apresentar sem vocalista".

Candace Kucsulain, vocalista do Walls of Jericho

Pouco depois, Antonio Fagundes saiu do hotel. Hospedado, nos viu e provavelmente achou que estávamos ali por causa dele, já que acenou e disse que falaria conosco na volta. Na verdade, nenhum de nós fez qualquer tentativa de aborda-lo, apenas comentamos entre nós como ele estava se achando. Quando retornou, fingiu que viria falar conosco, caminhando em nossa direção, mas desviou e correu o mais rápido que pode para dentro do hotel. Deve ter se achado muito esperto por "nos enganar". 😆

Fagundes sempre foi conhecido entre os congonheiros por ser mala. Na última vez que o vi, por exemplo, tirei a foto dele com o Eric. Mal o flash disparou e ele já correu para o portão de embarque, sem esperar para saber se eu também pediria para tirar foto. Carlos e Jessica decidiram ir embora e tentar no aeroporto no dia seguinte.

Por falar em mala, quanto à Alissa White-Gluz, foi exatamente o que eu disse pra Arianne. Quando saiu e percebeu que cerca de 10 fãs estavam à sua espera, já foi dizendo que só tiraria foto coletiva. Fico puto com essas coisas. Por que então ela não vende ingresso coletivo também? Pelo preço de 1, vão 10 fãs ao show, que tal? Nem mesmo o presente fez a mala ser um pouco mais simpática. Tudo o que Alissa tem de linda, também tem de babaca. Acho que foi uma experiência tão broxante para Arianne, que ela nem quis esperar para conhecer Daniel, então retornamos para casa.

Como curiosidade: foi a primeira vez que fumei em 2 meses e meio. No começo de setembro, parei, porque o cigarro estava me matando. Era tragar e ficar duas horas tossindo. Com o auxílio de chicletes de nicotina, consegui parar, mas não tem jeito: eu gosto de fumar, então acabei voltando ao vício.

Eu me recusei a participar dessa palhaçada. Vá se foder, Alissa!

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

British Lion

Não é novidade pra ninguém que Iron Maiden é a minha banda predileta e que Steve Harris é meu principal ídolo. Por isso, não foi difícil decidir ir ao Rio de Janeiro quando o British Lion anunciou shows na América do Sul em 2018. Em São Paulo, caculei eu, seria bagunça. Steve é um cara que atrai multidões e, como muitos hunters paulistanos não tinham foto com ele ainda, todos queriam tentar. Se ele viesse com o espírito da turnê européia, seria para estreitar o contato com o público, atender geral. Mas... e se não viesse?! Preferi não arriscar...

Com a ajuda de amigos do Rio de Janeiro, que já o haviam visto no dia anterior, eu sabia que ele estava no Hilton. Meu voo foi bem cedo, então cheguei ao hotel para tentar já no café da manhã, mas ele não apareceu para se alimentar.

De tarde, toda a banda desceu ao hall, exceto Steve, mas preferi não abordar ninguém, para não entregar minhas intenções aos seguranças do hotel, já que eu não estava hospedado. Se fossem me expulsar após abordar Steve Harris, ao menos eu teria a foto com quem realmente interessava. Quando a banda saiu para passar o som, os seguranças da produção o retiraram do hotel por alguma saída alternativa.

Naquele dia, acordei de madrugada para voar, cheguei ao Rio e passei o dia inteiro no hotel - já estava quase anoitecendo. Exausto, decidi seguir para o hotel onde eu e Arianne passaríamos aquela noite, e dormir algumas horas, para retornar e tentar mais uma vez após o show. Não, eu não fui ao show. Amo Iron Maiden, mas prestigiar British Lion já é forçar a amizade, não rola. Após comprar alguma coisa para comer e chegar ao meu hotel, recebi a mensagem de um amigo que ficou, comunicando que a banda retornou da passagem de som e que Harris atendeu.

Após o show, logo ao chegar, Steve atendeu novamente, tirando fotos e distribuindo autógrafos para todos que o esperavam fora do hotel. Estávamos dentro, mas saímos, já que ele estava atendendo. Ele assinava tudo o que lhe pediam quase que no "piloto automático", mal prestava atenção no que era. Quando chegou minha vez, porém, ele se surpreendeu com o que levei: além de uma foto do British Lion, uma foto de sua primeira banda, Gypsy's Kiss, já devidamente autografada pelos seus antigos companheiros, que consegui em Londres meses antes. Ele pediu ao segurança, Peter Lokrantz, para se aproximar, mostrou a ele, e fez algum comentário que não compreendi. Também consegui autografar o livro "Steve Harris - The Clairvoyant", mas através da Arianne, que entrou para ele na vez dela.


Os outros músicos, entretanto, entraram e tentavam subir para seus quartos, possivelmente achando que ninguém se interessaria por alguma interação com eles. Chamei um, chamei outro... No fim, só não consegui foto e autógrafo com o vocalista Richard Taylor, que subiu antes que eu conseguisse falar com ele.

David Hawkins, guitarrista e tecladista do British Lion
Grahame Leslie, guitarrista do British Lion
Simon Dawson, baterista do British Lion
O excelente bônus da vez: o engenheiro de som Tony Newton, conhecido por seu trabalho com o Iron Maiden
No dia seguinte, retornei a São Paulo. Já que estava fácil, decidi ir ao hotel tentar uma nova foto com Harris, até porque eu tinha mais itens para autografar, incluindo uma foto da formação de 1977, autografada por todos, menos pelo Thunderstick. Quando cheguei, Carlos me contou uma história hilária:

“Fui abordar Dave Hawkins, o guitarrista, e ele estava emocionado, me disse que o Brasil é o melhor lugar do mundo. Eu perguntei o porquê, e ele respondeu "Isso é inédito, nunca aconteceu". Nunca ninguém pediu o autógrafo dele. Foto com ele, então, nem pensar. Ninguém queria, mas nós quisemos. Graças a nós, ele está curtindo a vida de rockstar.”

O segurança foi um pouco babaca pois, após minha vez, a fila para conseguir fotos com o Harris ainda estava relativamente grande e, claro, ele estava ocupado com ela. Falei com ele, perguntando se poderia me aproximar da van, estacionada a poucos metros, de portas abertas, e com os demais músicos dentro, para tentar falar com o vocalista. Expliquei que só faltava ele para eu completar a banda, mas tomei uma negativa. Fazer o que, não se pode ganhar todas...